A História da Planície Cintilante - Capítulo IV Agora Hallblithe toma [o rumo] do Mar

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[20]Agora deve ser relatado sobre Hallblithe. Ele cavalgou para baixo, ferozmente, para a costa do mar, e a partir do topo da praia ele olhou em volta, e ali abaixo dele estavam a Doca e as roldanas de seus parentes, na qual jaziam as três Dracar; a Gaivota, a Águia marinha e o Pigarço. Pesadas e imensas elas pareciam a ele como se jazessem ali, de lados negros, muito frias com a lavagem das ondas de Março, as cabeças de dragões delas olhando melancolicamente em direção ao mar. Mas primeiro ele olhou para o alto-mar, e foi somente quando ele deixou seus olhos retornarem de onde o céu e o mar encontravam-se, e eles não tinham contemplado nada além da quebra das águas, que ele contemplou a Doca de perto. Com isso ele viu onde, um pouco para o oeste dela, jazia um esquife, o qual a onda baixa da maré erguia e deixava cair de tempos em tempos. Ele tinha um mastro, e uma vela negra içada e agitando-se com frouxa escota. Um homem sentava-se no bote vestido em traje negro, e [21]o sol desferia um brilho a partir do elmo na cabeça dele. Então Hallblithe saltou de seu cavalo, e desceu a passos largos com sua lança no ombro; e quando ele chegou próximo do homem no bote ele equilibrou sua lança, sacudiu-a e clamou: “Homem, tu és amigo ou inimigo?”

Disse o homem: “Tu és um bom jovem, mas há tristeza em tua voz junto da ira. Não lances até que tu tenhas ouvido-me, e possas julgar se eu posso fazer qualquer coisa para curar tua tristeza.

O que tu podes fazer?” disse Hallblithe; “Não és tu um salteador do mar, um saqueador dos povos que residem em paz?”

O homem riu: “Sim,” disse ele, meu ofício é roubar e levar embora as filhas do povo, de modo que nós possamos ter um resgate por elas. Tu cobrirás as águas comigo?”

Hallblithe disse furiosamente:

Não, ao contrário, vem tu à terra aqui! Tu pareces um homem grande, e provavelmente deve ser bom com tuas mãos. Venha e lute comigo; e então aquele de nós que for derrotado, se ele não estiver morto, deve servir ao outro por um ano, e então tu é que deverás fazer meus negócios no [recebimento de] resgate.

O homem no barco riu novamente, e isso tão desdenhosamente que ele irritou Hallblithe além dos limites. Então ele levantou-se no bote e pôs-se de pé, balançando de lado a lado, enquanto ele [22]ria. Ele era extraordinariamente grande, de braço longo e de cabeça grande, e cabelo longo surgia debaixo de seu elmo como a cauda de um cavalo vermelho; os olhos dele eram cinza e brilhante, e a boca dele grande.

Daqui a pouco ele satisfez seu riso e disse: “Oh, Guerreiro do Corvo, isso foi um simples jogo para contigo brincar; embora isso não esteja distante de minha mente, pois [ao] lutar quando eu preciso [o] dever de vencer não é trabalho estúpido. Veja você, se eu matar-te ou vencer-te, então tudo está dito; e se por algum golpe de sorte tu assassinas-me, então teu único ajudante nesse assunto foi-se de ti. Agora para ser breve, eu convido-te para vir abordo comigo se tu desejas alguma vez ouvir outra palavra de tua donzela prometida. E ademais isso não necessita impedir-te de lutar comigo subsequentemente se tu tens uma mente para isso; pois logo nós devemos chegar a uma terra grande o suficiente para os dois ficarem de pé. Ou se tu desejas lutar num bote balançando sobre as ondas, eu não vejo senão que possa haver virilidade nisso também.

Agora foi o calor da ira que de algum modo fugiu de Hallblithe, nem se atreveria ele a perder qualquer chance de ouvir uma palavra de sua amada; então ele disse: Grandalhão, eu irei a bordo. Mas tu consideres isso: se tu tens em mente trair-me; pois os filhos do Corvo são duros de matar.

Bem,disse o grandalhão, Eu ouvi que menestréis deles são de muitas palavras, e penso que [23]eles tem histórias para contar. Venha a bordo e não tardes.Então Hallblithe caminhou em meio a arrebentação e levemente passou por cima da amurada do esquife e sentou-se. O grandalhão empurrou [o barco] para o mar e levantou a vela de retorno; mas havia somente pouco vento.

Então disse Hallblithe: “Desejas tu ter me a remar, pois eu não tenho conhecimento para que direção guiá-lo?”

Disse o camponês vermelho: Talvez tu não estejas com pressa, eu não estou: faça como tu desejares”. Então Hallblithe pegou os remos e remou poderosamente, enquanto o estrangeiro guiava, e eles foram rápida e levemente sobre o mar, e as ondas eram poucas.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.20-23. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/20/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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