Depois de Londres: ou, A Inglaterra Selvagem - Parte II Inglaterra Selvagem - Capítulo IV A Canoa

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[87]Felix escassamente trabalhara por uma meia hora antes que Oliver retornasse e jogasse-se em toda extensão no chão. Ele cansara-se de pescar; o ajuste delicado do equipamento e o cuidado necessário para evitar que o anzol e a linha agarrassem-se nos galhos rapidamente se provaram demais para a paciência dele. Ele deitou-se sobre a grama, seus pés na direção do riacho que corria e borbulhava abaixo, e assistia a Felix desbastando o bloco que era planejado para se encaixar na abertura secreta ou gaveta.

Então, está quase terminada?” Ele logo disse. “Que tempo você tem estado nisso!”

Quase três meses.”

Por que você o construiu tão grande? É grande demais.”

Realmente? Talvez eu queira colocar algumas coisas nela.”

Oh, eu entendo; carga. Mas onde você irá lançá-lo?”

Pedras abaixo, ali.”

Bem, você não costuma ser capaz de ir longe; há um velho abeto rio acolá abaixo, e um salgueiro oco caiu ali. Além disso, o córrego é muito raso; atingirá terra antes que você atinja uma meia milha.”

Eu devo?”

É claro que você irá. Esse bote flutuará seis polegadas de profundidade por si mesmo, e eu estou certo de que não há seis polegadas perto dos Abrolhos.

Muito embaraçoso.”

[88]“Por que você não construiu um coracle com uma estrutura de salgueiro e uma cobertura de couro? Então, talvez, você poderia descer o rio alarando-o até passados os salgueiros e as árvores caídas. No período de dois dias você estaria nas mãos dos ciganos.”

E você seria o herdeiro de Sir Constans!”

Vamos agora eu digo; isso é muito ruim. Você sabe que eu não quis dizer isso. Além disso, eu penso que agora eu sou tão herdeiro dele quanto você é” (olhando para seu braço vigoroso); “pelo menos, ele não ouve muito você. Eu quero dizer, o rio entra na região dos ciganos tão diretamente quanto ele pode fazê-lo.”

Exatamente.”

Bem, você parece muito tranquilo sobre isso!”

Eu não vou descer o rio.”

Então, para onde você está indo?

Para o Lago.”

Uau!(assobiando).Basta! Por que, a do Lago – deixe-me ver, para a Baía da Garça é exatamente de quinze milhas. Você não pode remar através da terra.”

Mas eu posso colocar a canoa em uma carroça.”

Ah! Por que você não me disse antes?”

Porque eu não queria que ninguém soubesse. Não diga nada.”

Eu não. Mas para onde, sobre a terra, ou antes, sobre a água, você está dirigindo-se? Para onde está indo? Para o que é a canoa?”

Eu estou indo em uma viajem. Mas eu te contarei quando tudo estiver pronto. Por agora, eu confio em você para mente silêncio. A consideração restante sobre o bote é para o rio.

[89]“Eu não direi uma palavra. Mas por que você não tem um coracle?”

Eles não são fortes o suficiente. Eles não podem suportar batidas repetidas.

Se você quer ir em uma viajem (para onde, eu não posso imaginar), por que você não viaja a bordo de um navio?

Eu quero ir em meu próprio caminho. Eles irão apenas no deles. Nem eu gosto da companhia.”

Bem, certamente os marinheiros são a parte mais dura que eu conheço. Contudo, isso não teria machucado você. Você é bastante delicado, Felix.

Minha delicadeza não machuca você.”

Não posso falar?” (rispidamente)

Faça o que você quiser.”

Um silêncio. Um cuco cantava na floresta e era respondido a partir de uma árvore dentro da distante paliçada. Felix cortava lenta e deliberadamente; ele não era um bom artífice. Oliver observava o progresso dele com desdém; ele podia ter colocado isso em forma em metade do tempo. Felix poderia desenhar e projetar; ele podia inventar, mas ele não era um artífice prático para dar um efeito veloz e correto às ideias dele.

Minha opinião é,” disse Oliver, “que essa canoa não flutuará em posição vertical. Ela está assimétrica.

Felix, comumente tão autocontrolado, não pôde evitar de jogar seu cinzel iradamente no chão. Mas ele pegou-o novamente e não disse nada. Esse silêncio teve mais influência sobre Oliver, a natureza de quem era muito generosa, do que a réplica mais amarga. Ele sentou sobre a relva.

