A Floresta além do Mundo - Capítulo IV Uma Tempestade cai sobre o Bartholomew e Ele e é tirado de seu Curso

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[20]Agora rápido navegava o Bartholomew por quatro semanas em direção ao noroeste com um vento bom, e tudo estava bem com a embarcação e a tripulação. Então o vento extinguiu-se em exatamente um dia, de modo que a embarcação escassamente abriu caminho em absoluto, embora ela deslizasse por uma grande circunferência de mar, tão grande, que ela parecia formar cristas através de todo o oceano. Além disso, para baixo no oeste ficava um grande banco de nuvens amontoado em neblina, enquanto que durante os vinte dias passados o céu estivera limpo, salvo por umas poucas nuvens brancas e brilhantes voando diante do vento. Agora o comandante, um homem com habilidade certa para seu ofício, olhou longamente para o mar e para o céu, e então voltou-se e ordenou aos marinheiros que tomassem a vela e fossem bastante cautelosos. E quando Walter perguntou-lhe o que ele estivera procurando, e [21]por isso ele não falara a ele disso, ele disse arrogantemente: ‘Por que eu deveria contar-te o que qualquer tolo pode ver sem ser dito, a saber que há tempestade à mão?

Então eles aceitaram o que devia acontecer. Enquanto isso, Walter foi para seu quarto dormir, longe da preocupação, pois já anoitecera. Ele não soube de mais nada até que foi desperto por uma grande confusão e clamor dos marinheiros; o chibatear de cordas, o atroar de velas agitadas, o sacudido e o agitar-se da embarcação com isso. Mas, sendo um jovem muito corajoso, ele então assentou-se em seu quarto, em parte porque ele era um homem acostumado a terra, e não tinha cabeça para correr ao redor entre os marinheiros e embaraçá-los. Com isso ele disse a si mesmo: ‘Que importa se eu vá abaixo para o fundo do oceano, ou volte a Langton, desde que de qualquer jeito minha vida ou morte levar-me-á para longe da satisfação de meu desejo? Ainda verdadeiramente, se houver uma mudança no vento, isso não é tão mal; pois então nos deveremos ser levados a outras terras, e assim ao menos nosso retorno ao lar deverá ser atrasado, e outras notícias poderão acontecer em meio à nossa demora. Então deixe tudo ser como for.

Então em pouco tempo, a despeito do chafurdar da embarcação, do tumulto do vento e [22]das ondas, ele adormeceu novamente e não acordou mais até que fosse plena luz do dia. Ali estava o comandante de pé na porta de seu quarto, a água do mar escorrendo toda de suas vestes de chuva. Ele disse para Walter: ‘Jovem mestre, a boa fortuna do dia para ti! Pois, por boa sorte, nos entramos em um novo dia. Agora eu devo contar-te o que nós nos esforçamos para superar, assim como para não sermos tirados de nosso curso, mas nem tudo valeria, porque durante essas três horas nós estivemos correndo diante do vento. Mas, bom senhor, tão grande tem sido o mar que somente por nossa embarcação ser a mais forte, e nossos homens completamente prontos, nós ficamos bem sábios quanto à terra do meio do oceano. Louvado seja São Nicolau e todos os santos! Pois apesar de que em breve vós deveis considerar um novo mar, e talvez uma nova terra para pôr os pés, isso ainda é melhor do que ver as coisas feias abaixo.

Está tudo bem com a embarcação e a tripulação então?disse Walter.

Sim em verdade,’ disse o comandante; ‘de fato o Bartholomew é o estimado das Madeiras de Carvalho; venha e veja, como ele está lidando com vento e ondas completamente livre de medo.’

[23]Então Walter o fez, em sua vestimenta de tempo ruim, e subiu ao tombadilho superior, e de fato houve uma mudança de tempo; pois o mar estava negro e caindo da altura de uma montanha, e as ondas cristadas de espuma branca estavam caindo nos vales dali, e as nuvens dirigiam-se para baixo sobre todos, e carregavam um vapor de chuva junto consigo. E, embora houvesse somente um trapo de vela nela, a embarcação voava diante do vento, rolando uma grande ablução de água de amurada a amurada.

Walter ficou olhando tudo por um tempo, segurando-se por uma corda de apoio, e dizendo a si mesmo que estava certo que eles estivessem movimentando-se tão rápido em direção a coisas novas.

Então o comandante veio a ele, bateu-lhe no ombro e disse: ‘Bem, companheiro de navio, anima-te! E agora desce novamente, come alguma carne, e bebe um copo comigo.’

Então Walter desceu, comeu e bebeu. O coração dele estava mais leve do que esteve desde que ele ouvira da morte de seu pai e [da] contenda aguardando por ele em casa; que, sem dúvida, ele imaginava permaneceria [em] suas andanças por um tempo exaustivo, e além disso [com] suas esperanças. Mas agora parecia como se ele tivesse o dever [de] viajarele quisesse ou não quisesse[24]e assim foi que até isto alimentou sua esperança. Assim ferido seu coração agarrou-se àquele seu desejo de buscar sua casa contra aqueles três que pareciam chamá-lo até eles.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.20-24. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/20/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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