A História da Planície Cintilante - Capítulo V Eles chegam à Ilha do Resgate

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[24]Então o sol baixou e pôs-se; as estrelas e a lua brilharam por um tempo e depois foram cobertas por nuvens. Hallblithe ainda remava e não descansava, embora ele estivesse cansado. O grandalhão sentou-se, guiava e mantinha-se calmo. Mas quando a noite envelhecera, e não era tão distante do amanhecer, o estrangeiro disse: “Jovem dos Corvos, agora tu deve dormir e eu remarei.”

Hallblithe estava extremamente cansado. Então ele deu os remos para o estrangeiro, deitou-se sobre a popa e dormiu. E em seu sono ele sonhou que estava deitado na Casa do Corvo, suas irmãs vinham a ele e diziam, “Levanta agora, Hallblithe! Tu desejas ser um preguiçoso no dia do teu casamento? Vem tu conosco para a Casa da Rosa para que nós possamos levar embora a Hostage.” Em seguida ele sonhou que elas partiam, e ele levantou-se e vestiu-se. Mas quando ele teria saído do salão, então não era [25]mais luz do dia, mas luar e ele sonhou que sonhara. Mesmo assim ele teria saído, mas não pôde encontrar a porta. Nessa altura ele disse que iria pela janela: mas a parede era alta e lisa (bem outra que na Casa do Corvo, onde baixas eram todas as janelas ao longo de um corredor), nem havia qualquer meio de alcançá-las. Mas ele sonhou que estava tão atrapalhado com isso e tinha uma fraqueza tal nele, que chorou de piedade de si mesmo. Ele foi a sua cama para deitar-se; e oh, não havia nenhuma cama nem salão; nada salvo uma charneca, selvagem, extensa e vazia sob a lua. E ainda ele chorou em seu sonho e sua virilidade parecia afastar-se dele. Ouviu uma voz clamando, “É esta a Terra? É esta a Terra?”

Com isso ele acordou e, conforme seus olhos limpavam, observava o grandalhão remando e a vela negra batendo-se contra o mastro; pois o vento caíra morto e eles estavam passando sobre uma ondulação longa e suave de mar. Era plena luz do dia, mas ao redor deles havia uma névoa espessa que parecia, não obstante, como se o sol estivesse prestes a brilhar através dela.

Enquanto Hallblithe capturava o olho do homem vermelho, ele sorria, acenava-lhe com a cabeça e disse: “Agora chegou a hora para ti: primeiro comer e depois remar. Mas diga-me o que é isso sobre tuas bochechas?”

[26]Hallblithe, corando um pouco, disse: “O orvalho da noite caiu sobre mim.”

Disse o pirata, “Não é vergonha para ti, um jovem, lembrar-se de tua prometida em teu sono e chorar porque tu careces dela. Mas agora move-te, pois é mais tarde do que podes imaginar.”

Com isso o grandalhão puxou os remos, veio à parte de trás do bote e tirou carne e bebida de um armário perto dali. Eles comeram e beberam juntos, Hallblithe fortaleceu-se e tornou-se um pouco menos abatido; ele foi adiante e pegou os remos em suas mãos.

Então o grandalhão vermelho pôs-se de pé, olhou sobre seu ombro esquerdo e disse: “Logo nós deveremos ter uma briza e um tempo claro.”

Então ele olhou para o mediano da vela e começou subitamente um assobio em um tom semelhante ao que os violinos tocam para os homens dançando e as virgens na Época de Natal. Com isso os olhos dele reluziram e cintilaram e excessivamente grande ele pareceu. Em seguida Hallblithe sentiu um pouco de ar em sua bochecha, a névoa afinou e a vela começou a encher-se com vento até que a escota esticou: então, oh, a névoa subindo da face do mar, e a superfície do mar ondulando alegremente sob o brilho do sol. Depois o vento aumentou, a parede de névoa partiu e umas poucas nuvens leves apressaram-se através do céu. A vela [27]cresceu e o bote prosseguiu, os mares embranqueceram a partir da proa e eles aceleraram através da superfície das águas.

Então riu o homem de cabeleira vermelha e disse: “Oh resmungão do braço morto, agora o vento está de tal modo que nenhuma remadura de tua parte pode alcançá-lo: assim com os remos agora, vira e tu deverás ver para que lado nós estamos indo.”

Então Hallblithe virou-se na bancada, olhou através do oceano e oh, diante deles altos penhascos, rochas escarpadas e montanhas de uma nova terra – que parecia ser uma ilha – e eles estavam em alto-mar sob o sol, que agora brilhava em alta no meio do céu. Ele não disse absolutamente nada, mas sentou-se, olhando e perguntando-se que terra poderia ser. Mas o grandalhão disse: “Oh tumba de guerreiros, não é como se o tom azul do mar profundo se elevasse no ar, e tornasse-se de ar colorido em rocha e pedra, tão maravilhoso azul é? Mas isso é porque aquelas rochas escarpadas e montanhas estão muito distantes, conforme nos aproximarmos delas, tu deverás ver como elas verdadeiramente são, que elas são negras como o carvão e que aquela terra é uma ilha, chamada de a Ilha do Resgate. Naquele lugar deverá ser o mercado para ti onde tu poderás regatear tua prometida. Lá tu poderás tomá-la pela mão e levá-la embora, quando tu lidares com o mascate de donzelas e [28]empenhares a ti – pelo galo da batalha e pelo gume da lâmina inculta – a pagar aquilo que ele desejares ter de ti.”

Enquanto o grandalhão falava havia uma zombaria em sua voz, sua face e em todo seu imenso corpo; o que deixou a espada de Hallblithe ansiosa em sua bainha. Mas ele conteve sua cólera, e disse: “Grandalhão, quanto mais tempo eu olho, menos eu posso pensar em como nós chegaremos àquela ilha, pois eu não consigo ver nada somente um imenso penhasco e grandes montanhas elevando-se além dele.”

