[187]AGORA deve ser contado que os chefes entraram no salão naquela noite e sentaram-se à mesa do estrado, como Hallblithe vira-os fazer outrora. E o chefe de todos, quem era chamado de o Erne dos Sea-eagles ergueu-se de acordo com o costume e disse: “Ouvi com atenção, povo! Esta é a noite dos campeões, onde nós não podemos comer até que as lâminas pálidas tenham colidido, e uma tenha vencido e a outra tenha sido derrotada. Agora, que eles se apresentem e ofereçam o prêmio da vitória que o derrotado deverá pagar ao vencedor. E que seja sabido, que, quem quer que possa ser o campeão que vença a batalha, seja ele um compatriota, ou um estrangeiro, ou um inimigo declarado; sim, embora ele houvesse deixado a cabeça de meu irmão à porta do salão, ele deverá passar esta noite conosco a salvo da espada, a salvo do machado, a salvo da mão: Ele deverá comer como nós comemos, beber como nós bebemos, dormir [188]como nós dormimos, e partir seguro de qualquer mão ou arma, e deverá navegar o mar a seu prazer em seu próprio barco ou no nosso, como a ele ou a nós possa ser apropriado. Soprai os chifres para os campeões!”
Assim, os chifres sopraram uma música alegre e, quando eles tinham terminado, lá entrou no salão um homem alto envolto em negro, e com armadura e armas negras exceto pela lâmina branca de sua espada. Ele tinha uma viseira sobre sua face, mas seu cabelo descia de seu elmo como a cauda de um cavalo vermelho.
Assim ele colocou-se de pé em meio ao piso e exclamou: “Eu sou o campeão dos Saqueadores. Mas eu juro pelo Tesouro do Mar que não cruzarei lâmina hoje à noite, salvo com um estrangeiro, um inimigo dos parentes. Tu ouviste, oh chefe, oh Erne dos Sea-eagles?”
“Ouvir eu ouvi,” disse o chefe, “e eu julgo que teu significado é que nós deveríamos ir sem jantar para a cama; e isso vem de tua perversidade: pois nós te conhecemos a despeito de tua viseira. Talvez tu consideres que não deves ser confrontado nesta noite, e que não haja estrangeiro livre na ilha para empunhar espada contra ti. Mas cuidado! Pois, quando viemos à terra nessa manhã, nós encontramos um esquife de estrangeiros amarrado a uma grande lança emperrada no banco de areia do porto; de modo que haverá ao menos um inimigo do exterior na ilha. Mas [189]nós dissemos que, se topássemos com o homem, colocaríamos sua cabeça no frontão do salão com a boca aberta em direção ao Norte como um símbolo de desgraça para os habitantes na terra através do mar. Mas agora, oferecei o prêmio da vitória, e eu juro pelo Tesouro do Mar que nós iremos conformarmo-nos com tua palavra.”
Disse o campeão: “Esses são os termos e condições da batalha; que, seja qual for de nós que seja derrotado, ele deverá ou morrer, ou servir ao vencedor por doze luas, viajar com ele de acordo com sua vontade, cumprir suas incumbências, e fazer em todos os sentidos de acordo com seu comando. Tu ouviste, chefe?”
“Sim,” disse ele, “e pelo Rei Imorredouro, ambos tu e nós devemos conformamo-nos com essa barganha. Então atenta tu para atingir com grandes golpes, para que nosso salão não careça de um botão de frontão. Chifres, soprai para o campeão estrangeiro!” Então, novamente os chifres foram arejados; e, antes que a voz deles morresse, a partir dos biombos da despensa veio uma cintilante imagem de guerra, e lá pôs-se de pé o campeão estrangeiro diante to guerreiro do mar; e ele também com um visor sobre sua face.
Agora quando o povo viu-o, e quão magro e leve e pequeno ele parecia ao lado do campeão deles, e eles contemplaram o Corvo pintado em seu escudo branco, eles e vaiaram e riram por desdém [190]dele e sua pequenez. Mas ele jogou sua espada para cima levemente e pegou-a pelo punho enquanto ela caia, e aproximou-se do campão do mar e colocou-se de pé encarando-o dentro do alcance de sua espada. Em seguida, o chefe no assento elevado colocou suas duas mãos sobre a boca e rugiu: “Começai, campeões, começai!”
