[125]EU FALEI tanto do Bastão de Vril que meu leitor pode esperar que eu o descreva. Isso eu não posso fazer acuradamente, pois nunca me permitiram manejá-lo por medo de algum terrível acidente ocasionado por minha ignorância de seu uso; e eu não tenho dúvida de que ele requer muita habilidade e prática no exercício de seus vários poderes. É vazio, e tem na empunhadura vários pontos, chaves ou molas pelos quais suas forças podem ser alteradas, modificadas ou direcionadas – de maneira que por um processo ele destrói, por outro ele cura – por um ele pode despedaçar a rocha, por outro dispersar o vapor – por um ele afeta corpos, por outros ele exercita uma certa influência sobre mentes. É usualmente carregado no tamanho conveniente de um cajado, mas tem ligações por meio das quais pode ser alongado ou encurtado à vontade. Quando usado para propósitos [126]especiais, a parte superior repousa no vazio da palma com os dedos indicador e intermediário protuberantes. Garantiram-me, contudo, que seu poder não é igual em tudo, mas proporcional à quantidade de certas propriedades do vril no portador em afinidade, ou harmonia com os propósitos de ser afetado. Alguns são mais potentes para destruir, outros para curar, &c.; muito também depende da calma e firmeza de vontade do manipulador. Eles afirmam que o exercício completo do poder do vril somente pode ser adquirido por temperamento constitucional – ou seja, por organização transmitida hereditariamente – e que uma menina de quatro anos pertencente às raças Vril-ya pode realizar façanhas com o bastão colocado em sua mão pela primeira vez; [proezas] que uma vida investida na prática não capacitaria o mecânico mais forte e mais habilidoso, nascido fora dos limites dos Vril-ya, a realizar. Todos esses bastões não são igualmente complicados; esses confiados às crianças são muito mais simples do que aqueles portados por sábios de ambos os sexos, e construídos com uma visão para o objeto especial no qual as crianças são empregadas; o que, como eu disse antes, é entre as mais jovens crianças [127]que está entre as mais destrutivas. Nos bastões de esposas e mães a correlativa força destrutiva é comumente abstraída, e o poder de cura inteiramente carregado. Eu gostaria que eu pudesse dizer mais em detalhe sobre esse singular condutor do fluido de vril, mas seu mecanismo é tão esquisito quanto seus efeitos são maravilhosos.
Eu deveria dizer, contudo, que esse povo inventou certos tubos pelos quais o fluido de vril pode ser conduzido em direção ao objeto que ele deve destruir, ao longo uma distância quase infinita; pelo menos eu coloquei-a modestamente quanto eu disse entre 500 a 600 milhas. E a ciência matemática deles, enquanto aplicada a semelhante propósito, é tão satisfatoriamente precisa, que mediante um relato de algum observador em um bote aéreo, qualquer membro do departamento de vril pode estimar infalivelmente a natureza dos obstáculos intervenientes, a altura à qual o instrumento de projétil deveria ser elevado, e a extensão à qual ele deveria ser carregado, de modo a reduzir as cinzas no interior de um espaço de tempo muito curto para que eu aventure-me a especificar, uma capital duas vezes mais vasta que Londres.
Certamente esses Ana são mecânicos maravilhosos [128]– maravilhosos para a adaptação da faculdade inventiva a usos práticos.
Eu passei, com meu anfitrião e sua filha Zee, pelo grande museu público, o qual ocupa uma grande ala do Colégio dos Sábios, e no qual estão acumulados, como amostras curiosas dos experimentos ignorantes e desajeitados de tempos antigos, muitas invenções das quais nos orgulhamos como realizações recentes. Em um departamento, descuidadamente jogados de lado como cacarecos obsoletos, estão tubos para destruição da vida por bolas metálicas e pó inflamável, baseados no princípio de nossos canhões e catapultas e ainda mais mortíferos do que nossos mais recentes aperfeiçoamentos.
Meu anfitrião falou deles com um sorriso de desprezo, tal como um oficial de artilharia poderia conceder aos arcos e flechas dos chineses. Em outro departamento havia modelos de veículos e navios trabalhados por vapor, e um balão de ar que poderia ter sido construído por Montgolfier. “Tais,” disse Zee, com um ar de sabedoria meditativa – “tais eram as trivialidades débeis de nossos antepassados selvagens, antes que [129]eles tivessem até uma percepção cintilante das propriedades do vril!”
