Uma História da Idade da Pedra
Por H. G. Wells
[61]I Ugh-Lomi e Uya
Esta história é de um tempo além da memória do homem, de antes do começo da história, de um tempo quando alguém podia ter caminhado sem molhar os pés da França (como nós chamamos agora) à Inglaterra, quando um largo e lento Tâmisa fluía através de seus pântanos para encontrar seu pai Reno, fluindo através de uma larga e plana região que está debaixo da água nestes últimos dias, e a qual nós conhecemos pelo nome de o Mar do Norte. Naquela era remota, o vale que corre ao longo do pé dos Downs ainda não existia, e o sul de Surrey era uma cadeia de colinas, coberta por abetos nas encostas médias e coberta de neve pela maior parte do ano. Os núcleos dos seus cumes ainda permanecem como Leith Hill, e Pitch Hill e Hind-head. Sob as encostas inferiores da cadeia, abaixo dos espaços gramados onde os cavalos selvagens pastavam, ficavam florestas de teixo, castanha doce e ulmeiro, e as matas e lugares escuros escondiam o [62]urso pardo e a hiena, e os macacos cinzentos escalavam através dos galhos. E ainda mais abaixo, em meio ao bosque e brejo e grama aberta ao longo do Wey, este pequeno drama desenrolou-se até o final que eu tenho de contar. Foi há cinquenta mil anos, cinquenta mil anos – se o cálculo dos geólogos está correto.
E naqueles dias a primavera era tão alegre quanto é agora, e enviava o sangue correndo exatamente do mesmo modo. O céu da tarde era azul com brancas nuvens empilhadas navegando através dele, e o vento sudoeste vinha como um carinho suave. As andorinhas recém-chegadas conduzidas para lá e para cá. Os limites do rio estavam cobertos com ranúnculos brancos, os lugares pantanosos estavam estrelados com agriões-dos-prados e iluminados com alteias onde quer que os regimentos de junça baixavam suas espadas, e os hipopótamos, monstros negros brilhantes, movendo-se na direção norte, exibindo-se desajeitadamente, chegavam tropeçando e estragando através de tudo, regozijando-se sombriante e possuídos por uma ideia clara, esparrinhar o rio enlameado.
Rio acima e bem à vista dos hipopótamos, um número de pequenos animais de cor amarelada brincava na água. Não havia nenhum medo, nenhuma rivalidade, e nenhuma inimizade entre eles e os hipopótamos. Enquanto os grandes volumes vinham esmagando através dos juncos e esmagavam o [63]espelho da água em respingos prateados, essas pequenas criaturas bradavam e gesticulavam com alegria. Era o sinal mais certo da alta primavera. “Boloo!” eles gritavam. “Baayah. Boloo!” Eles eram filhos do povo dos homens, a fumaça do acampamento dos quais subia a partir da colina na curva do rio. Jovens de olhos arregalados eles eram, com cabelo emaranhado e pequenos rostos travessos de amplos narizes, cobertos (como algumas crianças são cobertas mesmo hoje em dia) com uma delicada descida de cabelo. Eles eram estreitos em seus quadris e longos em seus braços. E suas orelhas não tinham lóbulos, e tinham pequenos lábios pontudos, uma coisa que ainda, em ocasiões raras, sobrevive. Vívidos pequenos nômades completamente nus, tão ativos quanto macacos e tão cheios de conversa, embora um pouco carentes em palavras.
Os anciões deles estavam escondidos dos hipopótamos chafurdantes pela crista do pequeno monte de terra. O lugar de agachamento humana era uma área pisoteada entre as mortas frondes marrons de samambaia real, através das quais as jovens frondes do crescimento deste ano estavam desenrolando-se para a luz e o calor. A fogueira era uma pilha fumegante de carvão, cinza claro e preto, reabastecida pela velha mulher de tempos em tempos com folhas marrons. A maior parte dos homens estavam adormecidos – eles dormiam assentando suas testas sobre seus joelhos. Eles tinham matado uma boa caça naquela manhã, [64]suficiente para todos, um veado que tinha sido ferido por cães de caça; de modo que não tinha havido nenhuma confusão entre eles, e algumas das mulheres ainda estavam roendo os ossos que jaziam espalhados ao redor. Outros estavam juntando um monte de folhas e paus para alimentar o Irmão Fogo quando a escuridão retornasse novamente, para que ele pudesse crescer forte e alto com isso, e protegê-los contra as bestas. E dois deles estavam empilhando pedras que eles trouxeram, uma braçada por vez, da curva do rio, onde as crianças estavam brincando.
