Poço de Lindenborg

 

[141]Uma vez eu li com temperamento indolente a Mitologia do Norte de Thorpe, em uma gélida noite de Maio, quando o vento norte estava soprando; com temperamento indolente, mas, quando eu cheguei ao conto que está aqui ampliado, havia algo nele que fixou minha atenção e fez-me pensar nele; e se eu pensasse nele ou não, meus pensamentos corriam nessa direção, como aqui segue. Então eu senti-me obrigado a escrever, e escrevi adequadamente, e, quando chegou a hora em que terminei, a luz cinzenta preencheu todo a minha sala; então apaguei minhas velas, e fui para cama, não sem medo e tremendo, pois o crepúsculo matutino é tão estranho e solitário. Isto é o que eu escrevi.

Sim, sobre aquela noite negra, com aquele vento norte selvagem e instável uivando, embora fosse o mês de Maio. Sem dúvida estava sombrio o suficiente na floresta, onde os galhos colidiam estranhamente, e onde, como o viajante apressava-se ao longo daquele lugar, formas estranhas meio [que] se mostravam a si mesmas a ele, mais terríveis porque meio vistas daquele modo. Sombrio o suficiente, sem dúvida, nos amplos pântanos onde o grande vento tinha tudo à sua própria maneira. Sombrio nos rios que rastejavam sem parar entre as terras pantanosas, rastejando através dos salgueiros, a água escorregando através das comportas, soando fracamente em meio às rajadas do vento. Ainda [assim] claramente em nenhum lugar tão sombrio quanto próximo daquele poço calmo.

[142]Eu joguei-me ali [mesmo] no chão, completamente exausto com minha luta contra o vento, e com o suportar de braças e mais braças do encanamento muito bem chumbado que se estende ao meu lado. Feroz como o vento estava, ele não poderia elevar as águas de chumbo do poço terrível, defendidas como elas eram por íngremes bancos de úmida argila amarela, horrivelmente listradas aqui e ali com pavorosamente incertos verde e azul. Eles disseram que nenhum homem poderia penetrá-lo; e ainda assim, por todos os lados, ao redor das arestas dele cresceu uma colheita espessa de tristes juncos e carriços, alguns redondos, alguns chatos, mas nenhum nunca florescendo como as outras coisas floresciam, nunca morrendo e sendo renovadas, mas sempre a mesma ordem rígida de ininterruptos juncos e carriços, alguns redondos, alguns chatos. Difíceis para mim foram as três árvores sem folhas e feias; feitas, parecia, unicamente para o vento passar por dentro, com um sussurro selvagem, em noites como estas; e por uma milha daquele lugar não havia outras árvores.

Verdadeiro, eu não podia ver tudo isso então, daquela vez, na noite escura, mas eu sabia bem que estava tudo lá; por muito que eu estudei esse poço durante o dia, tentando aprender o segredo dele; muitas horas eu despendi lá, feliz com um tipo de felicidade, porque esquecido do passado. E mesmo agora, eu não poderia ouvir o vento indo através dessas árvores, como se nunca tivesse ido através de qualquer árvore antes ou desde? Eu não poderia ver vislumbres do lúgubre pântano? Eu não poderia ouvir aqueles juncos há pouco pegos pelo vento, batendo um contra o outro, os achatados [143]lutando durante todo o tempo com os redondos? Eu não poderia ouvir, além disso, o lento gotejar das pequenas nascentes através dos bancos de argila?

O frio, o horror gélido do local foi demais para mim; eu nunca tinha estado lá à noite antes, ninguém tinha por um tempo bastante longo, e agora chegar em tal noite! Se tivesse havido alguma lua, o lugar pareceria mais com o que parecia durante o dia; além disso, a lua brilhando sobre a água é sempre tão bela, mesmo em qualquer água: se tivesse havido luz das estrelas, alguém poderia ter olhado para elas e pensado no tempo quando estes campos eram férteis e belos (pois um tempo assim se foi, eu estou certo), quando as primaveras cresciam misturada com a grama, e mesmo quando havia a promessa de milho de um amarelo agitado colorido com papoulas; aquele tempo que as estrelas haviam visto, mas que nós nunca tínhamos visto, que mesmo elas nunca mais verão novamente: tempo passado!

