A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quinta Parte: O Conto do Fim da Busca - Capítulo IV Da Morte de Amigo e Inimigo

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[276]Assim, três horas após o meio-dia, eles chegaram aonde havia uma clareira no bosque, e uma longa campina estreita estendia-se por alguns furlongs diante deles, com um rio correndo ao longo dela, e o bosque erguia-se do outro lado, elevado e espesso, de modo que a dita campina parecia uniforme mesmo como uma ampla estrada verde conduzindo de algum lugar para algum lugar.

Na borda daquele lugar o guia, o guia de caminho deles, o sargento, ordenou que eles parassem a cavalgada, e disse: Lordes, agora nós estamos nas terras do Domínio Vermelho, e aligrande perigo e pavor para qualquer um exceto corações fortes como sóis vós; mas parece que nós estamos tão firmados que, o que quer que possa sair do Vale Negro dos Greywethers para o Domínio Vermelho, vós agora podeis escassamente deixar passar. Acolá, ao longo dessa planície para o norte, extende-se o caminho para o dito Domínio, e qualquer homem vindo da parte mais elevada do vale é certo de vir pelo caminho que nós viemos, e, na pior das hipóteses, passar-nos-á não muitas jardas de onde nós agora estamos. Por outro lado, se alguém vir para o Domínio a partir da boca do Vale Negro, então, ao longo desta estrada verde, ele necessita passar sob vossos próprios olhos. Por último, se nós fizermos o que nós estamos para fazer, a saber, libertar a dama do Cavaleiro Vermelho, então, o feito consumado, nós temos de tomar a estrada verde na direção sul, e cavalgá-la por uma légua e, em seguida, virar para o ociente, e nós deveremos ter nossas cabeças viradas na direção do Castelo da Busca, e deveremos prontamente nos encontrar com Sir Aymeris e nossos homens que estão guardando as saídas da região do Cavaleiro [277]Vermelho na direção de nossa casa. Assim, agora, por meu conselho, vós deveis jazer aqui em segredo e aguardar por um tempo o que pode acontecer; se nada chegar por este meio antes que duas horas estiverem faltando para o pôr do sol, então, nós podemos procurar mais longe.

Todos eles concordaram com isso, desmontaram dos seus cavalos e deitaram-se quietamente sobre a grama, nem mesmo falando, senão suavemente. E quando eles tinham permanecido dessa maneira por escassamente o espaço de uma hora, o escudeiro, quem era um homem de um ouvido muito excelente, ergueu sua mão como se para ordernar silêncio completo, e todos prestaram atenção ansiosamente. Logo ele disse: ‘Vós não ouvis?’ Disse Arthur: ‘Parece-me que ouço um fraco tinido, como um sino de ovelha.’ Disse o escudeiro: ‘É a colisão de espadas, na planície abaixo, para o sul, e parece que são apenas duas: cavalguemos para lá?’

Disse Baudoin: Não, não por meu conselho; pois se nós podemos ouvi-los, eles podem ouvir-nos; movamo-nos para frente quietamente e a pé, para um pouco mais perto do caminho deles, sempre mantendo a cobertura do bosque entre nós e a campina aberta. Agora, então, a isso, e que cada homem mantenha suas armas prontas.

Assim mesmo eles fizeram, e espalharam-se em uma linha conforme eles caminhavam, de tal maneira que havia uns seis passos entre cada homem deles, e eles caminharam rapidamente adiante; Baudoin foi primeiro, Hugh, segundo, então, Arthur; em seguida, o escudeiro e o sargento, últimos de todos.

Agora, enquanto eles tinham caminhado por apenas um quarto de uma hora, o escudeiro alcançou Arthur e falou com ele suavemente, e disse: A voz das espadas tem estado silente por um tempo agora, e eu ouvi uma voz [278]gritando agora mesmo, uma voz de mulher. E agora, novamente, eu poderia quase considerar que eu ouço cascos de cavalo.

