A Água das Ilhas Maravilhosas - A Primeira Parte: Sobre A Casa do Cativeiro - Capítulo I Capturada em Utterhay

[1]WHILOM, como conta a história, era uma cidade-mercado murada nomeada Utterhay, a qual foi construída numa reentrância de terra um pouco distante da grande estrada que ia de cima das montanhas para o mar.

A dita cidade ficava próxima das bordas de um bosque, o qual os homens consideravam ser extremamente grande, ou talvez incomensurável; embora poucos de fato tenham adentrado-o, e eles que o fizeram, trouxeram de volta dali histórias selvagens e confusas.

Naquele lugar não havia nem estrada principal nem atalho, nem supervisor de floresta nem guardião de estrada; nunca veio mascate de lá para Utterhay; nenhum homem de Utterhay era tão pobre ou tão audaz que ele se atrevesse a provocar a caça naquele lugar; nenhum fora da lei atrevia-se a fugir para lá; nenhum homem de Deus tinha tanta confiança nos santos para que ele se atrevesse a construir para si um aposento naquele bosque.

Pois todos os homens consideravam-no mais do que perigoso; e alguns diziam que ali caminhava o pior dos mortos; outros que a Deusa dos Gentios assombrava lá; outros novamente que eram antes as fadas, mas elas cheias de malícia e astúcia. Porém, mais comumente se considerava que os diabos pululavam em meio aos matagais, e que onde quer que um homem buscasse, quem era uma vez rodeado por [2]ele, sempre era ao Portão do Inferno a que ele chegava. E eles diziam que o bosque era chamado de Evilshaw.

Mesmo assim a cidade-mercado prosperava não imperfeitamente; pois quaisquer que fossem as coisas malignas que assombravam Evilshaw, nunca elas entraram em Utterhay em uma forma tal que os homens conhecessem-nas, nem sabiam eles de qualquer dano que eles receberam dos Diabos de Evilshaw.

Agora na dita cidade, em um dia, era [hora de] mercado e meio dia, e na feira estavam muitas pessoas reunindo-se. Em meio a elas caminhava uma mulher, alta e forte de aspecto, aparentando uns trinta invernos, de cabelos negros, de nariz de gancho e de olhos de falcão, não tão bela de olhar-se quanto poderosa e orgulhosa. Ela guiava um grande asno cinzento entre dois cestos, nos quais ela carregava seus produtos. Mas agora ela concluíra seu regateio e estava olhando ao redor de si, como se para observar as pessoas para seu divertimento; mas quando ela deparava-se com uma criança, quer fosse trazida em braços ou guiada por suas parentas, ou estivesse indo sozinha, como algumas estavam, ela aprecia mais atenta disso, e olhava-as mais de perto do que qualquer outra coisa.

Então ela passeou ao redor até que ela chegou aos arredores da multidão. Ali ela deparou-se com um bebê de aproximadamente dois invernos, o qual estava arrastando-se ao redor sobre suas mãos e joelhos, com um trapo escasso sobre seu pequeno corpo. Ela observava-o e olhava para onde estava indo; viu uma mulher sentada sobre uma pedra, sem ninguém próximo a ela, seu rosto curvado sobre os joelhos como se ela estivesse cansada ou triste. Até ela arrastou-se o pequenino, murmurante e alegre, e colocou seus braços ao redor das pernas da mulher, e enterrou seu rosto nas dobras de seu vestido. [3]Com isso ela olhou e revelou uma face que uma vez fora inteiramente bela, mas agora tornou-se esquelética e abatida, embora ela dificilmente houvesse passado dos vinte e cinco anos. Ela pegou a criança e puxou-a para seu seio, e beijou-a, rosto e mãos, e fez a ela grande alegria, apenas sempre tristemente. A estranha alta permaneceu olhando abaixo para ela e observou quão perversamente ela estava vestida, bem como ela parecia não ter nada para fazer com aquela multidão de feirantes prósperos; ela sorriu um pouco azedamente.

Finalmente ela falou, e a voz dela não era tão áspera quanto poderia ter parecido a partir de seu rosto: ‘Senhora’, ela disse, ‘tu pareces estar menos ocupada do que a maioria das pessoas aqui; poderia eu almejar de ti para dizer a uma estrangeira, quem tem apenas uma hora para permanecer nesta bela cidade, onde ela pode encontrar para si um aposento no qual descansar e comer um bocado, assim como ficar imperturbada por grosseiros e má companhia? Disse a esposa pobre; Curta dever minha história; eu sou muito pobre para conhecer albergues e tabernas das quais eu possa contar-te algo’. Disse a outra: ‘Talvez algum vizinho teu aceitar-me-ia por tua causa? Disse a mãe: ‘Que vizinhos tenho eu desde que meu marido morreu. Eu morrendo de fome, e nesta cidade de poupança e abundância?

A guia do asno ficou silenciosa por um tempo, então ela disse; Pobre mulher! Eu começo a ter pena de ti; assim como eu digo-te que a sorte chegou para ti hoje.

Agora, a esposa pobre pusera-se de pé, com o bebê em seus braços, e estava virando-se para seguir em seus caminhos; mas a estrangeira estendeu a mão para ela e disse: ‘Levante-se [4]e ouça boas notícias. E ela colocou a mão na bolsa da cintura, retirou de lá uma boa peça dourada, uma moeda, e disse: Quando eu estiver sentada em tua casa tu terás merecido isto e, quando eu tiver tirado as solas de meus pés de lá, haverá três vezes mais de semelhante aprovação, se entrementes eu estiver contente contigo.