Nenhum daqueles selvagens de pele amarelada estava vestido, mas alguns usavam ao redor de seus quadris cintos grosseiros de pele de víbora ou crepitavam com a pele despida, da qual pendiam pequenas bolsas, não feitas, mas despedaçadas a partir das patas das bestas, e carregando as pedras rudemente arranjadas que eram as armas e as ferramentas dos homens. E uma mulher, a companheira de Uya, o homem astuto, usava um maravilhoso colar de fosseis perfurados – que outras tinham usado antes dela. Ao lado de alguns dos homens adormecidos, estava as grandes galhadas do alce, com as pontas desabastadas até extremidades afiadas, e longos bastões, cortados nas pontas com pedras em pontas afiadas. Havia pouco mais além dessas coisas e do fogo fumegante para destacar esses seres humanos dos animais selvagens [65]que vagueavam pela região. Mas Uya, o astuto, não dormia, apenas se sentava com um osso em sua mão e ocupando-se ali com uma pedra, uma coisa que nenhum animal faria. Ele era o homem mais velho na tribo, com sobrancelhas projetadas, prógnato, de braços magros; ele tinha barba e suas bochechas eram peludas, e seu pelo e braços eram negros com pelo grosso. E em virtude tanto da sua força quanto da sua astúcia, ele era o mestre da tribo, e sua parte sempre era a maior e a melhor.
Eudena tinha escondido a si mesma entre os amieiros, porque ela estava com medo de Uya. Ela ainda era uma garota, e os olhos dela eram brilhantes e o sorriso dela agradável de ver. Ele tinha dado a ela uma peça do fígado, uma peça de homem, e um regalo maravilhoso para uma garota obter; mas enquanto ela o recebia, a outra mulher com o colar tinha olhado para ela, uma olhada maligna, e Ugh-lomi tinha feito um barulho em sua garganta. Diante disso, Uya tinha olhado para ele longa e firmemente, e o rosto de Ugh-lomi tinha abrandado. E então Uya olhou para ela. Ela ficou assustada e tinha se movido sorrateiramente para longe, e Uya ficou ocupado com a medula de um osso. Mais tarde ele tinha perambulado para lá e para cá como procurando por ela. E agora ela estava acocorada em meios aos amieiros, ponderando fortemente sobre o que Uya poderia estava fazendo com a [66]pedra e o osso. E Ugh-lomi não era visto.
Dentre em pouco um esquilo veio saltando através dos amieiros, e ele lançava-se tão quietamente que o pequeno homem estava a seis pés dele antes que ele o visse. No que ele arremessou uma haste para cima com pressa e começou a tagarelar com ele e a repreendê-lo. “O que você está fazendo aqui,” ele perguntou, “longe das outras feras homens?” “Paz,” disse Eudena, mas ele apenas tagarelava mais, e então ela começou a quebrar pequenos cones negros para jogar nele. Ele desviava-se e desafiava-a, e ela animou-se e ficou de pé para arremessar melhor, e então ela viu Uya descendo a colina. Ele tinha visto o movimento do braço pálido dela em meio à mata – ele era muito perspicaz.
Diante daquilo ela esqueceu o esquilo e fugiu através dos amieiros e dos juncos tão rápido quanto ela podia ir. Ela não se importava para onde fosse, contanto que escapasse de Uya. Ela chapinhou através de um lugar pantanoso, e viu diante dela uma encosta de samambaias – tornando-se mais finas e verdes enquanto elas passavam de fora da luz para dentro da sombra das jovens castanheiras. Logo ela estava em meio às árvores – ela era de pés muito rápidos e correu sem parar até que a floresta fosse velha e os vales grandes, e as videiras ao redor dos seus troncos onde a luz vinha [67]eram espessas como jovens árvores, e os cordões de era, firmes e apertados. Assim ela seguiu e dobrou de velocidade e dobrou novamente e então, finalmente, deitou-se em meio a algumas samambaias em um espaço vazio próximo de uma mata, e escutou com o seu coração batendo em seus ouvidos.
Logo ela ouviu pegadas farfalhando entre as folhas mortas, muito longe, e elas desaparecerem e tudo ficou calmo novamente, exceto pelo escândalo dos mosquitos – pois a noite estava aproximando-se – e o sussurro incessante das folhas. Ela riu silenciosamente ao pensar que o astuto Uya deveria ir em busca dela. Ela não estava assustada. Algumas vezes, brincando com outras garotas e rapazes, ela tinha fugido para dentro do bosque, embora nunca tão longe quanto isto. Era agradável estar escondida e sozinha.
Ela deitou-se um longo tempo ali, feliz pela sua fuga, e depois ela se sentou escutando.
Era um rápido tamborilar tornando-se mais alto e vindo na direção dela, e, em pouco tempo, ela podia ouvir barulhos de grunhidos e o estalar de galhos. Era um rebanho de medonhos suínos magros selvagens. Ela virou-se, pois um javali é um mau companheiro para passar perto demais, por causa do corte lateral das suas presas, e ela fugiu obliquamente através das árvores. Mas o tamborilar aproximou-se, eles não estavam se alimentando enquanto eles [68]perambulavam, mas indo rápido – ou senão eles não a alcançariam – e ela agarrou o galho de uma árvore, balançou-se nele e correu tronco acima com algum da agilidade de um macaco.