Mas o povo no salão estava tão ansioso que eles se colocaram nos bancos e nas mesas, e esticaram-se sobre os ombros uns dos outros, de modo que eles não poderiam perder nenhuma partícula da gesticulação. Agora brilhavam as lâminas no salão iluminado por vela, e o campeão ruivo elevou sua espada e acertou dois grandes golpes à direta e à esquerda. Mas o estrangeiro recuou diante dele, e o povo gritou com ele em desprezo e com alegria de seu campeão, quem começou a chover grandes golpes como o granizo em meio ao relâmpago. Mas tão hábil era o estrangeiro que ele permaneceu de pé no meio disso, ileso, e desferiu muitos golpes em seu inimigo, e fez tudo tão rápida e facilmente, que parecia como se estivesse dançando em vez de lutando; e o povo manteve-se calmo e começou a duvidar de que seu imenso campeão prevaleceria. Agora o ruivo conseguiu um poderoso golpe no estrangeiro, quem saltou levemente para o lado e pegou sua espada em sua mão esquerda e deu um grande golpe na cabeça do outro, e o ruivo cambaleou, pois ele excedera a si mesmo; e [191]novamente o estrangeiro atingiu-lhe com um golpe de mão esquerda de modo que ele caiu em toda extensão no chão com um barulho poderoso, e a espada voou de sua mão: e o povo ficou estupefato.
Então o estrangeiro jogou a si mesmo no campeão do mar, e ajoelhou-se para ele, e encurtou sua espada como se fosse matá-lo com uma estocada. Mas nisso o homem derrubado bradou: “Segura tua mão, pois eu estou derrotado! Agora, concede-me paz de acordo com a barganha acordada entre nós, que eu deverei servir-te durante todo o ano, e seguir-te aonde quer que tu vás.”
Após o que o campeão estrangeiro ergueu-se e afastou-se dele, e o homem do mar colocou-se de pé, e retirou seu elmo, de modo que todos os homens poderiam ver que ele era o Puny Fox.
Então o campeão vitorioso tirou o elmo de si mesmo, e oh, era Hallblithe! E um brado surgiu no salão, parte de admiração, parte de cólera.
Então exclamou o Puny Fox: “Eu invoco todos os homens aqui para testemunharem que, em razão desta batalha, Hallblithe dos Corvos é livre para ir e vir como ele desejar na Ilha do Resgate, e para receber ajuda de qualquer homem que o ajudar, e para partir da ilha quando ele desejar e como ele desejar, levando-me com ele se ele desejar.”
Disse o chefe: “Sim, isso é certo e justo, e assim deve ser. Mas agora, uma vez que nenhum homem [192]livre, que não é um inimigo da hora atual, pode permanecer em nosso salão sem comer de nossa comida, venha aqui, Hallblithe, e sente-se próximo a mim, e coma e beba do melhor que nós temos, uma vez que as Nornas não nos dariam tua cabeça para um botão de frontão. Mas o que desejas tu fazer com teu servo, o Puny Fox; e para onde no salão tudo desejas tê-lo exibido? Ou desejas tu que ele sente-se em jejum na escuridão nesta noite, deitado em grilhões e correntes? Ou deve ele ter a alegria da chicotada e das barras, como um servo a quem o mestre deve um ódio? Qual é teu desejo para ele?”
Disse Hallblithe: “Minha vontade é que tu o dês um assento próximo a mim, seja esse alto ou baixo, ou o banco de tua casa de prisão. Que ele coma de meu prato, e beba de meu copo, qualquer que a comida e a bebida possa ser. Pois amanhã eu pretendo que nós dois devamos descer ao colar da terra, e que nosso sangue deva correr junto e que nós devamos ser irmãos em armas doravante.” Então Hallblithe arrumou seu elmo novamente e desembainhou sua espada, e olhou de lado para o Puny Fox para o convidar ao semelhante, e ele fê-lo, Hallblithe disse: “Chefe, tu convidaste-me para a mesa, e eu agradeço-te; mas eu não cravarei meus dentes em comida, a partir de nossa casa e terra, que não foi dada verdadeiramente [193]a mim por alguém que não me conhecia, a menos que eu a tenha como uma presa de batalha; nem eu lançarei uma mentira no copo que deverá passar de teus lábios para o meu: portanto, eu te contarei que, embora eu tenha deitado um golpe ou dois no Puny Fox, e aqueles não leves, contudo, não foi essa batalha verdadeira ou real, mas uma mera ilusão, o mesmo que eu vi lutado neste salão anteriormente, quando me pareceu que a morte de homens surgiu a tempo de beber o copo de boa noite. Portanto, oh homens dos Saqueadores, e tu, oh Puny Fox, não há nada para atar suas mãos e deter seus corações, e vós podeis matar-me se vós desejar-me sem assassinato ou desonra, e podeis fazer da cabeça de Hallblithe um botão para seu salão de festa. Contudo, deverá um ou dois cair por terra antes que eu caia.”
