A Floresta além do Mundo - Capítulo I Sobre Golden Walter e seu Pai

[1]Um tempo atrás havia um jovem morando em uma cidade grande e considerável, próxima ao mar, que tinha o nome de Langton na Várzea. Ele tinha apenas vinte e cinco invernos, um homem de bom rosto, de cabelos dourados, alto e forte; um pouco mais sábio do que tolo, o que os jovens costumam ser; um jovem valente, e amável; não de muitas palavras mas cortês de falar; não fanfarrão, nada dominador, mas pacífico e conhecedor de como tolerar: num combate, um inimigo perigoso, e um companheiro de guerra de confiança. Seu pai, com quem ele estava morando quando este conto começa, era um grande comerciante, mais rico do que um barão da região, um chefe da maior das Linhagens de Langton, e um [2]capitão do Porto; ele era da Linhagem dos Goldings, assim sendo ele era chamado Bartholomew Golden, e seu filho Golden Walter.

Agora vós bem podeis imaginar que um jovem como esse era considerado por todos como um homem sortudo sem nenhuma falta. Mas havia esta falha em seu destino: considerando que ele havia caído nas armadilhas do amor de uma mulher demasiadamente bela, e a havia tomado como esposa, ela nada relutantemente, como pareceu. Mas quando eles tinham estado casados por aproximadamente seis meses ele notou, por sinais manifestos, que a justiça dele não era muito para ela, mas que ela tinha de procurar pela baixeza de alguém pior do que ele de todos as formas. Portanto o sossego dele abandonou-o, visto que ele odiava-a por suas mentiras e por seu ódio por ele; contudo, o som da voz dela, enquanto ela vinha e ia em casa, fazia o coração dele bater; e a visão dela atiçava desejo dentro dele, de modo que ele ansiava por ela ser doce e gentil com ele, e considerava que, [se] pudesse ser assim, ele deveria esquecer todo o mal passado. Mas não era assim; pois, sempre que ela via-o, a face dela mudava, e o ódio dela por ele manifestava-se, e [se] de qualquer maneira ela fosse doce com outros, com ele ela era dura e azeda.

Então isso continuou por um tempo, até os aposentos da casa do pai dele. De fato as ruas mesmas da [3]cidade tornaram-se repugnantes para ele; e agora ele lembrou-se de que o mundo era vasto e ele apenas um jovem. Então em um dia, enquanto ele sentava-se sozinho com seu pai, ele falou para ele e disse: ‘Pai, eu estive no cais até agora, e eu observei os navios que estavam quase preparados, e eu vi teu sinal num navio alto que me pareceu o mais próximo de estar pronto. Será que demorará para ele partir?

Não’, disse o pai dele, ‘Aquele navio, que é chamada de o Katherine, eles o rebocarão para fora do porto em dois dias. Mas por que perguntas tu sobre ele?

A palavra mais curta é melhor, pai,’ disse Walter, ‘e isso é; que eu partiria no dito navio e veria outras terras.’

Sim e para onde, filho?’ disse o comerciante.

Para onde ele for,’ disse Walter, ‘pois eu fico doente relaxado em casa, como tu tens conhecimento, pai.’

O comerciante manteve-se calmo por um momento e olhou duramente para seu filho, pois havia forte amor entre eles; mas finalmente ele disse: ‘Bem, filho, talvez fosse o melhor para ti; mas talvez também nós não deveremos encontrarmo-nos novamente.’

Contudo se encontrarmo-nos, pai, então tu deverás ver um homem novo em mim.’

Bem,’ disse Bartholomew, ‘ao menos eu sei em quem colocar a perda de ti, e quando [4]tu fores, pois tu deveras ter teu próprio caminho onde for, ela não deverá mais habitar em minha casa. Ou melhor, mas foi pelo conflito que deve surgir dai em diante entre parentes dela e os nossos, deve resultar em algo pior com ela do que isso.

Disse Walter: ‘Eu suplico-te aviltá-la não mais do que tem de ser, com receio de, fazendo assim, tu aviltes ambos a mim e a ti mesmo também.

Bartholomew novamente se manteve calmo por um momento; então ele disse: Ela vai com criança, meu filho?