Abaixo as costas eriçadas dos suínos já estavam passando quando ela olhou. E ela sabia que os gemidos breves, agudos, deles significavam medo. Do que eles estavam com medo? Um homem? Eles estavam em uma confusão grande demais por apenas um homem.
E então, tão subitamente, isto fez mão dela no galho apertar involuntariamente; um gamo partiu do matagal e correu atrás do suíno. Mais alguma coisa passou, baixa e cinza, com um corpo longo; ela não sabia o que era, de fato, ela viu-a apenas momentaneamente através dos interstícios das folhas jovens; e então houve uma pausa.
Ela permaneceu firme e expectante, tão rígida quase como se ela fosse uma parte da árvore na qual ela estava agarrada, espiando abaixo.
Então, bem distante em meio às árvores, claro por um momento, depois oculto, depois visível até os joelhos, então desaparecido novamente, corria um homem. Ela sabia que era o jovem Ugh-lomi, pela cor do cabelo dele, e havia vermelho sobre o rosto dele. De alguma maneira, a fuga frenética dele e aquela marca escarlate fizeram ela sentir-se doente. E então mais próximo, [69]correndo pesadamente e respirando dificilmente, vinha outro homem. Inicialmente, ela não conseguia ver e, em seguida, ela viu, encurtado e claro para ela, Uya, correndo em grandes passadas e seus olhos estavam fixos. Ele não estava perseguindo Ugh-lomi. O rosto dele estava branco. Era Uya – assustado! Ele passou, e ainda estava ouvindo alto, quando mais alguma coisa, alguma coisa grande e com pelo grisalho, oscilando a frente com suaves passadas largas velozes, chegou apressado na perseguição dele.
Eudena subitamente se tornou rígida, parou de respirar, seu aperto convulsivo, e os olhos dela estremecendo.
Ela nunca tinha visto aquela coisa antes, ela nem mesmo o via claramente agora, mas ela soube imediatamente que era o Terror da Woodshade. O nome dele era uma lenda, as crianças assustariam uma a outra, assustariam a si mesmas com o nome dele, e correriam gritando para o lugar de agachamento. Nenhum homem alguma vez matou nenhum desse tipo. Mesmo o poderoso mamute temia a ira dele. Era o urso pardo, o senhor do mundo conforme o mundo então seguia.
Conforme corria, ele fazia um crescente rosnado de ronco. “Homens em minha própria toca! Luta e sangue. Na própria entrada da minha toca. Homens, homens, homens. Luta e sangue.” Pois ele era o senhor do bosque e das cavernas.
[70]Muito depois que ele tinha passado ela permaneceu, uma garota de pedra, olhando para baixo através dos galhos. Todo o poder de ação dela tinha desaparecido. Ela agarrava-se por instinto, com mãos e joelhos e pés. Levou algum tempo antes que ela pudesse pensar, e então uma coisa ficou clara na mente dela, que o Terror estava entre ela e a tribo – por isso seria impossível para descer.
Em breve, quando o seu medo diminuído um pouco, ela escalou para uma posição mais confortável, onde um grande galho bifurcava-se. As árvores erguiam-se ao redor dela, de maneira que ela não conseguia ver nada do Irmão Fogo, que fica escuro durante o dia. Os pássaros começaram a mover-se, e as coisas que tinham se escondido por medo dos movimentos dela, saiam de mansinho….
Depois de um tempo, os galhos mais altos brilharam ao toque do pôr do sol. Alto acima da cabeça as gralhas, quem eram mais sábias do que os homens, iam embora grasnando para seus lugares de agachamento em meio aos ulmeiros. Olhando para baixo, as coisas estavam mais claras e mais escuras. Eudena pensava em retornar ao lugar de agachamento; ela deixou-se descer um pouco, e então o medo do Terror da Woodshade retornou. Enquanto ela hesitava, um coelho guinchou tristemente, e ela não se atreveu a descer mais.
As sombras reuniram-se, e as profundezas da floresta começaram a agitar-se. Eudena subiu novamente a árvore [71]para ficar mais perto da luz. Abaixo, as sombras saíram dos seus esconderijos e caminhavam amplamente. Acima da cabeça, o azul intensificava. Uma quietude terrível surgiu, e então as folhas começaram a sussurrar.
Eudena tremeu e pensou no Irmão Fogo.
As sombras agora estavam se reunindo nas árvores, elas sentaram-se sobre os galhos e observaram-na. Galhos e folhas transformaram-se em formas sinistras, bastante negras, que saltariam sobre ela, se ela se movesse. Então a coruja branca, voando silenciosamente, chegou fantasmagoricamente através das sombras. Mais escuro o mundo se tornou e mais escuro, até que folhas e galhos contra o céu estavam escuros, e o chão ficou oculto.
Ela permaneceu ali durante toda a noite, uma vigília duradoura, esforçando seus ouvidos por causa das coisas que iam a baixo nas sombras, e conservando-se imóvel para que alguma besta furtiva não a descobrisse. O homem naqueles dias nunca ficava sozinho no escuro, exceto por ocasiões raras como esta. Era após era ele tinha aprendido a lição do seu terror – lição que nós, pobres filhos dele, hoje em dia, dolorosamente temos de desaprender. Eudena, embora uma mulher em idade, era como uma pequena criança no coração. Ela mantinha-se como um pobre pequeno animal parado, como uma lebre antes que isso começasse.