Após o que ele balançou alto sua espada, e um grande rugido surgiu, e armas baixaram da parede, e velas brilharam no aço nu. Mas o Puny Fox veio e colocou-se de pé ao lado de Hallblithe, e falou em seu ouvido em meio ao tumulto: “Bem, agora, irmão de armas, eu tenho tentado ensinar-te o conhecimento das mentiras e certamente tu és o pior estudioso que alguma vez foi punido por um mestre. E o resultado disso é que eu, quem mentiu por tanto tempo e bem, precisa agora pagar por tudo, e morrer por uma verdade estéril.”
Disse Hallblithe: “Que seja como for! Eu [194]amo-te, mentiras e tudo; mas, quanto a mim, eu não consigo lidar com elas. Oh você! Grande e sombrio deverá ser a morte, e nós não deveremos cair sem sermos vingados.”
Disse o Puny Fox: “Ouve com atenção! Pois ainda eles detêm-se. Talvez eu tenha puxado essa morte sobre ti e sobre mim. Minha última mentira foi uma mentira de um tolo e nós morremos por ela: pois o que tu terias feito se tivesses sabido que tua amada, a Hostage da Rosa:” - ele parou forçosamente; pois Hallblithe estava olhando para a direita e para a esquerda e manuseando sua espada, e não ouviu aquela última palavra dele; de ambos os lados do salão a multidão estava aproximando-se de um lado para o outro daqueles dois, de armas na mão. Então Hallblithe colocou seu olhos em um grandalhão quem estava carregando uma pesada espada curta e julgou que ele finalmente o mataria. Mas ou sempre ele poderia atingir, o grande chifre berrou através do tumulto, e os homens abstiveram-se por um tempo e permaneceram um pouco em silêncio.
Então desceu a eles a voz do chefe, uma voz alta, mas clara e com alegria misturada com raiva, e ele disse: “Que fazem esses tolos dos Saqueadores embaraçando o chão do salão de festa, e agitando armas quando não há inimigo por perto? Estão eles sonhando bêbados antes que o vinho seja posto? Por que eles não se sentam em seus lugares, e aguardam a chegada da comida? E vós, mulheres, onde estais [195]vós, por que atrasais nossa comida, quando vós podeis bem saber que nossos corações estão caindo de fome. Tudo está devidamente terminado, a batalha dos campeões, lutada e vencida, e o prêmio de guerra entregue e aceito? Quão mais, oh povo, deverá seu chefe sentar-se faminto?”
Então ali surgiu um grande riso no salão, e os homens retiraram-se daquele par e foram e sentaram-lhes em seus lugares.
Então o chefe disse: “Sobe aqui, eu digo, Hallblithe, e traz teu servo de guerra contigo, se tu desejares. Mas não se demore, a menos que seja que tu não estejas nem faminto nem sedento; e bem verdadeiramente tu deves estar ambos; pois os homens dizem que os corvos são difíceis de satisfazer. Vem, então, e tem boa comida conosco!” Assim Hallblithe empurrou sua espada para a bainha, e o Puny Fox fez de modo semelhante, e os dois juntos subiram ao assento elevado no salão. E Hallblithe sentou-se à mão direita do chefe, e o Puny Fox, próximo a ele; e o chefe, o Erne, disse: “Oh Hallblithe, tu necessitas de tua armadura à mesa; ou tu julgas conveniente receber tua comida envolto em tua cota de malha e com uma espada à cintura?”
Então riu Hallblithe e disse: “Não, parece-me que hoje à noite eu não necessitarei mais de meus apetrechos de guerra.” E ele colocou-se de pé e retirou toda a sua armadura e entregou-a, espada e tudo, nas mãos de uma mulher, [196]que a levou para fora, ele não sabia para onde. E o Erne olhou para ele e disse: “Isso está bem! E agora eu vejo que tu és um belo jovem, e não é espanto que donzelas desejem-te.” Enquanto ele falava entraram donzelas com os mantimentos, e a comida estava excessivamente boa, e Hallblithe despreocupou-se.
