[25]Por três dias eles deslizaram diante do vento e no quarto as nuvens elevaram-se, o sol brilhou e o alto-mar estava limpo. O vento abatera-se muito, embora ainda soprasse uma briza e era um vento de proa em relação à navegação em direção ao país de Langton. Então o comandante disse que, uma vez que eles estavam desnorteados e o vento tão indisposto para lidar, era melhor irem constantemente antes do vento; para que eles puderem ganhar alguma terra e obter conhecimento de seu paradeiro da gente dali. Com isso ele disse que considerava a terra não estar muito distante.
Então eles o fizeram e navegaram bastante agradavelmente, pois o clima continuava a melhorar, e o vento diminuía até que fosse apenas uma leve briza; ainda assim em obstrução em relação a Langton.
Assim consumiram-se três dias e, na véspera do terceiro, o homem do mastaréu da gávea gritou [26]que ele viu terra a frente; e assim todos o fizeram antes que o sol estivesse completamente posto, embora ela fosse somente uma nuvem não maior do que a mão de um homem.
Quando a noite caiu eles atingiram [algo] e não navegaram, mas foram em frente em direção à terra bela e quieta; pois era início de verão, então as noites não eram nem longas em escuras.
Mas quando estava em plena luz do dia, eles descobriram uma terra, uma longa costa de rochas e montanhas, e nada mais que eles poderiam ver a princípio. Mesmo assim enquanto o dia consumia-se e eles aproximavam-se, primeiro eles viram como as montanhas desciam para longe do mar e ficavam atrás de uma longa parede de puro penhasco. Chegando mais perto ainda, eles observaram uma planície verde subindo depois de pouco tempo em inclinações e declives verdejantes para os pés da dita parede de penhasco.
Nem cidade nem porto eles viram ali, nem mesmo quando eles estavam muito mais perto da terra. Mesmo assim, visto que eles ansiavam pela paz da terra verde depois de todo o sacudido e agitação do mar – e considerando que eles não duvidavam de encontrar ao menos água boa e fresca e provavelmente outro atrativo na planície sob as montanhas – eles ainda navegaram alegremente; de modo que, ao anoitecer, eles lançaram ancora em água de cinco braças díficil perto da costa.
Na próxima manhã eles verificavam que estavam [27]repousando um pouco longe da foz de um rio não muito grande. Então eles puseram fora os botes e rebocaram a embarcação para dentro do dito rio e, quando subiram nele por uma milha ou por aí, descobriram que a água do mar minguou, pois pouco eram o fluxo e o refluxo da maré naquela costa. Então era o rio profundo e limpo, correndo no meio de suave terra gramínea como prados. Também na borda esquerda deles eles logo viram três cabeças de puro gado; vindo, como se em um prado de uma herdade em sua própria terra, e algumas ovelhas. Depois disso, a aproximadamente um calado da proa do rio, eles viram uma pequena casa de madeira e palhaça, sob um monte arborizado e com árvores de pomar ao redor. Eles surpreenderam-se pouco com isso, pois eles não conheciam nenhuma causa porque aquela terra não devesse ser construída, embora ela estivesse em terras distantes. Não obstante, ele aproximaram sua embarcação de uma ribanceira, pensando que eles finalmente permaneceriam por um tempo, pediriam notícias e teriam algum refresco na planície verde, que era tão encantadora e agradável.
Mas enquanto eles estavam ocupados nisso viram um homem sair da casa e descer ao rio para encontrá-los. Eles logo viram que ele era alto e velho, longo grisalho do [28]cabelo e da barba, e envolto principalmente na pele de bestas.
Ele aproximou-se sem medo ou desconfiança e, chegando perto deles, deu-lhes a boa fortuna do dia em voz gentil e agradável. O comandante cumprimentou-lhe por sua vez e disse com isso: ‘Ancião, tu és o rei deste país?’
O ancião riu: ‘Não tem nenhum por um longo tempo,’ disse ele; ‘e, pelo menos, não há outro filho de Adão aqui para opor-se.’
‘Tu estás sozinho aqui então?’ disse o comandante.
‘Sim,’ disse o ancião, ‘salvo pelas bestas no campo e na floresta, as coisas rastejantes e aves domésticas. Por isso é doce para mim ouvir vossas vozes.’
Disse o comandante: ‘Onde estão as outras casas da vila?’
O ancião riu. Disse ele: ‘Quando eu disse que eu estava sozinho, eu quis dizer que eu estava sozinho na terra e não apenas neste lugar. Não há outra casa exceto esta, entre o mar e as moradas dos Ursos, além da parede penhasco acolá. De fato e por um longo caminho além disso.’
‘Sim,’ disse o comandante sorrindo ironicamente, ‘e [29]são os ursos do teu país tão semelhantes ao ser humano, que ele vivem em casas construídas?’
O ancião sacudiu a cabeça. ‘Senhor,’ disse ele, ‘quanto a forma corporal deles, ela é completamente semelhante à do ser humano, salvo que eles são um e todos mais altos e maiores do que a maioria. Pois eles são ursos apenas no nome; eles são uma nação de homens meio selvagens. Para mim foi dito por eles que há muito mais do que aquela tribo cujo o povo eu vi, e que eles espalharam-se amplamente, aqui e ali, por trás daquelas montanhas, de leste a oeste. Agora, senhor, quanto às suas almas e crenças eu não lhes garanto, pois heréticos eles são, não acreditam nem em Deus nem em seus santos.’