Ah! O que foi isso que tocou meu ombro? Sim, eu vejo, somente uma folha morta. Sim, estar aqui também, neste oito de Maio, dentre todas as noites do ano, a noite daquele terrível dia quando dez anos atrás eu matei-o, não imerecidamente, Deus sabe, ainda assim quão terrível foi! Outra folha! E outra! Estranho, essas árvores têm estado mortas nesses cem anos, eu devia imaginar. Também, quão afiado é o vento, exatamente como se eu estivesse movendo-me para frente e encontrando-o; pois, eu estou me movendo! O que, então, eu não estou ali afinal; onde eu estou então? Há árvores; não, elas são mudas de carvalho recentemente plantadas, as mesmas [144]de onde as folhas murchas do último ano sopraram sobre mim.

Eu estive sonhando então, e eu estou em meu caminho para o lago: mas que jovem floresta! Eu devo ter perdido meu caminho; eu nunca vi tudo isso antes. Bem, eu caminharei com coragem.

Possa o Senhor ajudar meus sentidos! Eu estou cavalgando! Sobre uma mula; um sino tilinta em qualquer parte dela; o vento sopra algo com um som oscilante: algo? Em nome do paraíso, o quê? Meus longos robes negros! Por que, quando eu deixei minha casa eu estava vestido em úteis panos grossos do século dezenove.

Eu deverei enlouquecer, eu estou louco, eu estou perdido para o diabo, eu perdi minha identidade; quem sabe em que lugar, em quê era do mundo eu estou vivendo agora? Ainda assim eu estarei calmo; eu já vi todas essas coisas antes, em quadros certamente, ou algo como elas. Eu estou resignado, uma vez que isso não é pior do que aquilo. Eu sou um sacerdote então, no sombrio e distante século treze, cavalgando, por volta da meia-noite, eu devo dizer, para levar o sacramento abençoado para algum homem moribundo.

Logo eu descobri que eu não estava só; um homem estava cavalgando próximo a mim num cavalo; ele estava vestido fantasticamente, mais ainda do que o usual para aquele tempo, estando listrado em toda a parte com listras verticais de amarelo e verde, com pássaros exóticos como cegonhas exageradas em atitudes diferentes contrastando com as listras. Tudo isso eu vi através da lanterna que ele carregava, sob a luz da qual seus pervertidos olhos negros brilhavam bastante. Ele [145]passou, rolando instavelmente, muito bêbado, embora fosse o século treze; mas, estando plenamente acostumado com isso, ele sentou-se muito bem em seu cavalo. Eu observei-o, em minha própria personagem do século dezenove, com insaciável curiosidade e intenso divertimento; mas tão quieto como um sacerdote de uma longa pastagem, com desprezo e desgosto suficientes, não sem mistura com medo e ansiedade. Ele rugiu pedaços de versos burlescos enquanto acompanhava-me, canções de bebida, canções de caça, canções de roubo, canções de pecado, numa voz que soou muito acima do rugido do vento, embora este fosse alto, e rolou ao longo da estrada negra sob a qual sua lanterna negra lança espigões de luz tão longe, fazendo os demônios sorrirem. E, enquanto isso, eu, o sacerdote, dava uma olhadela para longe dele, furiosamente e de vez em quando para Aquilo que eu carregava muito reverentemente em minha mão, e meu sangue coagulava de vergonha e indignação; mas sendo um sacerdote sagaz, eu sabia bem o bastante que um sermão seria completamente desperdiçado com um homem que estava bêbado em cada dia do ano, e, mais especialmente, muito bêbado então. Então eu mantive meu paço, dizendo somente sob minha respiração: ‘Dixit insipiens in corde suo, Non est Deus. Corrupti sunt et abominabiles facti sunt in studiis suis; non est qui faciat bonum, non est usque ad unum: sepulchrum patens est guttur eorum; linguis suis dolose agebant, venenum aspidum sub labiis eorum. Dominum non invocaverunt; illic trepidaverunt timore, ubi non erat timor. Quis dabit ex Sion salutare Israel?’ [146]E assim eu continuei, pensando também as vezes no homem que estava morrendo e que eu estava próximo de ver: ele foi um barão audaz, mau e saqueador, mas era dito ultimamente que tinha alterado seu modo de viver, tendo visto um milagre ou alguma coisa assim. Recentemente, ele tinha partido para cuidar de um torneio perto de seu castelo, mas tinha sido trazido de volta ferido (assim este servo bêbado, com alguma dificuldade e muita alegria inoportuna, tinha feito-me entender), e agora deita-se no ponto de morte, provocado por cuidado inábil e [coisa] semelhante. Então eu pensei em sua face; uma face má, muito má, testa recuada, pequenos olhos cintilantes, maxilar inferior projetado. E uma voz tão grande ele tinha, também! Como o grunhido de um javali principalmente. Agora você não acha estranho que esta face deva ser a mesma, na realidade a mesma face do meu inimigo, morto naquele mesmo dia dez anos atrás? Eu não o odiei, ou aquele homem ou o barão, mas eu quis ver tão pouco dele quanto possível, e eu esperei que a cerimônia estivesse logo acabada, e que eu devesse estar em liberdade novamente.

