[85]BIRDALONE fez como foi ordenada. A bruxa chamou Atra para si, quem veio e permaneceu de pé humildemente no degrau ao lado dela, e conversou com sua senhora por um tempo. Então ela afastou-se dela por um tempo. Em seguida, ela veio até Birdalone e, em uma voz um pouco áspera, ordenou-lha vir com ela. Birdalone seguiu-a, tremendo, e elas saíram do salão para uma longa passagem, a qual levava a uma escadaria ampla enrolando-se em torno de um pilar central; era toda construída de modo muito belo. Sofrera o coração de Birdalone quando seus olhos viram tudo isso; mas seu corpo estava fraco, e tremia diante do tormento por vir, de modo que seus joelhos quase falharam.
Mas agora Atra gentilmente coloca a mão sobre o ombro dela, obsta-a, e diz: “Agora me parecem as paredes da Torre da Lamentação, pois são altas assim; não tem ouvidos para ouvir, e podemos conversar juntas. Sabeis tu por que eu te trouxe para cá?” Disse Birdalone em uma voz fraca: “Foste tu ordenada a me açoitar?” “E se eu fosse ordenada dessa maneira, querida donzela,” disse Atra rindo, “de maneira nenhuma eu faria. Eleva teu coração! Pois, tudo ocorreu bem até agora e, assim sendo, parece-me, entre nós três, que devemos salvar-te.”
O espírito de Birdalone retornou a ela mediante aquela palavra; ela coloca as mãos na face e começa a chorar. Mas Atra foi amável com ela e mimou-a. Ela beijou-a e secou as lágrimas dela. Birdalone sorriu novamente, em meio a seus soluços, e agradeceu a Atra; quem disse: “Primeiramente, eu [86]preciso contar-te que estou levando-te para a prisão por ordem da bruxa.” “Sim,” disse Birdalone, “e o que é prisão?” Disse Atra: “Uma prisão é um lugar cruel onde a gente pobre que fez o que não agrada à gente rica é encerrada, de que modo que eles fiquem aflitos e sejam atormentados por não serem capazes de viajar fora de casa, ou ir para onde eles desejam; e por qualquer que seja o sofrimento que seus mestres possam lançar sobre eles, como trevas, e frio, e fome, e marcas. Algo assim, ou pior, nossa senhora teria para ti; mas assim não desejamos nós. Portanto, para ti essa prisão deve ser um lugar onde tu deverás ficar segura até nós te trazermos para fora, quando a noite tiver consumido-se em direção a seu fim. Pois, ela terá esquecido-te pelo próximo dia; e isso ela sabe; por que agora mesmo, quando tu permanecias fora do alcance da audição dela, ela estava ordenando-me, em meio a outras coisas, trazer-te diante dela amanhã, e contar-lha a história de ti, para que então ela possa lembrar do que ela desejou nesta manhã.”
“Sim,” disse Birdalone, “mas ela não se lembrará que te deu uma ordem a meu respeito?” “Apenas pouco disso,” disse Atra, “e com somente poucas palavras posso facilmente confundir a memória dela, de modo que conversa sobre isso lha faltará. Preserva teu coração, querida; mas subamos essa escada imediatamente agora, pois estive inclinada a te ter escondida nesta prisão, e então descerei até ela e contá-la-ei que tu estás estendida naquele lugar em completa miséria e terror, para que não venha à cabeça dela chamar por ti antes que a memória dela obscureça.”
Novamente Birdalone comoveu-se, e elas apressaram-se por um longo caminho, escada acima, até que Atra finalmente parou [87]diante de uma porta toda feita de ferro, de fim a fim e de um lado para o outro. Então ela tomou um corrente de chaves de seu cinto, uma grande e duas pequenas, pôs a grande na fechadura e girou-a, e empurrou a porta pesada e desse modo entrou numa câmara quadrada e abobadada. A abóbada era sustentada por um pilar de mármore vermelho, no qual, um pouco mais alto do que a cabeça de um homem, estavam colocadas um conjunto de escoras de latão, que podiam ser apertadas e soltas. Esta câmara era vistosa de alguma maneira; mas ainda cruel de se olhar; pois as paredes eram todas de pedra de silhar negra articulada, e o piso também era negro, mas de mármore polido tão inteiramente que era semelhante a água negra, e devolvia a imagem dos queridos pés e pernas de Birdalone conforme ela caminhava ali. As janelas não eram pequenas, e a câmara era iluminada em cada canto por causa delas, mas elas estavam tão altas sob a abóbada que ninguém poderia ver qualquer coisa a partir dali, salvo os céus. Não havia nada na câmara salvo um banco estreito de carvalho e três banquetas do mesmo, uma grande e majestosamente cadeira esculpida, aprontada com almofadas de purpura e ouro e, em um dos cantos, uma arca de carvalho.
Agora falou Atra: “Esta é a prisão de nossa senhora, e eu receio que nós não possamos torná-la agradável para ti, estranha querida. Sim, devo contar-te (e após o que ela ruborizou) que esta é a parte de minha incumbência para te colocar em ferros.” Birdalone sorriu para ela, e estava cansada demais para perguntar o que aquilo significava, embora ela não soubesse. Apenas Atra foi à grande arca, abriu-a e introduziu suas mãos, e com isso houve um chocalhar, e quando ela se virou para Birdalone novamente, ela tinha correntes de ferro nas mãos, e ela [88]disse: “Isto me cobre de vergonha, querida amiga; contudo, se tu quiseres usá-las, poderia ser bom, pois ela pode ter a intenção de vir visitar-te na prisão, e se ela descobrir-te aqui sem algemas, ela deverá ficar irada, e muito frequentemente a ira dela tem um chicote em mãos. E estas são as mais leves que pude encontrar.”
Birdalone sorriu novamente, e não falou, visto que ela estava muito cansada. Atra arranjou os ferros em seus punhos e tornozelos; e depois disso falou: “Contudo tenha em mente que é uma amiga que tem a chave dessas coisas. Agora, irei embora por um tempo, deverei ficar em tua incumbência; pois primeiro eu deveria contar à senhora que estás deitada aqui acorrentada e completamente sem esperança; e, em seguida, pela vontade e comando dela, devo ver para que tu sejas bem alimentanda e nutrida que tu possas estar mais forte amanhã. Assim sendo, se posso aconselhar-te, é para que tu evites abrir a arca acolá; pois coisas feias tu deves achar lá, e isso pode desanimar-te novamente.”
Após o que ela beijou-a gentilmente na bochecha e prosseguiu em seus caminhos, e a grande chave virou na fechadura atrás dela.
Ali então Birdalone foi deixada sozinha; e ela estava muito cansada mesmo para chorar; verdade é que ela deu um passo ou dois em direção do cofre, mas se conteve, e pegou duas almofadas da grande cadeira e virou-se para o outro canto, suas correntes chocalhando conforme ela prosseguia. Ali ela deitou-se e aninhou-se no recanto mesmo da parede, logo dormiu e adormeceu sem sonhos e docemente por um longo tempo.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 85-88. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/85/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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