Disse o comandante: ‘Acreditam eles em Maomé então?’
‘Não,’ o ancião, ‘eu não tenho conhecimento, com certeza, de que eles tenham o mesmo bastante como um falso Deus, embora eu tenha isso deles: que eles adorem uma certa mulher com uma grande veneração.’
Então falou Walter: ‘Sim, bom senhor, e como sabes tu disso? Tratas tu com eles de qualquer modo?’
Disse o ancião: ‘Em um período, alguns daquele povo vem aqui e tem de mim o que eu posso ceder – um bezerro ou dois, uma meia dúzia de cordeiros ou porcos; ou um odre de vinho ou [30]cidra de minha própria fabricação – e eles dão-me em retorno coisas tais que eu possa usar: como peles de veado, de urso e outras couros. Pois agora eu estou velho; eu só posso caçar um pouco perto daqui. Ao mesmo tempo, também, eles trazem seus pedacinhos de puro cobre e dar-me-iam ouro também, mas isso é de pouco uso nesta terra solitária. Para dizer a verdade, para mim eles não são magistrais ou de estilo grosseiro, mas feliz eu estou de que eles estiveram aqui somente há pouco, e não é possível que voltem novamente aqui por enquanto; pois terríveis eles são de aspecto, e ao passo que vós sois estrangeiros, provavelmente ele não manteriam suas mãos longe de vocês; e além disso vós tendes armas e outras coisas que eles cobiçariam extremamente.’
Disse o comandante: ‘Uma vez que tu lidas com esses homens selvagens, não desejarias tu lidar conosco em regateio? Pois considerando que nós chegamos de uma longa viajem, nós ansiamos por frescos mantimentos, e aqui a bordo estão muitas coisas para teu proveito.’
Disse o ancião: ‘Tudo que eu tenho é de vocês, de modo a que vos convenha, mas deixe-me o suficiente até minha próxima colheita. De vinho e cidra, tal como é, eu tenho bastante para vosso serviço; vós podereis bebê-los até que tudo acabe, se vós desejais. Um pouco de grão e refeição eu tenho, mas não muito, [31]contudo, sois vós bem-vindos a isso, uma vez que o milho no pé em meu jardim tenha florescido, e eu tenha outra refeição. Queijos tenho eu e peixe seco; tomai o que vós desejais dali. Mas, quanto a meu gado e ovelha, se vós tiverdes dolorosa necessidade de qualquer um, e desejardes tê-los, eu não posso dizer não a vocês. Mas eu suplico-lhes, se vós puderdes arranjar-vos sem eles, não tomardes meus animais leiteiros ou os progenitores deles; pois, como vós ouviste-me dizer, o Povo urso esteve aqui somente há pouco, e eles tiveram de mim tudo o que eu pude dispensar. Mas agora deixe-me contar a vocês, se vós ansieis por carne, que há carne de veado e corça, sim, e de pinote e gama, a ser tida nesta planície, e perto das pequenas árvores aos pés da parece de rocha acolá. Nenhum é excessivamente selvagem; pois já que eu não posso pegá-los, eu não os assusto e nenhum outro homem eles veem para machucá-los; pois o povo urso vem diretamente à minha casa e retornam diretamente para casa dai. Mas eu levá-los-ei ao caminho mais próximo onde a veação é mais fácil de ser pega. Quanto às mercadorias em sua embarcação, se vós derde-me qualquer coisa eu tomá-la-ei com boa vontade; e principalmente se vós tenhais uma ou duas boas facas ou um rolo de pano de linho, isso seria uma boa renovação para mim. Mas em qualquer caso o que eu tenho para dar é gratuito para vocês e bem-vindo.’
[32]O comandante riu: ‘Amigo, disse ele, nós podemos agradecer-te muito por tudo que tu ofereces-nos. E sabe bem que nós não somos gatunos ou ladrões do mar para tomar o teu sustento de ti. Deste modo, amanhã, se tu desejares; nós iremos contigo, aumentaremos a caça e, enquanto isso, nós chegaremos a uma terra, andaremos sobre a relva verde e molharemos nossa embarcação com tua boa água fresca.’
Então o velho camponês retornou a sua casa para deixá-los prontos com a disposição que ele pode, e os marujos, que eram vinte e um, todos contados, que, com os marinheiros, Arnold e os servos de Walter, foram à praia. Todos menos dois que vigiavam a embarcação e esperaram o turno deles. Eles foram bem armados, pois ambos o comandante e Walter consideraram cautela sabedoria, com receio de que todo poder não possa ser tão bom quanto parecia. Eles levaram os panos de vela para terra firme, e empinaram-nos no prado, entre a casa e a embarcação, e o camponês trouxe-lhes o que ele tinha para o proveito deles: frutas frescas, queijos, leite, vinho, cidra e mel. Ali eles não regalaram-se mal de modo algum e ficaram justamente contentes.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.25-32. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/25/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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