[72]As estrelas reuniram-se e observaram-na – seu único grão de conforto. Em uma brilhante, ela fantasiou que havia alguma coisa como Ugh-lomi. Então ela fantasiou que era Ugh-lomi. E perto dele, vermelho e mais estúpido, estava Uya, e enquanto a noite passava, Ugh-lomi fugia diante dele alto no céu.
Ela tentou ver Irmão Fogo, o qual guardava o lugar de agachamento das bestas, mas ele não estava à vista. E mais longe ela ouvia os mamutes trombeteando enquanto eles desciam para o lugar de beber, e uma vez um tamanho imenso com passadas pesadas apressou-se adiante, fazendo um barulho como um bezerro, mas o que ele era, ela não conseguiu ver. Mas ela pensou, a partir da voz, que era Yaaa, o rinoceronte, quem perfura com o nariz, segue sempre sozinho e enfurece-se sem causa.
Finalmente as pequenas estrelas começaram a ocultar-se, e, em seguida, as maiores. Era como todos os animais desaparecendo diante do Terror. O sol estava chegando, o senhor do céu, como o urso-pardo era o senhor da floresta. Eudena ponderava sobre o que aconteceria se uma estrela permanecesse para trás. E então o céu empalideceu para a aurora.
Quando a luz do dia chegou o medo de coisas espreitantes passou, e ela podia descer. Ela era firme, mas não tão firme quanto você teria sido, cara jovem dama (em virtude da sua criação), e ela não tinha sido treinada para comer [73]pelo menos uma vez a cada três horas, mas antes tinha se banqueteado frequentemente por três dias, ela não se sentia desconfortavelmente faminta. Ela desceu sorrateiramente a árvore, e seguiu seu caminho furtivamente através do bosque, e nenhum esquilo saltou ou veado pulou, apenas o terror do urso-pardo congelava a medula dela.
O desejo dela agora era encontrar seu povo novamente. O pavor dela de Uya, o astuto, foi consumido por um pavor maior da solidão. Mas ela tinha perdido a direção dela. Ela tinha corrido desatentamente durante a noite e não podia dizer se o lugar de agachamento ficava em direção ao sol ou onde ela ficava. Sempre e novamente, ela parava e escutava, e finalmente, muito longe, ela ouviu um tinido medido. Era tão fraco, mesmo na calma da manhã, que ela podia dizer que ele estava muito longe. Mas ela sabia que era de um homem afiando uma pedra.
Logo as árvores começaram a afinaram, e depois chegou a um regimento de urtigas barrando o caminho. Ela virou-se de lado e então chegou a uma árvore caída que ela conhecia, com um barulho de abelhas ao redor dela. E logo ela estava à vista da colina, muito longe, e do rio sob ela, e as crianças e os hipopótamos exatamente como eles tinham estado ontem, e a fina coluna de fumaça vacilando na brisa da manhã. [74]E ao lado do rio, muito longe, estava a aglomeração de amieiros onde ela tinha se escondido. E à vista daquilo o medo de Uya retornou, e ela moveu-se sorrateiramente para dentro de uma mata de samambaias, a partir do qual um coelho correu e parou por um tempo para observar o lugar de agachamento.
Os homens estavam em sua maioria fora de vista, exceto Wau, o talhador de pedras; e diante disso ela sentiu-se mais segura. Também algumas das mulheres estavam rio abaixo, intenções curvadas, procurando mexilhões, lagostim e caracóis aquáticos, e à vista da ocupação delas, Eudena sentiu-se faminta. Ela ficou de pé, e correu através das samambaias, planejando juntar-se a elas. Enquanto avançava, ela ouviu uma voz em meio às samambaias chamando suavemente. Ela parou. Então, subitamente, ela ouviu um farfalhar atrás dela e, virando-se, viu Ugh-lomi levantando a partir da samambaia. Havia listras de sangue marrom e areia sobre o rosto dele, e os olhos dele eram ferozes e a pedra branca de Uya, a branca Pedra de Fogo, que ninguém exceto Uya se atrevia a tocar, estava na mão dele. Em um passo grande ele estava atrás dela, e agarrou o braço dela. Ele girou-a e empurrou-a diante dele na direção dos bosques. “Uya,” ele disse, e agitou os braços ao redor. Ela ouviu um grito, olhou para trás, e viu todas as mulheres de pé, e duas caminhando com esforço para fora do córrego. Então surgiu um [75]uivo mais próximo, e a velha mulher com a barba, quem observava o fogo sobre a colina, estava agitando os braços dela, e Wau, o homem que tinha estado cortando a pedra, estava ficando de pé. As crianças pequenas também estavam apressadas e gritando.
“Venha!” disse Ugh-lomi, e arrastou ela pelo braço.