A mulher olhou para o ouro, e lágrimas vieram-lhe aos olhos; mas ela riu e disse: Alojamento eu sinceramente posso dar-te por uma hora, bem como além disso água do poço, e uma refeição de pão para morder. Se tu consideras que vale três moedas de ouros, como posso eu dizer-te não, quando elas podem salvar a vida de meu pequenino. Entretanto o que mais tu desejas de mim? Pouco o suficiente, disse a estrangeira; então, leva-me diretamente para tua casa.

Assim elas prosseguiram para a feira. A mulher guiou-os, a estrangeira e o asno, para fora da rua através do portão oeste de Utterhay, o qual, a saber, olhava para Evilshaw e, assim, para uma rua dispersa sem a muralha, o fim da qual aproximava-se de um canto do bosque supracitado. As casas não eram tão más de forma, mas, considerando que elas estavam tão próximos do Parque do Diabo, os ricos não tinham poder tão distante sobre elas, e elas tornaram-se artigos para gente pobre.

Agora a mulher da cidade colocou a mão sobre o trinco da porta que era a dela, e abriu a porta; então ela estendeu a mão à outra, e disse: Tu dá-me o primeiro ouro agora, uma vez que descanso está assegurado para ti, enquanto tu desejares? A guia do asno colocou-o na mão dela, e ela tomou-o e [5]colocou-o na bochecha de seu bebê, em seguida beijou ambos ouro e bebê juntos; então ela virou-se para a estrangeira e disse: ‘Quanto à tua besta de percurso, eu não tenho nada para ela, nem feno nem cereal: tu ficas melhor se deixá-la na rua. A estranha acenou com a cabeça em concordância, e os três entraram juntos, a mãe, a criança e a estrangeira.

Não exatamente pequena era a câmara; mas havia pouco ali; um banquinho a saber, uma cadeira de teixo, uma pequena mesa e uma arca: não havia fogo no centro, nada salvo cinzas brancas de madeira pequena; mas era Junho, de modo que não era de nenhuma importância.

A convidada sentou-se na cadeira de teixo, e a esposa pobre gentilmente colocou a criança no chão, veio e colocou-se diante da estranha, como se aguardando sua oferta.

Falou a estrangeira: ‘Nada tão desagradável ou estreito é teu aposento; e tua criança, a qual eu vejo é de natureza feminina, e portanto provavelmente deve por longo tempo continuar contigo, ela é encantadora de forma e bela de perfil. Agora também tu deverás ter dias melhores, como eu considero, e suplico por eles em tua cabeça.’

Ela falava numa gentil voz lisonjeira. A face da esposa pobre suavizou-se e logo as lágrimas dela caíram sobre a mesa, mas ela não falou palavra alguma. A convidada retirou, não três moedas de ouro, mas quatro, colocou-as sobre a mesa e disse: Eis, minha amiga, as três moedas de ouro que te prometi! Agora são elas tuas; mas esta outra tu deves pegar e gastá-la por mim. à cidade e compre-me pão branco do melhor; e carne certamente boa, ou poulaine se pode ser, já cozida [6]e preparada; e, além disso, o melhor vinho que tu possas conseguir, e docinhos para tua bebê; e quando tu voltares, nós sentaremos juntas e jantaremos aqui. E depois disso, quando nós estivermos cheias de comida e bebida, nós deveremos inventar algo mais para tua prosperidade.

A mulher ajoelhou-se diante dela chorando, mas não pôde falar palavra nenhum por causa da plenitude de seu coração. Ela beijou as mãos da convidada e pegou o dinheiro. Então levantou-se, apanhou sua criança e beijou sua pele nua muitas vezes. Em seguidas se apressou para fora da casa, rua acima e através do portão. A convidada sentou-se escutando o som de seus passos até que se extinguiu, e nada havia para ser ouvido salvo o murmúrio distante do mercado, e as palmas do pequenino no chão.

Então ergue-se a convidada e pegou a criança do chão, quem chutou, gritou e almejou pela mãe dela tanto quanto sua voz débil podia. Mas a estrangeira falou suavemente com ela, e disse: Silêncio, querida, e seja boa, e nós iremos e encontrá-la-emos. Após o que ela deu-lhe uma ameixa doce a partir de sua sacola. Em seguida, ela saiu pelas portas e falou rapidamente para a pequena: Agora veja esta bela besta de percurso. Nós cavalgaremos alegremente sobre ela para encontrar tua mãe.

Então ela deitou a criança no cesto, com uma macia almofada debaixo e um pano de seda sobre ela, de modo que ela deitou-se ali alegremente. Em seguida ela tomou a rédea de seu asno e prosseguiu em seus caminhos através da região selvagem em direção a Evilshaw; pois, como vós podeis considerar, onde as casas e a rua terminavam, a estrada batida terminava também.

Quieta e velozmente ela foi, e apenas encontrou-se com três [7]homens no caminho. Quando eles viram-na, e que ela estava montando para Evilshaw, eles viraram suas cabeças, cada um, benzeram a si mesmos e passaram rapidamente. Ninguém buscou obstar-lhe, ou manteve conversa com ela, bem como nenhum pé ela ouviu seguindo-a. Assim, em pouco mais do que o proferimento de uma missa baixa, ela estava em meio às árvores, com seu asno, suas mercadorias e sua vítima.