[90]“Eu ajudarei a lançá-lo,” ele disse. “Nós poderíamos tratar disso entre nós, se você não quer muitos companheiros aqui embaixo.”

Obrigado. Eu deverei gostar mais disso.”

E eu ajudarei com a carroça quando você partir.”

Oliver rolou sobre suas costas, e olhou ociosamente para cima, para as manchas brancas de nuvens navegando à grande altura.

O Velho Rato é um miserável para não me dar um comando,” ele logo disse.

Felix olhou em volta involuntariamente, com medo de que alguém tivesse ouvido; Rato era o apelido do Príncipe. Como todos que reinam com poder irresponsável, o Príncipe tinha espiões em todo lugar. Ele não era um homem cruel, nem um benevolente, nem tampouco esperto nem tolo, nem forte nem fraco; simplesmente um ser ordinário, muito ordinário, quem aconteceu de se sentar no trono porque seus ancestrais o fizeram, e não por nenhuma superioridade pessoal.

Às vezes ele era muito influenciado por aqueles à volta dele; junto a outros ele tomava seu próprio curso, certo ou errado; junto a outro, ele deixava os assuntos flutuarem. Pela manhã, nunca havia nenhum relato do que ele poderia fazer para a noite, pois não havia nenhuma veia de vontade ou propensão correndo através de seu caráter. De fato, ele carecia de caráter: ele era todo incerteza, exceto em ciúmes de sua supremacia. Possivelmente alguma fraca percepção de sua própria incapacidade, do fraco domínio que ele tinha sobre o Estado, que exteriormente parecia tão completamente dele, ocasionalmente cruzava sua mente.

Por essa razão, as cenas furiosas com o irmão dele; por isso, os aprisionamentos súbitos e os perdões igualmente súbitos; os [91]espiões e bisbilhoteiros, a apreensão de propriedades sem causa aparente. E, seguindo-se a essas severidades erráticas aos nobres suspeitos, proclamações concedendo privilégios ao povo e removendo impostos. Mas, em uns poucos dias, esses eram novamente estabelecidos, e os homens que se atreviam a murmurar eram espancados pelos soldados, ou jogados em masmorras. Contudo, o Príncipe Louis (todos da família eram de mesmo nome) não era um homem mal-intencionado; ele frequentemente desejava o bem, mas não tinha estabilidade ou firmeza de propósito.

Foi por isso que Felix temeu que algum ouvinte casual devesse ouvir Oliver abusá-lo. Oliver estivera no exército por algum tempo; sua excelência em todas as armas e, especialmente, com a lança e espada, sua coragem reconhecida, e seu nascimento nobre, qualificavam-no para um comando, por mais humilde que ele pudesse ser. Mas ele ainda estava nas linhas de soldados, e nem o menor reconhecimento alguma vez tinha sido concedido aos feitos dele, exceto, realmente, se os sussurros eram verdadeiros, por alguns doces sorrisos de uma certa senhorita do palácio, quem admirava proezas cavalheirescas.

Oliver irritava-se com essa negligência.

Eu não diria esse tipo de coisa,” observou Felix. “Certamente isso é irritante.”

Irritante! Essa é uma expressão suave. É claro, todos conhece a razão. Se nós tivéssemos algum dinheiro, ou influência, isso séria muito diferente. Mas Sir Constans não tem nem ouro nem poder, e ele poderia ter tido ambos.”

Havia um escriturário do notário em casa, ontem à noite,disse Felix.

Sobre os débitos, sem dúvida. Algum dia, o ardiloso [92]velho canalha, quando ele não puder espremer mais juros de nós, encontrará um sofisma jurídico e tomar a parte.

Ou colocar-nos na Câmara Azul, à primeira vez que o Príncipe for a guerra ou quiser dinheiro. A Câmara Azul dirá, ‘Onde nós podemos consegui-lo? Quem é o mais fraco?’ ‘Porque, Sir Constans!’ ‘Então, embora com ele.’

Isso, será assim. Contudo, eu desejaria que uma guerra acontecesse; haveria alguma oportunidade para mim. Eu iria com você em sua canoa, mas eu não sei para onde você está indo. Qual é o seu objetivo? Nada. Você não conhece a si mesmo.”

Certamente!”

Não, você não conhece; você é um sonhador.”

Eu temo que isso seja verdade.”

Eu odeio sonhos.” Após uma pausa, em uma voz mais baixa. “Você tem algum dinheiro?”

Felix pegou sua bolsa e mostrou-lhe as peças de cobre.