Arthur acenou com a cabeça para ele, e eles caminharam apenas um pouco antes que ele dissesse: Oh, oh! Agora é o vez dos olhos! Aí vem gente.E, com isso, ele obstou-os. Pois o bosque virava-se um pouco aqui, de modo a ocultar tudo exceto um pouco da campina, e em torno da extermidade do bosque os recém-chegados elevavam-se à vista, e logo ficaram próximos deles, de maneira que eles puderam vê-los claramente, a saber, um cavaleiro armado, todo envolto em vermelho, um homem muito grande, cavalgando um grande cavalo baio, e atrás dele uma mulher caminhando a pé em situação muito lamentável; pois ela estava amarrada à garupa do cavalo por uma tira de couro que prendia suas mãos juntas, de maneira que ela tinha apenas pouco espaço entre ela e o cavalo para que ela pudesse caminhar, e, em volta do pescoço dela, pendia a cabeça de um homem recentemente cortada.

Essa visão todos eles viram de uma vez , e saíram do bosque em um instante com armas levantadas, pois eles conheciam tanto o homem quanto a mulher, que eles eram o Cavaleiro Vermelho e Birdalone.

Tão rápidos e súbitos eles tinham sido, que ele não teve tempo nem para esporear e mesmo para desembainhar sua espada; mas ele tinha um pesado machado de ferro em sua mão enquanto o primeiro homem abordou-o, o qual foi o alto Baudoin; e com isso ele acertou Baudoin um golpe tão feroz e imenso, que entrou nele entre o pescoço e ombro, que tudo cedeu diante disso, e o Cavaleiro Dourado caiu no chão, todo cortado e completamente morto: mas, mesmo com isso, caíram Hugh, o escudeiro e o sargento sobre o Cavaleio Vermelho; pois Arthur [279]tinha corrido para Birdalone e libertado-a cortando a amarração dela. O sargento golpeou-o no braço direito com um malho, de forma que o machado caiu no chão; a espada do escudeiro encontrou o lado da cabeça dele, e, enquanto ela foi lançada para trás sob o golpe, Hugh jogou sua espada através da garganta dele, e abaixo ele caiu sobre a terra e estava morto em menos de um minuto.

Então reuniram-se os outros ao redor de Baudoin, e viram de uma vez que ele estava morto; e Birdalone chegou impulsionando-se através da turba deles, e ajoelhou-se ao lado dele, e, quando ela viu sei amigo tão lamentavelmente equipado, ela chorou e lamentou-se sobre ele como alguém que não poderia ser confortada; e Hugh colocou-se de pé sobre ela e deixou as lágrimas dele caírem sobre o morto; e ao mesmo tempo, o escudeiro e o sargento não contiveram suas lamentações, pois intensamente amado era Sir Baudoin, o Cavaleiro Dourado.

Mas Arthur falou sem emoções, embora houvesse pesar em seu semblante, e ele disse: Companheiros, e tu, dama, lamentemos depois, mas agora é momento para nós irmos embora daqui tão rapidamente quanto possa ser. Contudo, eu perguntarei, alguém conhece de quem é esta cabeça que o tirano morto aqui pendurara em torno do pescoço da dama? Possam os demônios amaldiçoarem-no por isso!

Disse o sargento: Sim, lordes, disso eu tenho conhecimento; esta é a cabeça do capitão e líder do Cavaleiro Vermelho, Sir Thomas de Estcliffe; um dos mais duros cavaleiros ele foi enquanto esteve vivo, como vós certamente tendes conhecimento, lordes; tampouco, como eu ouvi dizer, foi ele um tirano tão cruel quanto o lorde dele que jaz ali pronto para os corvos.