Esta jovem Gy era uma amostra magnífica da força muscular que as mulheres de sua nação conseguem. Suas características eram belas, como aquelas de toda a sua raça: nunca no mundo de cima eu vi uma face tão imponente e tão impecável, mas a devoção dela aos mais severos estudos deram ao seu semblante uma expressão de pensamento abstrato que o tornou um pouco severo quando em repouso; e tal severidade tornou-se formidável quando observada em conexão com seus amplos ombros e estatura elevada. Ela era alta mesmo para uma Gy, e eu vi-a erguer um canhão tão facilmente quanto eu ergo uma pistola de bolso. Zee inspirava-me com profundo terror – um terror que aumentava quando nós viemos ao departamento do museu apropriado aos modelos de invenções trabalhadas pela ação do vril; pois aqui, meramente por um certo jogo de seu bastão de vril, ela mesma colocando-se a distância, ela punha em movimento substâncias grandes e pesadas. Ela parecia dotá-los de inteligência, e fazê-los compreender e obedecer aos seus comandos. Ela colocava complicadas [130]peças de maquinário em movimento, prendia o movimento ou continuava-o, até que, dentro de um tempo incrivelmente curto, vários tipos de matéria-prima eram reproduzidos como simétricas obras de arte, completas e perfeitas. Qualquer que seja o efeito que o mesmerismo ou eletrobiologia produz sobre os nervos ou músculos de objetos animados, essa jovem Gy produzia pelos movimentos de seu fino bastão sobre as molas e rodas de mecanismo sem vida.
Quando eu mencionei a meus companheiros minha admiração mediante essa influência sobre matéria inanimada – enquanto confessando que, em nosso mundo, eu testemunhara fenômenos que mostraram que sobre certos organismos vivos outros organismos vivos poderiam estabelecer uma influência genuína em si mesma, mas frequentemente exagerada por credulidade ou arte – Zee, quem estava mais interessada nesses assuntos do que o pai dela, pediu-me para estender minha mão, colocando ao lado a sua própria, ela chamou minha atenção para certas distinções de tipo e característica. Em primeiro lugar, o polegar da Gy (e, como eu notei mais tarde, de toda a raça, homem ou mulher) era muito maior, de uma vez só [131]mais longo e mais massivo, do que o encontrado em nossa espécie acima do solo. Há quase nisso, uma diferença tão grande quanto há entre o polegar de um homem e aquele de um gorila. Em segundo lugar, a palma é proporcionalmente mais grossa do que a nossa – a textura da pele infinitamente mais fina e mais macia – sua temperatura média maior. Mais notável que tudo isso, há um nervo visível, perceptível sob a pele, o qual parte da borda do pulso à ponta do polegar, e ramificando-se, como um garfo, nas bases dos dedos indicador e médio. “Com sua delicada formação de polegar,” disso a filosófica jovem Gy, “e com a ausência do nervo que você encontra desenvolvido nas mãos nossa raça, você nunca alcançará outro que poder imperfeito e débil sobre a ação do vril; mas, até onde se dizer respeito ao nervo, ele não era encontrado nas mãos de nossos progenitores mais primitivos, nem naqueles das tribos mais rudes fora do limite dos Vril-ya. Ele desenvolveu-se lentamente no curso de gerações, começando nas primeiras realizações, e aumentando com exercício contínuo, do poder do vril; portanto, no curso de um ou [132]dois mil anos, um nervo semelhante pode ser engendrado naqueles seres superiores de sua raça, quem se devotem àquela ciência suprema através da qual é obtido o comando sobre todas as forças mais sutis permeadas pelo vril. Mas quando você fala da matéria como alguma coisa em si mesma inerte e sem movimento, seus pais e tutores certamente não poderiam ter deixado-te tão ignorante quanto a saber que nenhuma forma de matéria é sem movimento e inerte: cada partícula está constantemente em movimento e constantemente age segundo suas operações, das quais o calor é a mais aparente e rápida, mas vril o mais sútil, e, quando manejado habilidosamente, o mais poderoso. De modo que, de fato, a corrente lançada pela minha mão e guiada por minha vontade apenas torna mais rápida e mais potente a ação que está eternamente trabalhando sobre cada partícula de matéria, por mais que inerte e obstinada ela possa parecer. Se uma pilha de metal não é capaz de gerar um pensamento por si mesma, contudo, através de sua suscetibilidade interna ao movimento, ela obtém o poder de receber o pensamento do agente intelectual trabalhando sobre ela; e a qual, quando transmitido com uma força suficiente do poder do vril, é [133]tão compelida a obedecer como se fosse deslocada por uma força corporal visível. É animada por enquanto pela alma assim infundida nela, de modo que alguém quase poderia dizer que ela vive e raciocina. Sem isso nós não poderíamos fazer nossos autômatos ocuparem o lugar de servos.”
