A Água das Ilhas Maravilhosas - A Segunda Parte: Sobre As Ilhas Maravilhosas - Capítulo II Birdalone topa com Novas Amigas

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[77]Quando ela acordou em seguida, o sol ainda não estava alto e a manhã jovem, contudo, ela colocou-se pé, muito revigorada pelo curto sono. Ela virou-se em direção a colina e à casa alegre, e viu alguém vindo até ela através do prado, uma mulher a saber, em um brilhante vestido dourado. Ela aproximou-se e Birdalone pôde ver que ela era jovem e bela, alta, de pele branca e olhos castanhos, com longo cabelo vermelho dançando de um lado para o outro enquanto ela saltitava leve e alegremente através do relvado.

Agora ela vem até Birdalone, com admiração em seus olhos, saúda-a gentilmente, e pergunta por seu nome, e Birdalone simplesmente conta tudo. A recém-chegada disse: “Que incumbência mandaste-te para cá, que tu chegaste nua e sozinha nesta balsa de mau agouro? Birdalone tremeu diante de suas palavras, embora ela falasse gentilmente com ela, e disse: “É uma longa história, apenas o destino conduziu-me para cá, e a miséria, e eu não sabia para onde eu era destinada. Porém, não há boas-vindas para mim nesta terra amável? Eu não careço de destreza inteiramente; serei uma serva das servas, e não pedirei nada se tiver de ser assim.Disse a recém-chegada: “Até isso você pode chegar, mas dolorosa será tua servidão. Temo que tua acolhida aqui possa ser apenas infortúnio. Disse Birdalone: “Tu não me contarás como assim?Disse a senhora: “Conhecemos tua balsa aqui, que é o bote no qual vem para cá, agora e novamente, a irmã de nossa senhora a Rainha, ao reino da qual tu chegaste, [78]quem vive acima no palácio branco acolá, e a quem servimos. E parece-me que tu não vieste para cá com a permissão dela, ou tu estarias em outro aspecto que este; de modo que provavelmente tu serás a desertora de tua senhora. Portanto, temo que tu serás envida de volta para tua senhora depois de um tempo, e que, enquanto isso, será penoso para ti, corpo e alma.

O coração de Birdalone afunda-se, e ela ficou pálida e trêmula; mas ela disse: “Oh querida senhora, poderia então eu partir como cheguei aqui, sem o conhecimento desta Rainha! Após tu ter-me dado um pouco de pão, pois estou faminta.” Disse aquela envolta em ouro, olhando lamentavelmente para ela: “Não, donzela, eu não posso escolher senão somente conduzir-te diante de nossa senhora, visto que muito provavelmente ela já te viste lá de cima. Visto que ela é perspicaz além do costume da gente que é mais masculina. Mas quanto ao pão, vê tu! Eu trouxe um fino pão branco em minha bolsa, e queijo além disso, conforme eu vinha apressada; pois eu pensei, ela estaria faminta. E ela alcançou o alimento para ela. E Birdalone tomou-o e beijou as mãos da senhora dourada, e ela não pode conter suas lágrimas, apenas chorava enquanto ela comia.

Entrementes, a senhora dourada falava para ela e dizia:Mesmo assim, tu pobre donzela, alguma coisa pode ser feita para teu auxílio, e eu logo falarei sobre isso com minhas irmãs, ambas as quais são mais sábias que eu. Irmãs de sangue nós não somos, somente por amor e camaradagem. E eu não duvido nada que, conforme subimos para a casa, devemos topar com elas no jardim. Porem agora olho para ti, quão bela mulher tu és!

[79]Tu és amável e amigável,disse Birdalone, sorrindo em meio às lágrimas,poderia eu saber por qual nome chamar uma mulher tão gentil?Tu deverás chamar-me de Aurea, disse a outra; e minha próxima irmã é Viridis, e a terceira, Atra; pois isso está de acordo com as tonalidades de nossas vestimentas, e outros nomes que nós não temos agora. E eis! Aqui vem Viridis através do prado.