[280]Agora Birdalone tinha se levantado e estava de pé encarando Arthur; a face dela estava pálida e cheia de angústia, e ela estava salpicada com o sangue do pescoço do morto; mas não havia nada de vergonha na face dela enquanto ela colocava-se ali de pé e falava: ‘Oh, meus amigos vivos, quem apenas agora me salvaram, vós e meus amigos mortos, da vergonha e morte de quam eu não conheço, o conto deste acontecimento lamentável é muito longo para contar se há perigo à mão, e eu escassamente viva de pavor e tristeza; mas em poucas palavras dessa forma ele é: este homem, a cabeça de quem aqui jaz, capturou-me em uma armadilha enquanto eu tolamente errava no Vale Negro, e depois me libertou, e estava conduzindo-me ao vosso castelo, meus amigos, quando este outro, o mestre dele, o tirano do Domínio Vermelho, deparou-se ele, e caiu sobre ele, e matou-o como um traidor, e trajou-me como vós vedes. E ai de mim! Eu sou a tola cuja loucura matou o vosso amigo e o meu. Portanto, eu não sou digna da vossa amizade, e vós deveis lançar-me fora dela; ou matar-me fosse melhor.’

Assim ela falou, encarando fixa e firmemente Arthur; e tão perturbada e pesarosa, que ela bem podia ter morrido senão pela criação dela no bosque, e pela labuta dos dias que ela superou na Casa sob o Bosque.

Mas Hugh falou gentilmente e disse: Preserva agora teu coração, donzela; pois a mão do Destino é quem te conduz, e ninguém erra gravemente exceto se ele intenciona transgressão no coração dele; e nós conhecemo-te verdadeiramente; e tu tens sido nossa auxiliadora, e trouxeste nossas amadas para nós para nos fazer felizes.

[281]Mas ela irrompeu, chorando de novo, e disse: Oh, não, não! São apenas aflição e aborrecimento que eu trouxe para meus amigos; e, para mim mesma, ainda mais aflição e aborrecimento.

E ela olhou piedosamente para o rosto de Arthur, e duro e severo ele pareceu para ela; e ela torceu e espremeu as mãos por angústia. Mas ele falou e disse: ‘Disso nós cuidaremos quando estivermos seguros atrás de nossas muralhas, e veremos o que ela fez de errado e não fez de errado. Mas agora há apenas uma coisa a fazer, e é colocarmo-nos velozmente em nosso caminho para o Castelo da Busca, e amarrar o corpo do nosso companhiero sobre o cavalo dele para que ele possa cavalgar conosco, e a dama deverá cavalgar o cavalo do ladrão amaldiçoado.’ Em seguida, ele viraram-se e foram na direção dos seus cavalos; mas com isso Birdalone atingiu a cabeça do cavaleiro morto com o pé dela, e apontou para baixo na direção dela e não falou nenhuma palavra; e Hugh disse: ‘Amigos, a dama está certa, este, pelo menos, nós cobriremos com terra. Ide vós buscar nossos cavalos para cá, uma vez que nós estamos na estrada, e, entrementes, eu farei aqui o que for necessário.’

Assim eles prosseguiram com essa missão, e, em seguida, Hugh e Birdalone entre eles cavaram um buraco com as espadas e depositaram a cabeça do capitão do Cavaleiro Vermelho ali. E verdadeiramente, um pouco Birdalone teria chorado por ele, tivesse ela tido uma lágrima para dispensar.

Em seguida, eles comerçaram e amarraram o morto Baudoin sobre o poderoso corcel baio do Cavaleiro Vermelho, de maneira que nenhum tempo pudesse ser desperdiçado; e quando isso estava feito, e os outros não retornaram com seus cavalos, Hugh tomou a mão de Birdalone e conduziu-a para [282]o riacho abaixo, lavou o sangue coagulado do seio dela, e ela lavou o rosto dela e as mãos dela e deixou que ele a conduzisse de tal maneira que agora ela poderia prestar atenção às palavras de conforto que ele falava para ela, e o tipo lamentável que ele pareceu para ela; de maneira que, finalmente, ela alegrou o coração e perguntou a ele como Viridis estava. Ele respondeu: ‘Todas elas estão seguras no castelo, e Viridis está bem e ama-te bem. E Aurea estava bem, aflição que vale a pena para ela agora! Quanto a Atra, ela não tem estado tão feliz quando as outras duas, eu não conheço a razão.’