Nenhuma demora ela fez ali, mas manteve-se adiante em seu melhor [passo] antes que a noite devesse cair sobre ela. E seja o que for que pudesse ser dito relativo às criaturas que outras pessoas tenham encontrado em Evilshaw, quanto a ela, precisa ser dito que, naquele lugar, ela não se deparou com nada pior do que ela mesma.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 1-7. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/n12/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Terra Oca: Um Conto - I Lutando no Mundo

[154]Você sabe onde fica a Terra Oca? Eu estive procurando por ela há tanto tempo agora, tentando encontrá-la novamente, a Terra Oca; pois lá eu vi meu amor pela primeira vez. Eu queria contar a você como eu encontrei-a em primeiro lugar; mas eu estou velho, minha memória falha-me: você deve esperar e permitir-me pensar se eu por acaso posso contar a você como aconteceu. Sim, em meus ouvidos um barulho confuso de rugidos de trombetas entoando sobre pântanos desolados; em meus olhos e meus ouvidos, colisão e estrondo de cascos-de-cavalo, um badalar e cintilar de aço: lábios posteriores torcidos, dentes firmados, gritos, guinchos e maldições.

Como foi que nenhum de nós nunca a encontrou até aquele dia? Pois é perto de nosso país: mas que tempo nós temos de procurar por ela ou qualquer coisa boa, com tal latido penetrante tratando de margear-nos em cada lado? Cuidados sobre coisas grandes, poderosas coisas; poderosas coisas, Oh meus irmãos! Ou melhor, pequenas coisas suficientes, se nós apenas soubéssemos dela. Vidas passadas em tumulto, em fazendo um ao outro infeliz; no mais amargo mal entendido do coração de nossos irmãos, [155]fazendo tristes aqueles que Deus não fez tristes: ai, ai! Que chance para qualquer um de nós encontrar a Terra Oca? Que tempo mesmo para procurar por ela? Contudo, quem não sonhou com ela? Quem, meio miserável até o momento, pois aquilo que ele sabe é somente um sonho, não sentiu as ondas frias ao redor de seus pés, as rosas coroando-o e, através das folhas de faias e tílias, os muitos ventos sussurrantes da Terra Oca?

Agora meu nome era Florian e minha Casa era a Casa dos Lírios; e daquela casa foi meu pai Senhor, e depois dele meu irmão mais velho Arnald: e a mim eles chamavam de Florian de Liliis. Ademais, quando meu pai estava morto, lá surgiu uma contenda entre a Casa dos Lírios e Harald Vermelho: e isto que segue é a história dela. A Senhora Swanhilda, Mãe de Harald Vermelho, era uma viúva com um filho único, Harald Vermelho: e quando ela estivera na viuvez por dois anos, sendo de sangue principesco, e também graciosa e feroz, o Rei Urrayne mandou pedi-la em casamento. E eu lembro vendo a procissão deixando a cidade, quando eu era bem uma criança; e muitos jovens cavaleiros e escudeiros atenderam à Senhora Swanhilda como pajens e entre eles Arnald, meu irmão mais velho. E, enquanto eu olhava para fora da janela, eu vi-o andando ao lado do cavalo dela, muito delicadamente vestido em branco e ouro; mas, conforme ele prosseguia, aconteceu que ele tropeçou. Agora, ele era um daqueles que segurava um dossel dourado sobre a [156]cabeça da senhora, de modo que ele agora se afundava em dobras e a senhora tinha de curvar sua cabeça totalmente baixa, e mesmo então o brocado dourado foi pego em uma das longas e finas flores douradas que foram trabalhadas em volta, ao redor da coroa que ela usava. Ela ruborizou em sua fúria, a suave face dela subitamente se tornou em vincos entalhados por uma bica de água de madeira. Ela pegou o brocado com a mão esquerda e retirou-o furiosamente, de modo que a urdidura e trama foram entrelaçadas para fora de seus lugares, e muitos fios dourados foram deixados pendentes ao redor da coroa. Mas Swanhilda encarou ao redor, quando ela levantou-se. Em seguida, ela acertou meu irmão, sobre a boca dele, com seu cetro dourado, e o sangue vermelho fluiu todo sobre os trajes dele. Mas ele somente tornou-se demasiado pálido, e não se atreveu a dizer palavra nenhuma, embora ele fosse herdeiro da Casa dos Lírios: mas meu pequeno coração intumesceu com a fúria e eu jurei vingança e, como parece, ele jurou também.

