[82]Assim elas finalmente chegaram à casa mesma e, embora ela se levantasse alto na inclinação, uma grande escadaria ou plataforma de pedra subia a ela, e era de muita majestade. Elas atravessaram a varanda, a qual era sustentada por colunas e era encantadora, e entraram em um grande salão muito nobremente construído. Na outra extremidade dali, em um trono dourado que se erguia sobre um estrado, sentava-se uma mulher gorda envolta em vermelho escarlate. As três donzelas conduziram Birdalone a cerca de quatro passos da grande senhora. Em seguida, afastaram-se dela e deixaram-na em pé sozinha ali, a mulher trajada de escarlate diante dela; à sua direita e à esquerda os altos pilares subindo cintilantes em direção ao teto e, ao redor de seus pés o chão negro polido, com o chafurdar de estranhas bestas, grandes serpentes e dragões todos trabalhados no solo de azul-carvão.
Quando ela foi deixada sozinha, no início cambaleou, e aproximou-se de cair; mas, em seguida, retornou um pouco de coração a ela, enquanto dizia para si mesma que deveria verdadeiramente morrer de uma vez por todas, e não longo tempo seria a passagem da vida para a morte. Ela olhou para cima e contemplou a bruxa-senhora, que era mais ou menos como a irmã dela, de pele branca e abundante cabelo dourado como era ela, apenas mais jovem de aspecto, e de maneira nenhuma tão desagradável como aquela outra agora se tornou; pois um pouco bem formada de corpo ela era; apenas a face dela proibitiva; seu lábio inferior saltado, suas bochechas macias e [83]caídas, seus olhos pouco mais que meio abertos; para ser breve, a face igualmente orgulhosa, tola e cruel; terrível verdadeiramente, sentando-se naquele lugar em julgamento de uma nua criatura encolhida.
Agora ela falou; e se não havia nenhuma majestade ou solenidade na voz, havia alegria repulsiva e malícia ali; mas ela disse para aquelas donzelas: “É esta a mulher que meus olhos afiados contemplaram vir à terra do Bote de Envio de minha irmã agora mesmo?” Aurea ajoelhou-se sobre um joelho, e disse: “Sim, muito a agrade, minha senhora.”
Em seguida, disse a bruxa: “Oh tu! Tu pretextarás alguma incumbência de minha irmã aqui? Tu consideras-me tão imbecil que não sei que, se ela tivesse enviado-te para cá, tu não terias chegado nesta situação difícil? Não, eu sei; tu roubaste a ti mesma dela: tu és uma ladra, e como deve ser tratada.”
Falou Birdalone, em uma voz clara: “Nenhuma incumbência pretexto de tua irmã, senhora: quando eu não pude mais suportar minha vida lá, aproveitei para fugir dela: essa é toda a minha história; contudo, uma vez e outra, tem estado em minha mente que foi tua irmã quem me roubou de quem me amava.”
“Hah, escrava!” disse a senhora, “tu és corajosa; tu és muito corajosa, tu infeliz nua, de palavras tortas para mim. O que guardo de tua história agora que tu estás em minha mão?” A voz dela era fria em vez de feroz, contudo havia o veneno da malícia ali. Porem Birdalone falou: “Se eu sou corajosa, senhora, é porque vejo que cheguei à Casa da Morte. A morte pode bem ser corajosa.”
[84]“A Casa da Morte!” bradou a senhora estúpida; “e tu chamarás minha nobre casa de Casa da Morte? Agora tu não és mais corajosa, escrava desnuda, apenas imprudente.”
Desprezo surgiu no coração de Birdalone diante dessa palavra, mas ela conteve-se e falou: “Eu quis dizer que agitei a ira em ti, e que, portanto, tu me matarás; e que não ajuda implorar piedade de ti.”
Riu a senhora: “Tu és uma tola, escrava,” disse ela; “se um pardal de minha irmã fugisse para cá, eu não deveria torcer seu pescoço, apenas guardá-lo para ela. Assim deverei eu fazer contigo. Eu não deverei matar-te, e assim destruir a propriedade de minha irmã; nem deverei eu estragar-te, e estragar a propriedade dela. Eu deverei enviar-te de volta para ela, a escrava roubada no bote roubado, quando eu tiver ensinado-te uma lição aqui. Verdadeiramente foi por essa causa que, parece-me, ela deixou-te escorregar através dos dedos, pois ela é sábia o suficiente para ter impedido destas férias, tivesse ela desejado. Mas ela é compassiva, e gentil, e mole, e poderia bem julgar que se teu castigo fosse aplicado pela mão dela aqui, ele seria melhor que tratado pela misericórdia dela. Agora, escrava, falei o suficiente para ti, ou mais do que suficiente: volte para longe de meus ouvidos.”
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 82-84. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/82/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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