A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Quinta Parte: O Conto do Fim da Busca
Capítulo VIII Atra e Birdalone conversam enquanto os Lordes sentam-se no Conselho de Assassinato
[305]Durante a ausência deles, Viridis sentou-se triste e silenciosa e abatida, pois a alegria dela, que antes tinha sido tão grande, agora parecia privada dela; e Aurea não mais estava feliz estava, como poderia ser esperado. Mas Atra veio rapidamente a Birdalone, e disse suavemente: ‘Eu tenho uma para ti, se tu saíres comigo para o salão.’ O coração de Birdalone falhou um pouco, mas ela tolerou Atra pegar a mão dela e elas entraram juntas no salão, e Atra conduziu-a para a janela fechada, e elas sentaram-se lado a lado e ficaram em silêncio um pouco. Em seguida, Atra falou, tremendo e ruborizando: ‘Birdalone, tu conheces que pensamento, que esperança, estava em meu coração, quando eu falei tão orgulhosa e precipitadamente agora mesmo?’ Birdalone ficou em silêncio, e tremeu como a outra o fazia. ‘Era isto,’ disse Atra: ‘ele irá para essa batalha valentemente, ele pode cair lá, e isso fosse melhor; pois então a vida começa outra vez; e o que há para fazer com essas escórias de vida?’ Disse Birdalone, com face ruborizada: ‘Se ele morrer, ele deverá morrer bem, e se ele viver, ele deverá viver bem.’ ‘Sim, sim,’ disse Atra: ‘verdadeiramente tu és uma mulher feliz!’ ‘Tu odeias-me?’ disse Birdalone. Disse Atra: ‘Orgulhosa é tua palavra, mas eu não te odeio. Não, mesmo agora, quando eu falava tão orgulhosamente, eu pensava: “Quanto ele tiver morrido como um cavaleiro valente deveria, então, [306]quando a vida começar novamente, Birdalone e eu deveremos ser amigas e irmãs, e nós duas deveremos conversas e lembrar dele, e da gentileza dele, e de como ele nos amava. Ai de mim! Isso era quando ele estava ali sentado ao meu lado e eu podia vê-lo e a gentileza dele; e então era como se eu pudesse doa-lo, mas agora ele se foi e eu não posso vê-lo, está claro para mim que eu não tenho parte ou porção nele, e eu chamo de volta meu pensamento e minha palavra, e agora é: Oh, que ele possa viver!” Oh, tu mulher feliz, tu deverás ficar satisfeita se ele vive ou morre!’
Disse Birdalone: ‘E agora tu me odeias, não, e nós somos inimigas?’ Atra não respondeu, nem falou por um momento; então ela disse: ‘É difícil e amargo, e eu não sei para o quê me voltar. Eu tenho visto repetidamente, na parede das Minorias em Greenford, uma bela pintura dos Abençoados, eles caminhando nos campos do Paraíso, envoltos em vestimenta similar, homens e mulheres; as cabeças deles coroadas de flores, os pés deles nus na inofensiva grama florida; de mãos dadas eles caminham com toda ira passada para sempre, todo o desejo mudado em gentileza amável, toda angústia de perdão esquecida. E sob a pintura está escrito:’
Cruel inverno, ardente verão, nunca mais deverão desperdiçar e desgastar;
Floração da rosa imortal traz primavera imortal ali.
‘Oh, pela esperança disso, que eu possa esperar isso! Oh, pelos dias para ser e pelo apaziguamento da dor: eu falo a palavra, e a esperança surge: a palavra é falada e ali reside o desejo estéril de esperança!’ [307]E ela curvou a cabeça e chorou amargamente; e Birdalone recordou-se da gentileza dela no passado e chorou por ela, também por ela.
Após um tempo, Atra levantou a cabeça e ela falou desta maneira: ‘Eu não te odeio, Birdalone; nem ninguém diz tais coisas para um inimigo. Sim, além disso, eu almejo algo de ti. Se alguma vez chegar uma ocasião quando tu puderes fazer alguma coisa para mim, tu o saberás provavelmente sem que eu o te conte. Naquele dia e naquela hora eu suplico-te, lembra-te de como nós outrora estivemos juntas ao pé da escadaria na Torre da Lamentação na Ilha do Aumento Espontâneo, e tu nua e medrosa e tremendo, e o que eu fiz para ti que aconteceu de te confortar e ajudar-te e salvar-te. E então, quanto tu te recordares, faze por mim o que tu podes fazer. Tu me prometerás isso?’ ‘Sim, sim,’ disse Birdalone; ‘e com toda a melhor vontade, que frequentemente e de novo eu me lembre disso. Portanto, eu juro-te, deixa-me servir-te se eu puder quando a ocasião chegar, mesmo se for para minha própria dor e sofrimento; pois isso eu sei que tu queres dizer.’
‘Vê tu isto, então,’ disse Atra friamente; ‘e provavelmente, a longo prazo, tu deverás ser a melhor para isso: pois tu és uma mulher feliz.’
Ela levantou-se enquanto falava, e disse: ‘Shh! Aqui vêm os lordes do conselho de assassinato; e oh, agora que ele vem, meu coração novamente se torna maligno em relação a ti, e quase me ordena a desejar que tu estivesses nua e desamparada diante de mim. Oh, minha infelicidade! Que ele deveria marcar minha face, que ela mostra como se eu estivesse inclinada a fazer-te uma ofensa. E nada [308]disso eu desejaria fazer; pois como isso deveria me beneficiar, e tu, minha companheira e mensageira fiel da Busca?’
Agora, com pouco das últimas palavras dela Birdalone travou conhecimento, visto que para dentro do salão vinham Hugh e Arthur; e embora ela se esforçasse para moderar a mente e pensar em sua amiga e na infelicidade dela, todavia, ela não conseguia escolher senão ficar cheia de alegria no íntimo do seu coração de que ela era tão bem-amada por seu amado: e ela considerou que Atra estava certa de a chamar e uma mulher feliz.
Dessa maneira, agora todas elas entraram juntas no solar, e sentaram com os dois outros; e Hugh fê-las tomar conhecimento de como eles tinham ordenado todo a questão dos mensageiros, quem deviam convocar os cavaleiros e chefes das redondezas, e os vereadores de Greenford, para se reunirem no Castelo da Busca, para que eles pudessem pôr em marcha a batalha contra o Domínio Vermelho.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 305-308. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/305/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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