[171]MAS quanto a Hallblithe, ele logo perdeu a vista da Planície Cintilante e das montanhas de lá, e não havia nada somente o mar em volta dele, de um lado para o outro, e seu coração crescia com alegria conforme ele aspirava a água salgada e assitia às colinas brilhantes e aos vales das profundezas sem descanso. Ele dizia a si mesmo que estava indo para casa, para seus Parentes e o Teto de seus Pais do tempo antigo.
Ele permaneceu tão próximo do devido norte quanto ele podia; mas, enquanto o dia consumia-se, o vento dirigiu-se a ele, e ele julgou-o não bom de superar, com medo de que ele devesse tornar sua viajem demasiado longa. Assim, ele prosseguiu com o vento de través, e sua pequena embarcação saltava alegremente sobre as colinas de mar sob a brisa refrescante. O sol pôs-se e a lua e as estrelas brilharam, e ele ainda navegava, e não se atrevia a dormir, salvo como um cão faz, com um olho aberto. Finalmente chegou o amanhecer e, enquanto a luz aumentava, era um belo dia com um vento baixo e um céu brilhante. Mas [172]nublou-se antes do pôr do sol, e o vento refrescava do norte pelo leste, e, quisesse ele ou não, Hallblithe precisava correr diante dele durante toda a noite, até que o sol nascesse novamente, e todo o dia ficasse muito luminoso para ele poder abrir muito caminho em direção ao norte; nem se tornava mais fresco até depois que a lua levantava-se, algum tempo após o pôr do sol.
E agora ele estava tão cansado que precisava dormir. Então ele açoitou o timão, tomou uma camada da vela, e correu diante do vento, ele dormindo na popa.
Mas, passado o meio da noite, em direção ao amanhecer, ele despertou com o som de um grande grito em seus ouvidos. Então ele olhou através das águas negras, e nada viu, pois a noite estava nublada novamente. Em seguida, ele arranjou seu trabalho e foi novamente dormir, pois ele estava sobrecarregado de sono.
Quando ele acordou era plena luz do dia. Assim ele olhou para o leme e elevou a cabeceira do bote um pouco ao vento, e então olhou fixamente ao redor de si, ainda com o sono em seus olhos. E conforme seus olhos registravam a figura diante dele, ele não pode abster-se de chorar; pois oh! Ali, diretamente adiante, erguiam-se os grandes e sombrios penhascos negros da Ilha do Resgate. Imediatamente, ele alcançou a vela, e esforçou-se para bordejar o bote; mas, por tudo que ele podia fazer, o bote flutuou em direção à terra, pois ele foi [173]pego numa forte corrente do mar que ia em direção à costa. Assim ele atingiu a vela, tomou os remos e remou poderosamente, de modo que ele pudesse conduzi-lo para longe da costa; mas de nada valeu, e ainda ele deslizava em direção à terra.
Então ele levantou-se dos remos, virou-se de um lado para o outro e olhou, e viu que estava a aproximadamente três furlongs da costa, e que ele veio para a entrada mesma do porto de onde ele zarpou com o Sea-eagle há doze meses. Ele sabia que naquele porto ele precisa dominá-lo, ou ser arremessado em pedaços contra os altos penhascos da terra. Ele via as ondas correrem para os penhascos e, algumas vezes, uma mais alta que as outras atingia a muralha de rochas e corria ao encontro dela, como se ele pudesse escalar para a orla coberta de grama além, e então retrocedia novamente, deixando um rio de água do mar correndo despenhadeiro abaixo.
Nessa ocasião ele disse que aceitaria o que pudesse acontecer-lhe dentro do porto. Assim, ele içou a vela novamente, tomou o leme, e manobrou direto para o meio do portão entre as rochas, perguntando-se sobre o que deveria aguardar-lhe ali. Em seguida, foram apenas poucos minutos antes que seu barco se lançasse contra a suavidade do porto, e logo começasse a perder o caminho; pois todo o vento estava parado no interior daquela água cercada por terra. Hallblithe olhava em volta firmemente, de um lado para o outro, procurando seu inimigo; mas o porto estava vazio de navio [174]ou bote. Então ele vagou com seus olhos ao longo da costa para ver onde deveria assentar seu barco e, como dito acima, não havia praia ali, e a água era profunda exatamente na orla coberta de grama da terra; embora as marés corressem um pouco altas, e na água baixa uma pequena escarpa sob o penhasco subiria da face do mar. Mas agora estava perto do topo da maré, e escassamente havia dois pés entre a grama e o mar verde-negro.