Eu estava com muita admiração dos músculos e da aprendizagem da jovem Gy para correr o risco de discutir com ela. Eu lera em lugar em meus dias de estudante que um homem sábio, disputando com um imperador romano, repentinamente se acalmou; e quando o imperador perguntou-lhe se ele não tinha nada mais a dizer sobre seu lado da questão, respondeu, “Não, César, não há discussão contra um raciocinador que comanda dez legiões.”
Embora eu tivesse uma crença secreta de que, quaisquer que sejam os efeitos reais do vril sobre a matéria, o Sr. Faraday poderia ter provado-a uma filósofa muito superficial quanto às suas extensões e causas, e eu não tinha dúvida de que Zee poderia ter quebrado a cabeça de todos os Associados da Sociedade Real, um após o outro, com um golpe de seu punho. Cada homem sensível sabe que é vão argumentar com qualquer [134]mulher ordinária sobre assuntos que ele compreende; mas argumentar com uma Gy de sete pés de altura cobre os mistérios do vril, - é também como argumentar em um deserto, e com um simum!
Em meio aos vários departamentos nos quais os vastos prédios do Colégio de Sages estavam distribuídos, aquele que mais me interessava era o dedicado à arqueologia dos Vril-ya, e compreendia uma coleção muito antiga de retratos. Nesses, os pigmentos e a base empregados eram de uma natureza tão durável que mesmo pinturas realizadas em datas tão remotas como aquelas dos primeiros anais da China, retinham muito do frescor da cor. Ao examinar essa coleção, duas coisas impressionaram-me especialmente: - 1o), Que se considera que as pinturas sejam de entre 6000 a 7000 anos; e, 2o) Que os retratos no dentro dos limites do período mais antigo assemelham-se muito mais aos tipos de semblante de nosso próprio mundo de cima e europeu. Alguns deles, de fato, lembraram-me de cabeças italianos que examino na tela de Ticiano – falando de ambição [135]ou habilidade, de cuidado ou de pesar, com sulcos nos quais as paixões passavam com relha de ferro. Esses eram os semblantes de homem que viveram em contenda e conflito antes que a descoberta das forças latentes do vril mudassem o carácter da sociedade – homens que lutaram uns contra os outros por poder ou fama como nós lutamos no mundo de cima.
O tipo de face começou a evidenciar uma mudança marcada por volta de mil anos após a revolução de vril, tornando-se então, com cada geração, mais serena, e com aquela serenidade mais terrivelmente distinta das faces dos homens laboriosos e pecadores; enquanto que em proporção que a beleza e a grandeza do semblante tornavam-se mais completamente desenvolvidas, a arte do pintor tornava-se mais mansa e monótona.
Mas a maior curiosidade na coleção era aquela dos três retratos pertencentes à era pré-histórica, e, de acordo com tradição mística, feitos por ordens de um filósofo, cuja a origem e atributos eram tão misturadas com fábula simbólica como aquelas de um Buda indiano ou Prometeu grego.
[136]A partir dessa personagem, de uma vez um sábio e um herói, todas as principais partes da raça dos Vril-ya alegam traçar uma origem comum.
Os retratos eram do filósofo mesmo, de seu avô e bisavô. O filósofo está vestido em uma longa túnica que parece formar um traje solto de couraça escamosa, emprestada, talvez, de algum peixe ou reptil, mas os pés e as mãos estão expostos: os dedos em ambas são maravilhosamente longos, e palmados. Ele tem pouca ou nenhuma garganta perceptível, e uma testa baixa recuada, não em absoluto o ideal de um sábio. Ele tem olhos proeminentes, castanhos e brilhantes, uma boca muito larga e altos ossos de bochecha, e uma aparência turva. De acordo com a tradição, esse filósofo vivera em uma era patriarcal, que se estendeu através de muitos séculos, e ele lembrava-se distintamente no meio da vida de seu avô como sobrevivente, e na infância de seu bisavô; o retrato do primeiro foi feito, ou causado de ser feito, enquanto ainda vivo – aquele do último foi feito de se suas efígies na múmia. O retrato do avô tinha as características e o aspecto do filósofo, somente muito mais [137]exagerados: ele não estava vestido, e a cor de seu corpo era singular; o peito e a barriga amarelos, os ombros e pernas de um tom de bronze opaco; o bisavô era um espécime magnífico do gênero Batráquio, um sapo gigante, pur et simple.