E assim com esses pensamentos e muitos outros, mas tudo pensado estranhamente duplicado, nos fomos juntos, o varlete estando tão bêbado para tomar muito conhecimento de mim, somente uma vez, enquanto ele estava cantando algum verso burlesco como este, eu penso, fazendo concessões pela mudança de linguagem e assim por diante:

[147]“O Duque foi a Treves

Em primeiro de Novembro;

Sua esposa ficou em Bonn...

Deixe-me ver, eu lembro;


Quando o Duque voltou

Para procurar sua esposa,

Nós chegamos de Colônia,

E tomamos a vida do Duque;


Nós o perduramos meio alto

Entre o pináculo e o pavimento,

Dos lábios deles caíram o repolho

De Carlos com espanto.”

Boo… hoo! Rato de igreja! Camundongo de igreja! Hilloa, Sacerdote! Você comprou a píxide, eh?” Devido a uma causa ou outra ele parecia pensar que essa era uma excelente piada, pois ele quase gritava com uma risada enquanto nós íamos; mas por esta hora nós tínhamos alcançado o castelo. Provocação e contraprovocação, e nós atravessamos o portão externo e começamos a passar por alguns dos pátios, nos quais ficavam de pé árvores de limão aqui e ali, ternamente crescendo verdes durante o mês de Maio, embora o vento mordia tão intensamente.

Novamente, quão estranho! Enquanto eu ia mais longe, ali não parecia dúvida disso; aqui, depois de [um] tempo, aquele poço voltou, como, eu não sabia; mas nos poucos minutos que nós estivemos cavalgando do portão exterior à varanda do castelo eu pensei tão intensamente sobre a [148]causa provável da existência daquele poço, que (quão estranho!) eu podia quase ter pensado que estava de volta ouvindo o escoamento das pequenas nascentes através dos altos bancos de argila dali. Eu fui despertado daquilo, antes que ficasse muito forte, pelo brilho de muitas tochas, e, desmontando, encontrei-me no meio de uns vinte criados, com faces coradas e olhos selvagemente brilhantes, os quais eles estavam em vão tentando suavizar devido à solenidade. Falsa solenidade, eu quase disse, pois eles não pareciam pensar ser necessário aparecer [de modo] realmente solene, e tinham dificuldade suficiente em não prolongar indefinidamente o grito de risada com o qual eles tinham primeiramente me cumprimentado. “Leve o santo padre ao meu Senhor”, disse um ao menos, “e nós iremos com ele.”

