O Livro Azul das Fadas - A História de Whittington

O Livro Azul das Fadas


Editado por Andrew Lang


Dedicatória, Prefácio e Conteúdos


[206]A História de Whittington


Dick Whittington era um garoto muito pequeno quando seu pai e sua mãe morreram; de fato, tão pequeno que nunca os conheceu, nem o lugar onde ele nasceu. Ele vagou ao redor do país como um esfarrapado, até que ele encontrou um carroceiro quem estava indo para Londres e deu-lhe permissão para ir durante todo o caminho no lado do seu carroção sem pagar nada por sua passagem. Isso satisfez muito o jovem Whittington, visto que ele queria intensamente ver Londres, pois ele tinha ouvido que as ruas eram pavimentadas com ouro, e ele estava disposto a conseguir um alqueire disso; mas quão grande foi o desapontamento dele, pobre menino!, quando ele viu as ruas cobertas com barro em vez de ouro, e descobriu a si mesmo em um lugar estranho, sem um amigo, sem comida e sem dinheiro.

Embora o carroceiro fosse tão caridoso quanto a deixá-lo ir do lado do carroção por nada, ele não tomou cuidado para o conhecer quando ele chegou à cidade, e, em pouco tempo, o pobre menino estava tão frio e tão faminto que ele desejava a si mesmo em uma boa cozinha e ao lado do fogo quente no interior.

Nesse infortúnio ele pediu caridade de várias pessoas, e uma delas recomendou-lhe ‘Ir trabalhar para um patife ocioso.’ ‘Isso eu farei,’ disse Whittington, ‘com todo o meu coração; eu trabalharei para você se me permitir.’

O homem, quem considerou esse saborear de inteligência e impertinência (embora o pobre rapaz apenas intencionou mostrar sua prontidão para trabalhar), deu-lhe um golpe com uma bengala que quebrou sua cabeça, de modo que o sangue escorreu. Nessa situação, e cambaleando por falta de comida, ele deitou-se à porta de um sr. Fitzwarren, um mercador, onde a cozinheira viu-o e, sendo uma petulante de natureza ruim, ordenou para se ocupar dos seus negócios ou ele o escaldaria. Por esse altura, o sr. Fitwarren chegou da Bolsa e também começou a repreender o pobre menino, ordenando-o a ir trabalhar.

Whittington respondeu que ele deveria ficar feliz de trabalhar se qualquer um [207]desejasse empregá-lo, e que ele deveria ser capaz, se pudesse, de conseguir alguns alimentos para comer, pois ele não tinha tido nada por três dias, e ele era um pobre menino do interior e não conhecia ninguém, e ninguém o empregaria.

Então ele tentou ficar de pé, mas ele estava tão muito fraco que caiu novamente, o que excitou tanta compaixão no mercador que ele ordenou aos servos para levá-lo para dentro e dar-lhe um pouco de comida e bebida, e deixassem-no ajudar a cozinheira a fazer qualquer trabalho sujo que ela tivesse para o incumbir. As pessoas são aptas demais a repreenderem [208]aqueles que mendigam como sendo indolentes, mas não se preocupam em colocá-los no caminho de conseguirem tarefas para fazer, ou de considerarem se eles são capazes para o fazer, o que não é caridade.

Mas nós retornamos a Whittington, quem teria vivido feliz nessa família digna se não tivesse sido agredido pela cozinheira zangada, quem sempre estava assando ou regando com molho, e quando o assador estava desocupado, empregava suas mãos sobre o pobre Whittington! Finalmente, a senhorita Alice, a filha do mestre, foi informada disso, e então ela teve compaixão do pobre menino, e fez os servos tratarem-no gentilmente.

Além do mão humor do cozinheiro, Whittington tinha outra dificuldade a superar antes que ele pudesse ser feliz. Ele teve, por ordem do seu mestre, uma cama de flocos de lã colocada para ele em um sótão, onde havia um número de ratos e camundongos que frequentemente corriam sobre o nariz do pobre menino e perturbavam-lhe no seu sono. Contudo, após algum tempo, um cavalheiro quem veio à casa do seu mestre deu a Whittington um centavo pela escovação dos seus sapatos. Isso ele colocou no seu bolso, estando determinado a tirar a melhor vantagem dele; e na manhã seguinte, vendo uma mulher na rua com um gato sob o braço dela, ele correu para saber o preço dele. A mulher (visto que o gato era um bom caçador de ratos) pediu uma quantidade de dinheiro por ele, mas quando Whittington contou a ela que ele tinha apenas um centavo no mundo, e que ele carecia intensamente de um gato, ela deixou ele tê-lo.