Walter ruborizou-se, e disse: Eu não tenho conhecimento, nem de quem essa criança possa ser.Então eles ambos sentaram-se em silêncio, até que Bartholomew falou, dizendo: ‘O fim disso é, filho, que é Segunda-feira, e tu deves partir para o exterior nas poucas horas de Quarta-feira; e entrementes eu devo examinar para que tu não partas de mãos vazias; o capitão do Katherine é um homem bom e verdadeiro, e conhece bem os mares; e meu servo Robert o Pequeno, que é escriturário do desembarque, é digno de confiança e sábio, e como eu mesmo em todos os assuntos que visam à barganha. O Katherine é novo e de construção robusta, e deverá ser sortudo, considerando que ele está sob a guarda dela que é a santa invocada na igreja onde tu foste [5]batizado, e eu mesmo antes de ti; e tua mãe, e meu pai e minha todos jazem sob o santuário dali, como és de teu conhecimento.

Com isso o ancião levantou-se e seguiu para tratar de seus negócios, e nada mais foi dito entre ele e seu filho sobre esse assunto.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.1-5. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/1/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

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A História da Planície Cintilante - Capítulo III Os Guerreiros do Corvo buscam no Mar

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[17]Então as mulheres pensaram neles, e elas conversaram juntas uma palavra ou duas. Em seguida elas separaram-se e foram uma nesse caminho e outra naquele, para reunir os guerreiros do Corvo que estavam longe, ou a caminho, perto da casa, para que eles pudessem seguir Hallblithe para baixo, para a beira mar, e ajudá-lo. Depois de um tempo elas voltaram novamente, [em grupos] de um e dois e três, trazendo com elas os jovens furiosos; e quando houve para mais de uma vintena reunidos no jardim, armados e a cavalo, eles cavalgaram por seus caminhos até o mar, decididos a empurrar uma Dracar dos Corvos sobre as Roldanas para dentro do mar, e seguir os ladrões terríveis das águas e trazer de volta a Hostage, para que eles pudessem acabar com o sofrimento de uma vez, e estabelecer a alegria na Casa do Corvo e na Casa da Rosa uma vez mais. Mas eles tinham com eles três rapazes de quinze invernos ou aproximadamente para levar seus cavalos de volta para casa [18]novamente, quando eles devessem ter subido no Cavalo do Mar.

Assim então eles partiram, e as donzelas mantiveram-se de pé no portão do jardim até que elas perderam a visão deles atrás das colinas de areia, e então voltaram-se tristemente para dentro da casa e sentaram-se lá falando baixo sobre sua dor. E muitas vezes elas tiveram de contar sua história outra vez, enquanto pessoas vinham do campo, uma após a outra, para dentro do salão e paravam. Porém os jovens desceram ao mar, e encontraram o cavalo negro de Hallblithe vagueando aqui e ali entre os arbustos de tamargueiras através da praia; e eles examinaram ali, sobre a areia, e não viram nem Hallblithe nem outro homem. Eles olharam para o mar, e não viram nenhum navio nem vela sobre o mar estéril. Então eles abaixaram-se na areia, separaram sua companhia e foram metade para um caminho, metade para outro: entre as colinas de areia e a rebentação, onde agora a maré estava fluindo; até os promontórios do leste e do oeste, os chifres da baia, obstava-lhes. Então eles reuniram-se novamente próximo das Roldanas, quando o sol estava a uma hora próximo de se por. Ali e então eles colocaram as mãos naquele navio que era chamado de Gaivota, e eles empurraram-no para baixo sobre as Roldanas, para dentro das ondas, e lançaram-se para fora e levantaram a vela, e espalharam os remos e puseram no mar; e um vento fraco estava soprando para o mar dos portões das montanhas atrás deles.

[19]Então eles patrulharam a planície do mar, como o francelho faz com os prados de água, até que a noite caiu sobre eles, e ficou nublado, embora enquanto isso a lua radiante brilhava. Eles não tinham visto nada, nem vela nem navio, nem outra coisa através da planície estéril, salvo pela lavagem das ondas e o planar da ave marinha. Então eles deitaram-se fora dos chifres da baia, e esperaram pelo amanhecer. E quando a manhã chegou, eles abriram caminho novamente, e buscaram no mar. Partiram para os recifes exteriores e examinaram-nos com cuidado. Então eles partiram para mar aberto e viajaram aqui e ali e para cima e para baixo: e isso eles fizeram por oito dias, e durante todo esse tempo eles não viram nenhum navio nem vela, salvo três barcos quaisquer de pescadores próximos do Recife que é chamado de Pedra-da-Gaivota.