O filho mais velho de Constans Aquila com dez peças de cobre,” resmungou Oliver, levantando-se, mas aceitando-as todas mesmo assim. “Empreste-as a mim. Eu as testarei na mesa hoje à noite. Imagine-me, depositando cobre! É intolerável” (colocando-se em um furor). “Eu me tornarei bandido e assaltarei as estradas. Eu irei ao Rei Yeo e lutarei com os galeses. Confusão!”

Ele apressou-se para dentro da floresta, deixando sua lança sobre a relva.

Quietamente Felix desbastava o bloco ao qual ele estava dando forma, mas o temperamento dele, também, estava subindo interiormente. A mesma conversa, [93]variada em detalhe, mas a mesma em assunto, ocorria a cada vez que os irmãos estavam juntos e sempre com o mesmo resultado de irritação. Em dias anteriores, Sir Constans tinha sido tão impaciente em todos os exercícios de guerra quanto Oliver era agora e, sendo possuído de força física extraordinária, tomava um papel de liderança em meio aos homens. Empunhando seu machado de batalha com força irresistível, ele distinguiu-se em várias batalhas e cercos.

Ele tinha um talento singular para construção mecânica (a roda por meio da qual água era extraída do posso no palácio foi projetada por ele), mas sua engenhosidade mesma foi o começo de suas dificuldades. Durante um longo cerco, ele inventou uma máquina para o lançamento de grandes pedra contra as muralhas, ou antes a montou a partir das várias descrições que ele tinha visto em autores, cujos os trabalhos quase pereceram antes da dispersão dos antigos; pois também ele tinha sido estudioso na juventude.

O antigo Príncipe ficou muito satisfeito com esse mecanismo, o qual lhe prometia a conquista rápida de seus inimigos e a destruição das fortalezas deles. Mas os nobres que tinham comando hereditário da artilharia de cerco, a qual consistia principalmente em aríetes, não puderam suportar ver o seu prestígio desaparecendo. Eles tramaram, difamaram o Barão e ele caiu em desgraça. Essa desgraça, como ele foi assegurado pelas mensagens secretas do Príncipe, era apenas política; ele seria convocado de volta tão logo o Príncipe fosse capaz de suportar a pressão do nobres. Mas aconteceu que o Príncipe antigo morreu naquela conjuntura, e o Príncipe atual sucedeu.

[94]Os inimigos do Barão, tendo acesso ao Príncipe, obtiveram sua confiança; o Barão foi preso e punido com uma grande multa, o pagamento da qual lançou o fundamento daqueles débitos que, desde então, têm sido constantemente crescentes. Em seguida, ele foi liberado, mas, por aproximadamente dois anos, não foi permitido se aproximar da Corte. Entrementes, homens de nem metade de sua descendência, mas com uma fronte desavergonhada e língua aduladora, tornaram-se os favoritos no palácio do Príncipe, quem, como dito antes, não era mau, mas o mero fantoche das circunstâncias.

Aquila não podia entrar em competição com esses aduladores vulgares. De fato, era o orgulho, e nada mais que orgulho, que o mantivera longe do palácio. Por lentos graus ele afundou-se para fora da vista, ocupando a si mesmo mais e mais com invenções mecânicas, e com jardinagem, até que, finalmente, ele veio a ser considerado como não mais que um agricultor. Contudo, nessa condição obscura, ela não escapara de perigo.

O povo comum era notoriamente apegado a ele. Se isso era devido a sua bondade natural, sua força real de intelecto e charme de maneira, ou se era por causa da retidão com a qual ele julgava entre eles, ou se era devido a todas essas coisas combinadas, certo era que não havia um homem na propriedade que não teria morrido por ele. Também é certo que ele era amado pelo povo do distrito inteiro e, mais especialmente, pelos pastores das colinas, quem estavam mais livres e menos sob o controle da casta patrícia. Em vez de levarem as disputas para a cidade, para serem [95]julgadas pela autoridade do Príncipe, muitas eram privadamente trazidas para ele.

Isso, sendo conhecido por graus, excitava a inveja e a ira do Príncipe, uma ira astutamente inflamada pelo notário Francis, e por outros nobres. Mas eles hesitavam em executar qualquer coisa contra ele com medo de que o povo devesse se erguer, e era duvidoso, de fato, se mesmo os retentores dos nobres atacariam a Casa Antiga, se ordenados. Dessa maneira, a fraqueza do Barão era sua defesa. O Príncipe, para lhe fazer justiça, logo se esqueceu do assunto, e ria de sua própria loucura, de que ele deveria ser invejoso de um homem que não era mais do que um agricultor.