Então eles guiaram-me escadas a cima para dentro da câmara maravilhosamente mobiliada; a luz oriunda de pesadas velas de cera foi agradável para meus olhos depois da fumaça vermelha brilhante e retorcida das tochas de pinheiro; mas todas as fragrâncias dispersas pela câmara não foram suficientes para dominar a respiração ardente daqueles sobre mim. Eu coloquei as alvas e a estola que eles trouxeram-me, e, antes [que] eu fosse ao homem doente, olhei em volta para aqueles que estavam nos quartos; pois os quartos abriam-se um para dentro do outro através de muitas portas, sobre as quais se penduravam linda tapeçaria. Todos os quartos pareciam ter muitas pessoas, pois algumas estavam de pé em suas portas, e algumas passavam para lá e para cá, balançando para o lado as pesadas tapeçarias. Uma vez várias [149]pessoas de uma vez só, aparentemente quietas por acidente, puxaram para o lado quase todos os véus das portas, e mostraram uma perspectiva sem fim de beleza.

E com essas coisas meu coração enfraqueceu de terror. “Não tinham os Judeus de antigamente”, pensei eu, o sacerdote, “sido muito bem do hábito de crucificar crianças em zombaria do Mais Sagrado, celebrando banquetes suntuosos enquanto eles assistiam aos pobres inocentes morrer? Esses homens são ateus, você está numa armadilha; ainda assim desista de si mesmo como um homem.”

Ah, agudo”, pensei eu, o autor, “onde você está, afinal? Tente orar como um teste. Bem, bem, essas coisas são estranhamente como diabos. Oh homem, você têm falado frequentemente de bravura, agora é sua vez de praticá-la: de uma vez por todas confiar em Deus, ou eu temo [que] você esteja perdido.'

Alias isso aumentou meu horror [de] que não houvesse o aspecto de uma mulher em todas essas salas; e ainda assim não havia? Lá, aquelas coisas… Eu olhei mais atentamente; sim, sem dúvida elas eram mulheres, mas todas vestidas como homens; que lugar horrível! “Oh homem! Cumpre o teu dever”, meu anjo disse; então apesar dos olhos injetados de sangue de homens e mulheres ali [presentes], apesar de suas aparências corajosas, eles vacilaram diante de mim.

Eu dei um passo acima, para o lado da cama, onde, sob a coberta de veludo, deita-se o moribundo homem, seus olhos cintilantes pequenos (mas embotados agora pela morte próxima) somente mostrando-se acima das envolturas. Eu estava para me ajoelhar ao lado da cama para ouvi-lo em confissão, quando [150]uma daquelas… coisas… bradou (agora eles estavam somente sussurrando e rindo baixo juntos, mas o sacerdote em seu reto, bravo desprezo não olharia para eles; o humilde autor, meio temeroso, meio confiante, não ousou): então um deles bradou: “Senhor sacerdote, por três dias, nosso mestre não falou nenhuma palavra articulada; você deve passar por alto todos os detalhes; peça somente por um sinal.”

Tal pavorosa suspeita brilhou em mim então; mas eu a sufoquei, e perguntei ao homem moribundo se ele se arrependia de seus pecados, e se ele acreditava que tudo aquilo era necessário para a salvação, e, se então, para fazer um sinal, se ele fosse capaz. O homem moveu-se um pouco e gemeu. Então eu tomei isso por um sinal, como ele estava claramente incapaz ou de falar ou de mover-se, e adequadamente comecei o serviço para a administração dos sacramentos. Enquanto eu começava, aqueles atrás de mim e por todas as salas (eu sei era por todas elas) começaram a mover-se em volta, em um movimento desconcertante semelhante à dança, labiríntico e intricado. Sim, logo música começou através de todas as salas, música e canto, animado e alegre. Muitas das melódias eu tinha ouvido antes (no século dezenove): eu poderia ter jurado uma meia dúzia de polcas.

As salas encheram-se de pessoas; elas atravessaram densa e velozmente entre as salas, e as tapeçarias sendo continuamente farfalhadas; um velho gordo com uma grande barriga rastejou sob a cama onde eu estava, bufou e riu ali [mesmo], gargalhando [151]e falando para alguém que se abaixou e levantou as tapeçarias para olhar para ele.