Birdalone olhou, e viu uma mulher vindo em direção a elas toda trajada em verde, com uma guirlanda de rosas na cabeça. E ela aproximou-se, e cumprimentou Birdalone amavelmente, e ela também era uma mulher muito bonita; não grande de corpo, visto que Aurea era alta e grande, embora excelentemente formada. Castanho-claro e vistosamente ondulado era o cabelo de Viridis, seus olhos eram castanhos, e mais longos que grandes; seus lábios, cheios e corados, suas bochechas, macias, doces e lisas, e como uma pérola rosada; suas mãos, pequenas e delicadas de forma; seu corpo inteiro era de forma macia como um ovo; uma aparência amável, lisonjeira, sua face portava.

Quando olhou por um tempo para Birdalone, ela beijou-a, e disse:Eu desejaria que tu estivesses mais feliz, pois tu és bela, e tudo, senão o mal, deve amar-te.Após o que ela tirou um petisco de sua bolsa, e disse: “Come alguma coisa, pois tu estarás faminta; e vamos encontrar nossa outra irmã, que é mais sábia que nós.”

Então elas prosseguiram, todas as três, e saíram do prado para as encostas de jardins, e à entrada dali veio Atra para as encontrar; ela estava toda envolta em preto, uma mulher alta, magra, com a graça de um ramo de salgueiro ao vento, com cabelo negro [80]abundante e olhos cinzentos de falcão; sua pele era branco-alfena, com apenas um pouco de vermelho nas suas bochechas. Ela também cumprimentou Birdalone amavelmente, mas tristemente ao mesmo tempo. Ela deu morangos a ela para comer, dispostos em folha de couve; e ela disse: “Irmãs, aqui nós estamos ocultas pelas árvores, e não podemos ser vistas da casa; portanto nós podemos sentarmo-nos por um minuto ou dois, enquanto nós conversamos juntas quanto ao que talvez pode ser feito para o auxílio de nossa donzela infeliz, que é bela e amável, e está extraviada em uma armadilha tão horrível.Em seguida, ela disse a Birdalone: “Tu precisas saber, pobre viajante, que esta Rainha, nossa senhora, quem é irmã da Bruxa No Bosque, é grande e forte, benfeita, e de pele branca, de modo que ela considera a si mesma uma Rainha de toda a beleza: perspicaz é ela para ver uma mosca onde outros não veriam nada menor que um coelho; orelhuda, além disso; sábia em bruxaria; não completamente estúpida, embora ela seja orgulhosa, e mais cruel do que o mais cruel. Porem aqui ela falha, que a memória dela é das mais curtas para assuntos da hora que passa, embora ela se lembre de seus feitiços e canções de bruxa muito bem. Mas outros assuntos dificilmente permanecerão na cabeça dela por vinte e quatro horas. Portanto, irmãs, se pudermos manter esta donzela fora da visão dela (após ela tê-la visto e dado a sentença sobre ela) até a escuridão da noite de amanhã, nós talvez podemos fazer algum bem por ela; e está em minha mente que, em seguida, ela pode fazer-nos bem também.

Agora elas regojizaram-se nessa palavra de Atra a sábia; e Atra suplicou a Birdalone para as contar um pouco mais de sua história; e ela contou muito a elas; mas, [81]pelo que quer que fosse, ela nada disse sobre a esposa do bosque, de quem a aparência externa era a mesma que a dela. Em seguida, elas apiedaram-se dela e afagaram-na; mas Atra disse: “Nós não podemos demorarmo-nos mais aqui, somente ir direto para a senhora, ou talvez devemos perder tudo.”

Assim elas prosseguiram em seus caminhos e entraram na parte cercada do jardim, e pisaram o doce relvado entre as flores de grinalda e as árvores belas; as quais, agora de fato, embora Birdalone visse todas claramente, tornaram-se nada para ela. Essas três também falavam gentilmente com ela, e de vez em quando a perguntavam alguma coisa, como se para mostrar que ela era uma delas mesmas; mas ela não falava, ou respondia ao acaso, e para dizer a verdade, mal ouvia as palavras delas: verdadeiramente ela tornou-se desanimada, e estava meio morta por medo; e sua nudez, a qual pouco a perturbara através da água, agora crescera uma vergonha e um terror nela, e cada parte de seu corpo estremecia com a angústia disso.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 77-81. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/77/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


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