Tu deverás admirar-se mais,” disse o estrangeiro, “quanto mais tu aproximas-te de lá; pois não é porque nós estamos tão distantes que tu não podes ver nenhuma praia ou costa, ou declive de terra na direção do mar, apenas porque não há nenhuma de todas essas coisas. Ainda assim não temas, eu não estou contigo? Tu deveras chegar à terra firme na Ilha do Resgate.”

Nessa ocasião Hallblithe manteve-se calmo e o outro não falou por um tempo, mas deu uma risada curta – uma ou duas vezes – e finalmente disse numa grande voz, “Pequeno carniceiro, por que tu não me perguntas o meu nome?”

Agora Hallblithe era um homem alto e um lutador abrandado, mas ele disse: “Porque eu estava pensando em outras coisas e não em ti.”

Bem,” disse o grandalhão, em uma voz ainda mais alta, “Quando eu estou em casa os homens chamam-me de o Puny Fox.”

[29]Então Hallblithe disse: “Tu és uma Raposa [Fox]? Pode bem ser que tu deverás iludir-me como tais bestas desejam, mas presta atenção a isso: que se tu o fizeres eu deverei saber como vingar-me.”

Então o grandalhão levantou-se da cana do leme, escarranchou-se amplamente no bote e clamou numa grande voz vociferadora: “Aninhador em penhasco, eu sou um de sete irmãos, e o menor e o mais fraco deles. Tu não estas com medo?”

Não,” disse Hallblithe, “pois os outros seis não estão aqui. Tu lutarás aqui no bote, oh Fox?”

Não,” disse Fox, “em vez disso nós beberemos um copo de vinho juntos.”

Então ele abriu novamente o armário e retirou dali um grande chifre de algum imenso rês das terras distantes – que estava cilhado e retido com prata – e também um copo dourado. Ele encheu o copo a partir do chifre, entregou-o na mão de Hallblithe e disse: “Bebe, Oh passarinho de penas negras! Mas grite uma saúde sobre o copo se tu desejares.” Então Hallblithe ergueu alto o copo o e exclamou: “Saúde para a Casa do Corvo e para eles que a amam! E um dia doente para seus inimigos!” Então ele pôs seus lábios no copo e bebeu; e aquele vinho pareceu a ele melhor e mais forte do que qualquer outro que ele jamais provara. Mas quando ele devolvera o copo para Fox, aquele vermelho encheu-o novamente, e clamou sobre ele, “O Tesouro do [30]Mar! E o Rei que não morre!”. Então ele bebeu e encheu de novo para Hallblithe, enquanto isso ele guiava com seus joelhos. E assim eles beberam três copos cada. Fox sorriu e estava pacífico e falou só escassamente, mas Hallblithe sentou-se maravilhando-se como o mundo mudara para ele desde ontem.

Mas agora o céu foi soprado completamente límpido de nuvens e o vento assobiava agudamente atrás delas. Grandes ondas subiam e caiam ao redor delas e o sol cintilava sobre elas em muitas cores. Rápido voou o bote diante do vento como se ele nunca fosse parar, o dia estava minguante e o vento ainda subindo. E agora a Ilha do Resgate erguia-se imensa diante deles, preta como carvão e nem praia nem porto foram vistos lá. Contudo eles correram diante do vento na direção daquela parede de penhasco negro, contra a qual o mar ablui para sempre, e nenhuma quilha jamais construída pelo homem pode subsistir por um momento entre a onda e o penhasco daquela terra sombria. O sol baixou e afundou vermelho embaixo o mar, e o mundo de pedra engoliu metade dos céus diante deles, pois eles chegaram muito próximos de lá. Nem podia Hallblithe ver qualquer coisa por causa disso; somente que eles deveriam colidir contra o penhasco e perecer em um momento de tempo.

Entretanto o bote voou. Somente agora, quando o [31]crepúsculo chegou, e eles mal abriram um longo alcance do penhasco que fica depois de um alto promontório, Hallblithe pensou ter visto abaixo, próximo à beira do mar, algo mais escuro do que a superfície da parede de rochas, e considerou que fosse uma caverna. Eles chegaram um pouco mais próximos e ele viu que era uma grande caverna alta o suficiente para permitir que um coca entre com todas as suas velas estendidas.

Filho do Corvo,” disse Fox, “ouve com atenção, pois teu coração não é pequeno. Acolá é o portão para a Ilha do Resgate, e se tu desejares, tu poderás ir através dele. Ainda assim pode ser que se tu fores à praia na Ilha algo grave poderá acontecer-te, um problema maior do que tu podes suportar: uma vergonha isso pode ser. Agora há duas escolhas para ti: ou subir à Ilha e encarar tudo; ou morrer aqui pela minha mão, não tendo feito nada covarde ou vergonhoso: que dizes tu?”

Tu és de muitas palavras quando o tempo então aperta,” disse Hallblithe. “Por que eu não deveria escolher subir à Ilha para libertar minha donzela prometida? De resto, mata-me se tu puderes, se nós retornamos vivos deste caldeirão de águas.”

Disse o grandalhão vermelho: “Veja então, e observa Fox como ele conduz, como se fosse através de um buraco de agulha.”

Agora eles estavam debaixo da sombra negra do penhasco negro e, em meio ao crepúsculo, a ressaca [32]era jogada ao redor como fogo branco. Nos céus mais baixos as estrelas estavam começando a cintilar e a lua estava brilhante e amarela, acima tudo estava pacífico, pois nenhuma nuvem maculava o céu. Em um momento Hallblithe viu tudo isso suspenso sobre a agitação da água trovejante e da rocha gotejante e no próximo ele estava na escuridão da caverna; os ventos ribombantes e as ondas constantemente trovejando ao redor dele, embora de uma voz diferente sem a desagradável confusão. Então ele ouviu Fox dizer: “Senta agora e toma os remos, pois logo nos devemos estar em casa no local de desembarque.”