Ainda mais e mais pessoas falando e cantando e gargalhando e rodopiando ao redor, até meu cérebro deu voltas, e eu escassamente sabia o que eu fiz. Ainda [assim], de alguma forma, eu não podia deixar [o lado da cama]; eu não me atrevi nem mesmo a olhar sobre meu ombro, temendo que eu pudesse ver alguma coisa tão horrível para me fazer morrer. Então eu tive sucesso com o serviço, e ao menos tomei a píxide, e retirei a água sagrada; depois disso houve um profundo silêncio por todas as salas, o que me perturbou, eu penso, mais do que tudo que tinha ocorrido antes, pois eu sabia bem que isso não podia significar reverência. Eu segurei, aquilo que eu considerava tão sagrado, quando lo! Grande riso, ecoando como estrondos de trovões através de todas as salas, não sendo embotado por tapeçarias em véus, pois todas elas foram erguidas de uma vez: e, com uma lenta agitação das ricas roupas dentre as quais ele estava deitado, com um som que era metade rosnado, metade grunhido, com um corpo desamparado envolto em roupas de cama, um grande porco que eu estive ouvindo em confissão separou a Coisa Sagrada de mim, cortando profundamente minha mão com presa e dente, assim o sangue vermelho correu rápido no chão. Além disso, ele rolou sobre o solo, e deitou-se lá impotente, somente capaz de rolar para lá e para cá, por causa das faixas. Então, imediata e loucamente soou a risada intolerável, elevando-se a gritos que eram mais temerosos do que qualquer grito de agonia que eu jamais ouvira. As centenas de pessoas [152]através de todas aquelas grandes salas dançaram e rodearam-me, gritando, orlando-me com braços entrelaçados, as mulheres perdendo seus longos cabelos e empurrando para frente as suas faces horrivelmente sorridentes e sem sexo, em minha direção até que eu sentisse sua respiração quente. Oh! Como eu odeio todos eles! Quase odeio toda a humanidade por causa deles; como eu ansiei poder abandonar todos os homens; dentre quem, como pareceu, as coisas sagradas sempre foram feitas de escárnio. Eu olhei-me ferozmente, saltei para frente, e agarrei uma espada do cinto dourado de um daqueles que estavam de pé próximos a mim; com golpes selvagens que jorraram sangue sobre as paredes douradas e as tapeçarias bem sobre as cabeças dessas… coisas… Eu limpei-me deles, e rompi insanamente as grandes escadas abaixo, ainda assim não pude, como em um sonho, ir rápido o bastante, por causa de minha paixão.

Logo, eu estava fora, no pátio entre as árvores de limão, o vento norte soprando frescamente em minha testa quente naquele amanhecer. O portão exterior estava trancado e aferrolhado; eu inclinei-me, levantei uma pedra grande e lancei-a na fechadura com toda a minha força, e eu era mais forte do que dez homens então; ferro e carvalho cederam com o impacto, e através das ásperas lascas eu rompi em fúria imprudente, como um cavalo selvagem através de uma cerca de aveleiras.

E ninguém me perseguiu. Eu ajoelhei-me sobre a querida relva verde do lado de fora, e agradeci a Deus com olhos lacrimejantes por minha libertação, implorando-Lhe perdão por minha participação involuntária na zombaria [153]desta noite. Então, eu ergui-me e virei-me para ir [embora], mas, mesmo enquanto o fazia, eu ouvi um rugido, como se o mundo estivesse partindo-se em dois, e olhando em direção ao castelo, vi, não um castelo, mas uma grande nuvem de poeira de lima branca balançando deste modo e daquele nas rajadas do vento. Então, enquanto o oriente tornava-se brilhante, lá surgiu um assobio, um ruído gorgolejante, que cresceu [na forma] do rugido e da lavagem de muitas águas, e nessa altura o sol tinha feito surgir um profundo lago negro que se assentava diante de meus pés. E isso é como eu tentei penetrar no Poço de Lindenberg.


ORIGINAL:

MORRIS, W. Lindernborg Pool. in:______. The Hollow Land and Other Contributions to the Oxoford and Cambridge Magazine by William Morris. London: 1903. pp.141-153. Disponível em: https://archive.org/details/hollowlandotherc00morrrich/page/141/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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