Esse gato Whittington escondia no sótão, por medo de que ele deveria ser espancado pelo sua inimiga mortal, a cozinheira, e aqui ele logo matou o espantou os ratos e camundongos, de modo que o pobre menino agora podia dormir tão bem quanto um chefe.

Logo depois disso o mercador, quem tinha uma embarcação pronta para zarpar, chamou seus servos, como era seu costume, para que cada um deles pudesse arriscar alguma coisa para tentar sua sorte; e seja o que for que eles enviassem não era para pagar nem frete nem taxa, pois ele pensava que Deus Todo-poderoso abençoá-lo-ia mais pela sua prontidão em deixar os pobres tomarem parte na sua fortuna.

Todos os servos aparecerem, exceto o pobre Whittington, quem, não tendo nem dinheiro nem bens, não poderia pensar em enviar nada para tentar sua sorte; mas a sua boa amiga senhorita Alice, pensando que a pobreza dele o mantinha de fora, ordenou-lhe ser chamado.

Então ela ofereceu para entregar alguma coisa por ele, mas o mercador contou à filha dele para que não fizesse isso, tinha de ser alguma coisa dele mesmo. Nisso o pobre Whittington disse que ele não tinha nada exceto um gato que ele tinha comprado por um centavo que foi dado a ele. ‘Busque o teu gato, menino,’ disse o mercador, ‘e envie-o.’ Whittington trouxe o [209]pobre gatinho e entregou-o ao capitão, com lágrimas nos olhos, pois ele disse que agora ele deveria ser tão perturbado por ratos e camundongos quanto sempre. Toda companhia riu da aventura, mas a senhorita Alice, quem se apiedou do pobre menino, e deu-lhe alguma coisa para comprar outro gato.

Enquanto o gatinho estava superando as ondas no mar, o pobre Whittington era severamente espancado em casa pela sua senhora tirânica, a cozinheira, quem o usava tão cruelmente, e divertia-se tanto com ele por enviar seu gato para o mar, que, finalmente, o pobre menino determinou-se a fugir desse lugar, e, tendo empacotado as poucas coisas que tinha, ele partiu bem cedo na manhã do dia de Todos os Santos. Ele viajou até Holloway, e ali ele se sentou sobre uma pedra para considerar que curso ele deveria tomar, mas enquanto ele estava ruminando dessa maneira, sinos de arco, do qual haviam apenas seis, começaram a ressoar; e ele pensou que os sons se dirigiam a ele desta maneira:


Retorne novamente, Whittington

Três vezes Lorde Prefeito de Londres.’


Lorde Prefeito de Londres!’ disse ele para si mesmo; ‘o que alguém não suportaria para ser Lorde Prefeito de Londres e cavalgar em uma carruagem tão fina? Bem, eu retornarei, e suportarei todo espancamento e mau uso de Cicely em vez de perder a oportunidade de ser Lorde Prefeito!’ Assim ele retornou para casa, e alegremente entrou na casa e ocupou-se das suas tarefas antes que a senhora Cicely aparecesse.

Nós temos de seguir o sr. Gatinho até a costa da África. Quão perigosas são as viagens no mar, quão incertos são os ventos e as ondas, quantos acidentes acompanham uma vida naval!

O navio que tinha o gato a bordo há muito era batido pelo mar, e, finalmente, por ventos contrários, foi conduzido para uma parte da costa da Barbaria que era habitada por mouros desconhecidos pelos ingleses. Esses povos receberam os nossos concidadãos com civilidade, e portanto o capitão, para comerciar com eles, mostrou-lhes os padrões dos bens que ele tinha a bordo, e enviou alguns deles para o Rei do país, quem ficou tão bem satisfeito que ele convocou o capitão e o feitor para o palácio dele, o qual ficava a aproximadamente a uma milha do mar. Aqui eles foram colocados, de acordo com o costume do país, sobre tapetes ricos, floridos com ouro e prata; e o Rei e a Rainha estando sentados na extremidade superior da sala, o jantar foi trazido, o qual consistiu em muitos pratos; mas tão logo os pratos foram colocados um número surpreendente de ratos e camundongos veio de todos os cantos e devorou a carne em um instante.

[210]O feitor, de surpresa, virou-se para os nobres e perguntou se esses vermes não eram ofensivos. ‘Oh! Sim,’ disseram eram eles, ‘muito ofensivos; e o rei daria metade do seu tesouro para ser livre deles, pois eles não apenas destroem o jantar, como vocês veem, mas eles assaltam-lhe em seus aposentos, e mesmo na sua cama, de modo que ele está obrigado a ser observado enquanto ele está dormindo, por medo deles.’