Então Hallblithe tomou os remos, remou e conforme eles iam caverna acima o mar abateu-se. O vento extinguiu-se dentro de uma rajada de vento sem objetivo por lugares vazios e por um pouquinho foi tudo negro como o negro pode ser. Em seguida Hallblithe viu que a escuridão tornou-se um pouco mais cinza, e olhou sobre seu ombro e viu uma estrela de luz detrás dos remos do bote, Fox exclamou: “Sim, é como o dia; brilhante será a lua para aquele que necessariamente precisa viajar a pé hoje à noite! Cessa a remadura, oh Filho da galo azul carvão, pois há caminho suficiente nela.”

Então Hallblithe deitou-se sobre seus remos e em um minuto a proa bateu em terra. Nessa ocasião ele virou-se e viu uma escada ingrime de pedra e, acima [33]do mastro inclinado [do bote], o céu ao luar e as estrelas brilhantes. Então Fox ergueu-se, veio à frente, saltou para fora do bote e atracou-o a uma grande pedra. Depois ele saltou novamente de volta e disse: “Ajuda com os mantimentos; nós precisamos tirá-los do bote a menos que tu queiras dormir sem jantar, visto que eu não desejo. Pois hoje a noite nós devemos ser convidados de nós mesmos, uma vez que é distante da moradia de meu povo, e o velho é conhecido como um trocador de pele, o que parte a noite. E quanto a esta caverna, não é considerada ser de modo nenhum seguro dormir neste lugar, a menos que o dorminhoco tenha um duplo quinhão de sorte. E tua sorte, parece-me, oh Filho do Corvo, é a agora como algo menos do que um quinhão singular. Assim hoje a noite nós deveremos dormir sob o céu nu.”

Hallblithe concordou e eles tomaram a carne e beberam, tal como eles necessitavam, de fora do bote, e subiram um não pequeno caminho na escada ingrime. Assim saíram em um lugar plano, que pareceu a Hallblithe vazio e devastado, tão longínquo como ele vira-o sob o luar; pois o crepúsculo fora-se agora e nada foi deixado da luz do dia salvo um vislumbre no oeste.

Isto Hallblithe considerou maravilhoso, que não menos fora na charneca aberta e na borda da terra do que encerrado na caverna, todo aquele tumulto do vento abrandara, e a noite sem nuvens estava calma, e com um pouco de ar leve soprando do sul e em direção à terra.

[34]Além disso, Fox terminara com seu humor fanfarrão de voz alta, e falou gentil e pacificamente como para um viajante, que tinha assunto seu a tratar como outros homens. Agora ele apontou para certas rochas ou baixos cumes escarpados que, a uma pouca distância, surgem como um recife a partir da planície sem árvores. Então disse ele: “Camarada de bordo, por baixo daquelas rochas acolá fica nosso lugar de descanso por hoje a noite; e eu suplico-te não me consideres rústico por não dar-te um abrigo melhor. Mas eu tenho um ônus contigo por trazer-te em segurança assim tão distante em tua missão. E tu verificarias que é difícil viver entre tais companheiros de casa como tu descobririas acima acolá entre nosso povo esta noite. Mas amanhã tu deverás ir falar com aquele que lidará contigo sobre o resgate.”

É suficiente,” disse Hallblithe, “e eu agradeço-te por tua condução: e quanto às tuas palavras rudes e deselegantes as quais tu dera-me, eu perdôo-te por elas: pois eu não sou o pior delas. De qualquer jeito, se eu fora, minha espada teria uma voz na questão.”

Eu estou bem contente como isso é, Filho do Corvo,” disse Fox; “Eu cumpri com minha oferta e tudo está bem.”

Conte-me então quem te ordenaste trazer-me aqui?”

Eu não posso contar-te,” disse Fox; “tu estás aqui, fica contente, como eu estou.”

[35]E ele não falou mais até que eles chegaram ao recife supracitado, que estava uns dois furlongs do lugar onde eles tinham saído da caverna. Ali então eles arrumaram sua ceia sobre as pedras, comeram o que desejaram e beberam daquele bom vinho forte enquanto o chifre suportou. E agora Fox era o de poucas palavras, e quando Hallblithe perguntou-lhe acerca daquela terra, ele teve pouco a dizer. E finalmente quando Hallblithe perguntou-lhe por essa casa tão perigosa e aqueles que tripulavam-na, ele disse-lhe:

Filho do Corvo, não ajuda perguntar sobre esses assuntos; pois se eu contar-te qualquer coisa a respeito deles eu deverei contar-te mentiras. Mais uma vez que seja suficiente para ti que tu atravessaste o mar em segurança em tua busca; e é verdadeiramente um mar mais perigoso do que tu acreditas. Mas agora tenhamos um fim às palavras vãs, e façamos nossa cama em meio as essas pedras como melhor nós possamos; pois nós devemos estar ativos cedo pela manhã.” Hallblithe disse pouco em resposta, e eles arrumaram astuciosamente seus locais para dormir, como a lebre forma a dela, e como homens bem-acostumados a deitar-se no estrangeiro.