O restante não ficou tão satisfeito; eles desejavam a destruição do Barão se apenas devido ao ódio pela popularidade dele e não perdiam oportunidade para lançar descrédito sobre ele, ou de tentar alienar as afeições do povo ao representar-lhe como um mágico, uma coisa claramente provada pelas máquinas e mecanismo, as quais devem ter sido projetadas por alguma assistência sobrenatural. Mas o principal, como o perigo mais imediato e urgente, era o débito com Francis, o notário, o qual poderia, a qualquer momento, ser levado diante da Corte.

Foi dessa maneira que os três filhos encontraram-se sem dinheiro ou posição, sem nada exceto uma simples patente de nobreza. Apenas o terceiro e mais jovem tinha feito algum progresso, se tal isso podia ser chamado. Por força de seus próprios esforços persistentes, e suportando insultos e recusas com indiferença, ele, pelo menos, obtivera uma nomeação naquela seção do Tesouro que recebia as taxas sobre [96]mercadorias e regulava os impostos. Ele era apenas um mensageiro ao chamado de cada homem; o pagamento dele não era suficiente para obter sua própria comida, contudo, era um avanço, e ele estava em um emprego público. Ele podia apenas existir na cidade, dormindo em um sótão, onde ele armazenava as provisões que ele levava com ele a cada manhã de segunda-feira da Casa Antiga. Mesmo a paciência dele estava quase esgotada.

Dessa maneira, todo o lugar estava caindo em decadência, enquanto, ao mesmo tempo, parecia estar derramando-se com leite e mel, pois, sob a atenção pessoal do Barão, a propriedade, embora tão descuidadamente guardada, tornou-se um jardim mesmo. O rebanho aumentara, e era do melhor tipo, os cavalos eram celebrados e buscados, as ovelhas, valorizadas, as colheitas, a maravilha da província. Contudo, não havia dinheiro; o produto ia para o notário. Essa extraordinária fertilidade era a causa do desejo cobiçoso dos favoritos da Corte para dividirem a pilhagem.


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ORIGINAL:

JEFFERIES, R. After London; or, Wild England. London: Duckworth & Co, 1905. p.87-96. Disponível em: <https://archive.org/details/afterlondonorwil00jeffuoft/page/87/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo VII Birdalone engana o Sacerdote para a ajudar a sair

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[216]Agora a época estava tão desgastada que a estação estava nos primeiros dias de Agosto, e o cansaço e desgosto novamente cresceram em Birdalone, e ela começou a parecer definhada e pálida. Ainda assim, quando ela falava da demora dos Campões, tanto para o castelão quanto para Sir Leonard, o sacerdote (quem era o mais sábio dos dois), cada um dizia a mesma coisa, a saber, que não era espanto que eles ainda não haviam chegado, vendo de que tipo era a aventura; e nenhum deles parecia de qualquer maneira ter perdido a esperança.

Três vezes nos últimos dias Birdalone foi para fora dos portões com Sir Aymeris e a companhia dele; e, na última das três vezes, a jornada foi para a colina que olhava para dentro do Vale Negro; mas agora o deleite de Birdalone com a visão desse [lugar] longínquo foi estragado pelo anseio de estar no meio dali; contudo, ela não mostrou que estava irritada por abster-se de seu desejo de entrar ali, e eles viraram-se, e voltaram em segurança para casa no castelo.

No dia seguinte, ela sentou-se com Sir Leonard, o sacerdote, para a lição de escrita, e ela deixou-a ser demorara e, frequentemente, ele tocava na mão dela, de maneira que a doçura de desejo não satisfeito ia fundo no coração dele.

Finalmente, Birdalone olhou para cima e disse: Amigo, eu preciso perguntar-te se tu vês algum perigo em minha entrada no Vale Negro das Greywetheres durante o dia se eu deixá-lo durante o dia?’ ‘Sozinha?’ Respondeu ele. [217]‘Sim,’ ela disse, ‘sozinha.’ Ele ponderou um pouco e, em seguida, disse: ‘Verdade é dizer que eu considero o perigo no vale mesmo pequeno, se tu não for dominada pelo terror ali. Sim, de minha parte eu não estou tão inteiramente certo de que tu devas ver o prodígio do Povo de Pedra vindo à vida; pois não é dito que eles se apressem, salvo em certas noites e, principalmente, na Noite do Solstício de Verão; a menos que o arriscador da aventura seja alguém destinado acima dos outros para lá; como verdadeiramente tu podes ser. Quanto ao perigo de homens malignos, há poucos que sejam tão aventurosos quanto tu ou eu. Eles não se atrevem a entrar naquela rua negra, salvo se dolorosa necessidade os obrigue. Mas verdadeiramente, deve haver algum perigo em ir para lá e voltar novamente. E contudo, pelas semanas passadas, não houve nenhuma palavra de qualquer ausência de paz; e o Cavaleiro Vermelho, diz-se, por certo não está cavalgando.