O feitor pulou de alegria; ele lembrou do pobre Whittington e do gato dele, e disse ao Rei que ele tinha uma criatura a bordo do navio que despacharia imediatamente todos esses vermes. O coração do Rei elevou-se tanto diante da alegria que essas notícias lhe deram que o turbante dele caiu da cabeça. ‘Traga essa criatura para mim,’ disse ele; ‘vermes são terríveis em uma corte, e se ela realizar o que você diz, eu carregarei o seu navio com ouro e joias em troca dela.’ O feitor, quem conhecia seu negócio, aproveitou essa oportunidade para apresentar os méritos do sr. Gatinho. Ele disse a sua Majestade que seria inconveniente separar-se dele, visto que, quando ele tivesse ido, os ratos e camundongos poderiam destruir os bens no navio – mas para satisfazer sua Majestade ele o traria. ‘Corra, corra,’ disse a Rainha; ‘Eu estou impaciente para ver a querida criatura.’

Para longe voou o feitor, enquanto outro jantar estava sendo providenciado, e retornou com o gato exatamente quanto os ratos e camundongos também estavam devorando esse. Ele imediatamente colocou a sr. Gatinho no chão, quem matou um grande número deles.

O Rei regozijou-se grandemente ao ver seus antigos inimigos destruídos por uma criatura tão pequena, e a Rainha ficou altamente satisfeita, e desejou que o gato pudesse ser trazido para perto para que ela pudesse olhar para ele. Nisso o feitor chamou ‘Chaninho, chaninho, chaninho!’ e ele veio para ele. Então ele apresentou-o à Rainha, quem saltou para trás, e ficou assustado em tocar uma criatura quem tinha causado um tumulto tão grande entre os ratos e camundongos; contudo, quando o feitor acariciou o gato e chamou ‘Chaninho, chaninho!’ a Rainha também a tocou e gritou ‘Shaminho, shaminho!’ pois ela não tinha aprendido inglês.

Então ele colocou-o no colo da Rainha, onde ela, ronronando, brincou com a mão de sua Majestade, e então cantou para si mesmo até dormir.

O Rei tendo visto as façanhas do senhor Gatinho, e sendo informado que os gatinhos dele abasteceriam o país inteiro, barganhou com o capitão e o feito pela carga inteira do navio, e então deu-lhes dez vezes mais pelo gato e pelo equivalente ao resto. No que, despedindo-se de suas Majestades e das outras grandes personalidades na corte, eles navegaram com um bom vento para a Inglaterra, para onde nós agora devemos acompanhá-los.

[211]A manhã escassamente tinha nascido quando o sr. Fitzwarren levantou-se para contar o dinheiro e resolver os negócios para aquele dia. Ele apenas tinha entrado no escritório e sentado-se à mesa quando alguém entrou, tap, tap, à porta. ‘Quem está aí?’ disse o sr. Fitzwarren. ‘Um amigo,’ respondeu o outro. ‘Que amigo pode chegar nessa hora inoportuna?’ ‘Um amigo real nunca é inoportuno,’ respondeu o outro. ‘Eu venho para lhe trazer boas novas sobre o seu navios Unicorn.’ O mercador agitou-se em uma pressa tão grande que ele esqueceu sua gota; instantaneamente abriu a porta e quem deveria ser visto esperando senão o capitão e o feitor, com um armário de joias, e um conhecimento de embarque, pelo qual o mercador ergueu os olhos e agradeceu aos céus por enviar-lhe um viagem tão prospera. Então eles contaram-lhe as aventuras do gato, e mostraram-lhe o armário de joias que eles tinham trazido para o sr. Whittington. Nisso ele bradou com grande ansiedade, mas não da maneira mais poética:


Vai, mande-o entrar, e diga-lhe da sua fama,

E chame-o de Sr. Whittington por nome.’


