A Raça Vindoura - Capítulo XV

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[107]Gentil para mim como eu encontrei tudo nesta família, a filha jovem de meu anfitrião era a mais atenciosa e previdente em sua gentileza. Seguindo sua sugestão, eu deixei de lado os trajes com os quais eu desci da terra acima, e adotei a vestimenta dos Vril-ya, com a exceção das asas artificiosas que os servem, quando a pé, como um manto gracioso. Mas como muitos dos Vril-ya, quando ocupados em atividades urbanas, não usava essas asas, essa exceção não criou diferença marcada entre mim mesmo e a raça em meio a qual eu temporariamente residia e, desse modo, fui autorizado a visitar a cidade sem excitante curiosidade desagradável. Fora da casa ninguém suspeitava que eu tinha vindo do mundo de cima, e fui considerado somente como alguém de alguma tribo bárbara e inferior, quem Aph-Lin acolhia como hóspede.
[108]A cidade era grande em proporção ao território ao redor dela, o qual não era de extensão maior do que a propriedade de um nobre inglês ou húngaro; mas o todo dela, até borda das rochas que constituíam sua fronteira, era cultivado ao melhor grau, exceto onde certas porções de montanha e pasto foram humanamente deixadas livres para o sustento de animais inofensivos que eles domaram, embora não para uso doméstico. Tão grande é a bondade deles em relação a essas criaturas mais humildes, que uma soma do tesouro público é dedicada ao propósito de deportá-las para outras comunidades Vril-ya desejosas de recebê-las (principalmente colônias), sempre que elas tornam-se muito numerosas para os pastos alocados para eles em seu lugar nativo. Contudo, eles não se multiplicam em uma amplitude comparável à razão pela qual, conosco, [os] animais [que] são criados para o abate aumentam. Parece ser uma lei da natureza que animais não úteis ao homem gradualmente retrocedem dos domínios que ele ocupa, ou mesmo tornam-se extintos. É um velho costume dos vários estados soberanos entre os quais a raça dos Vril-ya está distribuída, [109]deixar entre cada estado uma zona fronteiriça neutra e não cultivada. No exemplo da comunidade da qual eu falo, essa extensão de terreno, sendo uma cumeada de rochas selvagens, era intransponível a pé, mas era facilmente superada, quer pelas asas dos habitantes ou pelos botes de ar, sobre os quais depois eu deverei falar. Estradas através dela também foram cortadas para o trânsito de veículos impelidos por vril. Essas extensões interconectadas de terreno eram sempre mantidas iluminadas, e a despesa disso custeada por um imposto especial, para o qual todas as comunidades compreendidas na denominação dos Vril-ya contribuíam em proporções estabelecidas. Por esses meios, um considerável tráfego comercial com outros estados, perto bem como distantes, era suportado. A riqueza excedente desta comunidade especial era principalmente agrícola. A comunidade também era eminente pela habilidade em construir instrumentos conectados com as artes da agricultura. Em troca por essa mercadoria, ela obtinha artigos mais de luxo que de necessidade. Havia poucas coisas importadas sobre as quais eles estabeleciam preços mais altos do que pássaros ensinados a assobiarem tons artificiosos em concerto. Esses eram trazidos de uma grande distância, e [110]admiráveis pela beleza da canção e plumagem. Eu entendi que cuidado extraordinário era tomado por seus criadores e treinadores na seleção, e que as espécies aperfeiçoaram-se maravilhosamente durante os últimos anos. Eu não vi nenhum outro animal de estimação entre esta comunidade, exceto por algumas criaturas muito engraçadas e divertidas das espécies dos batráquios, assemelhando-se a sapos, às quais as crianças eram afeiçoados, e mantinham-nos em seus jardins secretos. Eles parecem não ter nenhum animal comparável a nossos cães ou cavalos, embora aquela erudita naturalista, Zee, informou-me que semelhantes criaturas uma vez existiram nessas partes, e agora podiam ser encontradas em regiões habitadas por outras raças que nãos os Vril-ya. Ela disse que eles desapareceram gradualmente do mundo mais civilizado desde a descoberta do vril, e os resultados conectado a essa descoberta dispensaram os usos deles. Maquinaria e a invenção de asas suplantaram o cavalo como uma besta de