Mas quando saúdes foram bebidas como antes, e depois disso os homens beberam um copo ou dois, ali se ergueu um guerreiro de uma dos bancos finais, um jovem grande, de cabelos e barba brancos, corado de rosto, e ele disse em uma voz que era rude e gorda: “Oh Erne, e vós, chefes outros, nós estivemos conversando aqui à mesa sobre esse convidado de ti que nos iludiu, e nós não somos inteiramente um contigo conforme teus negócios com ele. Verdadeiro é, agora que o homem tem nossa comida em sua barriga, que ele deve partir de entre nós com uma pele inteira, a menos que seja de sua própria vontade que ele se ponha de pé e lute com algum homem nosso aqui. Contudo, alguns de nós pensam que ele não é tanto nosso amigo que nós devêssemos ajudá-lo com um barco no qual ele deveria viajar para casa para aquele que nos odeiam: e nós dizemos que não seria ilegal deixar o homem permanecer na ilha, e proclamá-lo um cabeça de lobo dentro de meia lua a partir de hoje. Ou que dizes tu?”
[197]Disse o Erne: “Esperai por minha palavra por um tempo, e ouvi com atenção outra! Há algum Grey-goose dos Saqueadores no salão? Que ele emita sua palavra sobre esse assunto.”
Em seguida, ergueu-se um camponês de barba branca de uma mesa próxima ao estrado, a vestimenta de quem estava bem adornada com ouro. A despeito de seus anos, sua face era bela e pouco enrugada; um homem com um nariz reto e uma boca bem formada, e com olhos ainda brilhantes e cinzas. Ele falou: “Oh povo, eu considero que o Erne fez bem ao cuidar desse convidado. Pois, primeiro, se ele nos enganou, ele não fez isso senão pela ajuda e prestidigitação de nosso próprio compatriota; portanto, se alguém deve morrer por nos iludir, que seja o Puny Fox. Em segundo lugar, nós podemos bem saber que grande necessidade levou o homem a essa ilusão; e eu digo que não foi feito pouco viril para ele entrar em nosso salão e iludir-nos com sua prestidigitação; e que ele jogou o jogo totalmente bem e habilmente com a sabedoria de um guerreiro. Em terceiro, a coragem dele está bem provada, ao ter superado-nos em prestidigitação, ele demonstrou livremente a verdade sobre nossa ilusão e fez a si mesmo nosso inimigo e cativo, quando ele poderia ter sentado-se próximo a nós como nosso convidado, livre e em toda honra. E isso ele fez, não para o desprezo do Puny Fox [198]e suas mentiras e ardis astutos (pois ele contou-nos que ele o ama); mas de modo que ele poderia mostrar a si mesmo um homem naquilo que testou a virilidade. Além disso, vós deveis não esquecer de que ele é o rebelde do Rei Imorredouro, quem é nosso senhor e mestre; portanto, ao cuidar dele, nós mostramo-nos de grande coração, no que nós não tememos a ira de nosso mestre. Portanto, eu oponho-me à palavra do War-brand de que nós deveríamos fazer desse homem um cabeça de lobo; pois, ao fazê-lo, nós deveríamos mostrarmo-nos ainda mais medíocres do que ele é, e de nenhuma razão além dele; e sua cabeça em nosso frontão de salão deveria ser para nós uma estaca de covarde, e uma árvore de vergonha. Assim, eu ordeno-te, oh Erne, não fazer muito desse homem; e tu deverás fazer bem ao dar-lhe presentes de valor, tais como guerreiros podem aceitar, de modo que ele pode mostrá-los em casa, na Casa do Corvo, para que isso possa ser o começo da paz entre nós e seus nobres parentes. Essa é minha opinião, e depois eu não deverei tornar-me mais sábio.”
Após o que ele sentou-se, e ali ergueu-se um murmúrio e um tumulto no salão; mas a maior parte disse que Grey-goose falara bem, e que era bom estar em paz com semelhantes companheiros valorosos como o nosso convidado estava.
Mas o Erne disse: “Uma palavra eu colocarei aqui, a saber, que ele quem deseja minha [199]inimizade, que ele faça dano a Hallblithe dos Corvos e impeça-o.” Em seguida, ele ordenou encher os copos em volta, e desejou uma saúde a Hallblithe, e todos os homens beberam a ele, e houve muita alegria e diversão.