Birdalone ficou em silêncio por um tempo; em seguida, ela disse: ‘Bom e amável amigo, eu estou consumindo meu coração no anseio pelo retorno de meus amigos, e é provável que, a menos que tome algum remédio, eu deverei cair doente dessa maneira, e então, quando eles retornarem, deverá haver em mim apenas triste ânimo para eles. Agora, o remédio que eu conheço é aquele em que eu me comprometo sozinha com essa aventura do Vale Negro; pois, parece-me, que eu deverei ganhar saúde e força com minha ida para lá. Portanto, para ser breve, se tu desejares ajudar-me, eu irei amanhã. Que dizes tu, tu me ajudarás?

Ele enrubesceu muito e falou: Senhora, por que tu deves ir, como tu nome é, pássaro solitário (birdalone)? Agora mesmo tu me chamou de teu amável amigo, tão amável como [218]fosse de ti; agora, portanto, por que não deves teu amigo ir contigo?

De fato, gentilmente ela sorriu-lhe, mas sacudiu sua cabeça: Eu chamo-te de legal e querido amigo novamente,disse ela; ‘mas o que desejo fazer eu preciso fazer sozinha. Além disso, para que fim tu deverias ir? Se eu cair com fantasmas, uma vintena de homens em nada me ajudaria; e se eu me deparar com homens armadas que me feririam, de que proveito seria um homem contra eles? E veja tu, Sir Leonard, há este proveito em tu permanecendo para trás; se eu não retornar no espaço de dois dias, ou três, no máximo, tu terás conhecimento de que viajei mal, e então tu podes deixar ser conhecido para onde eu fui, e homens procurar-me-ão e, talvez, entregar-me-ão.’

Com isso, ela conteve suas palavras subitamente, empalideceu-se muito, colocou a mão sobre o seio e disse fracamente: Mas oh meu coração, meu coração! Se eles devessem retornar enquanto eu estou fora!E ela parecia prestes a desmaiar.

Leonard ficou assustado com isso, e não sabia o que fazer; mas logo a cor retornou novamente à face dela e, em pouco tempo, ela sorria e disse: ‘Não vês tu, amigo, quão fraca eu cheguei a ficar, e que agora, além de toda a dúvida, eu preciso receber o remédio? Tu não me ajudarás a recebê-lo?’

Sim, verdadeiramente,disse ele; mas de que maneira tu o receberás?Ele falou como um homem perturbado e sem conselho; mas ela sorriu-lhe agradavelmente e disse: ‘Agora, por esta hora, tu deves ter imaginado o ele deve ser, e poupou-me da dor disso. Duas coisas eu necessito de ti: a primeira e mais [importante], ser colocada [219]fora dos portões em segredo, logo pela manhã, quando nada está se mexendo; a segunda, ter meu palafrém esperando um pouco perto de portão, de maneira que eu não terei de ir a pé; pois eu tornei-me branda e fraca com toda essa vida doméstica.’

Leonard pareceu acordar com aquela palavra e disse: Eu tenho a chave da porta do sacerdote da capela, e da poterna além dela; isso deverá ser teu fora do portão, senhora. Eu chegarei e rasparei na porta de teus aposentos muito cedo e verei para isso que teu palafrém seja guardado no caramanchão no qual tu descansaste na primeira noite que chegaste ente nós.Ela disse: ‘Eu confio em ti, amigo.’ E ela agradeceu-lhe docemente, em seguida levantou-se e, imediatamente, começou a andar a passo pelo salão, para cima e para baixo. Leonard permaneceu por perto, observando-a por um tempo, ela em nada lhe interditando, pois os pensamentos dela estavam em outro lugar, ela esquecera-lhe; e, finalmente, ela seguiu em seus caminhos para começar a fazer o que ela desejava.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 216-219. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/216/mode/1up


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EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quarta Parte: Dos Dias de Permanência - Capítulo VI Birdalone ouve contarem-se Contos do Vale Negro das Greywethers

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[213]Pela manhã, Birdalone estava de coração mais pesado do que alguma vez até então estivera, mais cansada por notícias e ponderando sobre como ela pôde ter estado tão alegre naquele dia na floresta. Contudo, ela pensava muito no Vale dos Greywethers, e isso a confortou um pouco após um tempo, tão severamente ele ansiava para ir até lá; e, como se diz, coisas novas suplantam coisas antigas. De maneira que, pela manhã, quando ela recebeu a lição dela do sacerdote Leonard, ela falou sobre isso com ele e contou-lhe o que Sir Aymeris tinha disto concernente ao conhecimento dele sobre isso; e ela perguntou-lhe o que ele conhecia.