Entre os ditos incisivos os quais, de acordo com a tradição, o filósofo legou à posteridade em forma rítmica e brevidade sentenciosa, este é notavelmente registrado: “Humilhai-vos, descendentes meus; o pai de vossa raça era um idiota (girino): exaltai-vos, descendentes meus, pois foi o mesmo Pensamento Divino que criou seu pai que se desenvolveu para vos exaltar.”
Aph-Lin contou-me esta fábula enquanto eu encarava os três retratos batráquios. Eu disse em resposta: “Você faz piada de minha suposta ignorância e credulidade como um Tish não educado, mas embora essas pinturas possam ser de grande antiguidade, e foram planejadas, talvez, para alguma caricatura rude, eu presumo que ninguém da sua raça, mesmo nas eras menos iluminadas, alguma vez acreditou que o bisneto de um Sapo tornou-se um filósofo [138]sentencioso; ou que qualquer secção, eu não direi dos elevados Vril-ya, apenas as variedades mais mesquinhas da raça, teve sua origem em um Girino.”
“Perdoe-me,” respondeu Aph-Lin: “no que nós chamamos de Período Filosófico ou Disputante da História, o qual esteve em seu auge há sete mil anos, houve um naturalista muito distinto, quem provou, para a satisfação de numerosos discípulos, tais acordos analógicos e anatômicos de estrutura entre um An e um Sapo, como para mostrar que a partir de um o outro deve ter desenvolvido-se. Eles tinham algumas doenças em comum; ambos estavam sujeitos aos mesmos vermes parasitas nos intestinos; e, estranho dizer, o An tinha, em sua estrutura, uma bexiga natatória, não mais de nenhum uso para ele, mas a qual é rudimento que claramente prova sua descendência de um Sapo. Nem há qualquer argumento contra essa teoria que possa ser encontrado na relativa diferença de tamanho, pois ainda existem em nosso mundo Sapos de um tamanho e estatura não inferior aos nossos, e muitos milhares de anos atrás eles parecem ter sido ainda maiores.”
“Eu entendo isso,” eu disse, “porque Sapos [139]assim enormes são, de acordo com nossos eminentes geólogos, quem talvez os viram em sonhos, dizem ter sido distintos habitantes do mundo de cima antes do Dilúvio; e tais Sapos são exatamente as criaturas que provavelmente tem florescido nos lagos e pântanos de suas regiões subterrâneas. Mas imploro, prossiga.”
“No Período de Disputante da História, o que quer que fosse que um sábio afirmasse era certo que outro sábio devia contradizê-lo. De fato, era uma máxima naquela era, que a razão humana somente poderia ser mantida elevada ao ser jogada para cá e para lá no movimento perpétuo de contradição; e portanto outro secto de filósofos sustentava a doutrina de que um An não era descendente do Sapo, mas que o Sapo era claramente o desenvolvimento melhorado de um An. A forma do Sapo, tomada de modo geral, era muito mais simétrica do que aquela do An; além da bela conformação de seus membros inferiores, seus flancos e ombros, a maioria dos An daquele dia era quase deformada, e certamente malformada. Novamente, o Sapo tinha o poder de viver de modo idêntico na terra ou na água – um poderoso privilégio, partilhando de uma essência espiritual [140]negada ao An, já que o desuso de bexiga natatória claramente prova sua degeneração de um desenvolvimento mais elevado da espécie. Novamente, as primeiras raças dos Ana parecem ter sido cobertas de cabelo, e, mesmo em uma data comparativamente recente, tufos peludos deformavam até o rosto de nossos ancestrais, espalhando-se selvagemente sobre suas bochechas e queixos, como tufos semelhantes, meu pobre Tish, espalham-se selvagens sobre os seus. Mas o objetivo das raças mais elevadas dos Ana através de gerações sem conta tem sido apagar todo vestígio de conexão com vertebrados peludos, e eles gradualmente eliminaram aquele aviltante excremento capilar pela lei de seleção sexual; as Gy-ei naturalmente preferindo juventude ou a beleza de rostos lisos. Mas o grau do Sapo na escala dos vertebrados é mostrado nisto, que em absoluto ele não tem cabelo, nem mesmo em sua cabeça. Ele nascera para aquela perfeição sem cabelo a qual o mais belo dos Ana, a despeito da cultura de eras incalculáveis, ainda não obteve. A maravilhosa complicação e delicadeza de um sistema nervoso e circulação arterial de Sapo eram mostradas por essa escola serem mais suscetíveis de [141]prazer do que a nosso corpo físico inferior, ou ao menos mais simples, permite-nos ser. O exame da mão do Sapo, se eu posso usar essa expressão, é responsável