Agora Hallblithe dirigia-se em direção a uma fogueira do porto; e além dela, um pouco distante, levantava-se um recife de rochas a partir da relva verde, e perto dali estava um rebanho de ovelhas comendo, e um grandalhão deitado em meio a elas, quem parecia estar desarmado, conforme Hallblithe não podia ver nenhum resplendor de aço próximo a ele.
Hallblithe aproximou-se da praia, e o grandalhão não se mexeu. Nem fez ele nada mais quando o barco prosseguia ao longo da costa, e Hallblithe saltou e atracou seu bote com sua lança cravada profunda na terra. E no momento Hallblithe considera que o homem deve estar morto ou adormecido. Assim, ele desembainhou sua espada e segurou-a em sua mão direita e, em sua mão esquerda, uma faca afiada, e foi direto para o homem em meio as ovelhas, e encontrou-o assim deitado sobre seu lado, de modo que ele não podia ver sua face. Assim, ele mexeu nele com seu pé e exclamou: “Acorda, Oh Pastor! Pois o alvorecer há muito passou e [175]o dia chegou, e com isso um convidado para ti!” O homem virou-se e lentamente se sentou, e, Oh!, quem deveria ser senão o Puny Fox? Hallblithe retrocedeu à visão dele, gritou com ele, e disse: “Encontrei-te, Oh meu inimigo?”
O Puny Fox sentou-se um pouco mais ereto, e esfregou os olhos e disse: “Sim, tu encontraste-me com certeza. Mas, quanto a ser teu inimigo, uma palavra ou duas logo podem ser ditas sobre isso.”
“Que!” disse Hallblithe, “tu imaginas que qualquer coisa exceto minha espada falará contigo?”
“Eu não tenho conhecimento,” disse o Puny Fox, lentamente levantando-se, “mas eu suponho que tu não me matarás desarmado, e tu viste que eu não tenho armas.”
“Arranja-te armas, então,” respondeu Hallblithe, “e não te atrases; pois a visão de ti vivo enjoa-me.”
“Mal isso é,” disse o Puny Fox, “mas vem tu comigo imediatamente, para onde eu deverei achar igualmente as armas e um bom lugar de luta. Apressa-te! O tempo pressiona, agora tu vens finalmente.”
“E meu barco?” disse Hallblithe. “Tu o carregarás em tua bolsa?” disse o Puny Fox; “Tu não precisarás dele novamente, quer eu te mate, ou tu a mim.”
[176]Hallblithe franziu as sobrancelhas em sua ira; pois ele imaginava que a intenção de Fox era ameaçá-lo com a vingança dos parentes. Entretanto, ele não disse nada; pois ele considerava errado disputar em palavras com alguém que ele logo encontraria em batalha; assim ele seguiu conforme o Puny Fox liderava. Fox conduziu-o para além do recife de rochas acima mencionado, e para cima de uma estreita fenda dos penhascos que divisava o mar, através da qual eles chegaram a um pequeno prado com grama crescida, bem perto e arredondado em forma, tão suave e nivelado como um piso de salão, e cercado em volta com uma parede de rocha: um lugar que uma fez fora uma boca de fogo de terra, e um caldeirão de pedra derretida.
Quando eles puseram-se de pé sobre a grama macia Fox disse: “Mantém-te ai por um tempo, enquanto eu vou a meu cofre de armas e, em seguida, nós deveremos ver o que deve ser feito.”
Após o que ele virou-se sozinho para uma fenda de rocha e, descendo sobre suas mãos e joelhos, começou a rastejar como um verme em um buraco naquele lugar, o qual provavelmente levava a uma caverna; visto que depois sua voz emergiu da terra, grunhindo e gemendo e, amaldiçoando essa e aquela coisa, ele saiu novamente, pés primeiro, e jogou no chão uma velha espada enferrujada sem uma bainha; um elmo não menos enferrujado, e gasto, além disso, e um pequeno escudo circular, enrolado e desgastado como se estivesse prestes a [177]se despedaçar. Em seguida, ele colocou-se de pé e esticou-se, sorriu agradavelmente para Hallblithe e disse: “Agora, meu inimigo, quando eu tiver arrumado elmo e escudo, e tomado minha espada em mãos, nós poderemos começar o jogo. Quanto a uma cota de malha, eu preciso ir sem; pois eu não pude obter uma; eu acho que o velho deve ter regateado-a para longe: ele sempre estava carente de dinheiro.”
Mas Hallblithe olhou para ele raivosamente e disse: “Tu trouxeste-me aqui para zombar de mim? Tu não tens armas melhores com as quais encontrar um guerreiro do Corvo do que esses fragmentos enferrujados, os quais parecem como se tu tivesse roubado um túmulo de um morto? Eu não lutarei com você armado dessa maneira.”