Ela ainda não entendeu.
“Uya bradou a palavra de morte,” disse Ugh-lomi, e ela deu uma olhada para trás para a penetrante curva de figuras, e entendeu.
Wau e todas as mulheres e crianças estavam vindo em direção a eles, uma variedade dispersa de figuras amareladas com cabelos desgrenhados, berrando, pulando e gritando. Sobre a colina, dois jovens apressavam-se. Abaixo, em meio às samambaias para a direita, vinha um homem afastando-os do bosque. Ugh-lomi largou o braço dela, e os dois começaram a correr lado a lado, saltando a samambaia e pisando livre e largo. Eudena, conhecendo sua rapidez e a rapidez de Ugh-lomi, riu em voz alta da perseguição desigual. Eles eram uma dupla com membros excepcionalmente em ordem para aqueles dias.
Eles logo percorreram o espaço aberto e aproximaram-se do bosque de castanheiras novamente – nenhum assustado agora porque nenhum estava sozinho. Eles abrandaram o passo deles, já não excessivo. E subitamente Eudena bradou e desviou-se, [76]apontando e olhando para cima através dos troncos de árvores. Ugh-lomi viu os pés e pernas de homens correndo na direção dele. Eudena já estava fugindo em uma tangente. E enquanto ele também se virava para a seguir, eles ouviram a voz de Uya surgindo através das árvores, e rugindo furioso com eles.
Então o terror chegou aos corações deles, não o terror que entorpece, mas o terror que deixa alguém silencioso e veloz. Eles agora estavam isolados em dois lados. Eles estavam em um tipo de canto de perseguição. À direita e perto deles, vinham os homens velozes e pesados, com o barbudo Uya, galhada em mão, liderando-os; e à esquerda, espalhadas como alguém espalha milho, amarelos apressavam-se em meio à samambaia e grama, corriam Wau e as mulheres; e mesmo as crianças pequenas do raso tinham se juntado à caçada. As duas partes convergiam sobre eles, para fora ele iam, com Eudena à frente.
Eles sabiam que não havia misericórdia para eles. Não havia caçada tão doce para esses homens antigos como a caçada de homens. Uma vez que a paixão ardente da caça fosse acesa, os débeis inícios de humanidade neles eram jogados aos ventos. E à noite, Uya tinha marcado Ugh-lomi com a palavra da morte. Ugh-lomi era a caça do dia, o banquete designado.
[77]Eles correram em linha reta – era única chance deles – aproveitando-se de qualquer que fosse o terreno que surgisse no caminho – uma extensão de urtigas ardentes, uma clareira aberta, uma moita de relva, da qual uma hiena fugiu rosnando. Então bosques novamente, longas extensões sombrias de folhas em decomposição e musgo sob os troncos verdes. Em seguida, um declive rígido, coberto por árvores, e longas vistas de árvores, uma clareira, uma suculenta área verde de lama escura, um amplo espaço aberto novamente, e então um monte de espinheiros dilacerados, com traços de bestas através dele. Atrás deles, a perseguição arrastou-se e espalhou-se, sempre com Uya nos tornozelos deles. Eudena mantinha o primeiro lugar, correndo leve e com sua respiração leve, pois Ugh-lomi carregada a Pedra de Fogo na mão dele.
Contou-se em seu ritmo – não no início, mas depois de um tempo. Os passos atrás dela subitamente se distanciaram. Espiando sobre seu ombro enquanto eles cruzavam outro espaço aberto, Eudena viu que Ugh-lomi estava muitas jardas atrás dela, e Uya perto dele, com a galhada elevada ao ar para o golpear. Wau e os outros estavam apenas emergindo a partir da sombra dos bosques.
Vendo Ugh-lomi em perigo, Eudena correu de lado, olhando para trás, lançou seus braços para cima e gritou, exatamente enquanto a galhada voava. E o jovem Ugh-lomi, esperando isso e entendendo [78]o grito dela, abaixou a cabeça, de maneira que o projétil meramente acertou levemente o seu escalpo, produzindo apenas um ferimento trivial, e voou sobre ele. Sem demora, era voltou-se, a Pedra de Fogo de quartzito em ambas as mãos, e arremessou-a diretamente no corpo de Uya enquanto ele corria solta a partir do arremesso. Uya bradou, mas não pôde se desviar dela. Ele atingiu-o debaixo das costelas, pesadas e achatadas, e ele rolou e caiu sem um grito. Ugh-lomi capturou a galhada – uma ponta dela estava manchada com seu próprio sangue – e veio novamente correndo com uma gota vermelha meramente saindo do seu cabelo.
Uya rolou duas vezes, e deitou-se um pouco antes que ele se levantasse, e depois ele não correu rápido. A cor do rosto dele estava mudada. Wau ultrapassou-o, e em seguida os outros, e ele tossiu e teve dificuldade em sua respiração. Mas continuou.