por sua sensibilidade mais aguçada para o amor, e para vida social em geral. De fato, gregários e amorosos como são os Ana, os Sapos são ainda mais. Em resumo, essas duas escolas enraiveciam-se uma contra a outra; uma afirmando que o An é o tipo aperfeiçoado de Sapo; a outra que o Sapo era o mais elevado desenvolvimento do An. Os moralistas estavam divididos na opinião com os naturalistas, mas a maioria deles tomou o lado da escola com preferência pelo Sapo. Eles diziam, com muita plausibilidade, que na conduta moral (a saber, na aderência às regras melhor adaptadas à saúde e ao bem estar do indivíduo e da comunidade) não poderia haver dúvida da vasta superioridade do Sapo. Toda história mostra a indiscriminada imoralidade da raça humana, o completo desprezo, mesmo pelo mais renomado em meio a eles, das leis que eles reconhecem ser essenciais para suas próprias e gerais felicidade e bem estar. Mas o mais severo dos críticos da raça do Sapo não poderia detectar nas maneiras deles uma [142]única aberração da lei moral tacitamente reconhecida por eles mesmos. E o que, depois de tudo, pode ser o benefício da civilização se superioridade em condita moral não for objetivo pelo o qual ela emprenha-se, e o teste pelo qual o seu progresso deveria ser julgado?”
“Bem, os partidários dessa teoria presumiram que em algum período remoto a raça do Sapo fora um desenvolvimento melhorado da Humana; mas que, eles não mantiveram sua posição original na escala da natureza; enquanto que os Ana, embora de organização inferior, tinham, por força menos de suas virtudes que de seus vícios, uma tal ferocidade e astúcia, gradualmente adquirindo ascendência, muito como em meio à raça humana mesma tribos completamente bárbaras adquirem, por superioridade em vícios similares, destruíram completamente ou reduziram à insignificância tribos que originariamente os superavam em dons mentais e cultura. Infelizmente, essas disputas envolveram-se com as noções religiosas daquela época; e como a sociedade então era administrada pelo governo dos Koom-Posh, quem, sendo a maioria ignorante, eram é claro a [143]classe mais inflamável – a multidão tomou a questão inteira fora das mãos dos filósofos; chefes políticos viram que a disputa do Sapo, assim tomada pela multidão, poderia tornar-se um instrumento muito valioso de suas ambições; e por não menos que mil anos guerra e massacre prevaleceram, durante o qual filósofos de ambos os lados eram massacrados, e o governo mesmo dos Koom-Posh chegou ao fim pela ascendência de uma família que claramente estabeleceu sua descendência dos girinos aborígenes e forneceu governantes despóticos para as várias nações dos Ana. Esses déspotas finalmente desapareceram, ao menos de nossas comunidades, enquanto a descoberta do vril levou a insinuações tranquilas sobre as quais floresceram as raças dos Vril-ya.”
“E nenhum argumentador ou filósofo existe agora para reviver a disputa; ou todos eles reconhecem a origem de sua ração no girino?”
“Não, semelhantes disputas,” disse Zee, com um sorriso altivo, “pertencem ao Pah-bodh das idades das trevas, e agora somente servem ao divertimento de crianças. Quando nós conhecemos os elementos a partir dos quais nossos [144]corpos são compostos, elementos comuns às mais humildes plantas vegetais, pode isso significar que o Todo-Sábio combinou esses elementos a partir de uma forma mais que a outra, a fim de criar aquele no qual Ele colocou a capacidade para receber a ideia Dele mesmo, e de todas as variadas grandezas do intelecto que aquela ideia da origem? Em realidade, o An começou a existir como An com a doação dessa capacidade, e, com essa capacidade, o sentido de reconhecimento que, contudo através de eras sem conta sua raça possa melhorar em sabedoria, ele não pode nunca combinar os elementos sob seu comando na forma de um girino.”
“Você falou bem, Zee,” disse Aph-Lin; “e é suficiente para nós, mortais de vidas curtas, sentir a razoável certeza de que, quer a origem do An foi um girino ou não, ele não é mais provável de se tornar um girino novamente do que as instituições dos Vril-ya são prováveis de recaírem no atoleiro pesado e na certa podridão da contenda de um Koom-Posh.”
ORIGINAL:
BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. p.125-144. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/125/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
Nenhum comentário:
Postar um comentário