“Bem,” disse o Puny Fox, “e fora de um túmulo elas vêm, verdadeiramente: pois naquele pequeno buraco jaz o avô de meu pai, o Sea-mew dos Saqueadores, o pai do Sea-eagle que tu conheces. Mas, já que tu consideras essas armas de um guerreiro morto com desdém, entrarei nos tesouros do velho camponês novamente! Talvez possa ser tão melhor; uma vez que ele poderia ficar irado além de seu costume se fosse acordar e sentir falta delas; e este frio copo de rocha uma vez fervente não é inteiramente segura por causa dele.”
Então ele rastejou para dentro do buraco uma vez mais, e logo para fora, e colocou-se de pé batendo as mãos para retirar a poeira, como um homem quem [178]estivesse manuseando pergaminhos há muito guardados. Hallblithe permaneceu olhando para ele, ainda colérico, mas silencioso.
Então disse o Puny Fox: “Isso pelo menos foi uma palavra sábia de ti, que tu não desejas lutar comigo. Pois o fim da luta é a morte; e é loucura total lutar sem matar; e agora eu vejo que tu não desejas matar-me: pois se tu o desejasses, por que tu te recusaste a cair sobre mim armado com os fantasmas das armas que eu tomei emprestado de um fantasma? Ou melhor, por que tu não me mataste enquanto eu rastejava para fora daquele buraco? Tu terias tido uma barganha barata por mim de qualquer maneira. Seria loucura total lutar comigo.”
Disse Hallblithe roucamente: “Por que tu me traíste, e mentiste para mim, e atraíste-me para longe da busca por minha amada, e desperdiçar-te um ano inteiro de minha vida?”
"É uma longa história," disse o Puny Fox, “a qual eu posso contar-te algum dia. Entrementes eu posso contar-te isso, que eu fui obrigado a isso, por alguém mais poderoso do que eu, a saber, o Rei Imorredouro.”
Mediante aquela palavra a ira ardente resplandeceu em Hallblithe, ele desembainhou sua espada precipitadamente e caiu sobre o Puny Fox: mas este saltou para o lado e correu até aquele, pegou seu braço de espada pelo pulso, arrancou a arma de sua mão, dominou pelo puro [179]peso e estatura, e atirou-o à terra. Em seguida, ele levantou-se e deixou Hallblithe erguer-se também, tomou sua espada e novamente a deu a ele em sua mão e disse: “Aninhador em penhasco, tu és irado, mas pequeno. Agora tu tens tua espada novamente e podes matar-me se tu desejares. Contudo, não até que eu tenha falado uma palavra para ti: então ouve com atenção! Ou senão, pelo Tesouro do Mar, eu te matarei com minhas mãos nuas. Pois de fato eu sou forte neste lugar, com meu velho parente ao meu lado. Tu ouvirás?”
“Fala,” disse Hallblithe, “eu ouço com atenção.” Disse o Puny Fox: “Verdadeiro é que eu te atraí para longe da tua busca, e desperdicei um ano da tua vida. Todavia, também é verdadeiro que eu me arrependo disso, e peço teu perdão. Que dizes tu?”
Hallblithe nada falou, apenas o calor desvaneceu de sua face e ele tornou-se um pouco pálido. “Tu não te lembras, oh Corvo, como convidaste-me à batalha no último ano, à beira mar ao lado das Roldanas do Corvo? E como isto seria o prêmio da batalha, que o vencido deveria servir ao vencedor durante todo o ano, e fazer toda a sua vontade? E agora esse prêmio e mais tu conquistaste sem batalha; pois eu juro-te pelo Tesouro do Mar, e pelos ossos do grande Sea-mew ali, [180]que eu te servirei não durante todo o ano, mas durante toda a vida, e que eu te ajudarei em tua busca por tua amada. Que dizes tu?”
Hallblithe permaneceu sem fala por um momento, olhando através de Puny Fox, em vez de para ele. Em seguida, a espada caiu de sua mão sobre a grama, e grandes lágrimas rolaram sobre suas bochechas e caíram sobre suas vestes, e ele estendeu a mão ao Puny Fox e disse: “Oh amigo, tu não me levarás a ela? Pois os dias consomem-se, e as árvores envelhecem por toda parte ao redor dos Acres do Corvo.”