Finalmente os dois fugitivos chegaram ao banco de areia do rio, onde o córrego corria profundo e estreito, e eles ainda tinham cinquenta jardas na mão de Wau, o perseguidor mais adiantado. Ele carregava uma grande pedra, a forma de uma ostra e o dobro do seu tamanho, afiada até a borda de um cinzel, em cada mão.
Eles saltaram para baixo do banco de areia íngreme, para dentro do córrego, apressaram-se através da água, nadaram a corrente profunda em duas ou três braçadas, e saíram deslizando novamente, pingando e refrescados, para [79]escalar o banco de areia mais distante. Ele estava minado, e com salgueiros crescendo espessamente dali, de maneira que ele necessitava de escalada. E enquanto Eudena ainda estava entre os galhos prateados e Ugh-Lomi ainda na água – pois a galhada tinha sobrecarregado-o – Wau subiu contra o céu sobre o banco de areia oposto, e a pedra golpeante, arremessada astuciosamente, acertou o lado do joelho de Eudena. Ela esforçou-se até o topo e caiu.
Eles ouviram os perseguidores gritarem uns para os outros, e Ugh-lomi, escalando até ela e movendo-se aos trancos e barrancos para estragar a mira de Wau, sentiu a segunda pedra golpeante arranhar seu ouvido e ouviu a água salpicar abaixo dele.
Depois disso foi que Ugh-lomi, o rapaz, provou a si mesmo ter chegado à condição de homem. Pois correndo, ele descobriu que Eudena ficou para trás, mancando, e diante disso ele virou-se, e gritando selvagemente e com um rosto terrível com ira súbita e sangue escorrendo, correu velozmente além dela e de volta para o banco de areia, girando a galhada ao redor da cabeça dele. E Eudena continuou, ainda correndo corajosamente, embora ela tivesse de mancar a cada passo, e a dor já fosse aguda.
De modo que Wau, erguendo-se sobre a borda e agarrando-se aos galhos retos de salgueiro, viu Ugh-lomi erguendo-se como uma torre sobre ele, gigante contra [80]o azul; viu o inteiro corpo dele girar em volta, e o agarrão das mãos dele sobre a galhada. A extremidade da galhada surgiu varrendo através do ar, e ele não mais viu nada. A água sob os vimes turbilhonava e redemoinhava e tornava-se carmesim a seis pés do córrego abaixo. Uya seguindo parou à altura do joelho através do córrego, e o homem que estava nadando se virou.
Os outros homens que seguiram depois – nenhum deles era homem muito forte (pois Uya era mais astucioso do que forte, não tolerando rivais resistentes) – abrandaram momentaneamente à visão de Ugh-lomi ali acima dos salgueiros, sangrento e terrível, entre eles e a garota hesitante, com uma imensa galhada acenando em sua mão. Parecia como se ele tinha entrado na água um jovem, e saído um homem completamente crescido.
Ele sabia o que havia atrás dele. Uma ampla extensão de grama, e então um matagal, e nisso Eudena poderia esconder-se. Aquilo estava claro na mente dele, embora os seus poderes de pensamento fossem debeis demais para ver o que deveria acontecer depois. Uya permaneceu com água até os joelhos, indeciso e desarmado. A sua boca pesada pendia aberta, mostrando seus dentes caninos, e ele suspirava pesadamente. O lado dele estava avermelhado e machucado debaixo do pelo. O outro homem ao lado dele carregava um bastão afiado. O [81]resto dos caçadores subiu um por um ao topo do banco de areia, homens de braços longos agarrando pedras e bastões. Dois fugiram ao longo do banco de areia e córrego abaixo, e então moveram-se com esforço até a água, onde Wau tinha chegado à superfície esforçando-se fracamente. Antes que eles pudessem alcançá-lo, ele desceu ao córrego novamente. Dois outros ameaçaram Ugh-lomi a partir do banco de areia.
Ele respondeu de volta, gritos, insultos vagos, gestos. Em seguida, Uya, quem tinha estado hesitando, rugiu com raiva e, girando seus punhos mergulhou na água. Os seguidores dele chapinhavam depois dele.
Ugh-lomi deu uma olhada sobre o ombro e descobriu que Eudena já desapareceu dentro da mata. Ele talvez teria esperado por Uya, mas Uya preferiu discutir na água abaixo dele até que os outros estivessem ao lado dele. As táticas humanas naqueles dias, em todo combate sério, eram as táticas do bando. A presa que alcançava a baía eles reuniam-se ao redor e precipitavam-se sobre ela. Ugh-lomi sentiu a inquietação chegando, e arremessou a galhada em Uya, virou-se e fugiu.
Quando ele parou para olhar de volta a partir da sombra da mata, ele descobriu que apenas três perseguidores tinham o seguido através do rio, e eles estavam retornando novamente. Uya, com uma boca sangrando, novamente estava no lado mais distante do [82]córrego, mas no baixo inferior, e segurando a mão dele para o lado dele. Os outros estavam no rio arrastando alguma coisa para a costa. Por um tempo, pelo menos, a perseguição estava interrompida.