Enquanto mesmo eles falavam, os outros dois chegaram com os cavalos, e Arthur acenou com a cabeça em concordância quando ele viu o que tinha sido feito com o morto Baudoin; e, dessa forma, eles montaram no cavalo, e Birdalone foi aquela que cavalgou o corcel de Baudoin. Em seguida, eles prosseguiram em seus caminhos, cruzando o rio para dentro do bosque; e o sargento sempre foi o guia do caminho, mas o escudeiro conduziu o cavalo que transportava o fardo doloroso do falecido Cavaleiro da Busca.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 276-282. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/276/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Água das Ilhas Maravilhosas - A Quinta Parte: O Conto do Fim da Busca - Capítulo III Como eles seguem o Rastro de Birdalone, e o Cavaleiro Negro

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[271]Eram apenas cinco minutos antes que o sacerdote tinha lhes contado tudo o que era necessário; assim eles deixaram que ele permanecesse sozinho ali, embora seja verdadeiro dizer que não havia nenhum deles que não tivesse boa vontade para quebrar o pescoço dele; e o mesmo desígnio tinham todos os três, que nada havia a fazer senão seguirem em seus caminhos, com toda a velocidade, para o Vale Negro das Greywethers, e seguir o rastro de Birdalone, se ele ainda pudesse ser encontrada. Portanto, eles ordenaram que seus cavalos fossem selados imediatamente, e, enquanto isso estava sendo feito, eles comeram um bocado e desejaram adeus a suas amadas. E eles equiparam-se para partir, eles três juntos, com apenas um escudeiro e um sargento, quem era ambos rastreadores perspicazes e silvícolas ferozes. Mas, antes que eles partissem, por conselho de Arthur, eles ordenaram a Sir Aymeris para armar duas vintenas de homens e cavalgarem na direção do Domínio Vermelho, e assediarem o caminho entre lá e o Castelo da Busca; pois um e todos eles consideraram que se algum mal acontecesse Birdalone, o Cavalerio Vermelho estaria na base dele.

Assim cavalgaram aqueles companheiros, e entraram no vale aproximadamente quatro horas após Birdalone ter se encontrado com o cavaleiro desconhecido; e eles discerniram a rastro dela, mas não facilmente, visto que o solo era duro e pedregoso; entretanto, eles também encontraram sinais do cavaleiro, encontrando aqui e ali o que eles consideraram as pegadas de um homem alto. E isso foi grave para aqueles companheiros, uma vez que agora eles não podiam [272]senão considerar que alguma coisa desagradável tinha acontecido a Birdalone. Mas eles prosseguiram discernindo o rastro, e eles seguiram com muito labuta até que eles chegaram ao círculo-de-julgamento na parte mais alta do vale, onde Birdalone e o estranho sentaram-se para comer; mas, por aquela hora, tão árduo tinha sido o seu progresso que já era um pouco depois do crepúsculo, e nada havia a fazer exceto permanecer ali durante a noite. Assim, por um tempo, todos se sentaram falando, todos eles, e o escudeiro e o sargento acima mencionados não estavam nem um pouco receosos da aventura de fazer daquele lugar desconhecido o aposento de dormir deles; e, para passar o tempo, os lordes deles fizeram eles contarem contos tais como eles conheciam sobre aquele lugar; e ambos eles disseram que nunca outrora tinham entrado no vale, apenas vindo a uma pouca distância, e disseram que eles então tinham feito isso confiando na ordem de seus lordes e na sorte da Busca. Depois disso, a conversa voltou-se para o que tinha acontecido a Birdalone, e as chances de chegarem a ela. E como as pessoas fazem em uma situação difícil, eles conversaram sobre o assunto uma e outra vez até que eles estivessem cansados e não pudessem mais falar.

