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[77]Quando
Oliver e Felix partiram, eles deixaram Philip, o terceiro e mais
jovem dos irmãos, ainda no café da manhã. Eles voltaram-se para a
esquerda, ao
saírem pelas portas, e novamente para esquerda, através da
passagem coberta entre o depósito do mordomo e
as cozinhas. Então, cruzando a área dos carroções, eles
pararam por um momento para darem uma olhada na
forja, onde dois homens estavam reparando parte de
um arado.
[78]Oliver
também precisou procurar sua égua por
um momento, após o que eles dirigiram seu passos para o Portão Sul.
A massiva porta de carvalho, os ferrolhos tendo
sido recolhidos ao sopro de corneta. Havia uma sala de guarda em um
lado do portão sob a plataforma no canto, onde
sempre se supunha haver um vigia.
Mas
em tempos de paz, e quando não havia nenhum receio
de ataque, os homens cuja vez era vigiar
aquele lugar eram chamados para longe por um
tempo para auxiliarem no progresso de
alguma tarefa e, naquele momento, eles estavam ajudando a
mover os pacotes de lã mais para dentro do
armazém. Ainda assim, eles estavam
perto à mão, e houvesse o vigia ou sentinela, quem agora estava
sobre o teto, soprado seu chifre, teriam se apressado
imediatamente para o portão.
Felix não gostou desse relaxamento da disciplina. Suas
ideias precisas ficaram perturbadas pela ausência da guarda; método,
organização e precisão eram as características da mente dele, e
esse tipo de incerteza irritava-o.
“Eu
desejaria
que Sir Constans insistisse
na manutenção
da guarda.”
Ele comentou. Crianças, falando sobre
seus pais, invariavelmente lhes davam os títulos deles. Agora, o
título do pai deles era devidamente “meu senhor,”
já que ele era um barão, e um dos mais antigos. Mas há
muito que ele renunciara ao exercício
de seus direitos e privilégios, afundando o
nobre no mecânico, de modo que homens se esqueceram
do título apropriado através do qual eles deviam endereçar-se
a ele. “Sir” era aplicado
a todos os nobres, quer eles possuíssem propriedades ou não. Os
irmãos eram invariavelmente tratados como Sir
Felix ou Sir
Oliver. Portanto, isso marcava a baixa
[79]estima
com a qual o Barão era considerado até quando seus próprios filhos
falavam sobre ele com aquele título.
Oliver,
embora um militar por profissão, riu diante da visão estrita dos
deveres dos guardas. Familiaridade com perigo e descuido natural
tornaram-no desdenhoso disso.
“Não
há risco,” disse ele, “que eu possa ver. Quem nos atacaria? Os
homens do mato
nunca sonhariam com isso; os romani
seriam vistos com antecedência chegando;
nós estamos muito distantes do Lago para os piratas; e, como nós
não somos povo grande, como nós poderíamos ter sido, nós não
precisamos temer inimizade privada. Além
do que, quaisquer atacantes precisam passar
primeiro pelas paliçadas.”
“Bastante
verdadeiro. Ainda assim, eu não gosto; é uma
maneira relaxada de se fazerem as coisas.”
Fora
do portão eles seguiram a trilha do carroção,
ou a Estrada Sul, por aproximadamente meia milha. Ela
cruzava prados separados por cercas baixas, e eles observavam,
conforme caminhavam, a baixa altura da grama, a qual, por falta de
chuva, não estava nem perto de adequada para sega.
No último ano, houve uma colheita ruim de trigo; neste ano, no
presente, escassamente há qualquer grama. Essas questões
eram da mais alta importância; paz ou guerra, fome ou abundância,
poderiam depender do clima dos próximos poucos meses.