Ugh-lomi permaneceu de pé observando por um espaço de tempo, e rosnou à visão de Uya. Depois ele se voltou e meteu-se dentro da mata.
Em um minuto, Eudena chegou apressada para juntar-se a ele, e eles prosseguiram de mãos dadas. Ele vagamente percebeu a dor da qual ela sofria por causa do joelho cortado e machucado, e escolheu os caminhos mais fáceis. Mas eles prosseguiram durante todo aquele dia, milha após milha, através de bosque e mata, até que, finalmente, eles chegaram à terra de giz, grama descoberta com raros bosques de faia, e a bétula crescendo próximo da água, e eles viram as montanhas Wealden mais próximas, e os grupos de cavalos pastando juntos. Eles seguiram cautelosamente, sempre mantendo perto mata e cobertura, pois esta era uma região estranha – até seus caminhos eram estranhos. Firmemente o solo subia, até que florestas de castanheiras se espalhavam amplas e azuis debaixo deles, e os pântanos do Tâmisa brilhavam prateados, altos e distantes. Eles não viram homem nenhum, pois, naqueles dias, os homens apenas tinham acabado de chegar a esta parte do mundo, e estavam movendo-se apenas lentamente ao longo dos caminhos de rio. Por volta do entardecer, eles chegaram novamente ao rio, mas agora ele corria para dentro de um vale, entre altos penhascos de [83]giz branco que algumas vezes o recobriam. Abaixo dos penhascos, havia uma moita de bétulas e havia muitos pássaros ali. E alto no penhasco ficava uma pequena casca próxima de uma árvore, onde eles escalaram para passar a noite.
Mal eles tiveram qualquer comida; não era a época do ano para amoras, e eles não tinham tempo para se desviarem para capturar ou emboscar animais. Eles pisoteavam em um silêncio cansado faminto, roendo galhos e folhas. Mas por toda a superfície dos penhascos haviam uma multidão de caracóis, e em um arbusto haviam ovos recentemente postos de um pequeno pássaro, e então Ugh-lomi atirou nele e matou um esquilo em uma faia, de maneira que, pelo menos, eles alimentaram-se bem. Ugh-lomi vigiou durante a noite, seu queixo sobre os joelhos; e ele ouviu jovens raposas chorando bem perto, e o barulho de mamutes vale abaixo, e as hienas gritando e rindo muito longe. Estava tranquilo, mas eles não se atreveram a ascender uma fogueira. Sempre que ele cochilava, seu espírito saía e ia diretamente encontrar-se com o espírito de Uya, e eles lutavam. E sempre Ugh-lomi ficava paralisado, de maneira que ele não podia nem golpear nem correr, e então ele despertava subitamente. Também Eudena sonhou coisas ruins com Uya, de modo que ambos acordaram com medo dele em seus corações, e pela luz da aurora eles viram um [84]rinoceronte pouco nítido ir desajeitadamente vale abaixo.
Durante o dia eles acariciaram um ao outro e estavam felizes com a luz do sol, e a perna de Eudena estava tão dura que ela se sentou sobre a elevação durante todo o dia. Ugh-lomi encontrou grandes pedras projetando-se da face do penhasco, maiores do que qualquer um que ele tinha visto, e ele arrastou algumas para a elevação e começou a cortar, de modo a estar armado contra Uya quando ele retornasse. E de uma ele riu de coração, e Eudena riu, e eles jogaram-na para lá e para cá em escárnio. Ela tinha um buraco nela. Eles enfiavam os dedos deles através dela, foi muito engraçado, de fato. Então eles espiavam um ao outro através dela. Subsequentemente, Ugh-lomi conseguiu um bastão para si, e por acaso enfiando-o nessa pedra tola, o bastão entrou e emperrou-se ali. Ele tinha o batido muito apertado para o retirar. Isso ainda foi mais estranho – escassamente engraçado, quase terrível, e por um tempo Ugh-lomi não se importou muito em tocar a coisa. Era como se a pedra tivesse mordido e segurado com seus dentes. Mas então ele familiarizou-se com a combinação estranha. Ele sacudiu-a de um lado para o outro, e percebeu que o bastão com uma pedra pesada na extremidade desferia um golpe melhor do que qualquer coisa que ele conhecia. Ele foi para lá e para cá sacudindo-o, e golpeando com ele; mas depois ele se cansou dele e jogou-o de lado. À tarde, [85]ele subiu à beira do penhasco branco, e permaneceu observando a toca de coelho até que os coelhos saíram para brincar. Não havia homens nas redondezas, e os coelhos estavam desatentos. Ele arremessou uma pedra golpeante que ele inha feito e conseguiu uma morte.