Hallblithe estava muito cansado e logo ele adormeceu. Enquanto ele jazia ali, sonhou um sonho, ou talvez viu uma visão; quer ele estivesse adormecido quando ele viu-o, ou entre dormindo e [36]acordando, eu não sei. Mas este foi o seu sonho ou sua visão: que a Hostage estava de pé sobre ele, e ela como ele vira-a senão ontem – de cabelos brilhantes, de bochechas vermelhas e pele branca, gentil de mão e suave de voz – e ela disse-lhe: “Hallblithe, olha para mim e escuta com atenção, pois eu tenho uma mensagem para ti.” E ele olhou e ansiou por ela, a alma dele estava arrebatada pela doçura de seu desejo e ele teria saltado e lançado seus braços ao redor dela. Mas dorme e o sonho limitou-o; ele não pôde. Então a imagem sorriu-lhe e disse: “Não, meu amor, dorme ainda, pois tu não podes tocar-me: aqui é só a imagem do corpo que tu desejas. Escuta com atenção então. Eu estou em má situação, nas mãos de ladrões fortes do mar, nem sei eu o que eles farão comigo e não tenho vontade de ser envergonhada; ser vendida por um preço de uma mão a outra; contudo ser deitada sem um preço, e jazer ao lado de algum inimigo de nosso povo, e ele lançar seus braços ao meu redor, eu queira ou não queira: isso é um caso difícil. Portanto amanhã de manhã na aurora enquanto os homens dormem, eu acho que posso furtar-me para a amurada do navio negro e dar-me aos deuses, para que eles e não esses renegados possam ser os mestres de minha vida e minha alma e possam fazer comigo como eles desejarem. Pois na verdade [37]eles sabem que eu não posso suportar a estranha casa sem filhos, o amor e os carinhos de mestres da casa estrangeiros e a zombaria e as divisões das senhoras de casa estrangeiras. Assim sendo que o Grisalho do mar tome-me, veja meus assuntos, e carregue-me para vida ou para morte, que assim ele deseje. Agora escasseia a noite, mas dorme um pouco mais, enquanto eu falo outra palavra.”

Talvez nós devamos encontrar-nos novamente vivos e talvez não: e se não, embora nós nunca deitemos outra vez em uma cama juntos, ainda assim eu ter-te-ia lembrar-se de mim. Porem não como se minha imagem deva vir entre ti e tua amiga de fala e companheira de cama dos parentes, aquela deve jazer onde eu estiver deitada. Ainda de novo, se eu viver e tu viveres, disseram-me e eu ouvi que por um caminho ou outro é possível que eu chegue à Planície Cintilante, e à Terra dos Homens Vivos. Oh meu amado, se por qualquer caminho tu puderes chegar lá também, e nós pudermos encontrar-nos lá, e nós dois vivos, quão bom isso seria! Busca aquela terra então, querido! Busca-a, se ou não nós uma vez mais contemplarmos a Casa da Rosa, ou pisarmos no solo da moradia do Corvo. E agora mesmo esta imagem de mim deve separar-se de ti. Adeus.”

Com isso o sonho terminara, a visão partira e Hallblithe sentou-se cheio de angústia [38]e saudade. Ele olhou ao redor de si, através da terra triste. Estava um pouco luminoso, o céu tornara-se cinza e nublado, e ele considerou que o alvorecer chegou. Então ele pôs-se de pé num salto, inclinou-se sobre Fox, tomou-o pelo ombro, sacudiu-o e disse: “Companheiro de viajem, acorda! O amanhecer chegou, e nós temos muito a fazer.”

Fox sentou-se e rosnou como um cão, esfregou os olhos, olhou em volta dele e disse: “Tu acordara-me por nada: é um falso alvorecer da lua que brilha agora detrás das nuvens e não lança nenhuma sombra; é apenas uma hora depois da meia-noite. Vai dormir, e deixe-me ficar, senão eu não serei um guia para ti quando o dia chegar.” E ele deitou-se e estava adormecido imediatamente. Então Hallblithe foi e deitou-se novamente, cheio de tristeza, contudo tão cansado estava ele que logo caiu no sono e não sonhou mais.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.24-38. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/24/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Floresta além do Mundo - Capítulo V Agora Eles chegam a uma Nova Terra

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[25]Por três dias eles deslizaram diante do vento e no quarto as nuvens elevaram-se, o sol brilhou e o alto-mar estava limpo. O vento abatera-se muito, embora ainda soprasse uma briza e era um vento de proa em relação à navegação em direção ao país de Langton. Então o comandante disse que, uma vez que eles estavam desnorteados e o vento tão indisposto para lidar, era melhor irem constantemente antes do vento; para que eles puderem ganhar alguma terra e obter conhecimento de seu paradeiro da gente dali. Com isso ele disse que considerava a terra não estar muito distante.

Então eles o fizeram e navegaram bastante agradavelmente, pois o clima continuava a melhorar, e o vento diminuía até que fosse apenas uma leve briza; ainda assim em obstrução em relação a Langton.

Assim consumiram-se três dias e, na véspera do terceiro, o homem do mastaréu da gávea gritou [26]que ele viu terra a frente; e assim todos o fizeram antes que o sol estivesse completamente posto, embora ela fosse somente uma nuvem não maior do que a mão de um homem.

Quando a noite caiu eles atingiram [algo] e não navegaram, mas foram em frente em direção à terra bela e quieta; pois era início de verão, então as noites não eram nem longas em escuras.

Mas quando estava em plena luz do dia, eles descobriram uma terra, uma longa costa de rochas e montanhas, e nada mais que eles poderiam ver a princípio. Mesmo assim enquanto o dia consumia-se e eles aproximavam-se, primeiro eles viram como as montanhas desciam para longe do mar e ficavam atrás de uma longa parede de puro penhasco. Chegando mais perto ainda, eles observaram uma planície verde subindo depois de pouco tempo em inclinações e declives verdejantes para os pés da dita parede de penhasco.

Nem cidade nem porto eles viram ali, nem mesmo quando eles estavam muito mais perto da terra. Mesmo assim, visto que eles ansiavam pela paz da terra verde depois de todo o sacudido e agitação do mare considerando que eles não duvidavam de encontrar ao menos água boa e fresca e provavelmente outro atrativo na planície sob as montanhaseles ainda navegaram alegremente; de modo que, ao anoitecer, eles lançaram ancora em água de cinco braças díficil perto da costa.