carga; e o cão não era mais desejado, quer para a proteção ou a caça, como fora quando os ancestrais dos Vril-ya temiam as agressões de seu próprio tipo, ou caçavam animais inferiores para [111]comida. De fato, contudo, no que diz respeito ao cavalo, essa região era tão rochosa que um cavalo poderia ter sido de pouco uso ali, quer para passatempo ou carga. A única criatura que eles usam para o segundo propósito é um tipo de grande bode o qual é muito empregado em fazendas. Pode-se dizer que a natureza do solo circundante nesses distritos primeiro sugeriu a invenção de asas e de botes de ar. A extensão do espaço na proporção ao espaço ocupado pela cidade, foi causada pelo costume de circundar cada casa com um jardim separado. A ampla rua principal, na qual Aph-Lin residia, expandia-se em uma vasta praça, na qual estava localizado o Colégio dos Sábios e todos os escritórios públicos; uma fonte magnífica de fluido luminoso o qual eu chamo de nafta (eu sou ignorante de sua natureza real) no centro. Todos esses edifícios públicos têm um traço uniforme de massividade e solidez. Eles lembraram-me das pinturas arquiteturais de Martin. Ao longo do andares superiores de cada um corre uma sacada, ou melhor um jardim em terraço, suportado por colunas, preenchido com plantas floridas, e ocupado por muitos tipos de pássaros domesticados. A partir da praça [112]ramificavam-se várias ruas, todas amplas e brilhantemente iluminadas, e subindo às alturas em cada lado. Em minhas excursões na cidade eu nunca fui autorizada a ir sozinho; Aph-Lin ou sua filha era minha companhia habitual. Nesta comunidade uma Gy adulta é vista andando com qualquer jovem An tão familiarmente como ser não houvesse diferença de sexo.
As lojas de varejo não são numerosas; as pessoas que atendem um consumidor são todas crianças de várias idades, excessivamente inteligentes e corteses, mas sem o menor toque de urgência ou adulação. O comerciante mesmo poderia ou não estar visível; quando visível, ele pareceria raramente ocupado com algum assunto conectado com seu negócio profissional; e contudo, ele conduzira-se àquele negócio por gosto especial por ele, e muito independentemente de suas fontes gerais de fortuna.
Alguns dos cidadãos mais ricos na comunidade mantêm tais lojas. Como eu disse antes, nenhuma diferença de posição social é reconhecível, e portanto todas as ocupações possuem o mesmo status social igual. Um An, de quem eu comprei minhas sandálias, era o [113]irmão do Tur, ou magistrado-chefe; e, embora a loja dele não fosse maior do que qualquer sapateiro em Bond Street ou Broadway, ele dizia ser duas vezes mais rico do que o Tur, quem habitava em um palácio. Sem dúvida, contudo, ele tinha alguma propriedade rural.
Os Ana da comunidade são, no todo, um conjunto de seres indolentes depois da idade ativa da infância. Que por temperamento ou filosofia, eles classificam o repouso entre os bens principais da vida. De fato, quando se retira de um ser humano os incentivos para ação, os quais são encontrados em cupidez ou ambição, não me parece nenhuma admiração que ele descanse quieto.
Em seus movimentos ordinários eles preferem o uso de seus pés ao daquele de suas asas. Mas para seus esportes ou (para me satisfazer em um abuso ousado de termos) seus passeios, eles empregam as últimas, também para as danças aéreas que eu descrevi, assim como para visitar suas vilas no campo, as quais são principalmente posicionadas em alturas elevadas; e, quando ainda jovens, eles preferem suas asas, para viajarem para outras regiões dos Ana, a transportes veiculares.
[114]Aqueles quem se acostumam a voar, podem voar, se menos rapidamente que os pássaros, contudo, de vinte e cinco à trinta milhas por hora, e manter esse ritmo por cinco ou seis horas em um trecho. Mas os Ana geralmente, ao alcançarem a maturidade, não são afeiçoados a movimentos rápidos que requeiram exercício violento. Talvez por essa razão, como eles guardam uma doutrina que sem dúvida nossos médicos aprovarão – a saber, que a transpiração regular através dos poros da pele é essencial para a saúde, eles habitualmente usam banhos de transpiração às quais nós damos o nome de turcos ou romanos, seguidos por duchas de águas perfumadas. Eles têm grande fé na virtude salutar de certos perfumes.