Em seguida, o Puny Fox tomou sua mão e riu alegremente em sua cara, e disse: “Grande é teu coração, o mordedor de carniça! Mas agora que tu és meu amigo eu te contarei que tenho uma suposição do paradeiro de tua amada. Ou onde consideras tu que estava o jardim no qual tu a viste de pé na página do livro naquele sonho da noite? Assim é, oh Filho do corvo, que não é por nada que o avô de meu pai repousa naquele buraco das rochas; pois recentemente ele fez-me sábio em conhecimento poderoso. Obrigado, Oh parente!” E ele virou-se em direção à rocha na qual estava o túmulo. Mas Hallblithe disse: “O que fazer agora? Eu não estou na terra de inimigos?”
“Sim, verdadeiramente,” disse o Puny Fox, “e mesmo [181]se tu soubesses onde teu amor está, tu dificilmente deverias escapar desta ilha vivo, exceto por minha causa.”
Disse Hallblithe: “Não é meu barco, de modo que eu poderia partir imediatamente? Pois eu não imagino que a Hostage esteja na Ilha do Resgate.”
O Puny Fox riu de modo barulhento e disse: “Não, ela não está. Mas quanto a teu bote, há um conjunto tão forte de maré cheias em direção a esta extremidade da ilha, que, com o vento soprando como agora, do norte para o nordeste, tu não poderás sair da costa por, pelo menos, quatro horas, e eu desconfio que dentro desse tempo nós devamos ter notícias de uma embarcação nossa chegando ao porto. Teu barco ele deverão tomar, e também a ti se tu estiveres naquele lugar; e então logo a história contada, pois eles conhecem-te por um rebelde do Rei Imorredouro. Ouve com atenção! Tu não ouves a voz do chifre? Sobe aqui e nós devemos ver em direção a quê?”
Assim dizendo, ele conduziu-os apressadamente para cima, a um tipo de escada na parece rochosa, até que eles alcançaram uma fenda onde, através de um buraco no penhasco, eles podiam ver por toda a parte do porto. E oh! Enquanto eles olhavam, no portão e entrada mesmos dele, vinha uma grande embarcação, lançando seus remos sobre a última porção de mar exterior (onde o vento elevara-se um pouco), e rolando para dentro da água tranquila, cercada por terra. Negra era sua vela, e a imagem do [182]Sea-eagle trabalhada em cima se espalhava larga sobre ela; e a bandeira da Espada em Chamas fluía da popa. Muitos homens completamente armadas estavam nos conveses, e os menestréis altos no tombadilho estavam soprando uma feliz canção de retorno em seus chifres de batalha.
“Eis, você,” disse o Puny Fox, “tua sorte ou a minha serviu-te desta vez, no que a Espada Flamejante não te despedaçou antes que tu alcançasses o porto. Aqui nós estamos bem, finalmente.”
Disse Hallblithe: “Mas não pode algum deles subir aqui, talvez?”
“Não, não,” disse o Puny Fox; “eles temem o velho na fenda acolá; pois ele não é muito inclinado a convidados. Este prado é meu próprio, assim como para outros homens vivos; é minha casa sem teto, e eu também tenho aqui uma casa com teto, a qual eu te mostrarei em breve. Pois agora, uma vez que o Espada em Chamas chegou, não a necessidade de pressa; ou melhor, nós não podemos partir até que eles tenham ido ao interior. Assim, eu te mostrarei logo o que nós deveremos fazer esta noite.”
Então ali eles sentaram-se e assistiram àqueles homens trazerem a embarcação deles à praia e atracá-la bem perto do bote de Hallblithe. Eles gritaram quando eles o viram e, quando estavam em terra, reuniram-se ao redor dele para observarem sua construção, e o estilo da lança à qual ele estava amarrado. Em seguida, [183]após um tempo, a maior parte deles, umas quatro vintenas, partiu para o vale, em direção à grande casa, e deixou somente uma meia dúzia de guardadores de embarcação para trás.
“Vês tu, amigo dos Corvos,” disse o Fox, “estiveste tu ali, eles poderiam ter feito contigo o que eles desejassem. Não fiz eu bem ao trazer-te para dentro de minha casa sem teto?”
“Sim, verdadeiramente,” disse Hallblithe; “mas não subirão para cá alguns outros dos estaleiros, ou alguns dos outros retornando, e encontrar-nos-ão? Eu ainda deverei deitar meus ossos nesta ilha maligna.”
O Puny Fox riu, e disse: “Não é tão ruim como tua aparência azeda compreendê-la-ia; de todo jeito é bom o suficiente para um túmulo, e neste presente eu posso chamá-la de uma caixa de coisas preciosas.”
“O que tu quiseste dizer?” disse Hallblithe ansiosamente.