Na próxima manhã eles verificavam que estavam [27]repousando um pouco longe da foz de um rio não muito grande. Então eles puseram fora os botes e rebocaram a embarcação para dentro do dito rio e, quando subiram nele por uma milha ou por aí, descobriram que a água do mar minguou, pois pouco eram o fluxo e o refluxo da maré naquela costa. Então era o rio profundo e limpo, correndo no meio de suave terra gramínea como prados. Também na borda esquerda deles eles logo viram três cabeças de puro gado; vindo, como se em um prado de uma herdade em sua própria terra, e algumas ovelhas. Depois disso, a aproximadamente um calado da proa do rio, eles viram uma pequena casa de madeira e palhaça, sob um monte arborizado e com árvores de pomar ao redor. Eles surpreenderam-se pouco com isso, pois eles não conheciam nenhuma causa porque aquela terra não devesse ser construída, embora ela estivesse em terras distantes. Não obstante, ele aproximaram sua embarcação de uma ribanceira, pensando que eles finalmente permaneceriam por um tempo, pediriam notícias e teriam algum refresco na planície verde, que era tão encantadora e agradável.

Mas enquanto eles estavam ocupados nisso viram um homem sair da casa e descer ao rio para encontrá-los. Eles logo viram que ele era alto e velho, longo grisalho do [28]cabelo e da barba, e envolto principalmente na pele de bestas.

Ele aproximou-se sem medo ou desconfiança e, chegando perto deles, deu-lhes a boa fortuna do dia em voz gentil e agradável. O comandante cumprimentou-lhe por sua vez e disse com isso: ‘Ancião, tu és o rei deste país?’

O ancião riu:Não tem nenhum por um longo tempo,’ disse ele; ‘e, pelo menos, não há outro filho de Adão aqui para opor-se.’

Tu estás sozinho aqui então?’ disse o comandante.

Sim,’ disse o ancião,salvo pelas bestas no campo e na floresta, as coisas rastejantes e aves domésticas. Por isso é doce para mim ouvir vossas vozes.

Disse o comandante: ‘Onde estão as outras casas da vila?’

O ancião riu. Disse ele: ‘Quando eu disse que eu estava sozinho, eu quis dizer que eu estava sozinho na terra e não apenas neste lugar. Não há outra casa exceto esta, entre o mar e as moradas dos Ursos, além da parede penhasco acolá. De fato e por um longo caminho além disso.

Sim,’ disse o comandante sorrindo ironicamente, ‘e [29]são os ursos do teu país tão semelhantes ao ser humano, que ele vivem em casas construídas?’

O ancião sacudiu a cabeça. Senhor,disse ele, ‘quanto a forma corporal deles, ela é completamente semelhante à do ser humano, salvo que eles são um e todos mais altos e maiores do que a maioria. Pois eles são ursos apenas no nome; eles são uma nação de homens meio selvagens. Para mim foi dito por eles que há muito mais do que aquela tribo cujo o povo eu vi, e que eles espalharam-se amplamente, aqui e ali, por trás daquelas montanhas, de leste a oeste. Agora, senhor, quanto às suas almas e crenças eu não lhes garanto, pois heréticos eles são, não acreditam nem em Deus nem em seus santos.

Disse o comandante: Acreditam eles em Maomé então?

Não,’ o ancião, ‘eu não tenho conhecimento, com certeza, de que eles tenham o mesmo bastante como um falso Deus, embora eu tenha isso deles: que eles adorem uma certa mulher com uma grande veneração.’

Então falou Walter: ‘Sim, bom senhor, e como sabes tu disso? Tratas tu com eles de qualquer modo?’

Disse o ancião: Em um período, alguns daquele povo vem aqui e tem de mim o que eu posso cederum bezerro ou dois, uma meia dúzia de cordeiros ou porcos; ou um odre de vinho ou [30]cidra de minha própria fabricaçãoe eles dão-me em retorno coisas tais que eu possa usar: como peles de veado, de urso e outras couros. Pois agora eu estou velho; eu posso caçar um pouco perto daqui. Ao mesmo tempo, também, eles trazem seus pedacinhos de puro cobre e dar-me-iam ouro também, mas isso é de pouco uso nesta terra solitária. Para dizer a verdade, para mim eles não são magistrais ou de estilo grosseiro, mas feliz eu estou de que eles estiveram aqui somente há pouco, e não é possível que voltem novamente aqui por enquanto; pois terríveis eles são de aspecto, e ao passo que vós sois estrangeiros, provavelmente ele não manteriam suas mãos longe de vocês; e além disso vós tendes armas e outras coisas que eles cobiçariam extremamente.’

Disse o comandante: ‘Uma vez que tu lidas com esses homens selvagens, não desejarias tu lidar conosco em regateio? Pois considerando que nós chegamos de uma longa viajem, nós ansiamos por frescos mantimentos, e aqui a bordo estão muitas coisas para teu proveito.’

Disse o ancião: Tudo que eu tenho é de vocês, de modo a que vos convenha, mas deixe-me o suficiente até minha próxima colheita. De vinho e cidra, tal como é, eu tenho bastante para vosso serviço; vós podereis bebê-los até que tudo acabe, se vós desejais. Um pouco de grão e refeição eu tenho, mas não muito, [31]contudo, sois vós bem-vindos a isso, uma vez que o milho no pé em meu jardim tenha florescido, e eu tenha outra refeição. Queijos tenho eu e peixe seco; tomai o que vós desejais dali. Mas, quanto a meu gado e ovelha, se vós tiverdes dolorosa necessidade de qualquer um, e desejardes tê-los, eu não posso dizer não a vocês. Mas eu suplico-lhes, se vós puderdes arranjar-vos sem eles, não tomardes meus animais leiteiros ou os progenitores deles; pois, como vós ouviste-me dizer, o Povo urso esteve aqui somente há pouco, e eles tiveram de mim tudo o que eu pude dispensar. Mas agora deixe-me contar a vocês, se vós ansieis por carne, que há carne de veado e corça, sim, e de pinote e gama, a ser tida nesta planície, e perto das pequenas árvores aos pés da parece de rocha acolá. Nenhum é excessivamente selvagem; pois já que eu não posso pegá-los, eu não os assusto e nenhum outro homem eles veem para machucá-los; pois o povo urso vem diretamente à minha casa e retornam diretamente para casa dai. Mas eu levá-los-ei ao caminho mais próximo onde a veação é mais fácil de ser pega. Quanto às mercadorias em sua embarcação, se vós derde-me qualquer coisa eu tomá-la-ei com boa vontade; e principalmente se vós tenhais uma ou duas boas facas ou um rolo de pano de linho, isso seria uma boa renovação para mim. Mas em qualquer caso o que eu tenho para dar é gratuito para vocês e bem-vindo.

