A Floresta além do Mundo - Capítulo XXI Walter e a Donzela fogem da Casa Dourada

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[148]Ali ele permaneceu em meio às aveleiras, ouvindo com atenção cada pequeno som; e os sons não eram nada, salvo as vozes da noite do bosque, até que, subitamente, irrompeu da casa um grande grito de lamento. O coração de Walter veio à boca, mas ele não teve tempo de fazer qualquer coisa, pois, seguindo-se imediatamente ao grito, veio o som de pés leves próximos a ele, os galhos foram empurrados para os lados, e lá veio a Donzela, e ela somente em seu agasalho branco e de pés descalços. E então, primeiro ele sentiu a doçura do corpo dela sobre o seu, pois ela pegou-o pela mão e disse sem fôlego:Agora, já! Ainda pode haver tempo, ou mesmo demais, pode ser. Quanto a poupar o fôlego, não me perguntes nenhuma questão, apenas venha!

[149]Ele não se demorou, apenas partiu enquanto ela liderava, e eles eram rápidos, ambos.

Eles prosseguiram da mesma maneira, diretamente ao sul, a saber, como ele estivera caçando com a Senhora. Por vezes eles corriam, por vezes, andavam. Mas tão rápidos eles prosseguiram que, pelo cinza da aurora, chegaram tão longe quanto aquele bosque ou moita do Leão. Ainda se apressaram adiante, e pouco somente falou a Donzela, salvo, às vezes, uma palavra para animar Walter e, às vezes, uma palavra tímida de carinho. Finalmente a aurora tornou-se em início do dia, e, conforme eles se aproximavam da borda de uma inclinação, olharam para baixo, através de uma terra plana na qual as árvores cresciam repasto disperso. Além da planície levantava-se a terra em extensas colinas verdes, e sobre essas novamente ficavam as montanhas azuis grandes e tão distantes.

Então falou a Donzela:Além se estendem as distantes montanhas dos Ursos e, através delas, precisamos passar, para nosso grande perigo’.

Não, amigo,ela disse, enquanto ele manejava o punho de sua espada, ‘precisam ser a paciência e sabedoria que nos conduzirão através, e não a lâmina inculta de um homem, embora ele seja um bom homem. Mas olha! Ali abaixo corre um córrego através [150]da abertura da planície, e eu não vejo nada nele, apenas que nós agora precisamos descansar nossos corpos. Além disso, tenho uma história para te contar que está queimando em meu coração; pois talvez, ademais, haja um perdão para te pedir; por que eu te temo.

Disse Walter:Com isso pode ser?

Ela não o respondeu, mas tomou sua mão e guiou-o inclinação abaixo. Mas ele disse:tu disseste, descansar; mas agora estamos fora de todo perigo de perseguição?

Ela disse:Eu não posso contar-te até que eu saiba o que aconteceu a ela. Se ela não passou a instigar seus batedores, eles dificilmente toparão conosco agora; se não for por aquele.

Ela estremeceu, e ele sentiu a mão dela mudar enquanto ele a segurava.

Então ele disse: Mas com ou sem perigo, necessitamos descansar; pois, digo-te novamente, o que tenho para te dizer queima meu seio por medo de ti, de modo que eu não posso ir além até que eu tenha contado-te.

Então ela disse:Eu não tenho conhecimento desta Rainha, de seu poderio e de seus servos. Perguntarei sobre isso depois. Mas, além dos outros, não o Filho de Rei, ele quem te ama tão indignamente?

Ela empalideceu um pouco, e disse:Quanto a [151]ele, não havia nada para tu temeres dele, salvo a traição: mas agora ele não deve mais amar ou odiar; ele morreu na última meia-noite.

Sim, e como?disse Walter.

Não,’ ela disse,deixe-me contra minha história inteira de uma vez por todas, para que você não me culpe demasiadamente. Mas primeiro iremos lavarmo-nos e confortamo-nos o melhor que pudermos e, em seguida, em meio ao nosso descanso, deve a palavra ser dita.

Até então, eles haviam descido para o lado do córrego, o qual corria belo em poços e rasos velozes em meio a rochas e bancos arenosos. Ela disse: ‘Ali, atrás da grande rocha cinza, é meu banho, amigo; e aqui é o teu; e oh! O sol nascente!’

Então ela prosseguiu em seus caminhos para a dita rocha. Ele banhou-se, lavou a noite de si e, quando ele estava vestido novamente ela voltou, fresca e doce, da água, e com seu colo cheio de cerejas de uma planta selvagem que pendia sobre seu banho. Então eles sentaram-se junto na grama verde sobre a areia, e comeram o café da manhã da região selvagem. Walter estava cheio de contentamento enquanto ele a observava e contemplava sua doçura e encanto; contudo ficaram eles, qualquer um deles, um pouco tímido e acanhado um com o [152]outro; de modo que ele apenas beijou as mãos dela uma e outra vez e, embora ela não se afastasse dele, contudo, ela não teve a ousadia de jogar-se nos braços dele.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.148-152. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/148/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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