A Floresta além do Mundo - Capítulo XXII Sobre o Anão e o Perdão

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[153]AGORA ela começou a dizer: ‘Meu amigo, agora eu devo contar-te o que eu fiz por ti e por mim; e se tu tens um ânimo para censurar-me e punir-me, contudo, primeiro, lembra-te disto, que o que eu fiz foi por ti e por nossa esperança de vida feliz. Bem, eu deverei contar-te…’

Mas com isso a voz dela falhou; e saltando, ela encarou o declive e apontou com o dedo, e ela completa e mortalmente pálida, e tremendo tanto que ela mal conseguia ficar de pé, e não podia falar palavra nenhuma, embora um gaguejar débil saísse da boca dela.

Walter saltou, colocou seu braço em volta dela, e olhou para onde ela apontava e inicialmente não viu nada; e em seguida, nada exceto uma rocha marrom e amarela rolando declive abaixo: e então, finalmente, ele viu que era [154]o Coisa Maligna com o qual ele se encontrara quando primeiro ele chegou à terra; e agora ele ficou de pé, e ele podia ver que ele estava envolto em um casaco de samito amarelo.

Em seguida, Walter abaixou-se e pegou seu arco, e colocou-se diante da Donzela, enquanto ele colocava uma flecha no arco. Mas o monstro aprontou seu equipamento enquanto Walter estava abaixado, e quando não já ele pôde atirar, a corda de seu arco vibrou, e uma flecha voou adiante e arranhou o braço da Donzela acima do cotovelo, de modo que o sangue escorreu, e o Anão deu um grito chocante e horrendo. Em seguida, voou a flecha de Walter, e verdadeiramente foi ela mirada, de modo que ela atingiu o monstro em cheio no peito, mas caiu dele como se ele fosse feito de pedra. Então a criatura elevou seu grito horrível novamente e, ao mesmo tempo, atirou, e Walter temeu que ele tivesse acertado a Donzela, pois ela caiu em um monte atrás dele. Então se tornou Walter louco de raiva, e largou seu arco e desembainhou sua espada, e caminhou adiante, na direção do declive, contra o Anão. Mas ele rugiu novamente, e haviam palavras em seu rugido, e ele disse: ‘Tolo! Tu deves partir livre, se tu desejares desistir do Inimigo.

E quem,’ disse Walter, ‘é o inimigo?’

[155]Gritou o Anão: ‘Ela, a coisa rosa e branca deitada ali; ela ainda não está morta; ela apenas está morrendo por medo de mim. Sim, ela tem razão! Eu podia ter acertado a flecha no coração dela tão facilmente quanto arranhei o braço dela; mas eu preciso do corpo dela vivo, para que eu possa saciar-me nela.

Que tu queres fazer com ela?’ disse Walter; pois agora que ele tinha ouvido que a Donzela não estava morta ele tornou-se cauteloso novamente, e permaneceu aguardando sua chance.

O Anão gritou de tal modo diante de sua última palavra, que nenhuma palavra veio do barulho por um tempo, e então ele disse: ‘O que eu quero com ela? Deixa-me com ela, espera e assiste, e tu deverás uma história estranha para levares contigo. Pois depois eu te permitirei partir.

Disse Walter: ‘Mas qual a necessidade de te satisfizeres? O que ela fez-te?

Que necessidade! Que necessidade!’ resmungou o Anão; ‘Não te contei que ela é o Inimigo? E tu perguntas o que ela fez! O quê! Tolo, ela é a assassina! Ela matou a Senhora que era nossa Senhora, e que nos criou; ela a quem todos adoravam e veneravam. Oh tolo imprudente!

Após o que, ele colocou outra flecha [156]no arco e disparou-a, o que teria acertado Walter no rosto, mas ele baixou a cabeça na hora certa. Em seguida, com um grande brado, ele apressou-se para o declive, e estava sobre o Anão antes que ele pudesse pegar sua espada, e saltando para cima deu à criatura um golpe no meio da coroa. E tão poderosamente ele golpeou, que ele impeliu a espada pesada exatamente através dos dentes, de modo que [o Anão] caiu morto imediatamente.