[32]O comandante riu: ‘Amigo, disse ele, nós podemos agradecer-te muito por tudo que tu ofereces-nos. E sabe bem que nós não somos gatunos ou ladrões do mar para tomar o teu sustento de ti. Deste modo, amanhã, se tu desejares; nós iremos contigo, aumentaremos a caça e, enquanto isso, nós chegaremos a uma terra, andaremos sobre a relva verde e molharemos nossa embarcação com tua boa água fresca.

Então o velho camponês retornou a sua casa para deixá-los prontos com a disposição que ele pode, e os marujos, que eram vinte e um, todos contados, que, com os marinheiros, Arnold e os servos de Walter, foram à praia. Todos menos dois que vigiavam a embarcação e esperaram o turno deles. Eles foram bem armados, pois ambos o comandante e Walter consideraram cautela sabedoria, com receio de que todo poder não possa ser tão bom quanto parecia. Eles levaram os panos de vela para terra firme, e empinaram-nos no prado, entre a casa e a embarcação, e o camponês trouxe-lhes o que ele tinha para o proveito deles: frutas frescas, queijos, leite, vinho, cidra e mel. Ali eles não regalaram-se mal de modo algum e ficaram justamente contentes.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.25-32. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/25/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Floresta além do Mundo - Capítulo IV Uma Tempestade cai sobre o Bartholomew e Ele e é tirado de seu Curso

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[20]Agora rápido navegava o Bartholomew por quatro semanas em direção ao noroeste com um vento bom, e tudo estava bem com a embarcação e a tripulação. Então o vento extinguiu-se em exatamente um dia, de modo que a embarcação escassamente abriu caminho em absoluto, embora ela deslizasse por uma grande circunferência de mar, tão grande, que ela parecia formar cristas através de todo o oceano. Além disso, para baixo no oeste ficava um grande banco de nuvens amontoado em neblina, enquanto que durante os vinte dias passados o céu estivera limpo, salvo por umas poucas nuvens brancas e brilhantes voando diante do vento. Agora o comandante, um homem com habilidade certa para seu ofício, olhou longamente para o mar e para o céu, e então voltou-se e ordenou aos marinheiros que tomassem a vela e fossem bastante cautelosos. E quando Walter perguntou-lhe o que ele estivera procurando, e [21]por isso ele não falara a ele disso, ele disse arrogantemente: ‘Por que eu deveria contar-te o que qualquer tolo pode ver sem ser dito, a saber que há tempestade à mão?

Então eles aceitaram o que devia acontecer. Enquanto isso, Walter foi para seu quarto dormir, longe da preocupação, pois já anoitecera. Ele não soube de mais nada até que foi desperto por uma grande confusão e clamor dos marinheiros; o chibatear de cordas, o atroar de velas agitadas, o sacudido e o agitar-se da embarcação com isso. Mas, sendo um jovem muito corajoso, ele então assentou-se em seu quarto, em parte porque ele era um homem acostumado a terra, e não tinha cabeça para correr ao redor entre os marinheiros e embaraçá-los. Com isso ele disse a si mesmo: ‘Que importa se eu vá abaixo para o fundo do oceano, ou volte a Langton, desde que de qualquer jeito minha vida ou morte levar-me-á para longe da satisfação de meu desejo? Ainda verdadeiramente, se houver uma mudança no vento, isso não é tão mal; pois então nos deveremos ser levados a outras terras, e assim ao menos nosso retorno ao lar deverá ser atrasado, e outras notícias poderão acontecer em meio à nossa demora. Então deixe tudo ser como for.

Então em pouco tempo, a despeito do chafurdar da embarcação, do tumulto do vento e [22]das ondas, ele adormeceu novamente e não acordou mais até que fosse plena luz do dia. Ali estava o comandante de pé na porta de seu quarto, a água do mar escorrendo toda de suas vestes de chuva. Ele disse para Walter: ‘Jovem mestre, a boa fortuna do dia para ti! Pois, por boa sorte, nos entramos em um novo dia. Agora eu devo contar-te o que nós nos esforçamos para superar, assim como para não sermos tirados de nosso curso, mas nem tudo valeria, porque durante essas três horas nós estivemos correndo diante do vento. Mas, bom senhor, tão grande tem sido o mar que somente por nossa embarcação ser a mais forte, e nossos homens completamente prontos, nós ficamos bem sábios quanto à terra do meio do oceano. Louvado seja São Nicolau e todos os santos! Pois apesar de que em breve vós deveis considerar um novo mar, e talvez uma nova terra para pôr os pés, isso ainda é melhor do que ver as coisas feias abaixo.

Está tudo bem com a embarcação e a tripulação então?disse Walter.

Sim em verdade,’ disse o comandante; ‘de fato o Bartholomew é o estimado das Madeiras de Carvalho; venha e veja, como ele está lidando com vento e ondas completamente livre de medo.’