Também é costume deles, no exposto mas em períodos raros, talvez quatro vezes em um ano quando com saúde, usar um banho carregado de vril.1 Eles consideram que esse fluido, usado com moderação, é um grande sustentador da vida; mas usado em excesso, quando no estado normal de saúde, em vez [disso] tende a reagir [115]e a exaurir vitalidade. Pois quase todas as doenças deles, contudo, eles recorrem a ele como o auxiliar-chefe da natureza para eliminar a enfermidade.
De sua própria maneira, eles são o mais luxuoso dos povos, mas todos os seus luxos são inocentes. Pode-se dizer que eles habitam numa atmosfera de música e fragrância. Cada sala tem suas invenções mecânicas para sons melodiosos, usualmente afinadas para notas murmuradas suavemente, as quais parecem sussurros doces de espíritos invisíveis. Eles estão muito acostumados a esses sons gentis para os considerarem um obstáculo à conversação, nem, quando sozinhos, à reflexão. Mas eles têm uma noção de que respirar um ar cheio com melódia contínua e perfume tem necessariamente um efeito de uma vez só calmante e inspirador sobre a formação do carácter e os hábitos do pensamento. Embora tão sóbrios, e com abstinência total de outra comida de origem animal que não leite, e de todas as bebidas intoxicantes, eles são delicados e graciosos a um extremo em comida e bebida; e em todos os esportes deles, mesmos os velhos exibem uma alegria infantil. A felicidade é o fim ao qual eles visam, não uma excitação de momento, mas uma condição prevalente na existência inteira; e [116]consideração pela felicidade um do outro é evidenciada pela amenidade esquisita das maneiras deles.
A sua configuração de crânio tem diferenças acentuadas em relação aquela de qualquer das conhecidas raças no mundo de cima, embora eu não possa ajudar pensando-a um desenvolvimento, no curso de incontáveis eras, do tipo braquicefálico da Idade da Pedra em Elementos de Geologia, C. X., p. 113, de Lyell, enquanto comparado com o tipo dolicocefálico do começo da Idade do Ferro, correspondendo ao que agora é prevalente entre nós, e chamado de tipo céltico. Tem a mesma massividade comparativa de fronte, não recuada como a célticaa mesma rotundidade regular nos órgãos frontais; mas é bem mais alta no ápice, e bem menos pronunciada no hemisfério cranial posterior, onde os frenologistas localizam os órgãos animais. Para falar como um frenologista, o crânio comum aos Vril-ya tem os órgãos de peso, número, harmonia, forma, ordem, causalidade, muito largamente desenvolvidos; esse de construção muito mais pronunciada do que de idealidade. Esses que são chamados de órgãos morais, tais como consciência e benevolência, são maravilhosamente completos; amatividade [117]e combatividade são igualmente pequenos; aderência, grande; o órgão da destrutividade (isto é, de liberação determinada de obstáculos intervenientes), imenso, mas menos do que aquele da benevolência; e sua afeição à fecundidade toma bastante o feitio de compaixão e ternura com coisas que necessitam de ajuda ou proteção do que o amor animal à prole. Eu nunca encontrei uma pessoa deformada ou disforme. A beleza de seus semblantes não está somente na simetria de traço, mas na suavidade de expressão, a qual continua sem linha ou ruga até o extremo da velhice, e uma doçura serena de expressão, combinada com aquela majestade que parece vir da consciência de poder e da liberdade de todo o terror, físico ou mental. É essa doçura mesma, combinada com aquela majestade, combinada com aquela majestade, a qual inspira em um observador como eu mesmo, acostumado às paixões da humanidade, um sentimento de humilhação, de admiração, de pavor. É uma expressão tal como um pintor poderia dar a um semideus, um gênio, um anjo. Os homens dos Vril-ya são inteiramente sem barba; as Gy-ei, algumas vezes, na velhice, desenvolvem um pequeno bigode.
[118]Eu fui surpreendido ao descobrir que a color da pele deles não era tão uniformemente aquela que eu notara naqueles primeiros indivíduos os quais encontrara primeiro, - alguns sendo muito mais claros, mesmo com olhos azuis, e cabelo de um profundo castanho dourado, embora ainda de compleições mais quentes ou mais ricos em tom do que as pessoas no norte da Europa.