Walter permaneceu sobre ele por um minuto e, quando viu que ele não se movia, desceu lentamente ao riacho, onde a Donzela ainda jazia encolhendo-se e tremendo inteiramente, e cobrindo sua face com as mãos. Em seguida ele tomou-a pelo pulso e disse: ‘Levanta, Donzela, levanta! E conta-me essa história do assassinato!’

Mas ela afastou-se dele, e olhou para ele com olhos selvagens, e disse: ‘O que tu fizeste com ele? Ele foi-se?’

Ele está morto,’ disse Walter; ‘eu matei-o; lá, ao lado do declive, ele jaz com a caveira rachada; a menos que, verdadeiramente, ele desapareça como o leão que eu matei! Ou senão, talvez, ele volte à vida novamente! E tu, és uma mentira como o resto deles? Deixa-me ouvir sobre o assassinato.’

Ela ergueu-se, e pôs-se de pé diante dele tremendo, [157]e disse: ‘Oh, tu estás irado comigo, e tua ira eu não posso suportar. Ah, o que eu fiz? Tu matou um, e eu, talvez, o outro; e nunca nós escaparíamos até que esses dois estivessem mortos. Ah! Tu não sabes! Tu não sabes! Oh! O que eu deveria fazer para apaziguar tua ira!’

Ele olhou para ela, e seu coração veio à boca diante do pensamento de separar-se dela. Imóvel ele olhava para ela, e a face amigavelmente comovente dela derreteu todo o coração dele; ele jogou sua espada para baixo, e tomou-a pelos ombros, e beijou a face dela de novo e de novo, e puxou-a para si, de modo que ele sentia a doçura do seio dela. Em seguida, ele ergueu-a como uma criança, e sentou-a sobre a grama verde, e desceu até a água, e de lá encheu seu chapéu, e retornou a ela; então ele deu de beber a ela, e lavou a face e mão dela, de modo que a cor voltou às bochechas e lábios dela: e ela sorriu-lhe e beijou-lhe as mãos, e disse: ‘Oh, agora tu és amável comigo.’

Sim,’ disse ele, ‘e é verdadeiro que se tu mataste, eu menos não fiz, e se tu mentiste, o mesmo eu fiz; e se tu divertiu-se como uma devassa, [e] eu não considero que tu o fizeste, eu inteira e certamente o fiz. Então, agora tu deves [158]perdoar-me, e quando teu espírito retornar-te, tu deverás contar-me tua história em toda amizade, e em toda gentileza terna eu deverei ouvir com atenção a mesma.’

Após o que, ele ajoelhou-se diante dela, e beijou os pés dela. Mas ela disse: ‘Sim, sim; o que tu desejares eu farei. Mas primeiro me conta uma coisa. Tu enterraste esse horror e escondeu-o na terra?’

Ele considerava que o medo a perturbara, e que ela até agora escassamente sabia de como as coisas ocorreram. Mas ele disse: ‘Amiga boa e doce, eu ainda não fiz isso; mas agora eu irei e farei, se isso parece bom para ti.’

Sim,’ ela disse, ‘mas primeiro tu precisas cortar a cabeça dele, e deitá-la pela parte de trás quando ele estiver na terra; ou senão coisas ruins acontecerão. Isso do sepultamento não é assunto ocioso. Eu instruo-te acreditar.

Eu não duvido disso,’ ele disse; ‘certamente semelhante malícia como [a que] havia naquele será difícil de matar.’ E ele pegou a espada, e virou-se para ir ao campo do feito.

Ela disse: ‘Eu preciso ir contigo; o terror encheu de tal modo a minha alma que eu não me atrevo a permanecer aqui sem ti.’

Então eles foram juntos para onde a criatura jazia. A Donzela não se atreveu a olhar [159]o monstro morto, mas Walter notou que ele trazia à cintura um grande e desajeitado machado; assim, ele desembainhou-o, e ali cortou a cabeça horrenda do inimigo com sua própria arma. Em seguida, eles dois trabalharam juntos a terra, ela com a espada de Walter, ele com o machado horrendo, até que tinham feito uma cova profunda e ampla o suficiente; e lá eles jogaram a criatura e cobriram-no, armas e tudo junto.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.153-159. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/153/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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