Então, quando Swanhilda fora rainha por três anos, ela subornou muitos dos cavaleiros e nobres do Rei Urrayne, matou seu marido enquanto ele dormia e reinou no lugar dele. E o filho dela cresceu à virilidade, e era considerado um cavaleiro forte e do qual se falava bem; então eu coloquei minha armadura pela primeira vez. Então, uma noite, enquanto deito dormindo, eu senti uma mão posta sobre minha face e, motivando-me, vi Arnald diante de mim, inteiramente armado. Ele disse: ‘Florian, ergue-te e arma-te.’ Assim eu fiz, tudo menos meu elmo, como ele estava. Ele beijou-me na testa: seus lábios sentidos quente e [157]secos e, quando eles trouxeram tochas e eu pude ver a face dele claramente, vi que ele estava muito pálido. Ele disse: “Você lembra, Florian, deste dia dezesseis anos? É um longo tempo, mas eu não deverei esquecê-lo nunca, a menos que esta noite apague a memória dele.Eu sabia o que ele queria dizer e, porque meu coração estava cruel, regozijei-me muito diante do pensamento de vingança, de modo que não pude falar, mas apenas coloquei minha palma sobre os lábios dele. ‘Bom; você tem uma boa memória, Florian. Agora vê, eu esperei por um tempo longo, muito longo. Eu disse no início, perdôo-a. Mas, quando as notícias sobre a morte do rei chegaram, e como ela estava de tal modo desavergonhada, eu disse: tomarei isso como um sinal, se Deus não a punir dentro de determinados anos, que Ele destina-me para assim o fazer. Agora, eu estive observando e observando esses dois anos por uma oportunidade, e vê que ela chega finalmente. Eu penso que Deus certamente a concedeu em nossas mãos, pois ela repousa esta noite, esta Véspera de Natal mesma, em uma pequena cidade murada na fronteira, nem a duas horas de galope daqui. Eles mantêm pouca guarda lá, e a noite é selvagem. Além disso, o prior de uma casa de monges justamente fora das muralhas é meu amigo firme neste assunto, pois ela fez-lhe algum grande dano. No pátio abaixo cento e cinquenta cavaleiros e escudeiros, todos leais e verdadeiros, estão aguardando por nós: um momento e nós devemos ter-nos ido.Em seguida, ambos ajoelhamos e oramos a Deus para entregá-la em nossas mãos. Nós pusemos nossos elmos e descemos para o pátio. [158]Era a primeira vez que eu esperava usar uma espada afiada em raiva, e estava cheio de alegria conforme o trovão abafado de nossos cascos-de-cavalo deslizava através da amarga noite de inverno. Em aproximadamente uma hora e meia nós cruzamos a fronteira, e em mais meia hora a maior parte parara em um bosque próximo da Abadia, enquanto eu com uns poucos outros subimos para os portões da Abadia e batemos alto quatro vezes, com o punho de minha espada, marcando no solo enquanto isso. Um longo assobio baixo respondeu-me de dentro, ao qual eu por minha vez respondi. Em seguida o postigo abriu-se e um monge saiu segurando uma lanterna. Ele parecia ainda no melhor da vida, e era homem alto, poderoso. Ele levou a lanterna a minha face, então sorriu e disse: ‘As bandeiras, pendurem baixo.’ Eu dei o contrassinal: ‘A crista está podada.’ ‘Bom, meu filho,’ disse ele; ‘as escadas estão aqui dentro. Eu não me atrevo a confiar em quaisquer dos irmãos para as carregar para você, embora eles não amem a bruxa tampouco; mas eles são tímidos.’ ‘Não importa,eu disse ‘eu tenho homens aqui.’ Então eles entraram e começaram a arcar com as altas escadas; o prior estava muito ocupado. ‘Você encontra-las-á exatamente do comprimento certo, meu filho; confie em mim com isso.’ Ele parecia um homem bem jovial e agradável; eu não podia entender sua nutrida vingança furiosa: mas a face dele escurecia estranhamente sempre que acontecia de ele mencionar o nome dela.

Enquanto nós estávamos começando, ele veio e ficou de pé do lado de fora do portão e, baixando sua lanterna para que a [159]luz dela não pudesse confundir sua visão, olhou seriamente para a noite; então disse:O vento abrandou, os flocos de neve afinam e diminuem a cada momento; em uma hora congelará duramente, e estará bem claro. Tudo depende da supressa ser completa; pare ainda alguns minutos, meu filho.Ele foi embora rindo baixo e logo retornou com mais dois monges robustos carregando algo. Eles derrubaram seus fardos diante de meus pés; eles consistiam em todas as alvas brancas na abadia. ‘Aqui, confie em um velho que viu mais do que uma luta aflita em seus dias carnais; que os homens que escalam as muralhas ponham esses sobre seus braços, e ele não serão vistos em absoluto. Deus faça sua espada afiada, meu filho.Então nós partimos; &, quando eu encontrei Arnald novamente, ele disse que o que o prior fizera foi bem pensado. Então nós concordamos que eu devia tomar trinta homens, e um velho escudeiro de nossa casa, bem habilidoso em guerra, junto com eles; escalar as muralhas tão quietamente quanto possível e abrir os portões para o resto.

Eu comecei como acordado, depois disso, com riso baixo, nós pusemos as alvas sobre todos nós, envolvendo também as escadas em branco. Em seguida nos arrastamos muito cautelosa e lentamente até a muralha; o fosso estava congelado por cima e sobre o gelo a neve assentava-se bem espessa. Nós todos pensamos que os guardas deviam ser negligentes o suficiente, quando eles nem mesmo ocuparam-se com o contratempo de quebrar o gelo no fosso. Então nós ouvimos: não há nenhum som em absoluto; a missa da meia-noite de Natal [160]terminara há muito; eram aproximadamente três da madrugada e a lua começava a clarear; dificilmente havia neve alguma caindo agora, somente um floco ou dois de alguma baixa nuvem apressada ou outra. O vento suspirava gentilmente em volta das torres circulares naquele lugar, mas estava cruelmente frio, pois começara a congelar novamente. Nós ouvimos por alguns minutos, aproximadamente um quarto de uma hora, eu acho; depois disso, a um sinal meu, eles cuidadosamente ergueram as escadas, abafados como eles estavam com as faixas de lã. Eu escalei primeiro, Hugh o velho Escudeiro seguiu por último; silenciosamente nós subimos, e logo estávamos de pé todos juntos sobre as muralhas. Em seguida, nós cuidadosamente baixamos as escadas novamente, por meio de cordas longas; retiramos nossas espadas e machados das dobras de nossas vestes de sacerdote e avançamos até que alcançamos a primeira torre ao longo da muralha. A porta estava aberta; na câmara do topo havia um fogo fumegando lentamente, nada mais. Nós o atravessamos e começamos a descer a escada em espiral; eu primeiro, com meu machado encurtado em minha mão. ‘E se fossemos surpreendidos ali’, eu pensei, e ansiei por estar fora, em ar [aberto] novamente; ‘e se a porta na base estivesse fechada’? Enquanto nós passávamos pela segunda câmara ouvimos alguém dentro, roncando alto. Eu silenciosamente investiguei, e vi um grandalhão, com longos cabelos negros que caiam de seu travesseiro e areavam o chão, deitado roncando com seu nariz para cima e sua boca aberta; mas ele parecia tão profundamente adormecido que nós não paramos para matá-lo. Louvado seja! A porta estava aberta. Sem mesmo uma [161]palavra sussurrada, sem uma pausa, nós continuamos ao longo das ruas, do lado que o vento estivera soprando, pois nossas vestes eram brancas. Pois [com] o vento estando muito forte durante todo aquele dia, as casas daquele lado foram atingidas em suas cornijas e talhas, bem como em suas rudes pedras e madeiras, [por] tanta neve que, exceto aqui e ali, onde paredes negras arreganhavam-se, elas eram bem brancas. Nenhum homem viu-nos enquanto nos movíamos furtivamente para frente, silenciosamente por causa da neve, até que nós ficamos de pé, a cem jardas dos portões e de suas casas de guarda. E nós possemo-nos de pé, porque ouvimos a voz de alguém cantando:


