A História da Planície Cintilante - Capítulo I Daqueles Três que vieram à Casa do Corvo

 [07]Foi dito que uma vez houve um jovem de parentesco livre e cujo o nome era Hallblithe: ele era justo, forte e experimentado em batalha; ele era da Casa do Corvo do tempo antigo.

Esse homem amava uma donzela extremamente bela chamada de Hostage, que era da casa da Rosa, em que era direito e devido que os homens do Corvo devessem casar.

Ela não o amava menos, e nenhum homem dentre os parentes negava-lhes o amor, e eles estavam para ser casados na noite do Solstício de Verão.

Mas em um dia do início da primavera, quando os dias ainda eram curtos e as noites longas, Hallblithe [08]sentou-se diante da varanda da casa alisando um bastão de cinzas para sua lança, e ele ouviu o som de cascos-de-cavalo aproximando-se, e ele olhou e viu pessoas cavalgando em direção à casa; e logo eles cavalgaram através do portão do pátio; e não havia nenhum homem apenas ele perto da casa, então ele levantou-se e foi encontrá-las, e ele viu que eles eram somente trés em companhia: eles tinham armas com eles, e seus cavalos eram dos melhores; mas ele não eram companhia para um homem temer; pois dois deles eram velhos e débeis, e o terceiro era sombrio e triste, e de aspecto curvado: parecia como se eles tivessem cavalgado de longe e rapidamente, pois as esporas estavam ensanguentadas e seus cavalos completamente suados.

Hallblithe saúdo-os gentilmente e disse: “Vós sois viajantes, e talvez vós tendes de cavalgar mais além; então descei [dos cavalos] e vinde para dentro da casa, e tomai [algo] para comer e [algo] para beber, e feno e milho para seus cavalos também; e então se vós necessitardes ter de cavalgar em seu caminho, partirdes quando vós estiverdes descansados; ou senão, se vós podeis, então permanecei aqui durante a noite, e ide em vossos caminhos amanhã, e enquanto isso o que é nosso deve ser de vocês, e tudo deverá ser livre para vocês.”

Então falou o mais velho dos anciãos numa voz alta e serena: “Jovem, nós agradecemos-te; mas apesar de [que] os dias de primavera estejam [09]crescendo, as horas das nossas vidas estão minguando; tampouco nós podemos esperar, a menos que tu possa verdadeiramente nos dizer que esta é a Terra da Planície Cintilante: e se assim for; então não tardes, conduze-nos a teu senhor, e talvez ele faça-nos contentes.

Falou aquele que de algum um pouco menos acometido de anos do que o primeiro: “Obrigado a ti! Mas nós precisamos de algo mais do que carne e bebida, quer dizer a Terra dos Homens Vivos. E Oh! Mas o tempo aperta.”

Falou o triste e pesaroso camponês: “Nós buscamos pela Terra onde os dias são muitos: tantos que aquele que se esqueceu de como rir, pode aprender o ofício novamente, e esquecer-se dos dias de Tristeza.”

Então todos eles três clamaram em voz alta e disseram:

Esta é a Terra? Esta é a Terra?”

Mas Hallblithe maravilhou-se, e ele riu e disse: “Viajantes, olhai sob o sol, para baixo, [para] a planície que se estende entre as montanhas e o mar, e vós deveis contemplar os prados todos brilhando com os lírios de primavera; contudo, nós não chamamos isso de Planície Cintilante, mas Cleveland à Beira-mar. Aqui os homens morrem quando a hora deles chega, tampouco eu sei se os dias de vida deles são longos o suficiente para o esquecimento das dores; pois eu sou jovem e ainda não um consorte da dor; mas isto eu sei, que eles são longos o suficiente para a realização de feitos que não devem morrer. E por [10]Senhor, eu não conheço essa palavra, pois nós moramos aqui, os filhos do Corvo, em boa sociedade, com as nossas esposas que nós casamos, e nossas mães que nos deram a luz, e nossas irmãs que nos servem. Novamente, eu ofereço-lhes: descei de seus cavalos, e comei e bebei, e casai; e partirdes quando vós desejardes, para procurar pela terra que vós desejais.”

Eles escassamente olharam para ele, mais clamaram conjunta e pesarosamente:

Esta não é a Terra! Esta não é a Terra!”

Não mais do que isso eles disseram, mas tornaram-se para seus cavalos e cavalgaram através do portão do pátio, e fazendo barulho subiram a estrada que leva à passagem das montanhas. Mas Hallblithe escutou com atenção ponderando, até que o som de cascos-de-cavalo desapareceu, e então voltou a seu trabalho: e era então duas horas depois do meio dia.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.7-10. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/7/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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