Foi-me contado que essa mistura de coloração surgiu do casamento com outras e mais distantes tribos dos Vril-ya, as quais, por acidente do clima ou distinção inicial da raça, eram de tonalidade mais clara do que as tribos da qual esta comunidade foi formada. Era considerado que a pele vermelha escura mostrava a família mais antiga dos Ana; mas eles não atribuem nenhum sentimento de orgulho àquela antiguidade, e, pelo contrário, acreditam que a excelência atual da raça origina-se do cruzamento frequente com outras famílias diferentes, contudo aparentadas; e eles encorajam semelhantes casamentos entre diferentes, sempre com a condição de que seja com as nações Vril-ya. Nações que, não conformando suas maneiras e instituições àquelas dos Vril-ya, nem de fato consideradas capazes da aquisição dos poderes sobre as operações do vril, os quais lhes requereram [119]gerações para obter e transmitir, eram consideradas com mais desdem do os cidadãos de Nova Iorque consideravam os negros.
Eu aprendi de Zee, quem tinha mais erudição em todos esses assuntos do que qualquer homem a quem eu fora trazido em conversa familiar, que se supunha que a superioridade dos Vril-ya tinha originado-se na intensidade de seus antigos conflitos contra os obstáculos na natureza em meio às localidades nas quais eles primeiro se estabeleceram. Em qualquer circunstância que,” disse Zee, moralizando, “em qualquer circunstância que ocorra aquele antigo processo na história da civilização pelo qual a vida tornou-se um conflito, no qual o indivíduo desenvolveu todos seus poderes para competir com seu igual, nós invariavelmente encontraremos este resultado – a saber, uma vez que na competição um vasto número precisa perecer, a natureza seleciona para a preservação somente os espécimes mais fortes. Com nossa raça, portanto, mesmo antes da descoberta do vril, somente as mais altas organizações foram preservadas; e há, entre nossos livros antigos, uma lenda, antes popularmente acreditada, de que nós fomos guiados de uma região que parece denotar o mundo do qual você vem, a fim de aperfeiçoar nossa condição e obter a mais pura eliminação de [120]nossa espécie através da severidade dos conflitos pelos quais nossos antepassados passaram; e que, quando nossa educação deverá estar completada, nós estamos destinados a retornar ao mundo da superfície, e suplantar todas as raças inferiores agora lá existentes.”
Aph-Lin e Zee frequentemente conversavam comigo privadamente sobre as condições políticas e sociais do mundo de cima, no que Zee tão filosoficamente assumia que os habitantes estariam para ser exterminados um dia ou outro pelo advento dos Vril-ya. Eles encontraram em meus relatos, - nos quais eu continuei a fazer tudo o que eu pude (sem lançar-me em falsidades tão positivas que elas teriam facilmente detectadas pela astúcia de meus ouvintes) apresentar nossos poderes e a nós mesmos sob o mais lisonjeiro ponto de vista, - tópicos perpétuos de comparação entre nossas populações mais civilizadas e as raças subterrâneas inferiores as quais eles consideraram irremediavelmente mergulhadas no barbarismo, e condenadas à extinção gradual embora certa. Mas eles igualmente concordavam no desejo de ocultar de sua comunidade toda abertura prematura às regiões iluminadas pelo sol; ambos eramos humanos, e [121]diminuídos do pensamento da aniquilação de tantos milhões de criaturas; e os retratos que eu desenhei de nossa vida, altamente tendenciosos como eles eram, entristeceram-nos. Em vão eu alardeei nossos grandes homenspoetas, filósofos, oradores, generaise desafiei os Vril-ya a produzirem seus iguais. “Ai de mim!” disse Zee, sua imponente face suavizando em compaixão semelhante a um anjo, “essa predominância de uns poucos sobre muitos é o sinal mais certo e mais fatal de uma raça incorrigivelmente selvagem. Você não percebe que a condição primária da felicidade mortal consiste na extinção desse conflito e dessa competição entre indivíduos, os quais, não importa que formas de governo eles adotem, rendem os muitos subordinados aos poucos, destroem a liberdade real dos indivíduos, qualquer que seja a liberdade nominal do estado, e anulam aquela calma da existência, sem a qual, felicidade, mental ou corporal, não pode ser obtida? Nossa noção é, que quanto mais nós equipararmos a vida à existência que nossos