Mas quando a noite estava bem gasta, o Erne virou-se para Hallblithe e disse: “Aquela foi uma boa palavra do Grey-goose, que ele falou sobre a doação de presentes: filho do Corvo, tu aceitarás um presente de mim e será meu amigo?”
“Teu amigo eu serei,” disse Hallblithe, “mas nenhum presente eu receberei de ti ou de qualquer outro até que eu tenha o presente dos presentes, e esse é minha donzela prometida. Eu não estarei feliz até que possa estar feliz com ela.” Então riu o Erne, e o Puny Fox sorriu ironicamente através de toda sua face larga, e Hallblithe olhou de um para o outro e perguntou-se sobre a alegria deles, e quanto eles viram seus olhos de curiosidade, eles apenas riram ainda mais; e o Erne disse: “Mesmo assim, tu deves ver o presente que eu te daria; e então podes tu recebê-lo ou deixá-lo, conforme tu desejares. Ho vós! Trazei o trono de Eastland, com aqueles que o servem!” Certos homens deixaram o salão conforme ele falava, e retornaram portando com eles um trono formado o mais vistosamente de marfim, parcialmente dourado e com gemas, e adornado com trabalho maravilhoso: e eles colocaram-no no meio do [200]piso do salão e retornaram a seus lugares, enquanto o Erne sentou-se e sorriu gentilmente para o povo e Hallblithe. Em seguida, surgiu o som de rabecas e harpas menores, e as portas do biombo foram abertas, e ali fluiu para dentro do salão uma companhia de belas donzelas não menos que vinte, cada uma com uma rosa em seu seio, e elas vieram e colocaram-se de pé atrás do trono das Eastlands, e elas espalharam rosas sobre o chão diante delas: e, quando elas tinham tudo devidamente arranjado, começaram a cantar:
Agora desaparece a primavera,
Enquanto todos os pássaros cantam,
E o vento sul sopra
A primeira rosa
Para lá e para cá
Através das portas que nós conhecemos,
E a ventania perfumada
Enche cada vale.
Lentos agora os riachos estão correndo
por causa da erva daninha,
E o tordo não tem destreza
para se esconder na necessidade,
Tão veloz como ele voa
da sebe à árvore,
Como alguém que labuta tenta,
e ativo precisa ser.
[201]E Oh! De tal maneira finalmente,
Todas as tristezas passaram,
Nesta noite eu deito-me
Sob as vigas de carvalho cinzentas!
Oh, para despertar do sono,
Para ver o alvorecer engatinhar
Através do sulco fecundo
Da casa que eu amo!
Oh! Meus pés a pisar
a soleira uma vez mais,
Através da qual uma vez saíram as espadas
líderes para a guerra!
Oh! Meus pés na borda
do jardim sob o sol,
Onde o calejar do semear de grama
para a estação do feno começou!
Oh, oh! O vento sopra
Para o coração da Rosa,
E a embarcação repousa amarrada
Ao lado do porto!
Mas oh, pela quilha
As velas a sentir!
E o promontório estrangeiro
Crescendo menos e menos;
Conforme para baixo o vento dirige-se
e atravessa através do mar
A fortaleza de velas que se esforça
para virar e ir livre,
[202]Mas os rapazes no leme
eles a controlam com as mãos,
E o vento nosso benevolente
conduz feroz à terra.
Nós devermos dirigirmo-nos a ela ainda,
A estrada molhada;
Pois o que é isso
Que nossos seios tocam?
Que se estende doce
Diante de nossos pés?
Que símbolo veio
Para nos conduzir ao lar?
É a Rosa do jardim
Cercado redondo a partir do campo murado
Onde o telhado cinza seu guardião
íngreme ergue-se alto,
É a rosa sob o salão
de vigas cinzentas, onde eles aguardam
As promessas intactas,
A mão da noiva.
Hallblithe ouviu a canção, e meio que pensou que ela prometia-lhe alguma coisa; mas então ele fora tão enganado e ridicularizado, que ele mal sabia como se alegrar com ela.
Agora o Erne falou: “Tu não receberás a cadeira e esses delicados pássaros canoros que ficam ao redor dela? Muita riqueza pode vir a teu [203]salão se tu estiver para as carregar através do mar para homens ricos que não têm parentes, nem parentesco no qual casar, mas que amam mulheres assim como outros homens.”