“Nada, nada,” disse o outro, “nada senão o que tu sabes. Tu não estás nesse lugar, assim como eu mesmo? Sem considerar o velho camponês no buraco acolá. Mas eu prometo-te que tu não deverás morrer aqui desta vez, a menos que tu o desejes. E quanto à gente subindo para cá, eu digo-te novamente que eles não se atrevem; pois eles temem meu bisavô demais. Não que eles estejam muito errados neste lugar; pois, agora ele está morto, o pior dele parece vir dele, e ele não é fácil de se lidar, salvo por alguém que tenha alguma parte de sua sabedoria. [184]Tu mesmo pudeste ver pelo meu parente, o Sea-eagle, quão muito de sangue ruim e malícia grosseira pode haver em nossos parentes quando eles envelhecem, e solidão e tristeza tomam posse deles. Pois eu preciso contar-te que frequentemente tenho ouvido meu pai dizer que o pai dele, o Sea-eagle, foi, em sua juventude e primor, alegre e rechonchudo, um grande amante de mulheres, e um rapaz muito amigável. Mas sempre, como eu digo, que os homens de nosso tipo envelhecem em anos, eles pioram; e desse modo tu podes considerar quão ruim o velho acolá deve ser, uma vez que ele repousa por tanto tempo no túmulo. Mas agora nós iremos para aquela minha casa no outro lado do prado, do outro lado diante de meu parente.”
Após o que ele guiou Hallblithe para baixo da rocha, enquanto Hallblithe dizia-lhe: “Quê! Tu estás também morto para que tu tenhas um túmulo aqui?”
“Não, não,” disse Fox, sorrindo, “eu estou tão mal condicionado então? Eu não sou mais velho do que tu és.”
“Mas me diga,” disse Hallblithe, “tu também te tornarás maligno conforme tu envelhecerás?”
“Talvez não,” disse Fox, olhando duro para ele, “pois em minha mente é que eu posso ser levado para dentro de outra casa, e outros parentes, e em meio a eles eu deverei ser curado de muito do que poderia tornar-se doente.”
Após o que ele chegaram, através de um pequeno [185]prado, ao lugar onde havia uma caverna na rocha fechada com uma porta, e uma janela de postigo ali. Fox guiou Hallblithe para dentro dela, e dentro não havia mal habitando; pois estava seca e limpa, e havia tamboretes ali e uma mesa, e prateleiras e armários na parede. Quando eles haviam se sentado, Fox disse: “Aqui tu podes habitar com segurança enquanto tu desejares, se tu desejares arriscar negócios com o velho camponês. Mas, como eu sei bem que tu estás com pressa para ir-se e chegar à casa de tua família, eu preciso levar-te ao entardecer para o encerramento do dia em nosso salão de festa, de modo que tu possas estar à mão para fazer o que tiver de ser feito hoje à noite, para que nós possamos partir amanhã. Também tu precisas tirar tuas vestes de Corvo, com receio de que nós encontremos alguém no crepúsculo conforme nós vamos à casa; e aqui tenho eu a te entregar uma vestimenta feita em casa, tal como nossos servos capturados em guerra vestem, a qual deverá servir à tua volta bem o suficiente. Mas isso tu não precisas fazer até que a hora de nossa partida esteja à mão; e então eu te levarei e colocar-te-ei em um caramanchão próximo ao salão; e, quanto tu estiveres dentro, eu posso então observar para que ninguém deva entrar ali, ou, se eles o fizerem, eles não devem ver nada em ti salvo um camponês conhecido por eles pelo nome. Meus parentes ensinaram-me a fazer coisas mais difíceis que essa. Mas agora é hora de comer e beber.”
Após o que ele retirou mantimentos de um armário [186]e eles começaram imediatamente a comer. Mas, quando eles tinha comido, Fox ensinou a Hallblithe o que ele deveria fazer no salão naquela noite, como deverá ser contado a seguir. E então, com muita conversa sobre muitas coisas, eles passaram o dia naquele antigo buraco da rocha fervente e, um pouco antes do crepúsculo estabelecer-se, partiram para o salão, levando com ela as vestes de Hallblithe empacotadas, como se fossem mercadorias do mar. Assim, eles chegaram à casa antes que as mesas fossem postas, e o Puny Fox colocou Hallblithe em um caramanchão, o qual dava acesso à despensa, de modo que era fácil ir diretamente para o meio do salão. Ali ficou Hallblithe envolto e armado com suas vestes do Corvo; mas Fox deu-lhe um disfarce para cobrir sua face, de modo que ninguém poderia conhecê-lo quando ele entrou ali.
ORIGINAL:
MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.171-186. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/171/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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