mais nobres ideias podem conceber ser a dos espíritos do outro lado do túmulo, porque, quanto mais nós aproximamo-nos aqui da felicidade divina, mais facilmente nós passamos sem notar para as condições [122]da vida futura de ser. Pois, certamente, tudo que nós podemos imaginar da vida dos deuses, ou dos imortais abençoados, supõe a ausência de cuidados por si mesmo e de paixões contenciosas, tais como avareza e ambição. Parece-nos que deve ser uma vida de tranquilidade serena, não realmente sem ocupações ativas dos poderes intelectuais ou espirituais, somente ocupações, de qualquer natureza que elas sejam, próprias às idiossincrasias de cada um, não forçadas e repugnantesuma vida alegrada pela troca livre de afeições gentis, na qual a atmosfera moral mata completamente ódio e vingança, e conflito e rivalidade. Tal é a condição política que todas as tribos e famílias dos Vril-ya buscam alcançar, e em direção àquele objetivo todas as nossas teorias de governos conformam-se. Você percebe quão completamente oposto é um progresso tal daquele das nações incivilizadas das quais você vem, e que visam a uma perpetuidade sistemática dos problemas, e dos cuidados, e das paixões antagônicas, agravados mais e mais conforme o progresso move-se violentamente a diante. A mais poderosa de todas as raças em nosso mundo, além dos limites dos Vril-ya, considera-se a melhor governada de todas as sociedades políticas, [123]e ter alcançado nesse respeito o fim extremo ao qual a sabedoria política pode chegar, de modo que as outras nações deveriam tender mais ou menos a copiá-la. Ela foi estabelecida, sobre usa mais ampla base, o Koom-Poshem outras palavras, o governo do ignorante sobre o princípio de ser o mais numeroso. Colocou a suprema felicidade em competir uns com os outros em todas as coisas, de modo que as paixões malignas nunca repousamcompetindo por poder, por riqueza, por eminência de algum tipo; e nesta rivalidade é horrível ouvir a vituperação, as difamações, e as calúnias que mesmo os melhores e mais moderados entre eles amontoam uns sobre os outros sem remorso ou vergonha.
Há alguns anos,” disse Aph-Lin, eu visitei esse povo, e a miséria e degradação deles eram mais apavorantes por que eles sempre estavam vangloriando-se de sua felicidade e grandeza enquanto comparada ao resto de sua espécie. E não há esperança de que esse povo, o qual evidentemente se assemelha ao seu próprio, possa melhorar, por que todas as suas noções tendem a mais deterioração. Eles desejam aumentar seu domínio mais e mais, em antagonismo direto à verdade que, além de uma [124]determinada extensão muito limitada, é impossível assegurar à comunidade a felicidade que pertence a uma família bem-ordenada; e, quanto mais eles aperfeiçoam um sistema pelo qual uns poucos indivíduos são aquecidos e inchados a um tamanho acima da esbelteza padrão dos milhões, mais eles riem e extorquem, e clamam ‘Vejam por meio de que grandes expectativas à mesquinharia comum de nossa raça nós provamos os resultados magnificentes de nosso sistema!
De fato,” prosseguiu Zee, se a sabedoria da vida humana deve ser aproximada da igualdade serena dos imortais, não pode haver voo mais direto para a direção oposta do que um sistema que visa a levar ao extremo as igualdades e turbulências dos mortais. Nem vejo eu como, por quaisquer formas de crença religiosa, mortais, assim agindo, poderiam ajustarem-se a si mesmos a apreciar as alegrias dos imortais às quais eles ainda esperam ser transferidos pelo mero ato de morrer. Pelo contrário, mentes acostumadas a localizarem felicidade em coisas tão ao reverso do divino, encontrariam a felicidade dos deuses excessivamente tediosa, e ansiariam por retornar a um mundo no qual eles poderiam brigar uns com os outros.

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ORIGINAL:

BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. pp.107-124. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/107/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1 Uma vez eu experimentei o efeito do banho de vril. Era muito semelhante em seus poderes revigorantes àqueles dos banhos em Gastein, as virtudes do qual são atribuídas por muito médicos a eletricidade; mas embora similares, o efeito do banho de vril era mais duradouros.




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