Os
prados, além de
serem divididas pelas cercas, mantidas propositalmente cortadas
baixas, eram rodeadas, como todas as terras cultivadas, por
altas e fortes paliçadas. A meia milha abaixo na Estrada Sul eles
deixaram o caminho e, seguindo um atalho de
algumas centenas de jardas, chegaram à lagoa [80]onde
Oliver banhara-se naquela manhã. O rio, o qual corria através
dos terrenos fechados, estava bem raso, pois eles estão próximos de
sua fonte nas colinas, mas exatamente ali ele se alargava e enchia
uma depressão de cinquenta ou sessenta jardas de lado a lado, a qual
era suficientemente profunda para natação. Além
da lagoa, o córrego curvava-se e deixava a cercada; a paliçada, ou,
pelo menos, uma obra aberta de estacas, continuava através
dela. Essa obra permitia ao córrego fluir livremente, mas era
suficientemente estreita para excluir
qualquer um que pudesse tenta entrar rastejando
furtivamente pelo leito do rio.
Eles
cruzaram o rio exatamente acima da
lagoa
através de algumas alpondras,
grandes blocos deslizados para esse
propósito, e aproximaram-se da paliçada. Ela era formada de
árvores pequenas mas inteiras; jovens olmos, abetos
ou freixos muito grossos, fincados em fileira dupla na terra, a
fileira primeira ou interior, lado a lado, a fileira exterior
preenchendo os interstícios, e o todo sendo unido na base por
salgueiro divido, entrelaçado para dentro e para fora. Esse
entrelaçamento se estende apenas três pés acima, e foi
primeiramente projetado para unir a estrutura e, em segundo lugar,
para excluir pequenos animais que poderiam rastejar por entre as
estacas. A razão pela qual ele não levado
todo até
em cima era
que ele não deveria propiciar o apoio de pés de ladrões humanos
desejos de escalar.
Os
postes lisos por si mesmos não concediam nenhum entalhe ou ponto
de apoio para o pé nu de um
homem do mato. Eles erguiam-se nove ou dez pés acima do salgueiro,
de maneira que a altura total da paliçada era de aproximadamente
doze pés, e os topos das estacadas eram afiados. A construção de
tais grandes paliçadas requeria grande labor e apenas podia ser
executada por [81]aqueles
que podiam comandar os serviços de numerosos homens, de maneira que
para um pequeno proprietário era impossível, a não ser dentro das
muralhas de uma cidade. Essa paliçada em particular não era em
hipótese alguma extensa, em comparação com as propriedades de
nobres mais proeminentes.
A
cercada imediatamente circundante da Casa Antiga era de uma irregular
forma oval, talvez
de um milha
em
extensão, e não bem três quartos de uma milha de
largura, a casa ficando situada para
a extremidade norte e mais elevada do oval.
O rio cruzava-a, entrando no lado ocidental e
saindo no oriental. A cercada era, pela maior parte, prado e pasto,
pois aqui era mantido o gado que supria a casa com leite, queijo e
manteiga, enquanto que aqueles destinados ao
abate eram conduzidos para cá para o último mês de engorda.
Os
cavalos efetivamente usados para montaria, ou para os carroções,
também saiam para cá temporariamente.
Havia duas baias
e estaleiros dentro dela, um ao lado do rio, outro mais
abaixo. A Estrada Sul descia quase pelo centro,
passando ambos os estaleiros e deixando a paliçada na extremidade
sul, chamada de a barreira.
Na extremidade norte da oval, a paliçada
passava a menos de
trezentas jardas da casa, e havia outra barreira, à qual a estrada
conduzia a partir do Portão de Bordo, o qual foi mencionado. A
partir dali ela prosseguia através das colinas até a cidade de
Ponze. Dessa maneira, qualquer um
aproximando-se da Casa Antiga primeiro tinha de atravessar a barreira
e entrar na paliçada.
Em
cada barreira havia uma cabana e uma sala
de guarda, [82]embora,
como uma questão de fato, a vigilância era mantida em tempos
pacíficos ainda mais descuidadosamente do que nos portões internos
da muralha em volta da casa mesma. Muito do mesmo plano, com
variações locais, era buscado em
outras propriedades da província, embora a paliçada na Casa Antiga
fosse notável pelo cuidado e habilidade com os quais fora
construída. Parte do dever do vigia no teto era manter um olho nas
barreiras, a qual ele poderia ver de sua posição elevada.
No
caso de uma incursão de ciganos, ou de qualquer perigo, supunha-se
que, de uma vez, o guarda na barreira fechasse o portão, soprasse um
chifre e exibisse uma bandeira. Ao ouvir o chifre ou observar a
bandeira, o sentinela no teto subia o alarme, e assistência era
enviada. Tal era o sistema, mas, como nenhum ataque ocorrera por
alguns anos, a disciplina afrouxara-se.