[23]Então Walter o fez, em sua vestimenta de tempo ruim, e subiu ao tombadilho superior, e de fato houve uma mudança de tempo; pois o mar estava negro e caindo da altura de uma montanha, e as ondas cristadas de espuma branca estavam caindo nos vales dali, e as nuvens dirigiam-se para baixo sobre todos, e carregavam um vapor de chuva junto consigo. E, embora houvesse somente um trapo de vela nela, a embarcação voava diante do vento, rolando uma grande ablução de água de amurada a amurada.

Walter ficou olhando tudo por um tempo, segurando-se por uma corda de apoio, e dizendo a si mesmo que estava certo que eles estivessem movimentando-se tão rápido em direção a coisas novas.

Então o comandante veio a ele, bateu-lhe no ombro e disse: ‘Bem, companheiro de navio, anima-te! E agora desce novamente, come alguma carne, e bebe um copo comigo.’

Então Walter desceu, comeu e bebeu. O coração dele estava mais leve do que esteve desde que ele ouvira da morte de seu pai e [da] contenda aguardando por ele em casa; que, sem dúvida, ele imaginava permaneceria [em] suas andanças por um tempo exaustivo, e além disso [com] suas esperanças. Mas agora parecia como se ele tivesse o dever [de] viajarele quisesse ou não quisesse[24]e assim foi que até isto alimentou sua esperança. Assim ferido seu coração agarrou-se àquele seu desejo de buscar sua casa contra aqueles três que pareciam chamá-lo até eles.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.20-24. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/20/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Floresta além do Mundo - Capítulo III Walter ouve Notícias sobre a Morte de seu Pai

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[12]Rápido navegou Katherine através dos mares, e nada aconteceu para ser relatado; ou para ele mesmo ou para sua tripulação. Ele chegava a uma cidade ordinária e em seguida a outra, logo a uma terceira, a uma quarta e em cada [uma] estava comprando e vendendo segundo a maneira dos vendedores itinerantes. Walter não observava apenas o comportamento do pessoal de seu pai, mas emprestava uma mão, tanto quanto ele podia, para ajudá-los em todos os assuntos; quer fosse no ofício do marinheiro ou em regateio. E o mais distante [que] ele fosse e o mais tempo [que] consumisse, mais era aliviado de seu velho problema com o qual sua esposa e a traição dela tinham a ver.

Mas quanto ao outro problema, a saber o desejo e o anseio dele para alcançar aqueles três, isso ainda chamejava diante dele. Embora ele não os vira novamente, como alguém vê pessoas nas ruas, como se pudesse tocá-las [13]se desejasse. Contudo, as imagens deles estavam diante de olho de sua mente. E ainda, enquanto o tempo consumia-se, não tão amiúde, nem tão problematicamente, de qualquer jeito para ambosaqueles nele interessados e para ele mesmoele parecia como um homem bem-curado de seu humor melancólico.

Agora eles deixaram aquele quarto posto, navegaram através dos mares e chegaram ao quinto; uma cidade muito grande e bela, na qual eles tinham feito mais de sete meses desde de Langton na Várzea. Por essa altura Walter estava prestando atenção em e alegrando-se com tais coisas, como eram relativamente àquela bela cidade, tão distante de seus parentes. Ele contemplava especialmente as belas mulheres dali; desejava-as e amava-as, apenas alegremente, como acontece aos jovens.

Agora este foi o último país para o qual o Katherine fora preparado; então lá eles viveram por aproximadamente dez meses em regateio diário. Agradando-se ao observar [que] tudo que lá havia era raro e vistoso e fazendo feliz aos mercadores, ao povo da cidade e o povo do campo além dos portões. Walter tornara-se tão ocupado e feliz, como um jovem forte é possível de ser, e era como alguém que com prazer seria de alguma consideração entre seu próprio povo.

Mas ao fim disso, aconteceu [14]em um dia, enquanto ele estava deixando sua estalagem por sua barraca no mercado, e tinha a porta em sua mão; ali estavam de pé diante dele três marinheiros com a aparência de seu próprio pais. Com eles estava alguém de aspecto escriturário, que ele conhecera uma vez como escrivão de seu pai; Arnold Penstrong, de nome. Quando Walter o viu o seu coração falhou-lhe e ele exclamou: Arnold, quais as notícias? Está tudo bem com o povo em Langton?

Disse Arnold: ‘Más notícias estão vindo comigo; as coisas estão desfavoráveis para teu povo, pois eu não posso esconder que teu pai, Bartholomew Golden, está morto. Deus conceda descanso a alma dele.

Àquela palavra foi para Walter como se todo aquele problema, que somente agora tinha lançado alguma luz sobre ele, era uma vez mais recente e pesado, e que sua vida passada nos últimos poucos meses nunca ocorrera. E foi para ele como se visse seu pai deitado morto na cama dele, e ouvisse o povo lamentando ao redor da casa. Ele manteve-se calmo por um tempo, e então disse numa voz como a de um homem raivoso: ‘O que, Arnold! E ele morreu na cama dele, ou como? Pois ele não era nem velho nem doente quando nos partimos.’

Disse Arnold: ‘Sim, em sua cama ele morreu, mas primeiro ele foi um pouco ferido de espada.

Sim, e como?’ disse Walter.

[15]Disse Arnold: ‘Quando tu foste embora, após alguns dias desgastantes, teu pai mandou tua esposa para fora de sua casa, de volta para os parentes dela dos Reddings, sem honra e, contudo, sem uma tal vergonha como poderia ter sido. Sem culpa para nós daqueles que sabíamos a história de ti e dela; que, graças a Deus, concebemos ser quase o todo da cidade.

