A Raça Vindoura - Capítulo XI

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[80]Nada me confundira mais ao buscar reconciliar minha compreensão com a existência de regiões que se estendem abaixo da superfície da terra, e habitável por seres, se dessemelhantes de, ainda, em todos os pontos materiais do organismo, semelhantes àqueles no mundo superior, que a contradição assim apresentada à doutrina na qual, eu acredito, a maioria dos geologistas e filósofos concordam – a saber, que embora conosco o sol é a grande fonte de calor, contudo o mais profundo que nós vamos abaixo da crosta da terra, maior é o aumento do calor, sendo, é dito, encontrado na proporção de um grau para cada pé, começando a partir de cinquenta pés abaixo da superfície. Mas embora os domínios da tribo da qual eu falo ficavam, no terreno mais alto, assim comparativamente próximos à superfície, que eu podia calcular pela temperatura, naquele lugar, adequado para [81]vida orgânica, contudo mesmo as ravinas e os vales daquele reino eram muito menos quentes do que os filósofos considerariam possível em tal profundidade – certamente não mais quentes do que o sul da França ou, ao menos, da Itália. E de acordo com todos os relatos que eu recebi, vastas extensões de terreno imensuravelmente mais profundas debaixo da superfície, e nas quais alguém podia ter pensado somente salamandras podiam existir, eram habitadas por inúmeras raças como a nos mesmos. Eu não posso fingir de modo algum explicar um fato que está assim divergente das leis reconhecidas da ciência, nem podia Zee ajudar-me muito em direção a uma solução para isso. Ela somente conjecturou que concessão suficiente não fora feita por nossos filósofos para a extrema porosidade do interior da terra – a vastidão de suas cavidades e irregularidades, as quais serviam para criar correntes livres de ar e ventos frequentes – e para os vários modos nos quais o calor é evaporado e perdido. Ela admitiu, contudo, que há uma profundidade à qual o calor é considerado ser intolerável para semelhante vida organizada como conhecida pela experiência dos Vril-ya, embora os filósofos deles acreditassem que mesmo em tais lugares vida [82]de algum tipo, vida senciente, vida intelectual seria encontrada abundante e próspera, pudessem os filósofos penetrarem-nos. “Onde quer que o Todo Bom (All-Good) construa,” disse ela, “lá, esteja certo, Ele coloca habitantes. Ele não ama habitações vazias.” Ela acrescentou, contudo, que muitas mudanças em temperatura e clima teriam sido afetadas pela habilidade dos Vril-ya, e que a ação do vril fora empregada com sucesso em tais mudanças. Ela descreveu um meio tonificante e sútil chamada Lai, o qual eu suspeito ser idêntico ao oxigênio etéreo do Dr. Lewins, no qual trabalham todas as forças correlativas unidas sob o nome de vril; e argumentou que, onde quer que este meio pudesse ser expandido, como fosse, suficientemente para os vários agentes do vril ter ampla recreação, uma temperatura agradável às mais altas formas de vida podia ser assegurada. Ela disse também, que era a crença dos naturalistas deles que flores e vegetação foram originariamente produzidas (quer desenvolvidas a partir de sementes carregadas da superfície da terra nas convulsões primitivas da natureza, ou importadas pelas tribos que primeiros buscaram refugio nos vazios cavernosos) através das operações da [83]luz constantemente trazida sobre eles para nutri-los e o aperfeiçoamento gradual na cultura. Ela disse também, que desde que a luz de vril substituíra todos os outros corpos doadores de luz, as cores das flores e da folhagem tornaram-se mais brilhantes, e a vegetação adquiriu um crescimento maior.

Deixando esses assuntos à consideração daqueles melhor qualificados a lidarem com eles, eu deve agora devotar umas poucas páginas às questões muito interessantes conectadas à linguagem dos Vril-ya.


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ORIGINAL:

BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. pp. 80-83. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/80/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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