A coroa da Rainha Maria era dourada,

A coroa do Rei José era vermelha,

Mas a coroa de Jesus era diamante

Aquilo iluminou todo o leito

Mariae Virginis.


Então depois de tudo, eles tinham alguns guardas. Claramente era o sentinela que cantava para manter os fantasmas longe. Agora a uma luta. Nós chegamos mais perto, umas poucas jardas mais perto, então paramos para libertar a nós mesmos das roupas de monge.


Barcos navegam através do céu

Com bandeiras vermelhas vestidos,

Carregando os planetas sete

Para ver o branco seio

Mariae Virginis.


[162]Depois disso ele deve ter visto o agitar de alguma alba ou outra [coisa] enquanto ela tremia abaixando-se até o solo, pois sua lança caiu com um baque, e ele parecia esta de pé com a boca aberta, pensando algo sobre fantasmas; então, arrancando coração da graça, ele rugiu como dez bezerros, e correu para dentro da casa da guarda. Nós seguimos espertamente, mas sem pressa, e alcançamos a porta dela exatamente enquanto uma dúzia de homens meio armados vinha caindo sob nossos machados; logo a seguir, enquanto nossos homens matavam-lhes, eu soprei um grande sopro de meu chifre, e Hugh com alguns outros sacaram ferrolho e barra e viraram os portões escarranchados. Então os homens na casa da guarda entenderam que eles foram pegos numa armadilha, e começaram a agitar-se com grande confusão; assim, com receio de que eles despertassem e armassem-se completamente eu deixei Hugh nos portões com dez homens, e eu mesmo liderei o restante para dentro daquela casa. Naquele lugar, enquanto nós matávamos aqueles que não se rendiam, chegaram Arnald e os outros, trazendo nossos cavalos com eles; então todo o inimigo jogou suas armas [no chão]. E nós contamos nossos prisioneiros e descobrimos-lhes mais de oitenta; portanto, não sabendo o que fazer com eles (pois eles eram muitos para guardar, assim como parecia não cavalheiresco matá-los todos), nós enviamos alguns arqueiros às muralhas e, virando nossos prisioneiros para fora dos portões, ordenamos-lhes correrem por suas vidas; o que eles fizeram rápido o suficiente, não conhecendo nossos números, e nossos homens enviaram umas poucas revoadas de flechas entre eles para que pudessem ser iludidos.

[163]Então um ou dois dos prisioneiros que deixáramos ficar contou-nos, quando nós cruzáramos nossos machados sobre as cabeças deles, que o povo da boa cidade não nos enfrentaria voluntariamente, naquilo eles odiavam a Rainha; que ela era guardada no palácio por uns cinquenta cavaleiros, e que além deles não havia outros para oporem-se a nós na cidade. Então nós partimos para o palácio, de lança na mão. Nós não fôramos longe antes que ouvíssemos alguns cavaleiros chegando; e logo, numa curva da longa rua, nós vimo-os cavalgando em nossa direção; quando eles apanharam nossa visão eles pareceram atônitos, puxaram a rédea, e permaneceram em alguma confusão. Nós não folgamos nossa marcha por um instante, apenas cavalgamos direto até eles com um brado, ao qual eu emprestei a mim mesmo com todo meu coração. Depois de tudo eles não fugiram, mas esperaram por nós com as lanças deles erguidas; eu perdi o homem que eu marcara, ou acertei-lhe apenas no topo do elmo: ele inclinou-se para trás, e a lança deslizou sobre a cabeça dele, mas meu cavalo continuava, e eu logo senti um choque tal que eu titubeei em minha sela, e senti-me frenético. Ele atacou-me com sua espada conforme eu aproximava-me, acertando-me nas costelas (pois meu braço foi erguido), mas somente com o lado chato [da espada]. Eu fiquei bem bravio com ira; voltei-me, quase cai sobre ele, apanhei-o pelo pescoço com ambas mãos & joguei-o sob os cascos-de-cavalo, suspirando com fúria. Eu ouvi a voz de Arnald próximo a mim, Bem combatido, Florian; e eu vi o rosto duro e grande dele em meio ao ferro, pois ele fizera um voto, em recordação [164]daquele golpe, sempre lutar sem elmo. Eu vi a grande espada dele balançando em amplas voltas & sibilando conforme começava, assim como se estivesse viva e gostasse. Assim alegria encheu completamente minha alma, & eu lutei com meu coração, até que o grande machado que brandia era sentido como nada apenas um pequeno martelo em minha mão, exceto por sua mordacidade. Quanto ao inimigo, eles caiam como grama, de modo que nós os destruímos completamente; pois esses cavaleiros não se entregariam ou fugiriam, mas morreriam como eles estiveram de pé, de modo que uns quinze de nossos homens também morreram naquele lugar.