Mesmo assim, os Reddings entenderam mal, e teriam um escrúpulo conosco Goldings para falar de dar pontapés. Por má sorte nós dissemos sim àquilo para a preservação da paz da cidade. Mas o que aconteceu? Nós nos encontramos em nosso Salão dourado, e lá ocorreu a conversa entre nós. Naquela discussão, certas palavras não puderam ser encobertas, não obstante elas não fossem nem muito decentes nem muito dóceis. E as palavras ditas uma vez pronunciadas desembainharam o aço afiado; e então ali foram o corte e o empurrão! Dois de nós foram assassinados abertamente no chão, quatro dos deles e muitos foram feridos em ambos os lados. Um destes era teu pai, pois como tu bem podes considerar, ele não era nada acanhado na briga; mas a despeito de seus ferimentos, dois no lado e um no braço, ele foi para casa sobre seus próprios pés, e nós consideramos que nós chegamos ao nosso céu. Mas bem longe! Foi uma vitória infeliz, visto que em dez dias ele morreu de seus ferimentos. [16]Deus tenha a alma dele! Mas agora, meu mestre, tu bem podes saber que eu não vim para contar-te isso apenas, mas além disso para trazer a palavra dos parentes, a saber que tu retorne comigo imediatamente no veloz barco que me trouxera e as notícias; e que tu podes ver isso, que embora ele seja veloz e leve, ele é uma quilha adaptada ao vento.

Então disse Walter: ‘Isso é um oferta de guerra. Eu retornarei, e os Reddings não deverão ter conhecimento de minha chegada. Estais vós todos prontos?’

Sim, ’ disse Arnold, ‘ nós podemos levantar ancora neste dia mesmo, ou amanhã de manhã, o mais tardar. Mas o que te afliges, mestre, que tu olhas fixamente, de um modo tão selvagem, por cima de meu ombro? Eu suplico-te que não ocupe tanto o coração com isso! É costume dos pais sempre partirem deste mundo antes de seus filhos.

Mas a fisionomia de Walter de vermelha irada tornou-se pálida, e ele apontou para a rua acima, e exclamou: ‘Vê! Tu vês?’

Ver o quê, mestre?’ disse Arnold.

O quê! Aqui vem um macaco em vestimenta alegre; provavelmente uma besta de algum menestrel. Não, pelas feridas de Deus! É um homem, embora excessivamente malformado como o demônio mesmo. Sim e agora ali chega uma bela donzela indo como se ela fosse escrava dele; e Oh! [17]Aqui, uma senhora muitíssimo vistosa e nobre!’ ‘Sim, eu vejo e indubitavelmente ela é dona de ambos, e é dos maiores do povo desta bela cidade; pois no tornozelo da donzela eu vejo um anel de ferro, o que indica escravidão entre esses estrangeiros. Mas isto é estranho! Pois tu não notaste como o povo na rua não prestou atenção a este espetáculo singular: não, nem mesmo à majestosa senhora, embora ela seja tão adorável como uma deusa dos gentios, e traga consigo gemas que comprariam Langton duas vezes. Certamente eles devem estar muito acostumados com visões estranhas e imponentes. Mas agora, mestre, mas agora!

Sim, o que é isso?’ disse Walter.

Porque, mestre, eles ainda não deveriam ter desaparecido do campo de visão, contudo desaparecidos eles estão.’

O que aconteceu a eles, afundaram na terra? Nádegas, homem!’ disse Walter, não olhando para Arnold, mas ainda encarando rua abaixo; ‘eles entraram em alguma casa enquanto teus olhos foram tirados deles por um momento.’

Não, mestre não, ’ disse Arnold, ‘meus olhos não estavam fora deles por um instante de tempo.’ ‘Bem,’ disse Walter, um tanto estupidamente, ‘eles foram-se agora, e o que nos temos de fazer para tomar cuidado com tais bagatelas, nós com toda esse luto e contenda em [18]nossas mãos? Agora eu ficarei sozinho para considerar o assunto de tua mensagem em minha mente. Enquanto isso conte ao capitão Geoffrey e nossa outra gente dessas notícias, e depois disso deixe tudo preparado. Venha aqui a mim antes do nascer do sol amanhã, e eu deverei estar pronto de minha parte; e assim nós partiremos de volta a Langton.’

Com isso ele voltou para casa, e os outros seguiram seus caminhos; mas Walter sentou-se sozinho em seu quarto [por] um longo tempo, e ponderou sobre aquelas coisas em sua mente. E ao mesmo tempo ele formava sua mente para que não pensasse mais na visão daqueles três, mas viajaria de volta a Langton, entraria em conflito com os Reddings e subjugaria a eles, ou senão morreria. Mas Oh, quando ele estava bastante firme nesse destino, e seu coração estava assim aliviado, verificou que não pensava mais nos Reddings e no conflito com eles, mas como assuntos que passaram e foram resolvidos, e que agora ele estava pensando e concebendo se por quaisquer meios ele poderia descobrir em que terra residiam aqueles três. E então novamente ele esforçou-se para tirar aquilo de si, dizendo que o que ele vira fora somente visto por alguém louco, e um sonhador de sonhos. Mas além disso ele pensou, ‘Sim, e era Arnold, [19]que desta última vez vira as imagens daqueles três, um sonhador de sonhos despertos? Pois ele não era acostumado tal modo.’ Então ele pensou: ‘ao menos eu estou bem contente que ele falou comigo da aparência deles, não eu a ele; pois assim eu posso dizer que houve ao menos algo diante de meus olhos que não surgiu de meu cérebro. E mais uma vez, por que eu deveria segui-los; e o que eu deveria ganhar com isso; e de fato como eu deveria começar?’

Assim ele virou o assunto do avesso repetidas vezes; e finalmente, vendo que não se tornava mais tolo sobre isso, ele não se tornou mais sábio. Ele cansou-se disso e agitou-se, olhou a cima para o fardo de bens, e deixou tudo preparado para sua partida. Assim consumiu-se o dia e dormiu quando anoiteceu. Na aurora Arnold veio para levá-lo ao barco deles, que é chamado de Bartholomew. Ele não se demorou, com poucas despedidas embarcou no navio e uma hora depois eles estavam em mar aberto com a proa virada em direção a Langton na Várzea.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.12-19. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/12/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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