Naquela noite eles fizeram um fogo com faíscas de sílex e frondes de samambaia, e conversaram e acariciaram-se próximo a ele. E no sono deles, o espírito de Uya retornou, e, subitamente, enquanto Ugh-lomi estava tentando lutar em vão, a tola pedra do bastão veio a sua mão e ele atingiu Uya com ele e, vejam!, ele matou-o. Mas depois, vieram outros sonhos de Uya – pois espíritos requerem muito para matar, e ele teve de ser morto novamente. Então, depois disso, a pedra não se manteria no bastão. Ele acordou cansado e bastante triste, e ficou amuado toda a manhã, a despeito da bondade de Eudena, e, em vez de caçar, ele sentou-se desbastando uma borda afiada na pedra singular, e olhando estranhamente para ela. Então ele amarrou a pedra perfurado no bastão com tiras de pele de coelho. E depois ele caminhou para cima e para baixo na elevação, golpeando com ela, e murmurando para si mesmo, e pensando em Uya. Ele sentia muito boa e pesada na mão.
Vários dias, mais do que havia qualquer contagem naqueles dias, cinco dias, pode ser, ou [86]seis, Ugh-lomi e Eudena permanecerem naquela saliência no desfiladeiro do rio, e eles perderam todo o medo de homens, e o fogo deles queimava vermelho a noite. E eles ficaram felizes juntos; havia comida todo dia, água doce, e nenhum inimigo. O joelho de Eudena ficou bem em alguns dias, pois aqueles selvagens antigos tinham carne que curava rapidamente. De fato, eles foram muito felizes.
Em um daqueles dias, Ugh-lomi derrubou um pedaço de pedra sobre o penhasco. Ele observou-o cair e ir ricocheteando através do banco de areia do rio para dentro do rio, e depois, rindo e pensando sobre isso por um pouco de tempo, ele tentou outro. Isso esmagou um arbusto de avelãs da maneira mais estranha. Eles despenderam toda a manhã derrubando pedras a partir da elevação, e à tarde eles descobriram que esse passatempo novo e interessante também era possível a partir do penhasco. No dia seguinte eles tinham esquecido desse deleite. Ou, pelo menos parecia que eles tinham esquecido.
Mas Uya vinha em sonhos para estragar o paraíso. Três noites ele veio lutar com Ugh-lomi. Na manhã após esses sonhos, Ugh-lomi caminharia para cima e para baixo, ameaçando-lhe e sacudindo o machado, e, finalmente, chegou a noite após Ugh-lomi ter matado a lontra à pancada, e eles banquetearam-se. Uya foi longe demais. Ugh-lomi despertou, franzindo suas pesadas sobrancelhas, e ele tomou o machado dele e, estendendo sua mão na direção de [87]Eudena, ele ordenou-a esperar por ele sobre a elevação. Ele escalou para baixo a declividade branca, encarou para cima uma vez a partir do pé dela e brandiu seu machado e, sem olhar para trás, novamente foi caminhando a passos largos ao longo do banco de areia até que o penhasco saliente, na curva, ocultou-o.
Dois dias e noites Eudena sentou-se sozinha próxima ao fogo sobre a elevação esperando, e à noite, as feras uivavam sobre os penhascos e debaixo no vale, e sobre o penhasco do outro lado dela as hienas acotoveladas perambulavam negras contra o céu. Mas nenhuma coisa maligna chegou perto dela, exceto o medo. Uma vez, muito longe, ela ouviu o rugido de um leão, seguindo os cavalos enquanto eles vinham em direção ao norte, através das terras cobertas por grama, com o verão. Todo esse tempo ela esperou – a espera que é dor.
E no terceiro dia Ugh-lomi retornou rio cima. As plumas de um corvo estavam no cabelo dele. O primeiro machado estava manchado de sangue, e tinha longos cabelos negros sobre ele, e ele carregava o colar que tinha marcado o favorito de Uya em sua mão. Ele caminhava em lugares macios, não prestando atenção à sua trilha. Salvo um corte bruto sobre a sua mandíbula, não havia um machucado nele. “Uya!” exclamou exultante Ugh-lomi, e Eudena viu que isso estava bem. Ele colocou o colar em Eudena, e juntos eles comeram e beberam. E, após comer, ele começou a repetir a história [88]inteira desde o começo, quando Uya tinha lançado seus olhos sobre Eudena, e Uya e Ugh-lomi, lutando na floresta, tinham sido perseguidos pelo urso, suplementando suas palavras escassas com pantomima abundante, saltando de pé e circulando seu machado de pedra quando se chega à luta. A última luta tinha sido uma poderosa, marcando e gritando, e uma vez um golpe no fogo que enviou uma torrente de centelhas para a noite. E Eudena sentou-se vermelha à luz do fogo, fitando-o, sua face ruborizava e seus olhos brilhavam, e o colar que Uya tinha feito ao redor do pescoço dela. Era um momento esplêndido, e as estrelas que olham para nós abaixo olharam para ela abaixo, a nossa ancestral – quem agora tem estado morta esses cinquenta mil anos.
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ORIGINAL:
WELLS, H. G. A Story of the Stone Age. IN:______. Tales of Space and Time. New York: MacMillan and Co., London: St. Martin’s Street, 1920. p. 61-88. Disponível em: <https://archive.org/details/talesofspacetime00well/page/61/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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