Então finalmente nós chegamos ao palácio, onde alguns criados e semelhantes mantinham os portões armados; apenas alguns correram, e alguns nós tomamos [como] prisioneiros, um dos quais morreu de puro terror em nossas mãos, não sendo acometido de nenhum ferimento; pois ele pensou que nós o comeríamos. Esses primeiros nós questionamos a respeito da Rainha, e assim entramos no grande salão. Naquele lugar Arnald sentou no trono sobre o estrado, e deitou sua espada desembainhada sobre a mesa, e a cada lado dele sentaram-se tantos cavaleiros quanto havia espaço para, e os outros puseram-se de pé em volta de um lado para o outro; enquanto eu tomava dez homens e fui procurar Swanhilda. Eu logo a encontrei, sentada sozinha em um aposento deslumbrante. Eu quase apiedei-me dela quando a via olhando completamente desolada & desesperada; a beleza dela também murchara, linhas profundas cobriam a face dela. Mas, quando entrei, ela sabia quem eu era, e a aparência dela de ódio intenso era tão semelhante ao demônio que eu mudei minha piedade em horror dela. [165]Cavaleiro,ela disse, ‘quem é você? E o que você quer, assim grosseiramente entrando em meus aposentos?’ ‘Eu sou Florian de Liliis, e estou para conduzir-te ao julgamento.’ Ela ergueu-se. ‘Maldito seja & sua inteira casa! Você eu odeio mais que qualquer outro, rosto de garota! Guardas, guardas!’ e ela pisou no chão, as veias na testa dela incharam, os olhos dela arrendondaram-se e arderam, conforme ela continuava gritando pelos guardas dela, pisando por um tempo; pois ela parecia bem furiosa. Então, finalmente ela lembrou-se de que estava em poder de seus inimigos; ela sentou-se, e permaneceu com o rosto entre as mãos e chorou apaixonadamente. ‘Bruxa,’ eu disse entre meus dentes fechados, ‘você virá, ou precisaremos carregá-la para baixo, para o grande salão?’ Tampouco ela viria, apenas sentou-se ali agarrando o vestido e dilacerando o cabelo. Então eu disse: ‘Amarrem-na, e carreguem-na para baixo.’ E eles fizeram-no.

Eu observei Arnald enquanto ele vinha; não havia triunfo em sua severa face branca, mas resolução suficiente; ele decidira-se. Eles colocaram-na num assento no meio do salão, diante do estrado. Ele disse: ‘Liberte-a, Florian’. Eles assim o fizeram; ela ergueu a face e olhou fixamente em desafio para todos nós, como se depois de tudo ela fosse morrer como uma rainha. Então, Arnald ergueu-se e disse: ‘Rainha Swanhilda, nós julgamos-te culpada de morte; e por que você é uma rainha e de uma casa nobre você será morta por minha espada cavalheiresca, e eu mesmo levarei a reprovação do assassinato de uma mulher, pois nenhuma outra [166]mão senão a minha deve dar o golpe.’ Em seguida, ela disse: ‘Oh falso cavaleiro, mostra tua autoridade de Deus, homem ou diabo.’ ‘Esta garantia de Deus, Swanhilda,’ ele disse, levantando sua espada; ‘ouve! Quinze anos atrás, quando eu estava apenas ganhando minhas esporas, você atingiu-me, desgraçando-me diante de todo o povo: você amaldiçoou-me, & tencionava aquela maldição bem o bastante. Homens da Casa dos Lírios, qual a sentença para isso?’ ‘Morte!’, eles disseram. ‘Ouçam! Depois você matou meu primo, seu marido, traiçoeiramente, da maneira mais amaldiçoada, esfaqueando-o na garganta, enquanto as estrelas no dossel acima dele olhavam para baixo, para os olhos cerrados dele. Homens da Casa dos Lírios, qual a sentença para isso?’ ‘Morte!’, eles disseram. ‘Você ouve-os, Rainha? Há autoridade do homem: pois o diabo, eu não o reverencio o suficiente para precisar da autorização dele; mas enquanto eu olho para essa face de ti eu acho que mesmo ele abandonou-te.’ E de fato exatamente então todo o orgulho dela pareceu abandoná-la; ela caiu da cadeira & chafurdou sobre o solo gemendo; ela chorou como uma criança, de modo que as lágrimas deitaram-se sobre o piso de carvalho; ela implorou por outro mês de vida; ela veio a mim & ajoelhou-se e beijou meus pés e suplicou piedosamente, de modo que a água fluía da boca dela. Mas eu estremeci e afastei-me; era como ter uma víbora sobre alguém. Eu poderia ter apiedado-me dela houvesse ela morrido bravamente, mas por alguém como ela, lamentar e lamentar! Bah!