Eu estive lá,disse ele. Ela aprontou-se diante dessa palavra e disse: ‘Algo de mal te ocorreu?’

Não,disse ele, mas um grande medo e pavor pendeu à minha volta; e diz-se que aqueles que vão para lá duas vezes testam sua sorte excessivamente.

Birdalone disse: Conta-me agora das histórias que são contadas sobre aquele vale.Respondeu Leonard: ‘Elas são muitas; mas a principal delas é esta: que aquelas Greywethers são gigantes de outrora, ou criaturas da terra, camponeses e mulheres imprudentes, quem foram transformados em pedra por feitos dos quais eu não tenho conhecimento; mas que, às vezes, eles podem voltar à vida novamente, e podem andar e falar como outrora eles fizeram; e que, se qualquer homem puder ser corajoso o suficiente para aguardar o tempo do despertar deles e, no primeiro momento de sua mudança, puder dar forma às palavras que almejam a satisfação de seu desejo e, se com isso, ele for [214]tanto sábio quanto constante, então ele deverá receber seu desejo satisfeito daquelas criaturas, e trazer sua vida novamente de volta para fora do vale. E ele deverá falar desta maneira, e de nenhuma outra: “Oh Terra, tu e teus primeiros filhos, eu desejo de ti uma tal e tal coisa,” o que quer possa ser. E se ele falar mais do que isso, então ele está perdido. Ele não deve responder a nenhuma questão deles; e, se eles ameaçarem-no, ele não deve suplicar-lhes por misericórdia, nem recuar diante de suas armas levantadas; nem, para ser breve, ele deve atentar para eles mais do que se eles ainda fossem pedras não transformadas. Além disso, quando ele tiver dito sua palavra, então, essas criaturas deverão se amontoar em volta dele e oferecer-lhe ouro e gemas, e toda a riqueza da terra; e, se isso não for o suficiente, eles deverão trazer-lhe a mais vistosa das mulheres, com nada carecendo em sua forma, mas carecendo de toda a vestimenta, de maneira que ele deverá vê-la como ela é verdadeiramente formada. Mas, quem quer que receba qualquer um de todos esses presentes estará perdido para sempre, e deverá tornar-se um daquele Povo de Pedra; e quem quer que os recuse todos, até que o galo cante, deverá obter satisfação disso, e, como alguns dizem, todos aqueles presentes supracitados; pois que o Povo de Pedra não pode permanecer durante o dia para os tomar de volta novamente.

Após isso, ele ficou em silêncio, e nada falou Birdalone, mas olhou para o chão e a saudade envolveu a alma dela. Em seguida, o sacerdote falou novamente: ‘Essa foi uma bela aventura, senhora, para um alguém infeliz, mas, para o feliz, ela foi uma missão de tolo.Ela não respondeu, e eles separaram-se por aquela vez.

Mas, na semana seguinte, ali não havendo nenhuma notícia até agora chegado à mão, Birdalone, suplicou ao castelão para a levar [215]novamente para fora dos portões, para que ela pudesse contemplar as montanhas uma vez mais, e os portões delas. Ele concordou com o pedido dela, e partiu com ela, bem acompanhado, como antes; mas desta vez, pela vontade Birdalone, eles cavalgaram diretamente para a planície acima mencionada e, novamente, ela olhou para dentro daquele vale das Greywethers a partir da colina. Algo os atrasou, de maneira que eles não puderam voltar ao castelo antes do crepúsculo, portanto, novamente, eles deitaram-se no bosque, mas ali faltaram um pouco do triunfo e da alegria que eles tinham tido naquele outro dia. Eles voltaram ao castelo no dia seguinte, um pouco após o meio dia, e não encontraram nenhuma notícia ali; nem, para falar a verdade, Birdalone procurava por alguma; e o coração dela ficou pesado.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 213-215. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/213/mode/1up


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EderNB do Blog Eidonet

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O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

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