Disse Hallblithe: “Eu tenho riqueza suficiente, uma vez que eu esteja outra vez em casa. Quanto a essas donzelas, eu conheço pela maneira delas que elas não são mulheres da Rosa, como pela canção delas elas deveriam ser. Contudo, receberei eu qualquer uma dessas donzelas que têm vontade de ir comigo e ser feita irmã de minhas irmãs, e casada com os guerreiros da Rosa; ou, se elas são de uma família, e anseiem para se sentar cada uma na casa de sua gente, então nós as enviaremos para casa através do mar, com guerreiros para as guardar de todo problema. Por esse presente eu agradeço-te. Quanto a teu trono, eu convido-te a mantê-lo até que uma embarcação venha em teu caminho de nossa terra, trazendo belos presentes para ti e os teus. Pois nós não somos tão pobres.”
Aqueles que se sentaram por perto ouviram as palavras dele e elogiaram-nas; mas o Erne disse: “Tudo isso é livre para ti, e tu podes fazer o que desejares com os presentes dados a ti. Contudo, tu deves ter o trono; e eu pensei em uma maneira de fazer-te recebê-lo. Ou, que dizes tu, Puny Fox?”
Disse o Puny Fox: “Sim, se tu desejares, tu podes, apenas eu considerei-o não para ti, que tu desejarias. Agora, tudo está bem.”
[204]Novamente Hallblithe olhou de um lado para o outro e maravilhou-se sobre o que eles queriam dizer. Mas o Erne bradou: “Tragam agora o sentador, que deve ocupar o trono vazio!”
Então novamente as portas do biombo abriram-se, e ali entraram dois homens armados, conduzindo entre eles uma mulher envolta em ouro e engrinaldada com rosas. Tão bela era a forma de sua face e de todo o seu corpo, que sua chegada pareceu fazer uma mudança do salão, como se o sol repentinamente tivesse brilhado dentro dele. Ela pisou no chão do salão com pés firmes, e sentou-se na cadeira de marfim. Mas mesmo antes que ela se sentasse ali, Hallblithe sabia que era a Hostage sob aquele teto e vindo em sua direção. E o coração levantou-se em seu peito e agitou-se ali, tão dolorido ele ansiava pela Filha da Rosa, e sua amiga de fala mesma. Então ele ouviu o Erne dizendo, “E agora, filho do Corvo, receberas tu o trono e a sentadora ali, ou tu me contradirá uma vez mais?”
Depois disso ele mesmo falou, e o som de sua voz era estranho a ele como se ele não o conhecesse: “Chefe, eu não te contradirei, mas receberei teu presente, e com isso tua amizade, seja o que for que suceda. Contudo, eu desejaria dizer uma palavra ou duas com aquela mulher que se senta acolá. Pois eu estive extraviado em meio a ardis [205]e imagens, e pode acontecer que eu ainda deverei descobrir que isso é apenas um sonho da noite, ou uma ilusão do dia.” Após o que, ele levantou-se da mesa e desceu lentamente através do salão; mas era uma coisa intima que ele não podia começar a chorar diante de todos aqueles estrangeiros, tão cheio seu coração estava.
Ele veio e colocou-se de pé diante da Hostage, e seus olhos colocaram-se um sobre o outro e, por pouco tempo, eles não tiveram palavras. Então Hallblithe começou, ponderando sobre sua voz enquanto ele falava: “És tu uma mulher e minha amiga de fala? Pois muitas imagens zombaram de mim, e eu estive cercado por mentiras, e desviado por comandos que não foram cumpridos. E o mundo tornou-se estranho para mim, e vazio de amigos.”
Então ela disse: “Tu és verdadeiramente Hallblithe? Pois eu também estive cercada por mentiras, e assaltada por imagens de coisas inúteis.”
“Sim,” disse ele, “eu sou Hallblithe dos Corvos, cansado com o desejo por minha donzela prometida.” Então veio a cor rosada para a beleza da face dela, como o sol ascendente ilumina o jardim de flores na manhã de junho; e ela disse: “Se tu és Hallblithe, conta-me o que aconteceu ao anel dourado que minha mãe deu-me quando nós dois eramos apenas pequenos.”