Então, a partir do estrado, badala a terrível voz de Arnald, [167]muito mudada: ‘Que haja um fim para tudo isto.’ E ele tomou sua espada e andou a passos largos através do salão em direção dela; ela ergueu-se do chão e colocou-se de pé, inclinando-se um pouco, a cabeça dela afundou entre os ombros, os olhos negros dela viraram para cima e cintilaram, como uma tigresa prestes a saltar. Quando ele chegou a seis passos dela, algo no olho dele intimidou-a, ou talvez o brilho da terrível espada dele à luz da tocha. Ele jogou os braços para cima com um grande guincho, e correu gritando ao redor do salão. O lábio de Arnald nunca se curvou uma vez com qualquer desdém, nenhuma linha na face dele mudou; ele disse: ‘Tragam-na aqui e amarrem-na.’ Mas quando um chegou perto dela para segurá-la, ela primeiramente correu até ele, atingindo-o na barriga com a cabeça. Então por um tempo ele permaneceu de pé, curvando-se com a necessidade de ar, & encarando com a cabeça dele erguida, ela pegou a espada dele do cinto, e cortou-lhe de um lado a outro dos ombros; e muitos outros ela feriu severamente antes que eles a pegassem. Então Arnald permaneceu próximo a cadeira na qual ela estava presa, sopesou sua espada e houve um grande silêncio. Então ele disse: ‘Homens da Casa dos Lírios, vocês justificam-me nisto? Ela deve morrer?’ Imediatamente soou um grande grito através do salão; mas antes que se extinguisse, a espada deslizara em círculo, & portanto não havia tal coisa como Swanhilda deixada sobre a terra, pois em nenhum campo de batalha Arnald atingira golpe mais verdadeiro. Em seguida ele voltou-se para os poucos servos do palácio e disse: ‘Vão agora, enterrem esta [168]mulher amaldiçoada, pois ela é uma filha de rei.’ Então para todos nós: ‘Agora, cavaleiros, ao cavalo & para longe, que nós podemos atingir a boa cidade pelo amanhecer.’ Em seguida nós montamos e cavalgamos.

Que estranho dia de Natal foi aquele! Pois ali, por volta das nove da manhã, cavalgou Harald Vermelho para dentro da boa cidade para exigir vingança. Ele foi imediatamente ao Rei, e o Rei prometeu que antes anoitecer daquele mesmo dia o assunto deveria ser julgado: embora o Rei temesse alguma coisa, porque um terço dos homens que você encontrasse nas ruas tinha uma cruz azul sobre o ombro dele, e alguma imagem de um lírio, talhada ou pintada, fixada no chapéu dele. Essa cruz azul e o lírio eram as figuras heráldicas de nossa Casa, conhecida como De Liliis. Agora nós tínhamos visto Harald Vermelho caminhar através das ruas, com um estandarte branco carregado diante dele, para mostrar que ele vinha pacificamente desta vez; mas eu acredito que ele estava pensando em outras coisas além da paz. E ele primeiro foi chamado de Harald Vermelho desta vez, por que sobre seus braços inteiros ele usava um grande tecido escarlate que caia em pesadas dobras ao redor de seu cavalo e inteiramente ao redor dele. Então, conforme ele passava por nossa casa, alguém a apontou para ele, elevando-se naquele lugar com sua figura e seu mármore em barra, mas muito mais forte do que um castelo em morros; e sua grande ameia saliente lança abaixo uma sombra poderosa sobre a muralha e através da rua; e acima de tudo ergueu-se a grande torre, nosso estandarte flutuando orgulhosamente sobre o topo, no qual estava estampado sobre um fundo [169]branco uma cruz branca, e sobre um fundo azul quatro lírios brancos. E agora rostos estavam encarando de todas as janelas, & todas as ameias estavam aglomeradas. Assim Harald voltou-se e, erguendo-se em seus estribos, chocou seu punho cerrado em nossa casa; mesmo assim, conforme ele fazia-o o vento leste descendo a rua apanhou o canto daquele tecido escarlate & impeliu-o sobre a face dele, portanto desordenando seu longo cabelo negro e quase sufocou-o, de modo que ele mordesse o cabelo e aquele tecido. Assim, da base à cumeeira, ergueu-se um grito poderoso de triunfo e desafio, e ele passou.

Então Arnald fez com que fosse apregoado que todos aqueles que amassem a boa Casa dos Lírios deveriam reunir-se àquela manhã na igreja de Santa Maria, firmes por nossa casa. Agora essa igreja pertencia-nos, assim como a abadia que a servia, e sempre nós apontávamos o abade dela com a condição de que nossas cornetas devessem soar todas juntas quando em missas importantes eles cantassem o Gloria in Excelsis. Era a maior e mais belas de todas as igrejas na cidade e tinha duas torres muito altas, as quais você poderia ver de muito longe, mesmo quando você não visse a cidade, ou quaisquer de suas outras torres. Em uma daquelas torres ficavam doze grandes sinos nomeados segundo os doze Apóstolos, um nome estando escrito em cada um deles, como Pedro, Mateus, e assim por diante; e na outra torre havia somente um grande sino, muito maior do que qualquer um dos outros, o qual era chamado de Maria. Agora, este sino nunca [170]badalava, apenas quando nossa Casa estava em grande perigo; e havia esta lenda sobre ele: QUANDO MARIA BADALA A TERRA TREME; e na verdade disso nós tomamos nosso grito de guerra, o qual era ‘Maria badala’; de alguma forma realmente justificado, pois na última vez que Maria badalou, naquele dia antes do anoitecer houve quatro mil corpos enterrados, corpos que não usavam nem cruz nem lírio.

Então Arnald deu-me a incumbência de dizer ao abade para fazer com que os sinos [da igreja de] Maria dobrassem por uma hora antes da reunião daquele dia. O abade curvou-se sobre meu ombro, enquanto eu estava de pé no interior da torre e olhava para doze monges pondo as mãos nas cordas. Muito acima, no escuro, eu vi a roda antes que ela começasse a girar ao redor, de um lado para o outro; então ela moveu-se um pouco. Os doze homens curvaram-se sobre o solo, e um rugido ergueu-se que sacudiu a torre da base ao cata-vento. Para frente e para trás varreu a roda, enquanto Mary agora olhava para baixo em direção à terra, agora olhava para cima para o cone sombrio do pináculo, carregava através das barras de luz a partir das janelas que se projetavam. E o trovão de Mary foi pego pelo vento, carregado através de toda a região e, quando o senhor de casa ouvia-o, ele dizia adeus à esposa e ao filho, pendurava escudo em suas costas, e avança com a lança inclinada sobre o ombro; e muitas vezes, conforme ele andava em direção à boa cidade, ele apertava o cinto que ficava ao redor de sua cintura para ele pudesse andar mais rápido, tão [171]longo e furiosamente Maria badalava. E antes que o grande sino Maria parasse de badalar, todos os caminhos estavam cheios de homens armados.