Então eles viajaram para casa, para a Baia do Corvo, e puseram seu barco sobre as Roldanas, e assim seguiram seus caminhos tristemente. Foram para a Casa do Corvo. Eles consideraram que, por enquanto, não poderiam fazer mais nada na busca por seu bravo parente e sua bela donzela. E eles estavam muito tristes; pois aqueles dois eram bem-amados por todos os homens. Mas uma vez que eles não podiam corrigir a situação, eles aceitaram em paz, aguardando que a mudança os dias poderia trazer-lhes.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.17-19. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/17/mode/1up


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EderNB do Blog Eidonet

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A História da Planície Cintilante - Capítulo II Más Notícias chegam à Cleveland

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[11]Ele não trabalhou por muito tempo antes que ouvisse o som de cascos-de-cavalo uma vez mais, e não olhou novamente, mas disse a si mesmo: “São somente os rapazes trazendo as parelhas de volta das terras, e cavalgando rapidamente e conduzindo firmemente devido à alegria do coração e despreocupação da juventude”.

Mas o som aproximou-se e ele olhou e viu sobre a parede de relva do jardim a agitação de vestes brancas; e ele disse:

Não, são as donzelas voltando da beira-mar e da coleta de algas.”

Então ele pôs-se a fazer o mais difícil de seu trabalho, e riu, completamente sozinho como estava, e disse: “Ela está com elas: agora eu não olharei novamente até que elas tenham cavalgado para dentro do jardim, e ela venha dentre elas, e tenha saltado de seu cavalo, e lance seus braços ao redor de meu pescoço como ela está acostumada; e então causar-lhe-á alegria escarnecer de mim com palavras duras e voz gentil e coração ansioso; e eu deverei esperar por ela e beijá-la, e doces [12]deverão parecer os dias vindouros para nós: e as filhas de nosso povo deverão observar e ser gentis e alegres conosco.”

Com isso, as donzelas cavalgaram para dentro do jardim, mas ele não ouviu o som de riso ou de alegria dentre elas, o que era contrário ao costume delas; e seu coração abateu-se, e foi como se ao invés do riso das donzelas as vozes daqueles viajantes voltassem no vento clamando, “Esta é a Terra? Esta é a Terra?”

Então ele olhou apressadamente, e viu as donzelas aproximando-se, dez da Casa do Corvo, e três da Casa da Rosa; e ele observou-as, que as faces delas estavam pálidas e desanimadas, e as vestes delas dilaceradas, e não havia alegria nelas. Hallblithe pôs-se de pé espantado enquanto uma que tinha descido de seu cavalo (e ela era a filha da própria mãe dele) correu mais além dele para o salão, não olhando para ele, como se ela não se atrevesse: e outra cavalgou rapidamente para os estábulos. Mas as outras, deixando seus cavalos, circundaram-no, e por um tempo nenhuma se atreveu a pronunciar uma palavra; e ele aguentou-se de pé olhando fixamente para elas, com a plaina [de superfície] em sua mão, ele também silencioso; pois ele viu que a Hostage não estava com elas, e ele sabia que agora ele era o consorte da dor.

Finalmente ele falou gentilmente e em uma voz amável, [13]e disse:“Contem-me, irmãs, que mal caiu sobre nós, ainda que seja a morte de um amigo querido, e coisa que não possa ser corrigida.”

Então falou uma boa mulher da Rosa, cujo o nome era Brightling, e disse: “Hallblithe, não é de morte que nós temos de contar, mas de separação, que ainda pode ser emendada. Nós estávamos sobre a areia do mar próximas da Doca e das Roldanas do Corvo, e nós estávamos recolhendo algas e brincando juntas; e nós vimos uma Coca próxima da praia parada com sua escota negligente, e sua vela batendo o mastro; mas nós consideramos ser nenhuma outra coisa que algum barco de pescadores, e não pensamos nenhum mal disso, mas continuamos correndo e brincando em meio às pequenas ondas que caiam sobre a areia, e as ondulações que se enrolavam ao redor de nossos pés. Finalmente veio um pequeno bote do lado da Coca e remou em direção à praia, e ainda assim nós não tememos, embora nós recuássemos um pouco da rebentação e deixássemos cair as bainhas de nossos vestidos. Mas a tripulação daquele bote encalhou-o próximo de onde nós estávamos de pé, e veio atravessando apresadamente a arrebentação em direção a nós; e nós vimos que eles eram doze homens armados, grandes, e sombrios, e todos envoltos em vestimentas negras. Então de fato nós estávamos assutadas, e nós viramos e fugimos da praia; mas agora era tarde demais, pois a maré estava em mais da metade [14]cheia e longo era o caminho através da areia para o lugar onde nós tínhamos deixado nossos cavalos em meio às tamargueiras. Mesmo assim nós corremos, e elevamo-nos até os seixos de praia antes que eles corressem entre nós: e eles apanharam-nos, e derrubaram-nos sobre as pedras duras.