Então eles foram dormir, e nada lhes aconteceu até que eles despertassem em ampla luz do dia. Mas eles tinham poucas pistas de que hora era, pois todo o vale estava cheio de espesa névoa branca que vinha rolando abaixo a partir das montanhas, de maneira que eles escassamente podiam ver as mãos deles diante de si mesmo, e ali eles tiveram de se demorar quietos, desejassem eles ou não. E o sargento imediatamente começou a contar-lhes contos de pessoas que tinham sido perdidas naquele labirinto pedregoso; e todos eles consideraram, mais ou menos, que isso era a obra ou [273]de criaturas malignas, ou isso podia ser da bruxaria do Cavaleiro Vermelho; e, para ser breve, todos eles consideraram que foi ele quem manejara isso, salvo o sargento, quem disse que as criaturas da montanha eram os mestres e não os servos daquele do Domínio Vermelho.

Portanto, aconteceu dessa forma. Mas quando a dita névoa tinha estado sobre eles por aproximadamente seis horas, ela rolou para cima como uma cortina e, oh, o céu azul e o sol, e as montanhas tão azul claras como em uma pintura; e eles viram pelo sol que era apenas um pouco depois do meio-dia.

Mas enquanto eles alegravam-se ali, e ocorria-lhes uma vez mais seguirem o rastro de Birdalone e do outro, o céu tornou-se subitamente nublado, e, abaixo, a partir das mandíbulas da montanha, veio uma tempestade de vento e chuva, e trovão e relâmpago, tão grande que eles escassamente podiam ver o rosto um do outro, e, quando ela limpou, em aproximadamente uma hora e meia, e o vento desceu para o sudeste, o riacho tornou-se grande, e fluiu marrom e furioso vale abaixo, de maneira que ele era vadeável apenas aqui e ali; e quanto ao rastreamento da pegada daqueles dois, não havia necessidade de falar disso, pois a fúria da chuva forte lavara tudo.

Dessa forma, eles viajaram durante todo o dia entre névoa e tempo limpo, e eles deitaram-se à noite para descansar, extremamente desanimandos. Quando o dia irrompeu eles conversaram junto quanto ao que era melhor a fazer; e o sargento acima mencionado falou: ‘Lordes,’ disse ele, ‘parece que eu estou mais em casa no Vale Negro do que vós estais; pois vós não prestais atenção. Agora, assim é que, [274]se demorarmos aqui até a noite chegar, nós não temos conhecimento de que mal pode acontecer-nos, ou, no mínimo, nós não fazemos nada. Ou, se nós retornarmos e sairmos do vale na direção sul nós, de fato, deveremos ficar seguros; mas seguros nós deveríamos ter ficado em vossa casa, lordes, e não devíamos ter feito menos. Mas agora eu deverei contar-vos que, se vós desejardes, lordes, eu deverei conduzir-vos a uma passagem que sai da parte mais elevado do vale às nossas mãos direitas e, em seguida, vira no flanco das montanhas e sai na região que circunda o Domínio Vermelho.E parece-me que é naquela direção que nós devemos buscar se nós desejarmos ouvir quaisquer novidades da dama; pois lá nós podemos colocarmo-nos em tocaia e assediar os caminhos que conduzem ao Domínio, através dos quais ela deve ter sido trazida, se ela não tiver sido transportada através do ar. Que dizeis vós, lordes? Verdadeiramente há perigo lá; todavia, parece-me, não mais perigo do que a nossa permanência no Vale Negro durante outra noite.’

Disse Arthur:Nós não prestamos atenção ao perigo, se houver algo a ser realizado; portanto, movamo-no imediatamente.E assim todos eles fizeram. Portanto, eles alcançaram os cavalos, e cavalgaram até a parte mais elevada do vale, e o clima estava agora calmo e brilhante.