[212]Não é nossa tarefa criticar sobre essas linhas; nós não somos críticos, mas historiadores. Para nós é suficiente que elas são as palavras do sr. Fitzwarren; e embora esteja além do nosso propósito, e talvez nem em nosso poder para o provar um grande poeta, nós logo devemos convencer o leitor de que ele era um bom homem, o qual era um caráter muito melhor; pois quando alguns quem estavam presentes contaram-lhe que esse tesouro era demais para um pobre garoto como Whittington, ele disse: ‘Deus proíba que eu deva lhe privar de um centavo; é dele próprio, ele deverá tê-lo até um farthing.’ Então ele ordenou que o sr. Whittington entrasse, quem, nesse momento, estava limpando a cozinha e teria se desculpado de entrar no escritório, dizendo que o aposento estava varrida e seus sapatos estavam sujos e cheios de tachas. Contudo, o mercador fê-lo entrar e ordenou que uma cadeira foi colocada para ele. No que, pensando que eles intencionavam tirar sarro dele, como tão frequentemente era o caso na cozinha, ele suplicou ao seu mestre para não zombar um pobre rapaz simples quem não os intencionava nenhum prejuízo, mas deixassem-no ocupar-se das suas tarefas. O mercador, tomando-o pela mão, disse: ‘De fato, sr. Whittington, eu sou sincero com você, e convoquei você para o congratular por seu grande sucesso. O seu gato adquiriu para você mais dinheiro do que eu valho no mundo, e posso você desfrutá-lo por muito tempo e ser feliz!’

Finalmente, sendo mostrado o tesouro, e convencido por eles de que todo ele pertencia a ele, ele caiu de joelhos e agradeceu ao Todo-poderoso pelo seu cuidado providencial com uma criatura tão pobre e miserável. Ele então colocou todo o tesouro aos pés do seu mestre, quem se recusou a tomar qualquer parte dele, mas disse-lhe que, de coração, ele regozijava-se com a prosperidade dele, e tinha esperança de que a riqueza que ele tinha adquirido seria um conforto para ele e fá-lo-ia feliz. Então ele suplicou à sua senhora e à sua boa amiga, senhorita Alice, quem se recursaram a tomar qualquer parte do dinheiro, mas desejavam-lhe toda felicidade imaginável. Então ele gratificou o capitão, feitor e a tripulação pelo cuidado que eles tinham tomado com a carga dele. Da mesma maneira, ele distribuiu presentes para todos os servos na casa, não se esquecendo mesmo da sua antiga inimiga, a cozinha, embora ele pouco merecesse dele.

Depois disso, o sr. Fitzwarren aconselhou ao sr. Whittington para convocar as pessoas necessárias e vestir a si mesmo como um cavalheiro, e fez-lhe a oferta da sua casa para viver nela até que pudesse prover a si mesmo com uma melhor.

Agora veio a acontecer, quando o rosto do sr. Whittington foi lavado, [213]seu cabelo cacheado, e ele vestido em um conjunto rico de roupas, que ele se revelou um jovem rapaz gentil; e, visto que, como a riqueza contribui muito para conceder confiança a um homem, em pouco tempo, ele abandonou aquele comportamento acanhado, o qual era principalmente ocasionado por uma depressão de espíritos, e logo se tornou uma companhia alegre e boa, na medida que a senhorita Alice, quem anteriormente tinha se apiedado dele, agora se apaixonou por ele.

Quando o pai dela percebeu que eles tinha esse bom gosto um pelo outro, ele propôs um casamento entre eles, com quê ambas as partes consentiram, e o Lorde Prefeito, Corte de Aldermen, Xerifes, a Companhia dos Estacionários, a Academia Real de Artes, e um número de mercadores eminentes compareceu à cerimônia, e foram elegantemente tratados em um entretenimento feito para esse propósito.

A história depois relata que eles viveram muito felizes, tiveram vários filhos e morreram em uma boa velhice. O sr. Whittington serviu ao Xerife de Londres e foi três vezes Lorde Prefeito. No último ano da sua prefeitura ele entreteve o Rei Henrique V e sua Rainha, após sua conquista França, nessa ocasião o Rei, em consideração ao mérito de Whittington, disse: ‘Nunca um príncipe teve um tal súdito;’ o que, sendo tido a Whittington, ele respondeu: ‘Nunca um súdito teve um tal rei.’ Sua Majestade, a partir de respeito pelo seu bom caráter, conferiu-lhe a honra da cavalaria logo depois.

Muitos anos antes da sua morte, Sir Richard regularmente alimentou um grande número de pobres cidadãos, construiu uma igreja e um colégio para isso, com uma dotação anual para pesquisadores pobres, e perto dele erigiu um hospital.

Ele também construiu Newgate para criminosos, e doou liberalmente para o Hospital de São Bartolomeu e outras instituições públicas de caridade.


ORIGINAL:

LANG, A. The Blue Fairy Book. Edited by Andrew Lang, with Numerous Illustrations by H. J. Ford and G. P. Jacomb Hood. London: Longmans, Green and Co., and New York: 15 East 16th Street, 1889. p.206-213. Disponível em: <https://archive.org/details/bluefairybook00langiala/page/206/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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