Então a face dele alegrou-se, e ele sorriu e disse: “Eu coloquei-o para ti, [durante] uma maré de outono, no [206]buraco da serpente no banco de areia acima do rio, em meio às raízes do velho espinheiro, de modo que a serpente podia chocá-lo, e tornar o ouro maior. Mas, quando o inverno estava terminado e nós viemos procurar por ele, oh! Não havia nem anel, nem serpente, nem espinheiro: pois a inundação tinha lavado tudo.”
Com isso ela sorriu muito docemente e, considerando que ela esteve até agora olhando para ele com olhos tensos e ansiosos, ela agora observa-o simples e amigavelmente; e ela disse: “Oh Hallblithe, eu sou uma mulher, de fato, e tua amiga de fala. Este é o corpo que tu desejas, e a vida que é tua, e o coração que tu rejubilas. Mas agora, conta-me, quem são essas imensas imagens ao nosso redor, em meio as quais eu estive desse modo sentada, uma vez a cada lua durante esse ano passado, e depois fui levada de volta à residência das mulheres? São eles homens ou gigantes? Eles nos matarão, ou encerrar-nos-ão da luz e do ar? Ou tu fizeste as pazes com eles? Tu habitarás aqui comigo, ou novamente deveremos retornar a Cleveland à beira-mar? E quando, oh, nos deveremos partir?”
Ele sorriu e disse: “Rápidas vêm tuas questões, amada. Esses são os povos dos Saqueadores e dos Sea-eagles: eles são homens, embora ferozes e selvagens eles sejam. Nossos inimigos eles [207]foram, e separaram-nos; mas agora eles são nossos amigos, e reuniram-nos. E amanhã, Oh amiga, Oh alma gêmea, devemos nós partir através a águas para Cleveland à beira-mar.”
Ela inclinou-se para frente, e estava prestes a falar suavemente com ele, mas subitamente começou novamente, e disse? “Há um homem grande, ruivo, tão grande quanto qualquer um aqui, atrás de teu ombro. É ele também um amigo? O que ele quer de nós?”
Então Hallblithe virou-se, e observou o Puny fox atrás de si, quem tomou a palavra e falou, sorrindo como um homem em grande alegria: “Oh donzela da Rosa, Eu sou servo de Hallblithe, e seu estudioso, para desaprender o ofício da mentira, pelo que eu pratiquei o erro com respeito a ele e a ti. Mas agora, eu direi que é verdadeiro que nós partiremos amanhã para Cleveland à beira Mar, tu e ele, e eu em companhia. Agora eu te perguntaria, Hallblithe, se tu desejaria que eu guardasse este teu presente em lugar seguro hoje a noite, uma vez que há um termo para o sentar dela no salão como uma imagem gravada: e amanhã o caminho será longo e cansativo. Que dizes tu?”
Disse a Hostage: “Devo confiar neste homem e ir com ele?”
“Sim tu deves confiar nele,” disse Hallblithe, “pois ele é de confiança. E mesmo se ele não fosse, é [208]adequado para nós do Corvo e da Rosa fazer como nosso valor ordena-nos, e não temer essa gente. E é necessário para nós fazer segundo seu costume uma vez que nós estamos na casa deles.”
“Isso é verdadeiro,” ela disse; “homem grande, conduza-me para meu lugar fora do salão. Adeus, Hallblithe, por pouco tempo, e então não deverá haver mais separação para nós.”
Após o que ela partiu com o Puny Fox, e Hallblithe retornou ao assento elevado próximo ao Erne, quem riu dele e disse: “Tu recebeste meu tesouro, e isso está bem: contudo, eu deveria contar-te que eu não o daria a ti se eu pudesse mantê-lo para mim mesmo em compromisso semelhante ao que tu desejas tê-lo. Mas tudo que eu pude fazer, e o Puny Fox a ajudar, além disso, não me valeu de nada. Assim, que boa sorte vá com tuas mãos. Agora nós iremos para a cama, e amanhã eu te conduzirei por teu caminho; pois, para dizer verdadeiramente, há alguns aqui que não estão bem satisfeitos contigo ou comigo; e tu sabes que palavras são desperdiçadas em homens obstinados, mas que feitos podem valer algo.” Após o que ele gritou pelo copo de boa noite e, quando estava bebido, a Hallblithe foi mostrada uma bela cama fechada; aquela mesma na qual ele deitou-se anteriormente; e ali ele dormiu em alegria, e em boa afeição com todos os homens.
ORIGINAL:
MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.187-208. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/187/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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