Após
cruzarem as alpondras, Oliver e Felix logo estavam sob a paliçada, a
qual corria alta acima deles, e era aparentemente tão difícil de
sair dela quanto de entrar nela. Pela estrita lei do estado, qualquer
pessoa que deixasse a paliçada, exceto pela barreira pública,
tornava-se passível de chicotada ou aprisionamento. Qualquer pessoa,
mesmo um retentor, atrevendo-se a entrar através do poste, escada ou
corda, poderia ser morto com uma flecha ou dardo, colocando-se na
posição de um bandido. É claro, na prática, essa lei era
frequentemente evitada. Ela não se aplicava à família do
proprietário.
Sob
alguns arbustos perto da paliçada ficava uma escada de corda; os
degraus, contudo, de madeira. Colocando seu equipamento de pesca
[83]e
lança para javali no chão, Oliver pegou a escada e arremessou a
extremidade sobre a paliçada. Ele então escolheu um poste com um
garfo ao final dos arbustos, deixados ali, é claro, para o
propósito, e com o garfo empurrou os degraus para cima até que a
escada estivesse ajustada, metade dentro e metade fora da paliçada.
Ela pendia pelos degraus e, quando no topo, inclinava-se de dentro
para fora e puxava a parte externa da escada, a qual ele colocara no
lado de dentro da paliçada, de maneira que, ao transferir o seu peso
para o lado de fora, ela poderia suportá-lo. Caso contrário, a
escada, quando ele superasse as pontas das estacas, precisa ter
deslizado a distância entre um degrau e um segundo.
Tendo
ajustado isso, ele subiu, e Felix, carregando as lanças e
equipamento, entregou-os a ele. Felix seguiu e, dessa maneira, em
três minutos, eles estavam do lado de fora da paliçada.
Originalmente, o chão por vinte jardas e todo o entorno externo da
paliçada, fora limpo de árvores e arbustos para que não pudessem
abrigar animais daninhos, ou porco-espinho, ou facilitar a
aproximação de inimigos humanos. Parte do trabalho semanal dos
meirinhos era andar em volta da inteira circunferência da paliçada
para ver se ela estava em ordem e ter qualquer arbusto que começasse
a crescer removido. Como com outras questões, contudo, com o espaço
de tempo os meirinhos tornaram-se descuidados, e talvez o comando
muito clemente de Sir Constans não lhes lembrasse de seus deveres
com suficiente intensidade.
Amoras
pretas e espinheiros e outras vegetações rasteiras começaram a
cobrir o espaço que deveria ter ficado aberto, e jovens [84]rebentos
de carvalho surgiram a partir das bolotas caídas. Felix indicava
isso para Oliver, quem raramente o acompanhava; de fato, ele estava
bastante feliz da oportunidade para o fazer, como Oliver tinha mais
interesse em Sir Constans do que em si mesmo. Oliver admitiu que isso
mostrava grande negligência, mas acrescentou que, depois de tudo,
isso não importava. “O que eu desejo,” disse ele, “é que Sir
Constans fosse para a Corte, e tomasse sua posição apropriada.”
Sobre
isso eles estavam bem acordados; de fato, isso era quase o único
ponto sobre o qual todos os três irmãos concordavam. Algumas vezes
eles falavam sobre isso até que eles se separavam em um temperamento
furioso, não um com o outro, mas com ele. Havia um distinto traço
de pegadas através da estreita faixa de baixos espinheiros e
vegetação rasteira entre a paliçada e a floresta. Isso foi feito
por Felix em suas visitas diárias a sua canoa.
A
floresta ali consistia principalmente em espinheiros-alvares e
matagais de espinhos, e moitas de espinhos, com alguns carvalhos e
freixo espalhados; a madeira era esparsa, mas agora a samambaia
estava crescendo rapidamente, tão espessa que, no auge do verão,
seria difícil caminhar através dela. Agora, as pontas das frondas
não estavam à altura do joelho; depois a samambaia alcançaria o
ombro. O caminho abria-se em torno das moitas (a abrunheira sendo
bastante impenetrável exceto com o machado) e chegava novamente ao
rio a umas quatrocentas ou quinhentas jardas a partir da paliçada. O
córrego, que corria de oeste para leste através da cercada, aqui se
virava e seguia diretamente para o sul.