Mas o sargento conduziu-os à passagem na qual o cavaleiro desconhecido falara com Birdalone, a qual conduzia para dentro da região do Cavaleiro Vermelho, e, sem mais demora, eles entraram nela quando eram apenas três horas após o meio-dia. Mas o caminho era tanto íngreme quando acidentado, de maneira que eles tiveram muita labuta, e não tinham ido muito longe antes que a noite caísse sobre eles, e a lua ainda não estivesse alta. Assim, quando eles tinham [275]cambaleado por outras duas horas, e os cavalos deles estavam muito cansados, e eles mesmos nem um pouco cansados, eles deitaram-nos para dormir, após terem comido tanta comida quanto tinham com eles, em um lugar onde havia um pouco de grama para os cavalos comerem; pois toda a estrada até lá tinha sido de meras pedras sinistras e grandes rochas, emparedadas de cada lado por seixos pedregosos, acima das quais se erguiam rochedos íngremes e salientes.

Pela aurora eles levantaram-se novamente, e não fizeram alvorço até que estivessem na sela, e eles cavalgaram até que eles chegaram ao cume da passagem, e, após um tempo, saíram d para o flanco dilatado de uma montanha imensa (como poderia ser o lado da montanha de Plinlimmon no País de Gales), a qual era coberta por grama e nada escarpada, mas completamente sem árvores.

Agora o sargento lhes conduziu um tanto obliquamente à dita montanha, até que eles começaram a descer, e viram abaixo deles uma região de pequenas colinas muito coberta por bosques, e, em pouco tempo, e antes que fosse noite, eles estavam entre os ditos bosques, os quais eram crescidos principalmente com grandes árvores, como carvalho aqui e faia ali, e o avanço foi bom para eles.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 271-275. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/271/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Ilha do Doutor Moreau - Capítulo XIII Uma Negociação

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[118]Eu virei-me novamente e desci na direção do mar. Eu descobri o córrego quente alargado até uma areia rasa, coberta por ervas daninhas, na qual uma abundância de caranguejos e criaturas de corpos longos e de muitas pernas se moviam a partir de minhas passadas. Eu caminhei até a beira mesma da água salgada, e nessa ocasião eu senti que estava seguro. Eu virei e encarei, braços com as mãos nos quadris, o verde espesso atrás de mim, dentro do qual uma ravina cheia de vapor cortava como um talho fumante. Mas, como eu digo, eu estava cheio demais de excitação e (um dito verdadeiro, embora aqueles que nunca tenham conhecido o pergio possam duvidar) desesperado demais por morrer.

Então surgiu em minha cabeça que ainda havia uma chance diante de mim. Enquanto Moreau e Montgomery e sua turba bestial perseguiam-me através da ilha, eu não poderia dar a volta até chegar à cercada deles, - fazer uma marcha de flanco sobre eles, de fato, e, em seguida, com [119]uma rocha arrancada de sua parede frouxamente construída, esmagar a fechadura da porta menor e ver o que poderia encontrar (faca, pistola, ou seja o que for) para lutar com eles quando eles retornarem? De qualquer maneira, era algo para tentar.

Assim eu me virei na direção oeste e caminhei ao longo da borda da água. O sol poente brilhou o seu calor cegante em meus olhos. A leve maré do pacífico estava correndo para dentro com uma ondulação gentil. Logo a costa desapareceu na direção sul, e o sol circulou sobre minha mão direita. Então, subitamente, longe à minha frente, e eu vi, primeiro uma e então várias, figuras emergindo a partir dos arbustos, Moreau, com seu cão de caça cinzento, em seguida, Montgomery, e outros dois. Diante disso, eu parei.

Eles viram-me, e começaram gesticulando e avançando. Eu permaneci observando eles aproximando-se. Os dois homens-besta avançaram correndo para me remover da vegetação rasteira, em direção à terra. Montgomery vinha, também correndo, mais diretamente na minha direção. Moreau seguia mais lentamente, com o cão.