Então eles fizeram-nos sentar em linha sobre uma crista de seixos; e nós estávamos extremamente assustadas, ainda mais por causa da violação nas mãos deles do que pela morte; pois eles eram homens malparecidos excessivamente desagradáveis de aspecto. Então disse um deles: ‘Qual dentre todas vocês donzelas é a Hostage da Casa da Rosa?’ Então todas nós mantivemos o silêncio, pois não a trairíamos. Mas o homem maligno falou novamente: ‘Escolhei vós então se nós devemos levar uma, ou todas vocês através dos mares em nosso navio negro.’ Ainda assim nós outras não falamos nada, até que tua amada ergueu-se, Oh Hallblithe, e disse: ‘Que seja uma então, e não todas; pois eu sou a Hostage.’ ‘Como tu deverás convencer-nos disso?’ disse o camponês maligno. Ela olhou para ele e disse: ‘Porque eu disse.’ ‘Tu jurarias?’ disse ele. ‘Sim,’ disse ela, ‘Eu juro pelo símbolo da Casa onde eu devo casar; pelas asas do Frango que busca pelo Campo de Morte.’ ‘É suficiente,’ disse o homem, ‘vem tu conosco. E vós donzelas sentai-vos aí, e não se movei até que nós tenhamos aberto caminho em nosso navio, senão vós sentirdes [15]a ponta da flecha. Pois vós estais dentro do alcance do arco a partir do navio. E nós disparávamos armas a bordo.’ Então Hostage partiu com eles, ela sem lágrimas, mas nós choramos intensamente. E nós vimos o bote pequeno subir para o lado da Coca, e Hostage passando por cima da amurada em companhia daqueles homens malignos, e nós ouvimos o vigor e o modo de fazer dos marinheiros enquanto eles içavam a ancora e arrumavam as velas; e então as varreduras deram certo e o navio começou a se mover através do mar. E um daqueles homens mal-intencionados curvou seu arco e disparou uma flecha em nós, mas ela caiu muito próximo de onde nos sentamos, e a gargalhada daqueles renegados cobriu as areias até nos. Então nós esgueiramo-nos pela praia tremendo, e ficamos de pé e chegamos aos nossos cavalos, e cavalgamos para cá velozmente, e nossos corações estão partidos por tua dor.

Com aquela palavra, a própria irmã de Hallblithe saiu do salão; e ela trazia armas consigo, a saber: a espada, o escudo, o capacete e a cota de malha de Hallblithe. Quanto a ele, silenciosamente ele voltou a seu trabalho, e pôs o aço da lança na nova haste cinzenta, e pegou o martelo e bateu no prego, e deitou a arma sobre um seixo redondo que estava perto dali, e firmou o prego do outro lado. Então ele olhou em volta, e viu que outra donzela tinha trazido-lhe [16]seu cavalo de guerra negro como carvão, já selado e com rédeas; então ele arranjou-se em sua armadura, e pôs sua espada no cinto a seu lado e saltou na sela, e pegou sua lança recém-encabada na mão e sacudiu as rédeas. Mas nenhuma dentre todas aquelas donzelas atreveu-se a dizer-lhe uma palavra ou perguntar-lhe para onde ele ia, pois elas temiam sua face, e o sofrimento de seu coração. Então ele saiu do jardim com o cavalo e virou-se em direção à beira mar, e elas viram o brilho da ponta de lança dele [por] um minuto sobre a parede de relva, e ouviram o ruído de seus cascos-de-cavalo enquanto ele galopava através do caminho difícil, e desse modo ele partiu.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. Story of the glittering plain, which has also been called the Land of living men, or the Acre of the undying. Boston: Roberts Brothers, 1892. pp.11-16. Disponível em: https://archive.org/details/story00morrofglitterinrich/page/11/mode/1up


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