No
banco de areia, Felix encontrara um belo álamo-negro, o [85]maior,
mais reto e melhor crescido do tipo em alguma distância em volta, e
esse ele selecionara para sua canoa. Aqui, redras quebravam a
corrente em redemoinhos, abaixo dos quais haviam profundos buracos e
bueiros sobre os quais amieiros penduravam-se, e uma faia sempre
sussurrante espalhava a sombra de seus galhos através da água. A
lama de coloração clara, formada de giz desintegrado, no lado mais
distante e raso era apenas parcialmente oculta por espadanas e
juncos, os quais gostam de uma terra mais rica e aluvial. Nem os
arbustos cresciam muito densamente neste solo através do giz, de
maneira que havia mais espaço para o lançamento do isca do que
usualmente seria o caso onde um córrego corre através da floresta.
Oliver, após colocar seus equipamentos em ordem, imediatamente
começou a lançar, enquanto Felix, pendurando seu gibão em um galho
frequentemente usado, e inclinando sua lança contra uma árvore,
tomou seus cinzéis e goivas da cesta de espadana.
Ele
escolhera o álamo-negro para a canoa porque ele era a madeira mais
leve e flutuaria melhor. Derrubar uma árvore tão grande tinha sido
um grande labor, pois os machados eram de qualidade pobre, cortavam
mal e, frequentemente, requeriam amolação. Facilmente ele teria
ordenado meia dúzia de homens a derrubar a árvore, e eles teriam
obedecido imediatamente; mas então a individualidade e o interesse
do trabalho teriam sido perdidas. A menos que ele mesmo fizesse isso
sua importância e valor para ele teriam sido diminuídas. Agora
tinha estado caída por algumas semanas, fora talhada em uma forma
exterior, e, a maior parte do interior, lentamente escavada com
cinzel e goiva.
Ele
começara enquanto o espinheiro-alvar estava apenas [86]crescendo
seu primeiro raminho, quando as moitas e as árvores ainda estavam
nuas. Agora, a flor do espinheiro-alvar perfumava o ar, a floresta
estava verde, e o trabalho dele aproximava-se da conclusão. De fato,
ali restavam algum desbastamento e arredondamento, e a construção,
ou antes, o talhe de uma gaveta secreta na popa. Essa gaveta não era
nada mais do que uma abertura quadrada cinzelada como um entalhe,
entrando não a partir de cima, mas em paralelo com a base, e devia
ser fechada com justo pedaço de madeira acertado à força de malho.
Uma
pequena pintura, então, ocultaria as fendas delgadas, e o bote
poderia ser examinado de qualquer maneira possível sem qualquer
traço desse esconderijo ser observado. A canoa tinha aproximadamente
onze pés de comprimento, e quase três pés na largura máxima; ela
afunilava em cada extremidade, de maneira que poderia ser propelida
para trás ou para frente sem virar, e proa e popa (definições
intercambiáveis neste caso) cada uma erguia-se aproximadamente duas
polegadas de espessura da amurada geral. Os lados eram de
aproximadamente duas polegadas de espessura, a base, três, de
maneira que, embora escavada a partir de madeira leve, a canoa era
bastante pesada.
Primeiramente
Felix construiu uma cabana leve de abetos coberta com galhos de
abetos sobre a tora, de modo que ele poderia trabalhar abrigado dos
ventos cruéis do começo da primavera. Conforme o calor aumentada,
ele derrubou a cabana, e agora, conforme o sol subia mais alto,
ficava feliz com a sombra de uma faia adjacente.
Próximo capítulo
ORIGINAL:
JEFFERIES,
R.
After
London; or, Wild England.
London:
Duckworth
& Co,
1905.
p.77-86.
Disponível em:
<https://archive.org/details/afterlondonorwil00jeffuoft/page/77/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB
do Blog
Eidonet
Licença:
CC
BY-NC-SA 4.0