Mas em cada porta da igreja de Santa Maria estava de pé uma fileira de homens armados com machados e, quando qualquer um chegava tencionando entrar na igreja, os dois primeiros daqueles segurariam os machados deles, cujos os cabos eram quase quatro pés de comprimento, sobre sua cabeça & perguntar-lhe-iam: ‘Quem veio por cima da lua na última noite?’ Então, se ele não respondessem nada, ou aleatoriamente, eles ordenar-lhe-iam voltar; o que ele, pela maior parte, estaria inclinado o suficiente a fazer. Mas alguns, esforçando-se para atravessar aquela fileira de homens, eram mortos abertamente. Mas, se ele fosse um daqueles que eram da Casa dos Lírios, ele responderia àquela questão: ‘Maria e joão.’

Pela hora em que a reunião começou a igreja inteira estava cheia, e na nave e no transepto dali estavam três mil homens, todos de nossa Casa e todos armados. Mas Arnald e eu mesmo, o Escudeiro Hugh e alguns outros sentamos debaixo de um dossel franjado de ouro próximo ao coral; e o abade disse a missa, tendo sua mitra sobre a cabeça. Porém, enquanto eu assistia-o, pareceu a mim que ele devia ter algo abaixo de suas vestimentas de sacerdote, pois ele parecia muito mais gordo que o usual, sendo realmente um homem alto e ágil. Agora, enquanto eles entoavam a Kyrie alguém bradou da outra extremidade da igreja: ‘Meu senhor Arnald, eles estão massacrando nosso povo lá fora;’ pois de fato toda a praça ao redor estava [172]cheia de nosso povo, o qual, devido à pressão, não fora capaz de entrar, e estavam de pé acolá em, um pavor não pequeno do que podia vir a ocorrer.

Então o abade virou do altar, e começou a bulir com os fechos de seus ricos robes. E eles fizeram um caminho estreito para nós subindo até a porta ocidental; então eu coloquei meu elmo, e nós começamos a subir a nave; em seguida a canto dos monges e tudo parou. Eu ouvi um tinido e um zumbido de vozes no coral; virei e vi que o brilhante sol do meio-dia estava brilhando sobre o ouro das vestimentas dos sacerdotes conforme eles deitavam no chão, e na cota de malha que os sacerdotes carregavam. Então nós paramos; os portões do coral viraram abertos, e o abade marchou para fora na vanguarda de seus homens, todos inteiramente armados, começaram a cantar o salmo Exsurgat Deus.

Quando nós chegamos à porta ocidental, havia de fato um tumulto, mas ainda não [um] massacre. A praça estava completamente tremeluzente com aço, & nós contemplamos um grande corpo de cavaleiros, à vanguarda deles Harald Vermelho e o Rei, pondo-se de pé contra nós. Mas [quanto a] nosso povo, pressionado contra as casas & para os cantos da praça, alguns estavam lutando para entrar pelas portas, alguns fora de si mesmos com ira, gritando para os outros investirem; além disso, alguns estavam pálidos, e alguns estavam vermelhos com o sangue que se reunira na face colérica deles. Então Arnald disse para aqueles ao redor dele: ‘Levantem-me’. Assim eles colocaram um grande escudo sobre duas lanças, esses quatro [173]homens suportaram, e em cima Arnald colocou-se de pé e olhou fixamente ao redor de si. Agora o Rei estava sem elmo, e seu cabelo branco (pois ele era um homem velho) voava para baixo, atrás dele, até sua sela; mas o cabelo de Arnald estava cortado curto e era vermelho. E todos os sinos badalaram. Então o Rei disse: ‘Oh Arnald dos Lírios, resolverás tu esta disputa através do julgamento de Deus? E Arnald empurrou o queixo para cima e disse: ‘Sim’.Como então? disse o Rei, e onde? ‘Agradar-te-ás tentar agora? disse Arnald. Então o Rei entendeu o que ele quis dizer, e tomou na mão de trás as longas madeixas de cabelo branco, torcendo-as ao redor da mão em sua ira; contudo não disse palavra nenhuma, até que, eu suponho, seu cabelo colocou-o na intenção de alguma coisa e ele ergue-o e exclamou alto: Oh cavaleiros, ouçam este traidor! No que de fato as lanças começaram a moverem-se ameaçadoramente. Mas Arnald falou: Oh vocês, rei e senhores, o que nós temos de fazer com vocês? Nós não eramos livres no tempo antigo, acima, em meio as colinas ali? Portanto cedam, e nós iremos para as colinas novamente, e se qualquer homem tentar parar-nos, o sangue dele estará sobre sua própria cabeça. Portanto agora (e ele virou-se) todos vocês da Casa do Lírio, soldados e monges igualmente, avancemos juntos nada temendo, pois eu penso que aqui não há osso o suficiente ou músculo o suficiente nesses camaradas aqui, que têm um rei para quem sobretudo eles deveriam parar-nos, somente pele e gordura. E verdadeiramente nenhum homem atreveu-se a parar-nos e nós prosseguimos.

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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Hollow Land. A Tale. Chapter I. Struggling in the world. in:______. The Hollow Land and Other Contributions to the Oxoford and Cambridge Magazine by William Morris. London: 1903. pp.154-173. Disponível em: https://archive.org/details/hollowlandotherc00morrrich/page/154/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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