Finalmente, eu despertei a mim mesmo da inação e, voltando-me na direção do mar, eu caminhei diretamente para dentro da [120]água. Inicialmente, a água era muito rasa. Eu estava trinta jardas para fora da terra antes que as ondas alcançassem minha cintura. Vagamente, eu pude ver as criaturas da zona entremarés disparando para longe de meus pés.

O que você está fazendo, homem?” Exclamou Montgomery.

Eu virei, de pé com água até a cintura, e encarei-lhes. Montgomery parou ofegante à margem da água. O rosto dele estava vermelho brilhante, seu longo cabelo linhoso espalhado em volta da cabeça dele, e o seu lábio inferior caído mostrava os seus dentes irregulares. Moreau estava apenas chegando, seu rosto pálido e firme, e o cão à sua mão latia para mim. Os dois homens tinham chicotes pesados. Mais distantes praia acima, olhavam fixamente os homens-besta.

O que eu estou fazendo? Eu estou prestes a afogar-me,” eu disse.

Montgomery e Moreau olharam um para o outro. “Por quê?” perguntou Moreau.

Porquê é melhor do que ser torturado por você.”

Eu disse a você,” disse Montgomery, e Moreau disse alguma coisa em um tom baixo.

O que faz você pensar que eu deverei torturar você?” perguntou Moreau.

[121]“O que eu vi,” eu disse. “E aqueles – acolá.”

Bah!” disse Moreau e ergueu a mão.

Eu não serei torturado,” eu disse. “Eles eram homens: o que eles são agora? Pelo menos, eu não serei como eles.”

Eu olhei além dos meus interlocutores. Praia acima, estavam M’ling, assistente de Montgomery e um dos brutos enfaixados em branco do bote. Mais acima, à sombra das árvores, eu vi meo homem-macaco, e, atrás dele, algumas outras figuras sombrias.

Quem são essas criaturas?” Eu disse, apontando para eles, levantando mais e mais a voz para que ela pudesse alcançá-los. Eles foram homens, homens como vocês mesmos, a quem você infectou com alguma mácula bestial, - homens a quem você escravizou, e a quem você silenciou com medo. Vocês quem ouvem, eu exclamei, agora apontando para Moreau e gritando além dele para os homens-bestas – “Vocês quem ouvem! Vocês não veem que esse homem que silenciou vocês com medo, corre de pavor de vocês? Então, por que vocês o temem? Vocês são muitos –”

[122]“Pelo amor de Deus,” exclamou Montgomery, “pare com isso, Prendick!”

Prendick!” exclamou Moreau.

Eles ambos gritaram juntos, como se para afogarem minha voz; e atrás deles baixavam-se os rostos pasmados dos homens-besta, ponderando, as mãos deformadas deles pendendo para baixo, os ombros deles curvados. Eles pareciam, como eu imaginava, estar tentando entender-me, para lembrar, eu pensava, de alguma coisa do seu passado humano.

Eu continuei gritando, eu mal me lembro o que, - que Moreau e Montgomery poderiam ser mortos, que eles não deviam ser temidos: isso foi o fardo que eu coloquei nas cabeças do povo-besta. Eu vi o homem de olhos verdes em farrapos escuros, quem se encontrara comigo na tarde de minha chegada, sair de entre as árvores, e outros o seguiam, para me ouvir melhor. Finalmente, por falta de fôleo, eu parei.

Ouça-me por um momento,” disse a voz firme de Moreau; “e, em seguida, diga o que você quiser.”

Bem?” Eu disse.

Ele tossiu, pensou, então, exclamou: “Latim, Prendick! Latim ruim, latim de menino de escola; mas experimente e entenda. Hi non sunt homines; animalia qui nos habemus – vivisseccionados. Um [123]processo humanizante. Eu explicarei. Venha para a praia.

Eu ri. “Uma bela história,” eu disse. “Uma bela história,” eu disse. “Eles falam, constróem casas. Eles eram homens. É provável que eu irei para a praia.”

A água bem além de onde você está de pé é profunda – e cheia de tubarões.”

Esse é o meu caminho,” eu disse. “Curto e afiado. Logo.”

Espere um minuto.” Ele tirou algo do bolso que brilhou de volta para o sol, e largou o objeto aos seus pés. “Isso é um revólver carregado,” disse ele. “Montgomery aqui fará o mesmo. Agora nós iremos subir a praia até que você esteja satisfeito que a distância é segura. Então venha e tome os revólveres.”

Não eu! Vocês têm um terceiro entre vocês.”

Eu quero você para pensar sobre as coisas, Prendick. Eu nunca pedi a você para vir a esta ilha. Se nós vivissectássemos homens, nós deveríamos importar homens, não bestas. Em segundo lugar, se tivéssemos nós drogado você na última noite, nós teríamos desejado fazer a você algum dano; e, em terceiro lugar, agora que o seu primeiro pânico passou e você consegue pensar [124]um pouco, Montgomery aqui é bastante capaz para o temperamento que você concede a ele? Nós perseguimos você para o seu próprio bem. Porque esta ilha está cheia de – fenômenos hostis. Além disso, por que nós deveríamos querer atirar em você quando há pouco você ofereceu-se para se afogar?

Por que você colocou – o seu povo sobre mim quando eu estava na cabana?”

Nós estavámos certos de capturar você e trazer você para fora de perigo. Afinal, nós expulsamos você do fedor, para o seu bem.”

Eu ponderei. Isso parecia bem possível. Então eu lembrei de alguma coisa novamente. “Mas eu vi,” eu disse, “na cercada -”

Aquilo era o puma.”

Veja aqui, Prendick,” disse Montgomery, “você é um asno idiota! Saia da água, pegue esses revólveres e fale. Nós não podemos fazer nada mais do que nós pudemos fazer agora.”

Eu confessarei que, então e de fato, eu sempre desconfiei de e temi Moreau; mas Montgomery era um homem que eu sentia que entendia.

Subam a praia,” eu disse, após pensar, e acrescentei, “levantando suas mãos.”

Não posso fazer isso,” disse Montgomery, com [125]um explicativo aceno de cabeça sobre os ombros. “Indigno.”

Subam para as árvores, então,” eu disse, “como vocês desejarem.”

É uma detestável cerimônia boba,” disse Montgomery.

Ambos viraram e encararam as seis ou sete criaturas grotescas, quem permaneciam ali à luz do sol, sólidas, projetando sombras, movendo-se e, contudo, tão increvelmente irreais. Montgomery estalou o seu chicote nelas, e, com isso, todas elas viraram-se e fugiram a trouxe-mouxe para as árvores; e, quando Montgomery e Moreau estavam a uma distância que eu julguei suficiente, eu caminhei com esforço para a praia, e peguei e examinei os revólveres. Para me satisfazer contra a mais sútil trapaça, eu descarreguei um contra um pedaço redondo de lava, e tive a satisfação de ver a pedra pulverizada e a praia respingada com chumbo. Ainda assim, eu hesitei por um momento.

Eu aceitarei o risco,” eu disse, finalmente; e, com um revólver em cada mão, eu caminhei praia acima na direção deles.

Assim é melhor,” disse Moreau, sem afetação. “Como está, você desperdiçou a melhor parte do meu dia com a sua imaginação [126]confusa.” E, com um toque de desdém que me humilhou, ele e Montgomery viraram-se e caminharam em silêncio diante de mim.

O grupo de homens-besta, ainda se maravihando, permaneceu para trás, entre as árvores. Eu passei por eles tão serenamente quanto possível. Um começou a seguir-me, mas recuou novamente quando Montgomery estalou o chicote. O resto permaneceu em silêncio – observando. Uma vez eles podem ter sido animais; mas eu nunca antes vi um animal tentando pensar.


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ORIGINAL:

WELLS, H.G. The Island of Doctor Moreau; A Possibility. New York: Stone & Kimball, 1896. pp. 118-126. Disponível em: <https://archive.org/details/islandofdoctormo00welluoft/page/118/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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